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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

BLOG DO FIM DE ANO

Fim de ano, tempo de reflexões. Este ano, não farei o blog costumeiro de resumos de acontecidos no ano que se finda. Por alguma razão, estou com a impressão de que, apesar de todos os fantásticos avanços da ciência, que pelo menos trazem esperança, estou com gosto amargo na boca. Aquela sensação dificil de definir, talvez ansiedade, de que, apesar de todas as esperanças citadas, enquanto humanidade, estamos num desejo de volta à Idade das Trevas, que parece encobrir o mundo com manto plúmbeo ( e óbviamente eis que traduzo o que sinto numa escrita bombástica).

Vai daí que decidi simplesmente postar duas fábulas, que me fazem muito bem. A primeira é do Robert Fulghrum, que considero o maior filósofo americano vivo, está na minha lista de gente que quero conhecer pessoalmente, antes de morrer, e com certeza, minha alma gêmea. Descobri, ao ler uns dos livros dele, que compartilhamos o horror das “reuniões de staff”, onde acho que um monte de gente, usualmente inteligente, emburrece repentinamente e assim permanece até o término da citada. Ele, numa reunião de professores, na faculdade onde dava aulas, conseguiu dormir tão profundamente que caiu da cadeira e se esfaqueou com uma daquelas faquinhas de escoteiro, que estava perdida em seu bolso, e sobre a qual caiu. Nunca cheguei a esse preciosismo, até mesmo porque não carrego comigo faquinhas de qualquer espécie, mas já escorreguei de muita cadeira, cabeceei e até babei uma vez. A segunda união de almas é nossa paixão por subir em árvores. Ele, claro, sendo americano, é portador de carteirinha da “Associação Internacional de Trepadores de Árvores”, com sede em Atlanta, GA. Eu, mais modesta italo/brasileira, me contento em estragar a venda de uma casa. Foi absolutamente sem intenção. Pois bem, alguns anos atrás, tomada de espírito natalino, eis que decido, num dos imvernos mais frios que já passei em Houston, até nevou, enfeitar as duas árvores postadas em frente à minha casa. Assim, vestida no melhor estilo cebola, desde aqueles calçolões vermelhos do Pluto, até tenis bem velho, luvas e boina de pescador, preta que nem minha era, mas de marido, enrolada em fios e luzes, vou à luta. E lá estou, bem plantada no meio da árvore, tentando me desvencilhar dos fios que nessa altura estavam mais enrolados que meus pensamentos, na casa vizinha chega uma familia, marido mulher e 3 crianças, acompanhados da senhora da imobiliária, que a casa estava à venda. E assim, continuando enrolada mas natalina até a medula, solto um sonoro “Bem vindos! Feliz Natal”. E tento acenar alegremente, o que foi uma péssima idéia, pois perdi o equilibrio, que já não é lá essas coisas, e lá vim eu abaixo, ainda embrulhada na que deveria ser uma alegria natalina. Ao contrário do Robert, não sofri nenhuma concussão, só fiquei toda ralada. A familia sumiu. Então sem mais, aqui vai:

TUDO O QUE DEVERIA SABER NA VIDA, APRENDI NO JARDIM DE INFÂNCIA
"Tudo o que eu preciso mesmo saber sobre como viver, o que fazer, e como ser, aprendi no jardim-de-infância A sabedoria não estava no topo da montanha mais alta, no último ano de um curso superior, mas no tanque de areia do pátio da escolinha maternal. Vejam o que aprendi:
Dividir tudo com os companheiros.
Jogar conforme as regras do jogo.
Não bater em ninguém.
Guardar os brinquedos onde os encontrava.
Arrumar a "bagunça" que eu mesmo fazia.
Não tocar no que não era meu.
Pedir desculpas, se magoava alguém.
Lavar as mãos antes de comer.
Puxar a descarga depois de usar a privada.
Biscoito quente e leite frio fazem bem à saúde.
Fazer de tudo um pouco – estudar, pensar, desenhar, pintar, cantar e dançar, brincar e trabalhar, de tudo um pouco, todos os dias.
Tirar uma soneca todas as tardes.
Ao sair pelo mundo, cuidado com o trânsito, ficar sempre de mãos dadas com o companheiro e sempre "de olho" na professora.

Pense na sementinha de feijão, plantado no copo de plástico: as raízes vão para baixo e para dentro, e a planta cresce para cima – ninguém sabe como ou por quê, mas a verdade é que nós também somos assim.

Peixes dourados, porquinhos-da-índia, esquilos, hamsters e até a semente no copinho plástico – tudo isso morre. Nós também. E lembre-se ainda dos livros de histórias infantis e da primeira palavra que aprendeu, a mais importante de todas: Olhe! Tudo que você precisa de saber está por aí, em algum lugar. A regra de ouro, o amor e os princípios de higiene. Ecologia e política, igualdade e vida saudável.

Escolha um desses itens e o elabore em termos sofisticados, em linguagem de adulto; depois aplique-o à vida da sua família, ao seu trabalho, à forma de governo do seu país, ao seu mundo, e verá que a verdade que ele contém mantém-se clara e firme. Pense o quanto o mundo seria melhor se todos nós – o mundo inteiro – fizéssemos um lanche de biscoitos com leite às três da tarde e depois nos deitássemos, sem a menor preocupação, cada um no seu colchãozinho, para uma soneca. Ou se todos os governos adotassem, como política básica, a ideia de recolocar as coisas nos lugares onde estavam quando foram retiradas; arrumar a "bagunça" que tivessem feito.
E é verdade, não importa quantos anos tem: ao sair pelo mundo, vá de mãos dadas, e fique sempre "de olho" no companheiro."

E a segunda parte, a fábula O SÁBIO E A VERDADE, não faço a mais remota idéia de quem seja, mas a escutava em muito bom italiano, de meu nonno Brando, que me ensinava que as verdades não precisam necessáriamente serem enunciadas como murros no nariz, grande professor esse meu querido “anarquista e ateu, graças a Deus”.

“Era uma vez um imperador que sonhou que tinha perdido todos os dentes. Acordou apavorado e mandou buscar um sábio, para que interpretasse seu sonho.
Senhor, que desgraça, exclamou o sábio, cada um de seus dentes caidos representa uma pessoa de sua família que vai morrer.
Mas que insolente! Berrou o imperador, e mandou chicotear com gosto o assim chamado sábio.
E mandou imediatamente que buscassem outro sábio.
Este chegando, e sendo dito do sonho, exclamou: Senhor, grande felicidade vos espera. Sua majestade terá vida mais longa do que todos em sua familia!
O rosto do imperador se iluminou e mandou que entregassem cem moedas de ouro ao sábio.
Um dos presentes, o curioso que sempre existe em qualquer lugar, ficou intrigado e foi falar com o sábio.
Como foi que isso aconteceu, perguntou ele. Sua interpretação foi igualzinha à do primeiro sábio, mas o tal levou chicotadas e você levou ouro!
Meu amigo, respondeu o sábio, tudo depende de como se veem as coisas.”

E assim, manto plúmbeo desaparecido, vos desejo que, em 2016 , ousem ver as coisas, saiam pela vida de mãos dadas, e se atrevam a escalar árvores.

Beijos

Patrizia

sábado, 19 de dezembro de 2015

16 MANEIRAS DE COMO MELHORAR SUA SAÚDE MENTAL EM 2016

Usualmente, as decisões de começo de ano, focam na saúde física, mas que tal pensar na mental este ano?
Enquanto nossa cultura, em geral, não fala dessa parte, provavelmente pelo estigma a respeito, bem estar emocional deveria ser nossa prioridade.
Globalmente, 1 em 4 pessoas sofre de algum problema mental em algum ponto de sua vida. Mas, mesmo que não se esteja passando por ansiedade ou depressão, focar em nossa saúde mental pode fazer de 2016 o melhor ano de nossas vidas.
Saúde mental afeta como pensamos, sentimos e agimos, diariamente, assim como influencia como lidamos com stress, como tomamos decisões e como nos conectamos uns aos outros. Então, se está decidido a colocar saúde mental no topo de sua lista de prioridades, aqui vão algumas maneiras simples de fazer isso:

1-FALE COM SEU MÉDICO
O primeiro passo de qualquer mudança saudável, é consultar um médico a respeito dos passos apropriados a serem tomados. Clinicos gerais usualmente podem aplicar testes de depressão e consultas de saúde mental. Daí podem referi-lo a um especialista que vai trabalhar com suas necessidades específicas.

2-PRATIQUE GRATIDÃO
A vida fica muito melhor quando se olha para o lado brilhante dela. Pesquisas sugerem que, o expressar as coisas pelas quais se é grato, desde seu cachorro até uvir no rádio sua música preferida, melhora seu bem estar mental.

3-EXPERIMENTA MEDITAÇÃO
A coisa tem uma montanha de beneficios, desde melhor concentração a melhora no bem estar de forma geral. Há vários métodos e nem é complicado. Só alguns minutinhos logo ao acordar ou antes de dormir, de formas a começar ou terminar o dia numa nota positiva.

4-FAÇA UM DIÁRIO
Colocar a caneta no papel pode ser uma experiecia liberadora e catartica. Tente manter um diário ou simplesmente escreva suas ansiedades, pique e jogue no lixo. Um estudo de 2012 descobriu que, escrever o que o está estressando e ai, jogar fora, pode ajudar a clarear sua mente. Também é aconselhavel escrever quando suas preocupações o mantém acordado à noite.

5-VAI FAZER TERAPIA
É sério. Do mesmo jeito que vai ao médico quando não se sente bem, a mesma coisa deveria ser aplicavel à problemas mentais.Há muitos métodos, desde “terapias da fala”até cognitivo comportamentais. Os profissionais de saude podem ajudá-lo a descobrir qual é a melhor para você.Falar a respeito dos problemas ajuda muito, porque dá uma prespectiva da coisa. Já, falar com alguém que foi treinado para tratar de problemas,é melhor ainda.

6-EXERCITE-SE PELO MENOS ALGUMAS VEZES POR SEMANA
Endorfinas são pura magia. Quando se faz exercícios, o cérebro libera essas particulas quimicas do bem, dando-nos imediata melhora no humor. Melhor ainda é exercitar-se ao ar livre. Pesquisa sugere que andar em grupos melhora os sintomas da depressão. Sim, seu cachorro pode e é parte de seu grupo. Mais de um, já é grupo.

7-APOIE-SE EM SEU SISTEMA DE SUPORTE
Afinal de contas, amigo é prá essas coisas. Um estudo de 2011 demonstrou que estar com seu melhor amigo/a pode reduzir stress. A pesquisa também demonstrou que as conexões sociais são imperativas para a saúde mental. Gaste o máximo possivel de seu tempo com quem você ama, jantando fora, ou simplesmente assistindo filme no Netflix com pipoca.

8- APRENDA
A seu próprio respeito e do mundo onde vive. Simples. Problemas mentais são muito mais simples de lidar se souber o que está acontecendo dentro de sua cabeça. Por exemplo, sabia que algumas condições podem ser genéticas? Aprenda o máximo possivel sobre sua condição ou a das pessoas com as quais convive. Conhecimento é poder. Então, mantenha um apetite saudável também por conhecimento em geral. Leia um livro, vai a um museu, aprenda uma nova lingua. Todas as pesquisas tem demonstrado que, o aprendizado continuo mantem a mente aguçada.

9- ADOTE DIETA BALANCEADA
Que nada tem a ver com o modismo do dia.Coloque mais frutas e verduras na dieta. Nozes de todos os tipos também.

10- OUÇA MÚSICA DE FOSSA
Vail á, canta junto “O meu mundo caiu...”Ir fundo na melancolia pode ajudar a melhorar mais depressa. Pesquisas demonstram que musicas tristes ajudam na cura depois de um término doloroso. Podem ajudar também a derrubar algumas lágrimas, o que é bom para desafogar.

11-VIAJE
Algumas vezes, uma mudança de perspectiva envolve uma mudança de cenário. A ciência sugere que o simples fato de planejar uma viagem, já melhora seu humor, na medida que se antecipa a coisa toda. Também estar perto do oceano acalma.

12- DURMA MAIS.
Quem não adora uma desculpinha para ficar na cama? Falta de sono não só estraga sua saúde física, como também provoca um tsunami na mental. Deprivação de sono pode dificultar na regu;ação de emoções, e dormir mal pode ser sintoma de sérios problemas mentais. Procure ir para a cama 10 minutos mais cedo a cada dia, seja regular na hora de levantar e de dormir e para de tomar café pelo menos 6 hs antes de dormir. Álcool também não é bom para o sono, a não ser um copo de vinho ao jantar. Computador, tablet, cell então, são péssimos.

13- FAÇA UMA DESITOXICAÇÃO DIGITAL.
A mídia social nada mais é que um monte de slides muito bem escolhidos da maravilhosa vida de alguém mais, o que não evita de que sintamos um certa invejinha todas as vezes que alguém posta uma foto de sua festa fabulosa, seu carro novo ou o diamantão ganho no noivado, no exato momento em que estamos de camiseta velha e nossas unhas necessitam mais do que urgentemente da manicure. Farta pesquisa sugere que as pessoas podem sentir sintomas de depressão só de ficar no Face, causada por comparação interna, que está acontecendo, inconscientemente. O antidoto? Parar com isso. Fique o menos tempo possivel na coisa, para o bem de sua saúde mental, porque, embora ainda não tenha lido qualquer pesquisa a respeito, tenho certeza que a maravilha das fotos que aparece no FB tem uma relação inversa com nosso estado de espirito, ou seja, vemos fotos maravilhosas quanto mais em baixa estivermos.

14- SEJA GENTIL E EXPRESSE GENTILEZA
Quer se sentir bem? Faça alguém se sentir bem. Estudos e mais estudos demonstram que gentileza é uma coisa cíclica. Quando se faz o bem para alguém, isso faz com que eles se sintam bem, o que o torna mais feliz. Mesmo o mais pequeno dos gestos pode fazer a diferença. Tem um estudo fotográfico fantástico, mostrando o sorrisão de adolescentes mundo afora, quando alguém lhs dizia que eram lindos.

15- APRENDA A DIZER NÃO
Letrinha pequena, mas completa sentença. Esgotamento é fácil, no trabalho e em casa sem ela. Assegure-se de passar algum tempo sozinho e prioritize seu bem estar mental. Se não quer ir a uma festa, das milhares de fim de ano, não vá. Se está sobrecarregado no trabalho, veja o que é seu e o que está carregando que não lhe pertence. O cuidar de si mesmo NÃO É EGOISMO.

16-FALE COM OUTROS SOBRE SAÚDE MENTAL
Nunca se sabe a quem se pode estar ajudando. Gente como Demi Lovato e Colton Haynes fizeram projetos, documentários e séries de fotos a respeito de saúde mental, e todos nos ganhamos com isso. O único jeito de erradicar o estigma é continuar falando, e você pode ser parte da mudança. Vai firme.
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

PALAVRAS VIOLENTAS LEVAM A ATOS VIOLENTOS?

"A receptividade das massas é muito limitada, sua inteligência pequena, mas seu poder de esquecimento é enorme. Em conseqüência desses fatos, toda a propaganda eficaz deve ser limitada a alguns poucos pontos que devem ser repisados e repetidos até que o último membro do público entenda o que você quer que ele entenda por seu slogan ". Adolf Hitler, Mein Kampf

Neste momento histórico, no qual parece que a retórica da violência se espalha feito retrovirus, este artigo da Sara Lipton, professora de historia na State University de NY, nos obriga a pensar muito seriamente. Porque pedir desculpas depois, ou simplesmente se eximir de culpas, não resolve muito. Aí no Brasil, temos os Bolsonaros da vida e a cultura da submissão e violência contra mulheres, a bancada evangélica do congresso estimulando o “nós santos contra vocês pecadores”, os congressistas se pegando a tapa em discussões sobre ética, lama se espalhando de canto a canto, a real e a figurada. Aqui, o Trump (que no ingles original, lá da terra de sua Majestade, significa peido), estimulando o pânico contra aqueles que não se parecem conosco, uma ala inteira, e grande, do Partido Republicano, o auto denominado “Tea Party”, em referência aos americanos que despejaram na baia de Boston o chá, provindo da Inglaterra, misoginistas até a medula de seus ossos, com discursos inflamados a respeito de tudo o que não é branco leite, nem rico. A extrema direita fazendo uma ressureição feito fênix na França, e, é claro, o ISIS, que simplesmente pulou a parte do discurso e foi diretamente a uma violência devastadora à tudo aquilo que mais assusta os sem discurso e sem razão: cultura e o poder da civilização, a qual, prestem atenção, é uma palavra feminina.

Para ler o artigo original, clique aqui http://www.nytimes.com/2015/12/13/opinion/the-words-that-killed-medieval-jews.html?smid=fb-nytimes&smtyp=cur&_r=0

“ A Procuradora-Geral Loretta E. Lynch recentemente expressou sua preocupação de que a retórica política anti-muçulmana provocaria um aumento nos ataques contra os muçulmanos. Alguns afirmam que o tiroteio em massa do mês passado em Colorado Springs, foi provocado pela afirmação de Carly Fiorina que Planned Parenthood era uma fábrica de "colheita de pedaços de bebês"; Dona Fiorina contrapôs que a linguagem não pode ser responsabilizada pelos atos de um homem "perturbado". Debates semelhantes têm sido ocasionados pelo espancamento de um homem latino-americano sem-teto em Boston, supostamente inspirado pela retórica anti-imigração do Donald J. Trump, e pela morte a tiros de policiais na Califórnia, Texas e Illinois, que alguns atribuíram aos sentimentos contra políciais nos protestos “Vidas Negras Contam”.

Nenhum historiador pretende ter insights sobre as motivações dos indivíduos, mas a história mostra que uma da retórica “incendiária” contra um determinado grupo pode incitar a violência contra esse grupo, mesmo quando não há qualquer necessidade da mesma. Quando um grupo é rotulado como hostil e brutal, seus membros são mais propensos a serem tratados com hostilidade e brutalidade. As imagens visuais são particularmente poderosas, estimulando ações que podem até nem serem intencionais pelos criadores das imagens.

A experiência dos judeus na Europa medieval oferece um exemplo preocupante. A teologia cristã oficial e a política em relação aos judeus, se manteve praticamente inalterada na Idade Média.A cerca de 1000 anos, o cristianismo condenou os princípios fundamentais do judaísmo e "os judeus" responsáveis pela morte de Jesus foram detidos. Mas os termos em que essas idéias foram expressas mudou tudo, radicalmente.

Até o ano 1100, as devoções cristãs eram focadas na natureza divina de Cristo e em seu triunfo sobre a morte. Imagens da crucificação mostravam um Jesus vivo e saudável na cruz, e por isso seus assassinos não eram o principal focos do pensamento cristão. Não havia polêmicas anti-judaicas, e as obras de arte retratavam seus algozes não como judeus, mas como soldados romanos(mais historicamente correto) ou como matutos sem noção.. Embora existam registros de esparsos episódios anti-judaicos como conversões forçadas, não havia, até aqui .um padrão consistente de violência anti-judaica.

Nas décadas em torno de 1100, uma mudança no foco da veneração cristã trouxe os judeus à tona. Em um esforço para estimular a compaixão entre os adoradores cristãos, pregadores e artistas começaram falar e pintar detalhes vívidos da dor de Cristo. Assim, ele foi transformado de juiz divino e triunfante, em salvador sofrido. Uma tática paralela, destinada a fomentar o sentimento de unidade dos cristãos, foi ressaltar a crueldade de seus supostos torturadores, os judeus.

Parte por esta identificação com um Cristo vulnerável, parte em resposta aos recentes sucessos militares turcos, e em parte porque um movimento de reforma interna estava questionando os fundamentos da fé, os cristãos começaram a se ver como se estivessem sendo ameaçados Em 1084 o papa escreveu que o cristianismo "caiu sob o escárnio, não só do Diabo, mas de judeus, sarracenos e pagãos". O "Aguilhão do Amor", uma releitura da crucificação que é considerada o primeiro tratado anti-judaico, foi escrito por volta de 1155-1180. Ele descreve os judeus como consumidos pelo sadismo e com sede de sangue, e assim, eles começaram a ser vistos como inimigos, não só de Cristo, mas também dos cristãos; foi nessa época que os judeus começaram a ser acusados de sacrificar ritualmente crianças cristãs.

Feroz retórica anti-judaica começou a permear sermões, peças de teatro e textos polêmicos. Judeus foram marcados como demoníacos e gananciosos. Em uma diatribe, o chefe do mosteiro mais influente da cristandade trovejou aos judeus: "Por que vocês não se chamam de animais irracionais? Por que não de bestas? "Imagens começaram a retratar os judeus como criaturas do mal com caricatos narizes aduncos.

Os primeiros registros de violência anti-judaica em grande escala, coincidem com esta mudança de retórica. Embora o papa, que pregou a Primeira Cruzada tivesse chamado apenas para uma "peregrinação armada", para retomar Jerusalém dos mussulmanos, as primeiras vítimas da Cruzada não foram os governantes turcos de Jerusalém, mas os residentes judeus da Renânia alemã. Relatos contemporâneos registraram os cruzados perguntando por que, se eles estavam viajando para uma terra distante para "matar e subjugar todos estes reinos que não acreditam no Crucificado", eles também não devem atacar "os judeus, que o mataram e crucificaram?"

Centenas, talvez milhares, de judeus foram massacrados em cidades onde haviam residido em paz por várias gerações. Em nenhum momento as autoridades cristãs promoveram ou consentiram com violência. A teologia cristã, que aplicava o verso do salmo "Não os mate" para os judeus, insistiu que os judeus não deveriam ser mortos por sua religião, e isso não tinha mudado. Clérigos estavam embasbacados para explicar os ataques. Um clérigo de uma cidade vizinha atribuiu os massacres a "algum erro da mente."

Mas nem todos os assassinos da Renânia eram loucos. Os cruzados começaram esse genocídio, na época da Páscoa. Ambos, cruzada e pregação da Páscoa, despertaram enorme raiva sobre a crucificação e medo dos inimigos hostis e ameaçadores. Não é de surpreender que as bandas armadas beligerantes transformaram tal retórica em ação anti-judaica.

Por todo o resto da Idade Média, esse padrão foi repetido: Pregações sobre as cruzadas, proclamações de "inimizade" dos judeu ou acusações anti-judaicas infundadas foram seguidas por surtos de violência anti-judaica, que as mesmas autoridades que haviam despertado as zelosas paixões dos cristãos, agora, chocadas, foram incapazes de conter. Vemos isso na Renânia durante a Segunda Cruzada (1146), na Inglaterra durante a Terceira Cruzada (1190), em Franconia em 1298, em muitas localidades depois da Peste Negra em 1348, e na Península Ibérica em 1391. Às vezes, os agressores eram zelosos guerreiros sagrados, por vezes, eram oportunistas rivais nos negócios, às vezes pais em luto pela morte de suas crianças por acidente ou crime, ou com medo dos estragos de uma nova doença.

Alguns deles podem muito bem ter sido insanos. Mas sãos ou dementes, eles não pegaram suas vítimas em um vácuo. Foi a escoriação desumanizante e repetida, que levou os cristãos medievais a atacar as pessoas que tinham sido por muito tempo seus vizinhos.

Provedores da retorica anti-muçulmana, anti-imigrantes, anti-polícia . anti-aborto, anti gay, anti feminismo de hoje podem até nem ter a intenção de provocar violência contra os muçulmanos, imigrantes, policiais e profissionais de saúde. Mas, à luz da história, eles não devem se chocar quando a violência acontecer.”

E em minha modesta opinião, não deveriam não só se chocar, mas também serem responsabilizados pela violência que provocaram. É inconcebivel que um adulto ou adulta, que faz sua vida em politica, possa ser tão desligado mentalmente que não consiga imaginar as possiveis consequencias da instilação do ódio. Porque não é, nem nunca foi o amor que nos une.

Na psicologia das massas, o que une, mais do que tudo, é o medo e ódio comuns, voltados contra um inimigo, fora de nós mesmos e facilmente identificavel. Porque é muito mais fácil ver um cisco no olho do outro do que um galho inteiro dentro do nosso. E, provavelmente por causa disso que Freud foi e é tão odiado. Ele apontou, sem meias palavras, o galho dentro de nosso olho, quando colocou: “Quando Pedro fala de Paulo, aprendo muito mais sobre Pedro do que sobre Paulo.”.