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segunda-feira, 17 de julho de 2017

ÓLEO DE CBD: USOS, BENEFÍCIOS E RISCOS

                        Ilustração da Cannabis sativa do séc 19(foto: Wikimedia Commons)

O QUE É

CBD é o nome de um composto encontrado na planta de cannabis. É um dos numerosos compostos encontrados na planta que se denominam canabinoides. Os pesquisadores têm analisado seus potenciais usos terapêuticos.Os óleos que contêm concentrações de CBD são conhecidos como óleo CBD, mas sua concentração e usos variam em diferentes óleos.

CBD É MACONHA?

Até recentemente, o composto mais conhecido em cannabis era o tetraidrocanabinol delta-9 (THC), que é o ingrediente mais ativo da maconha.
A maconha contém THC e CBD, mas os compostos têm efeitos diferentes.
O THC é bem conhecido pelo "barato" que altera a mente quando, dividido por calor, é introduzido no corpo (fumar o baseado ou comer biscoitinhos feitos com maconha).
O CBD não é psicoativo. Isso significa que não altera a mente ou humor, ou estado de espírito de quem o usa. No entanto, parece produzir mudanças significativas no corpo, e pode ter benefícios médicos.

A maior parte da CBD utilizada medicinalmente é encontrada na forma menos processada da planta de cannabis, conhecida como cânhamo.
O cânhamo e a maconha provêm da mesma planta, cannabis sativa, mas são muito diferentes.
Ao longo dos anos, os agricultores de maconha criaram seletivamente suas plantas (engenharia genética) para terem altas concentrações de THC e outros compostos que os interessavam, quer o cheiro ou seus efeitos no consumidor (isto não está no artigo, mas só a título informativo, a maconha usada hoje, é 80% mais potente do que a usada nos anos 60).

Por outro lado, os agricultores de cânhamo tendem a não modificar a planta, e então, são essas plantas de cânhamo são usadas para criar o óleo CBD.

COMO FUNCIONA: Todos os canabinoides, incluindo o CBD, se ligam a certos receptores do corpo, para produzir seus efeitos.
O corpo humano produz certos canabinoides por conta própria e ainda tem dois receptores para os mesmos, chamados receptores CB1 e CB2.

Os receptores CB1 são encontrados em todo o corpo, a maioria no cérebro, onde lidam com coordenação e movimento, dor, emoções e humor, pensamento, apetite e memórias, entre outras coisas menos importantes.

Os receptores CB2 são mais comuns no sistema imunológico, e afetam os processos inflamatórios e dolorosos.

Acreditava-se que CBD atuasse sobre esses receptores CB2, mas agora, parece que o CBD não age diretamente em nenhum dos receptores, tendo a ação de influenciar o corpo a usar mais de seus próprios canabinoides.

EFEITOS POTENCIAIS NA SAÚDE

Por causa da forma como a CBD atua no corpo, seus usos potenciais são muitos: é tomado por via oral, esfregado na pele e às vezes, inalado através de vapor ou usado intravenosamente.

ANALGÉSICO E ANTI INFLAMATÓRIO

É costumeiro usar drogas prescritas ou de venda livre para aliviar a dor e a rigidez, incluindo a dor crônica, e agora, parece que foi descoberta uma forma de fazê-lo, de forma mais natural.
Um estudo publicado no Journal of Experimental Medicine descobriu que CBD reduziu significativamente a inflamação crônica e a dor em ratos.Os pesquisadores sugerem que os compostos não psicoativos da maconha, como o CBD, podem ser um novo tratamento para a dor crônica, e o CBD já está em uso para algumas dessas condições, como esclerose múltipla e fibromialgia.

PARAR DE FUMAR E PARA ALIVIAR A SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA QUANDO DA RETIRADA DE DROGAS PSICOATIVAS

Há algumas provas promissoras de que o uso do CBD pode ajudar as pessoas a parar de fumar. Um estudo piloto publicado em Comportamentos Aditivos, descobriu que os fumantes que usavam um inalador contendo CBD composto fumavam menos cigarros, e não tinham nenhum desejo adicional de nicotina.Outro estudo similar publicado na Neuroterapeutica encontrou que o CDB pode ser uma substância promissora para pessoas que abusam de opióides.
Os pesquisadores observaram que alguns sintomas experimentados por pacientes com transtornos de uso de substâncias podem ser reduzidos pelo CBD. Estes incluem: ansiedade, alterações do humor, dor e insônia.
Estas são descobertas precoces, mas sugerem que a CDB pode ser usado para evitar ou reduzir os sintomas de abstinência.

EPILEPSIA E OUTRAS DOENÇAS NEURAIS

O CBD também está sendo estudado pelo seu possível papel no tratamento da epilepsia e distúrbios neuropsiquiátricos.
Uma revisão postada na revista Epilepsia, observou que o CBD tem propriedades anti convulsivas e baixo risco de efeitos colaterais.
Estudos do efeito da CDB em distúrbios neurológicos, sugerem que isso pode ajudar a tratar muitos dos distúrbios ligados à epilepsia, como neurodegeneração, lesão neuronal e doenças psiquiátricas.
Outro estudo, publicado no Current Pharmaceutical Design descobriu que a CDB pode ter efeitos semelhantes a certos medicamentos antipsicóticos e que pode ser seguro e eficaz no tratamento de pacientes com esquizofrenia.
Evidentemente, mais pesquisas são necessárias para entender como isso funciona.

AJUDA A COMBATER O CÂNCER.
O CBD vem sendo estudado para uso como agente anticancerígeno.
Uma revisão postada no British Journal of Clinical Pharmacology observa que o CBD parece bloquear as células cancerosas de se espalharem pelo corpo (metástase), por suprimir o crescimento de tais células e até mesmo matá-las. Observaram ainda que o CDB pode ajudar no tratamento do câncer por causa de seus baixos níveis de toxicidade. Pedem que seja estudado junto com tratamentos padrão, para verificação de efeitos sinérgicos.

DISTÚRBIOS DA ANSIEDADE

Pacientes com ansiedade crônica são freqüentemente recomendados a evitar a cannabis, pois o THC pode desencadear ou amplificar a ansiedade e a paranoia.
No entanto, uma revisão da Neuroterapeutics sugere que a CDB pode ajudar a reduzir a ansiedade em certos distúrbios da mesma, tais como:

• transtorno de estresse pós-traumático
• transtorno de geral da ansiedade
• transtorno do pânico
•transtorno de ansiedade social
• transtorno obsessivo-compulsivo

A revisão observa que os medicamentos atuais para esses distúrbios podem levar a sintomas adicionais e efeitos colaterais, e que as pessoas tendem a parar de tomar as drogas por causa desses efeitos indesejados.
A CBD não mostrou efeitos adversos nestes casos até presente momento, e os pesquisadores pedem que o CBD seja estudado como método potencial de tratamento.

DIABETE TIPO 1

A diabetes tipo 1 é causada por inflamação quando o sistema imunológico ataca as células do pâncreas.
Pesquisa recente postada em Clinical Hemorheology e Microcirculation descobriu que CBD pode aliviar a inflamação no pâncreas na diabetes tipo 1, podendo este ser o primeiro passo para encontrar um tratamento baseado em CBD.

ACNE

Outro uso promissor para CBD é como novo tratamento para a acne, que é causada, em parte, pela inflamação das glândulas sebáceas hiperativas.
Um estudo recente, publicado no Journal of Clinical Investigation, descobriu que a CBD ajuda a reduzir a produção de sebo que leva à acne, em parte por causa do efeito anti-inflamatório no corpo.

DOENÇA DE ALZHEIMER

Pesquisa inicial publicada no Journal of Alzheimer's Disease descobriu que a CDB foi capaz de prevenir o desenvolvimento do déficit de reconhecimento social em indivíduos nos estágios iniciais do Mal de Alzheimer, o que poderia fazer com que, tais indivíduos, não perdessem a capacidade de reconhecer os rostos das pessoas que eles conhecem. Esta é a primeira evidência de que a CBD tem potencial para prevenir os sintomas da doença de Alzheimer.

EFEITOS COLATERAIS E RISCOS

Muitos estudos (em pequena escala), analisaram a segurança do CBD em adultos, e descobriram que é bem tolerado.
Não houve efeitos colaterais importantes no sistema nervoso central, nem efeitos nos sinais vitais ou humor entre as pessoas que o usam.
O efeito colateral mais comumente observado foi cansaço. Houve alguns casos de diarreia e alterações no apetite ou no peso.

Ainda há muito pouco dados para se saber de segurança a longo prazo, e,em crianças, nenhum teste foi realizado.
Tal como acontece com qualquer opção de tratamento, nova ou alternativa, um paciente deve discutir com um profissional de saúde qualificado antes de seu uso.

O que não está no artigo, mas é interessante se saber, é que tal óleo é vendido livremente, em qualquer lugar, sem receita médica, incluindo aqui no Texas, onde a lei de tolerância zero impede que pacientes em quimioterapia façam uso das pílulas de THC, que são amplamente usadas no alívio dos sintomas decorrentes de tais tratamentos, quase que no mundo todo.

CBD oil: Uses, health benefits, and risks
clique aqui

Cannabinoids as novel anti-inflammatory drugs
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Cannabidiol: Promise and Pitfalls
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The Biology and Potential Therapeutic Effects of Cannabidiol
Cannabinoids for epilepsy
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A critical review of the antipsychotic effects of cannabidiol: 30 years of a translational investigation.
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sexta-feira, 14 de julho de 2017

ESTUDO VINCULA PARASITAS INTESTINAIS A AUTORITARISMO

Não vou fazer a piada óbvia de que, quem sustenta governos autoritários tem, literalmente, minhocas na cabeça. Apenas traduzi o artigo. No final, há os links para o artigo original e outros igualmente interessantes.

A ameaça psicológica de parasitas pode levar as pessoas a suportarem  governos autoritários, de acordo com um crescente número de pesquisas radicais e controversas.
Pode parecer absurdo, mas não parece tanto quando entendemos a teoria do parasita-estresse, a qual postula que, as pessoas que se desenvolvem em áreas infestadas de parasitas (definidas como qualquer organismo patogênico) pensam e se comportam de forma diferente para evitar a infecção. Elas tendem a ser menos abertas a estranhos,menos exploratórios e menos curiosas, ou seja, tem todos os traços que contradizem os valores progressivos.
As explicações para as causas dos governos autoritários geralmente incluem recursos naturais exploráveis, desigualdade econômica, falta de cultura ou ramificações da retirada de governos coloniais. Mas, quanto mais os cientistas aprendem como a prevalência de parasitas afeta a psicologia, mais essas explicações parecem incompletas.
Em 2013, biólogos realizaram um estudo baseado na teoria do parasita-estresse que analisou a relação entre prevalência de parasitas e autoritarismo em diversos paises. Os autores do estudo explicaram seu raciocínio:
"Porque muitos parasitas causadores de doenças são invisíveis, e suas ações misteriosas, o controle da doença historicamente dependia substancialmente da adesão a praticas comportamentais ritualizadas, que reduziam o risco de infecção. Indivíduos que discordavam abertamente, ou simplesmente não conseguiram se conformar a essas tradições comportamentais, representavam uma ameaça à saúde para si e para os outros ".
Os autores disseram que as tendências autoritárias em indivíduos, atendem a uma função de auto-proteção, e essas tendências podem aumentar temporariamente quando as ameaças se tornam psicologicamente salientes. Eles observaram que indivíduos que percebem a ameaça de doenças infecciosas tendem a:
• Tornar-se mais conformistas
• Preferem conformidade e obediência em outros
• Respondem negativamente àqueles que não se conformam
• Aprovam opiniões sociopoliticas conservadoras.
Os resultados do estudo mostraram fortes correlações entre a prevalência de parasitas e autoritarismo - tanto a nível estadual quanto individual.
A questão-chave, no entanto, era se indivíduos com traços autoritários provocados pela prevalência de parasitas estavam, de alguma forma, fazendo com que seus governos se tornassem autoritários. Assim, os pesquisadores realizaram quatro análises de mediação usando um procedimento de inicialização para ver se os dados batiam. Todos os quatro testes indicaram que os indivíduos estavam dando origem a governos autoritários e que os sustentavam.
Esses resultados são consistentes com as implicações lógicas da hipótese do estresse parasitário e são inconsistentes com uma explicação alternativa, sugerindo que a correlação entre prevalência de doença e autoritarismo se baseia unicamente no estabelecimento colonial de instituições estaduais.
O relacionamento estatístico pode ser explicado pelo fato de que as potências coloniais tendem a criar instituições políticas duradouras em áreas com pouca infestação parasitaria.
Embora alguns tenham questionado as descobertas do estudo, os cientistas continuam a realizar pesquisas com base na teoria do parasita-estresse. Outros estudos demonstraram relações estatísticas entre a prevalência de parasitas e:
• Ideologia política conservadora
• Tradicionalismo e coletivismo
• Menos abertura e mais conscienciosidade nos indivíduos
http://bigthink.com/stephen-johnson/are-parasites-shaping-geopolitics?utm_campaign=Echobox&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1494958044

Pathogens and Politics: Further Evidence That Parasite Prevalence Predicts Authoritarianism
http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0062275

Extending the Behavioral Immune System to Political Psychology: Are Political Conservatism and Disgust Sensitivity Really Related?

The Behavioral Immune System: Implications for Social Cognition, Social Interaction, and Social Influence
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0065260115000246


quarta-feira, 12 de julho de 2017

FATOS, MITOS E VERDADES SOBRE TOXICOLOGIA


Hoje, só vou fazer propaganda, com muito orgulho, do trabalho sensacional de meu colega de turma, Dr. Flavio Zambrone, PhD, toxicologista. Abaixo, coloco a idéia e razão para tal projeto, assim como link para a página e o video explicativo. Precisávamos tanto disso!

Drops é a primeira plataforma brasileira a selecionar e checar as notícias mais relevantes sobre os possíveis efeitos dos químicos que temos contato em nosso dia a dia. Através de um trabalho de pesquisa baseado no modelo jornalístico de fact checking, reunimos e disponibilizamos informações confiáveis sobre a ciência da toxicologia. Tudo com a dose certa de ciência.
Com a facilidade e velocidade com a qual as notícias se propagam atualmente muitos mitos se criam a respeito da toxicologia.
Ao identificar a necessidade de corrigir informações imprecisas e divulgar dados corretos sobre a ciência da toxicologia, o Instituto Brasileiro de Toxicologia (IBTox) cria o projeto Drops no início de 2017