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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

1 EM 5 EXECUTIVOS É PSICOPATA

Um estudo australiano descobriu que cerca de 1 em cada 5 executivos são psicopatas, mais ou menos a mesma taxa que entre os presos.
O estudo de 261 profissionais de alto nível nos Estados Unidos descobriu que 21% deles tinham níveis clinicamente significativos de traços psicopáticos. A taxa de psicopatia na população em geral é de cerca de 1 em cada 100.

“Nathan Brooks, o psicólogo forense que conduziu o estudo, disse que as descobertas sugerem que as empresas devem melhorar a sua triagem de recrutamento. Ele disse que recrutadores tendem a se concentrar em habilidades ao invés de características de personalidade e isso leva as empresas a contratarem "psicopatas bem sucedidos" que podem se envolver em práticas antiéticas e ilegais e/ou ter um impacto tóxico sobre colegas.
“Usualmente, psicopatas criam caos e geralmente tendem a jogar as pessoas umas contra as outras", disse ele."Para os psicopatas, o sucesso empresarial é um jogo e eles não se importam em violar códigos morais. Trata-se de chegar onde querem na empresa e ter domínio sobre os outros ".
A crise financeira global em 2008 levou os pesquisadores a estudar as características dos locais de trabalho que permitiram uma cultura corporativa na qual o comportamento antiético foi capaz, não só de florescer, mas também de ser recompensado. A pesquisa , realizada em conjunto com a Universidade de San Diego, foi baseada em um estudo de profissionais corporativos da indústria de abastecimento nos USA (de gerentes para cima).
Os resultados foram apresentados no Congresso da Sociedade Psicológica em Melbourne, e serão publicados no European Journal of Psychology.
Os pesquisadores têm examinado maneiras de ajudar empregadores a detector potenciais psicopatas."Esperamos implementar nossas ferramentas de triagem nas empresas para que haja uma avaliação adequada para identificar este problema, para impedir que tais tipos de personalidade se alcem a posições nas empresas que, a médio e longo prazo se torna muito caro para a empresa em si e para os outros empregados", disse Brooks.”

PERSONALIDADE ANTI-SOCIAL (ANTIGA PSICOPATIA) RESUMIDISSIMA
Os transtornos de personalidade são condições de saúde mental que afetam a forma como alguém pensa, percebe, sente ou se relaciona com os outros. O transtorno de personalidade anti-social é um tipo particularmente desafiador de transtorno de personalidade, caracterizado por um comportamento impulsivo, irresponsável e muitas vezes criminoso.
Sinais de transtorno de personalidade anti-social:
Tiram partido, manipulam ou violam os direitos dos outros
Não tem preocupação, arrependimento ou remorso ao inflingir sofrimento a outros
Comportam-se de forma irresponsável e desrespeitam comportamento social usual para aquela sociedade.
Têm dificuldade em manter relacionamentos de longo prazo
São incapazes de controlar sua raiva
Não sentem culpa nem aprendem com seus erros
Culpam os outros pelos problemas em suas vidas
Repetidamente quebram a lei

Quem desenvolve o transtorno de personalidade anti-social?

Este transtorno afeta mais homens do que mulheres. Não se sabe por que algumas pessoas desenvolvem transtorno de personalidade anti-social, mas tanto a genética quanto experiências da infância traumáticas, como abuso infantil ou negligência, podem ter influência.

Tratamento

Antigamente, pensava-se que o transtorno de personalidade anti-social era uma coisa para sempre, sem chance, mas agora sabe-se que pode ser gerida e tratada. Evidências sugerem que o comportamento pode melhorar ao longo do tempo com terapia, mesmo se as características essenciais, tais como falta de empatia permanecerem.

Artigo Original Clique aqui

Tenho algumas colocações a respeito de psicopatia e grandes empresas. Desde 1943 existe o MMPI (Minnesota Multiphasic Personality Inventory – Inventário Multifasico de Personalidade de Minnesota), que é o teste psicométrico mais pesquisado e usado por profissionais de Saúde Mental para ajudar em Diagnóstico diferencial, ajudar em respostas a questões legais, ajudar a desenvolver planos de Tratamento e avaliar candidatos a emprego durante o processo de seleção. Só que, depois do ADA (Americans with Disabilities Act -Lei dos Americanos com Deficiências), o uso do MMPI foi considerado “ato médico”e portanto proibido de ser usado como avaliação de candidatos, embora ainda possa ser usado para empregos que se relacionem com segurança pública, tipo policiais. Infelizmente, até nesse caso, citado teste tem sido usado cada vez menos, com resultados, a meu ver, desastrosos.

Para o caso de empresas, o MMPI (em qualquer de suas formas), foi substituido pelo Myers–Briggs Type Indicator (MBTI) - Tipos de Personalidade de Myers-Brigg), que é um auto relato montado para mostrar as preferências psicologicas de como as pessoas percebem o mundo e tomam decisões.. Baseia-se na teoria tipologica proposta por Carl Jung, que postula que há 4 funções psicologicas através das quais, nós humanos, experienciamos o mundo: sensação, intuição, emoções e pensamento, e, uma dessas funções é dominante, para determinada pessoa, a maior parte do tempo. Foi desenvolvido para pessoas sem disturbios psicologicos e/ou psiquiatricos (em minha opinião, um ser tão mítico quanto um unicórnio), e enfatiza o valor de diferenças normais entre indivíduos. A hipótese de base de tal teste é que todos nós temos preferências específicas na maneira como construimos nossas experiências, e essas preferências são a base de nossos interesses, necessidades, valores e motivação. Pessoalmente, adoro os livros de Jung. Profissionalmente, seu valor em têrmos de ciência, vai de escasso a nulo.

Embora extremamente popular no setor empresarial, o MBTI exibe deficiências psicométricas significativas, prinipalmente falta de validade, já que não mede o que é seu propósito medir e baixa confiabilidade, pois dá resultados diferentes para a mesma pessoa em diferentes ocasiões. E isso constatei pessoalmente, já que adoro fazer um teste e várias versões do mesmo estão fácilmente disponiveis na internet (tem uma divertidissima na bibliografia). Mas, obviamente, isso não tem a menor importância para os gênios do RH, fora que é muito mais divertido saber que você é COMANDANTE (ENTJ): Ousado, criativo, lider, sempre acha um jeito e se não achar cria, do que ter pontuação alta na escala de psicopatia e narcisismo.

E agora está me dando uma vontade danada de dar exemplos de gente que vemos todos os dias nas manchetes, mas como tenho como princípio jamais fazer diagnósticos públicos, que acho de uma falta de ética brutal, vou encerrar o post aqui e guardar minhas opiniões para discussões entre seletos amigos.

BIBLIOGRAFIA
Arbisi, P. A., Sellbom, M., & Ben-Porath, Y. S. (2008). Empirical correlates of the MMPI-2 Restructured Clinical (RC) Scales in psychiatric inpatients. Journal of Personality Assessment, 90

Boyle, G J (1995). "Myers-Briggs Type Indicator (MBTI): Some psychometric limitations". Australian Psychologist. 30

Butcher, J. N., Dahlstrom, W. G., Graham, J. R., Tellegen, A, & Kaemmer, B. (1989).The Minnesota Multiphasic Personality Inventory-2 (MMPI-2): Manual for administration and scoring. Minneapolis, MN:University of Minnesota Press.

Camara, W. J., Nathan, J. S., & Puente, A. E. (2000). "Psychological test usage: Implications in professional psychology" (PDF).Professional Psychology: Research and Practice. 31 (2)

Forbey, J. D., & Ben-Porath, Y. S. (2007). A comparison of the MMPI-2 Restructured Clinical (RC) and Clinical Scales in a substance abuse treatment sample. Psychological Services

Hogan, Robert (2007). Personality and the fate of organizations. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates

Lilienfield SO, Lohr JM, Lynn SJ (eds) Science and Pseudoscience in Clinical Psychology (2014),

MBTI TEST Clique aqui

PERSONALITY TEST AS A HIRING TOOL  Clique Aqui

PSYCHOLOGICAL TESTING AND THE SELECTION OF POLICE OFFICERS Clique Aqui


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

PREZADO ANÔNIMO

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A MÁSCARA DA SANIDADE": 
Setembro 15-2016

Olá!
Com todo respeito, mas seu post está cheio de informações erradas, e como formadora de opinião acredito ser muito prejudicial. Observo pela sua formação, que os termos apresentados não deveriam ser alheios ao seu conhecimento.
Primeiro - Charles foi mandante, não executor do crime (basta ver o processo de julgamento americano)
Segundo - Se tivesse sido o executor, assassinatos seguidos é uma coisa, serial killer é outra, é pela sua formação acredito que deve saber a diferença do conceito, né? 
Terceiro - Esses dados de profissões que tem relação com psicopatas, já foi amplamente refutado, vide inumeros casos de enfermeiros, e pessoas ligadas a saúde que cometem esses crimes, e enfim...
Sem querer ofender você, mas eu sei que ir atrás da informação correta dá trabalho, porém é oque se espera ao publicar um texto. Ou pelo menos uma nota no início dele: Algo do tipo, oque vou escrever aqui não foi pesquisado, não é verdade dos fatos, é apenas meu pensamento e blá, blá, blá, acredito que seria mais honesto.
Reforço, não é algo para lhe menosprezar, muito pelo contrário, gostei do conteúdo do blog, é apenas uma sugestão

Prezado Anônimo
Grata pelo comentario. Não posso responder in box porque seu e mail é daqueles “do not reply”. Adorei o título de “formadora de opinião”, mas infelizmente, não o sou. O que sou é uma médica quase entrando na idade de aposentadoria e treinando, via este blog, para o que fazer quando e se decidir me aposentar, e no caminho, ir comentando as neurociências. E, já que estava confusa sobre o que escrever essa semana na qual o mundo certamente enlouqueceu,  você gentilmente  a forneceu .

Mas respondendo:

1-O post foi escrito em 2013. Com toda a certeza há dados novos a respeito

2-Sim, velho Charles foi só o mandante, ele nunca matou ninguém pessoalmente ao que se saiba, mas mesmo assim, “Charles Manson foi condenado por 7 acusações de assassinato em primeiro grau por seu papel nas mortes, apesar do fato de nunca ter matado ninguém diretamente. Em vez disso, ele ordenou seus seguidores a matar por ele. Isto é conhecido como assassinato por procuração ou assassinato por proxy, que é definido  como um assassinato no qual o assassino comete o crime sob o comando de outro, agindo como seu proxy ou procurador.” Dr. Scott Bonn, professor de sociologia e criminologia na Drew University em seu livro Porque amamos Serial Killers: O curioso apêlo dos mais selvagens assassinos ( tradução minha de Why we love serial killers: The curious appeal of the world’s most savage murderers.) Espero que agora tenha ficado claro o porquê, no post eu coloquei: “Carles Manson, aquele que matou a Sharon Tate. A fim e a cabo , não era nenhum tratado de criminologia, apenas um exemplo de um psicopata tamanho federal. Mas você está certo, esqueci de especificar.
3- “…assassinatos seguidos é uma coisa, serial killer é outra…” Tem toda a razão. Assassinatos seguidos é português para “serial killing”ou “serial murder”em ingles, enquanto “serial killer” é o assassino que comete assassinatos multiplos ou sequenciais  ou seguidos em ingles. Em português seria “assasino em série.”
Então, já que estamos no assunto, aproveite e dê uma olhada no PDF do FBI que explica tudo isso e mais um pouco. Pode baixar sem susto.
Serial Murder: Multi Disciplinary Perspective For Investigators; Behavioral Analysis Unit, FBI https://www.fbi.gov/stats-services/publications/serial-murder
4- “Esses dados de profissões que tem relação com psicopatas, já foi amplamente refutado, vide inumeros casos de enfermeiros, e pessoas ligadas a saúde que cometem esses crimes, e enfim...”  Aqui, faço notar que não coloquei dado nenhum, só citei o que está no livro “The Wisdom of Psychopaths: What Saints, Spies, and Serial Killers Can Teach Us About Success”, ou numa tradução livre de minha parte, “A sabedoria dos psicopatas: O que os Santos, Espiões e Assassinos em Série podem nos ensinar sobre sucesso”, do psicologo Kevin Dutton. Até botei fotinha do livro. Pode checar em A MASCARA DA SANIDADE . Por outro lado, você se olvidou de colocar quem ou onde o que tal psicologo disse foi refutado. Assim, curiosa que sou, fui dar uma revisada, desta vez sim, com dados.
O Dr. Robert D Hare (professor emérito na Un British Columbia, é pequisador na área de Psicologia criminal e desenvolveu o Inventario de Psicopatia de Hare -Hare Psychopathy Checklist, utilizado para avaliar casos de psicopatia) reporta que 1% da população em geral é constituida de psicopatas, e considera que esse número é bem maior, cerca de 3 a 4%, quanto mais alta é a posição na empresa.
Maiores informações, pode dar uma olhadinha nos seguintes links
Belinda Jane; Fritzon, Katarina (2005). "Disordered personalities at work". Psychology Crime and Law. 11

Hare R D (1993) Without Conscience: The Disturbing World of the Psychopaths Among Us

Hare, RD (1994), "Predators: The Disturbing World of the Psychopaths among Us", Psychology Today, 27 

E finalmente, concordo em gênero número e grau que ir atrás da informação correta dá trabalho. Melhor dizendo, dava. Agora a informação está à distância de um clique. E mesmo assim, nunca tanta desinformação aconteceu. Tomo por testemunha o que vemos em nossas páginas do FB todo santo dia, o dia todo. É gente reportando notícias, principalmente na área da Saúde de um nível de absurdo de arrepiar, principalmente para mim, que sou médica. Por exemplo: vem rolando há uns 5 anos, se não me engano, uma notícia de um médico italiano que se diz autodescobridor da cura de todos os canceres com injeções de bicarbonato de sódio. No site dele, tem a velha explicação que a big farma não deixa ele fazer as pesquisas que precisaria e blablablabla…e explica o bicarbonato pelo fato de todos os cânceres serem brancos. Bastaria uma passadinha no Google, na parte de fotos, para dissipar a idéia da brancura dos malditos, já que os há de todas as cores e formas. Mas não. E enquanto ele enriquece, familias gastam o que não tem para procurá-lo. E isso eu acho que é crime. Dos mais sérios. Isso para não falar nas campanhas anti vacinação, anti medicação para AIDS, etc.etc. etc.
Então, prezado Anônimo, estamos de acordo, e, mais uma vez agradecendo seu input, já tenho a idéia para a proxima semana, que será a importância do pensamento crítico na sobrevivência da espécie. Abaixo coloquei alguns links que com certeza vão estimular sua sede de saber.
FBI Records: The Vault https://vault.fbi.gov/
Investigación académica y gobernanza ética: una perspectiva sobre la creación de información http://www.ibersid.eu/ojs/index.php/ibersid/article/viewFile/3880/3599

sábado, 17 de setembro de 2016

PERCEPÇÃO E REALIDADE

“O medo e a paranóia criam muitas de nossas lutas mundanas. Colocamos algo em nossa mente e nossa percepção distorcida esculpe a realidade do que vemos. Mesmo que o que vemos não esteja realmente lá, tendemos a agir como se estivesse. Então começamos a colocar pessoas e coisas em caixas, rotulando-as e limitando-as devido a nossos medos.” Alaric Hutchinson, Living Peace

"Desde que me livrei da mídia sindicalizada e doutrinada, minha vida tornou-se um produto do que busco e não do que me disseram. Recomendo a todos, nesta era da informação, a exigir mais do que se procura em vez de simplesmente ficar usando a lista de favoritos em seu controle remoto."James Emlund

Neste momento em que tenho a impressão que o Apocalipse está se realizando, e vou me limitar a falar aqui do fenômeno Trump, desde que o que está acontecendo no Brasil não estou vivendo, só tomo conhecimento via midia e conversas com amigos, o que é muitissimo diferente de viver a coisa, vou me acalmar com as explicações das neurociências e das ciências sociais.

Por que chamo a coisa toda de Apocalipse? Por que, segundo o Webster, significa um grande desastre: um evento súbito e muito ruim que causa muito medo, perda ou destruição. E aqui nos USA, a coisa se evidencia nos seguidores do Trump, no geral brancos, classe de media a baixa, idade de 35 para cima, que é exatamente a camada da população que está morrendo de puro desespero, como evidenciado nos seguintes artigos:

Why Are So Many Middle-Aged White Americans Dying? (Por que tantos brancos de meia idade estão morrendo?) CLIQUE AQUI

Donald Trump Is Winning Because White America Is Dying (Donald Trump está ganhando porque a America branca está morrendo) CLIQUE AQUI

Why so many white American men are dying (O por que tantos Americanos brancos estão morrendo)
CLIQUE AQUI

America’s self-destructive (America auto destrutiva) CLIQUE AQUI

A group of middle-aged whites in the U.S. is dying at a startling rate (Um grupo de homens brancos de meia idade nos USA está morrendo em numeros espantosos) CLIQUE AQUI

A new divide in American death (Novo divisor na morte de Americanos)CLIQUE AQUI

Aqui vai um resumão de todos eles:
“Por que os Americanos estão se matando? O fato em si , provavelmente, a mais importante descoberta das ciências sociais em décadas, é a política americana. As pessoas que compõem este grupo são, em grande parte, responsaveis pela liderança de Donald Trump. A questão chave é o porquê, e as respostas sugerem que a raiva que domina a política Americana só vai piorar. Durante décadas, as pessoas nos países ricos viveram mais, mas os economistas Angus Deaton e Anne Case descobriram que ao longo dos últimos 15 anos, um grupo de brancos de meia-idade nos Estados Unidos está morrendo de forma alarmante e em números crescentes e é muito pior para aqueles com apenas um diploma do ensino médio ou menos. A diferença, em comparação com outros países e grupos é enorme. As principais causas de morte são: suicídio, alcoolismo, overdoses de medicamentos e drogas ilegais. Estas circunstâncias são geralmente causadas por stress, depressão e desespero. O único pico comparável em mortes em um país industrializado ocorreu entre os homens russos depois do colapso da União Soviética, quando a taxa de alcoolismo disparou. A explicação convencional para essa ansiedade da classe média é que a globalização e as mudanças tecnológicas têm colocado pressões crescentes sobre o trabalhador médio em nações industrializadas. Mas a tendência está ausente em qualquer outro país ocidental, sendo um fenômeno exclusivamente americano. E os USA na realidade, é relativamente isolado das pressões da globalização, tendo um vasto mercado interno, auto-suficiente. O comércio com outros paises representa apenas 23% da economia, em comparação com 71% na Alemanha e 45% na França.
Especula-se que talvez Estado social mais generoso na Europa, alivia alguns dos medos associados a rápidas mudanças, enquanto aqui nos USA, médicos e empresas farmacêuticas lidam com a dor física e psicológica com drogas incluindo opióides potentes e viciantes. A introdução de medicamentos, tais como o Oxycontin, um analgésico semelhante à heroína, coincide com o aumento do número de mortes.
Mas por que não se vê essa tendência entre outros grupos étnicos na América? Enquanto as taxas de mortalidade para brancos de meia-idade aumentou, as taxas para hispânicos e negros continuaram a diminuir significativamente. Estes grupos vivem no mesmo país e enfrentam pressões econômicas muito maiores do que os brancos. Por que não estão em desespero similar?
A resposta pode estar nas expectativas. Esses grupos não esperam que sua renda, padrão de vida e status social estejam destinados a melhorar de forma constante. Eles não têm a mesma confiança de que, se eles trabalham duro, vão certamente subir na vida. Na verdade, depois de centenas de anos de escravidão, segregação e racismo, os negros desenvolveram maneiras de lidar com a decepção e as injustiças da vida: através da família, arte, discurso de protesto e, acima de tudo, a religião.
"Vocês são os veteranos do sofrimento criativo," disse Martin Luther King Jr. aos negros em seu famoso discurso"I Have a Dream", em 1963. "Continuem trabalhando com a fé de que o sofrimento imerecido é redentor" E explicou a questão em termos pessoais: "Com meus sofrimentos, percebi que havia duas maneiras de responder à minha situação: ou reagir com amargura ou procurar transformar o sofrimento em uma força criativa. As experiências dos latino-americanos e imigrantes nos Estados Unidos são diferentes, mas esses grupos não acreditam que seu lugar na sociedade é garantido. Minorias, por definição, estão nas margens. Elas não presumem que o sistema está configurado a seu favor. Eles tentam duro e esperam ter sucesso, mas não o esperam como norma. Os USA estão passando por uma grande mudança, e embora os brancos da classe trabalhadora não pensem em si mesmos como um grupo de elite, é o que eles têm sido, certamente em comparação com os negros, hispânicos, indios americanos e a maioria dos imigrantes. Eles foram fundamentais para a economia americana, sua sociedade, de fato sua própria identidade. E não são mais. Donald Trump prometeu que vai mudar isso e fazê-los vencer novamente. Mas ele não pode. Ninguém pode. E no fundo, eles sabem disso. E é exatamente o que provoca o furor e as mortes.”

Ou seja, os brancos, se sentindo incapacitados de lidar com o que percebem como uma mudança para pior, não conseguem se adaptar às novas realidades e transformam seu mundo num redemoinho de ódio, provando a teoria da evolução que diz que a sobrevivência de um organismo está diretamente relacionada à sua capacidade de adaptação a um meio em constante mudança.

Mas, qual é a grande diferença entre percepção e realidade?

Por definição, PERCEPÇÃO (do latim perceptio, percipio) é a organização, identificação e interpretação das informações sensoriais, a fim de representar e compreender o ambiente. Toda percepção envolve sinais no sistema nervoso, que por sua vez resultam na estimulação física ou química dos órgãos dos sentidos.
Já REALIDADE é o mundo ou o estado das coisas como elas realmente são, ao contrário de uma ideia idealista ou fictícia das mesmas.

Por exemplo, percepção é aquela saudade dos “bons velhos tempos”, como o mundo era muito melhor quando… (eramos crianças, adolescentes, adultos jovens, etc…).

A Percepção é sempre uma Projeção e as coisas nem sempre são o que parecem ser, coisa muito usada por comerciantes, marqueteiros e politicos, para nos fazer ver as coisas como eles querem que as vejamos. Eles são ótimos em nos dizer tudo o que queremos ouvir, sem qualquer indício de verdade no discurso todo inteiro. O mundo que vemos é o reflexo de quem somos e no que acreditamos, e a profecia auto-realizável estabelece a base deste conceito: uma declaração que altera as ações e, portanto, torna-se verdade. Inconscientemente, mudamos nossas ações para que nossa previsão seja cumprida. Lembra da Faculdade, daquela matéria que você detestava, e de como passou muito mais tempo pensando sobre o quanto a detestava ao invéz de tentar entender a coisa, e o resultado nas notas? Pois é. Muitas vezes, a maneira como percebemos a realidade é colorida pela forma como queremos que ela seja, em vez de simplesmente a maneira como é.

A Percepção impulsiona nosso comportamento todo o tempo. Veja o exemplo simples do Facebook. Não lhe dá a impressão que o mundo é constituido de pessoas lindas, fantásticas, de bem com a vida, cheias de sucesso, e você é a única que acorda descabelada, tem dor de barriga e não está cheia de amor para dar à larga? Ou qualquer propaganda de creme para rugas, estrelado por uma modelo maravilhosa de 20 anos, que, para inicio de conversa, não tem rugas?

Só para dar um exemplo, o rendimento da indústria dos cosméticos, só aqui nos USA, para o ano de 2015, foi de $56,875,000,000 (56 BILHÕES de dólares e quebradinhos).

Uma pessoa pode alugar uma Ferrari e um smoking, aparecer no Jockey Club, comprar uma garrafa de champagne carissima e parecer milionaria. Esta pessoa está criando sua própria percepção, criando uma ilusão. Não importa que essa pessoa não seja nenhum milionário porque vamos percebê-la como se fora. Esta pessoa está “criando uma realidade” de que está fazendo grandes coisas, e na verdade, pode não estar fazendo porcaria nenhuma.

E essa é exatamente a grande capacidade de nosso Donald aqui. Ele vendeu a idéia de si mesmo como um grande homem de negócios, que se fez a si mesmo, tipo um Bill Gates ou Steve Jobs imobiliário, quando na realidade, a fortuna veio de seu pai e todos os negócios nos quais se meteu, cassinos, companhias de aviação, fabrica de vodka, carne, faliram miseravelmente. Mas ele teve um grande sucesso: um reality show chamado “The Apprentice” (O aprendiz), no qual o grand finale era sempre a frase “You are fired” (Você está despedido).
E também foi despedido do canal de TV onde esse programa ia ao ar, só que essa informação apareceu pouquissimo na mídia, que passou a lhe dar, de graça, o maior tempo de exposição, tendo assim a possibilidade de espalhar seu discurso cheio de ódio, apontando os dedinhos gordinhos para “os grandes culpados”pela queda de importancia daquele pedaço da população que, em não querendo mudar ou se adaptar aos novos tempos, precisa desesperadamente de um culpado fora de si onde despejar sua frustração. E quem são esses culpados? Os mexicanos, que além de serem estupradores, ladrões e chefes de cartel de Drogas, estão tirando os empregos dos pobres Americanos trabalhadores. E não importa o fato que a indústria dos alimentos pararia se não fossem os citados mexicanos, já que os Americanos se recusam a trabalhar debaixo do sol para catar laranja, maçã e as demais frutas e verduras. Também não interessa o fato de que as camisas e gravatas da linha Trump sejam manufaturadas na Indonésia e México. Outros culpados são os malditos liberais que, horror dos horrores, estão tentando extender Saúde à grande parte da população que não tem acesso. Aqui, se não se tiver um bom emprego que pague (só a metade) de um Seguro Saúde, danou-se. E mesmo assim, a grande parte das falências pessoais é causada por contas médico/hospitalares (Medical Bills Are the Biggest Cause of US Bankruptcies: Study (Conta Médicas são a maior causa de falência nos USA CLIQUE AQUI). Outros culpados: os negros, violentos e que não querem trabalhar, e mulheres, essas desastradas, que querem decidir sobre o que fazer com o própio corpo.

Triste de concluir, mas nossas percepções se transformam em nossa realidade.

"Tudo o que você ve, ouvie ou experiencia de qualquer maneira é específico para você. Você cria um universo único a partir de suas própias percepções " Douglas Adams

Use um minuto para examinar o lugar onde você está. É um lugar familiar ou novo? Pare de ler isto e olhe ao seu redor. Escolha um objeto, de preferência algo que você não tenha notado antes, e foque sua atenção nele. Se realmente se concentrar, tal objeto vai ficar mais brilhante e mais "real" do que antes, quando era só meio que despercebido, um barulho de fundo. Agora, observe os arredores a partir do ponto do objeto. Algumas pessoas podem fazer isso sem nenhum esforço, e para outros, é preciso alguma concentração. Dependendo de como você está treinado a se concentrar, poderá notar uma ligeira mudança em sua percepção, um salto estranho na realidade, onde, de repente, está vendo o mundo de uma perspectiva diferente. Funcionou? Quer tenha ou não percebido, sua percepção mudou, nem que tenha sido por apenas um instante.

Por que é importante estarmos conscientes de nossas percepções? Porque, se não estivermos, alguém vai criá-las por nós.

Já viu os incriveis desenhos nas calçadas feitos por Julian Beever? Ele utiliza uma técnica chamada Trompe l'oeil, que significa "enganar o olho" em francês. Ele usa imagens estáticas de desenho para criar uma percepção. É uma ilusão de ótica, e nesses casos, nossa mente tenta preencher os detalhes de algo que, ou pensa que já sabe, ou não está entendo muito bem. Isso funciona muito bem, quando essa é a intenção: momentaneamente deixar nosso mundo ser moldado por pura diversão. Mas, vagar pela vida, deixando que outros criem nossas percepções, pode ser muito perigoso, como tão bem e tão tristemente nos mostra a morte precoce de um número enorme de Americanos.

O problema é que, de certa forma, a percepção é tudo o que temos. Não é possível experimentar a realidade física, o que é "lá fora", diretamente, e assim vivemos dentro do mundo de nossas percepções. Nosso cérebro faz o melhor possivel para manter nossas percepções consistentes com a realidade física, com base nas informações que recebe dos sentidos, mas é só isso, nada mais pode fazer.

Ao mesmo tempo, o nosso sistema perceptivo é construído de modo que o que experimentamos, sentimos como realidade física, e a tradução do cérebro da percepção em um modelo da realidade é tão automática que não só não estamos cientes do que está acontecendo, mas é preciso prática e treinamento para nos tornarmos cientes disso. Esta consciência inclui todos os erros e distorções que nossos processos perceptivos rotineiramente impõem sobre nossa experiência, como nas ilusões de ótica.

Assim, a fim e a cabo, somos apenas capazes de interagir com a realidade, e é essa interação que nos permite realizar experimentos para determinar a verdadeira natureza de realidade ou, pelo menos, para chegar mais e mais perto de sua verdadeira natureza. Todas as vezes que temos alguma interação, tipo sair andando, ou atender o telefone, ou falar de nossos sentimentos com outra pessoa, qualquer coisa que façamos, de alguma forma estamos alterando a realidade física. Vemos essa mudança com nossa percepção, e a usamos para deduzir o que está acontecendo no mundo. Um dos problemas das pessoas com esquizofrenia, é que sua percepção está tão alterada que eles desenvolvem alucinações e delirios, e essa enorme alteração, para eles, é a realidade.

O problema é que, para a maioria de nós, não esquizofrenicos, há a crença que nossa percepção é igual a realidade, e como cada um de nós tem uma percepção diferente do mundo, criada pelo nosso temperamento inato, educação recebida em casa e na escola, cultura na qual vivemos, crenças que temos, livros que lemos, escolhas que fazemos, etc. etc e etc., a torre de Babel está instalada e aumentando a cada dia.

E isso não só torna nossa vida bem mais dificil do que deveria ser, mas também conseguimos transformar o mundo num imenso desastre.

Então qual a solução?

A antiquissima “Conhece-te a ti mesmo”, usada desde o frontispicio do Templo de Delfos a Freud, e a tarefa mais árdua para um ser humano. Sempre foi muito mais fácil apontar o dedo em alguma direção e culpar “o outro”, “a sociedade”,” a política”, “a religião ópio dos povos”, “a mídia”, enfim, a escolha é vasta.

Então pensa se sua “realidade” tem base em fatos verificaveis ou se está sendo levado/a por campanhas, porque todos seus amigos pensam assim, porque você é de direita, esquerda, judeu, cristão, mussulmano, ateu, porque não quer pensar nisso, porque se sente virtuoso apontando dedos, porque se sente impotente para mudar seja lá o que achar que tem que ser mudado. Melhor ainda, pega papel e caneta e escreve sua história. Quando e como você a decidiu? O que você poderia mudar em você mesmo, que mudaria toda a história? Você realmente escuta uma opinião diferente, ou quando o outro está falando, já está pensando em como responder sem ouvir direito o que é dito? Quais são suas expectativas, a respeito de você mesmo e a respeito do mundo?

Use verbos, que de adjetivos o mundo está cheio e cada um de nós os interpreta diferente. Ao invéz de pensar no amor substantivo, pensa no que implica o verbo amar.

O simples ato de escrever, vai mudar sua percepção, mudando assim a realidade.

Também tenho consciência que quase ninguém vai fazer isso, porque é também sina humana a resistência à mudança.

E docendo disco, scribendo cogito

BIBLIOGRAFIA

Behavioral Confirmation in Social Interaction: From Social Perception to Social Reality CLIQUE AQUI

Crónica de una muerte anunciada, Gabriel García Márquez  CLIQUE AQUI PDF

Defining Virtual Reality: Dimensions Determining Telepresence CLIQUE AQUI

Mind: perception and thought in their constructive aspects: CLIQUE AQUI

Perception and Reality: A National Evaluation of Social Norms Marketing Interventions to Reduce College Students’ Heavy Alcohol Use CLIQUE AQUI

Perception vs. reality CLIQUE AQUI

Perception and reality The truth behind consumer confidence CLIQUE AQUI

Social Perception and Social Reality: A reflection-construction model CLIQUE AQUI