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terça-feira, 27 de maio de 2014

10 MITOS MUITO PERSISTENTES A RESPEITO DE CÂNCER

Este artigo vem do site “I Fucking Love Science “,
que, apesar do nome na contra mão do que se pensa ciência, é um dos melhores da área (como são ingleses, usaram do tão falado humor deles). Resolvi traduzi-lo por uma questão pessoal. Vejo todo o tempo, famílias se estourando, econômica e emocionalmente, para ir atrás das quimeras que aparecem o tempo todo a respeito de curas milagrosas de câncer. Faria absolutamente o mesmo se estivesse na mesma posição, o que me dá uma raiva danada dos que usam, abusam e enriquecem em cima da busca de esperança. A tradução do artigo, é minha maneira de fazer algo a respeito.

Googla “câncer”e vai achar milhões de páginas. Busca no You tube, e o resultado vai ser mais ou menos o mesmo. O problema é que, a maior parte da informação que lá aparece é, para dizer o mínimo, imprecisa, e embora haja muitos artigos fáceis de entender e baseados em evidências, há o mesmo número, senão mais, espalhando mitos. E pode ser muito difícil distinguir fato de ficção, principalmente quando a informação errônea parece perfeitamente plausível. Mas se arranhar a superfície e olhar para as evidências, muitas 'verdades' continuamente perpetuadas, se esvaem como fumaça em ventania.
Neste artigo, queremos esclarecer as coisas a respeito de 10 mitos a respeito de câncer que encontramos regularmente, baseados em evidências, e não pela retórica ou contos, que descrevem o que a realidade da pesquisa mostra como sendo fato.

(E aqui abro um parágrafo para esclarecer a diferença entre evidência, fato, testemunho e teoria. Evidência, por definição é o corpo disponível de fatos ou informações que indicam se uma crença ou proposição é verdadeira ou válida. Fato: algo que realmente existe, por exemplo, viajens pelo espaço e submarinos, são fato. Agora, porque em 1800, não eram, Júlio Verne que o diga. Uma teoria (científica) é uma hipótese ou grupo delas, que têm sido apoiada com testes repetidos. Se evidência suficiente for acumulada para apoiar uma hipótese, usando o método científico, ela se move para o próximo patamar, tornando-se uma teoria, que é uma explicação válida de um fenômeno conhecido. A lei da gravidade “é só uma teoria”, mas, apesar disso, se cuspir para cima, vai levar de volta no meio da cara.Na lei e na religião, o testemunho é uma declaração solene quanto à verdade da questão. Em ciência, testemunho não tem a menor validade. Quando digo que até o presente momento não tive nenhum problema cardíaco porque tomo uma aspirina infantil todas as noites, a primeira e a segunda parte estão corretas: 1-até agora não tive nenhum problema na área. 2- Sim, tomo uma aspirina infantil todas as noites, mas 2 não justifica 1 porque até agora, só temos enorme evidência de que uma aspirina ao dia, previne a possibilidade do segundo infarto. Evidência zero a respeito de prevenção do primeiro. Tomo por gosto, porque aprendi com meu velho chefe Dr. Greer, e porque acho que me faz bem. Puro testemunho a respeito de aspirina. De maneira geral, quando lerem um artigo pretensamente científico e que começa com: “inúmeros estudos científicos provam que...”sem dizer quais estudos, quem os fez, onde, como e a publicação,pode jogar de lado. Prova é coisa de advogado ou aquilo que a gente faz na escola.)

E vamos aos mitos:

1-O CÂNCER É UMA DOENÇA MODERNA, CRIADA PELO HOMEM.
2-SUPER ALIMENTOS PREVINEM CÂNCER
3-DIETAS ÁCIDAS CAUSAM CÂNCER
4-CÂNCER ESTÁ RELACIONADO COM INGESTA DE DOCES
5-CÂNCER É UM FUNGO E O BICARBONATO DE SÓDIO SUA CURA
6-HÁ UMA CURA MILAGROSA QUE....
7-E A INDÚSTRIA FARMACÊUTICA A ESTÁ SUPRIMINDO...
8-TRATAMENTOS PARA O CÂNCER MATAM MAIS DO QUE CURAM
9-NÃO FIZEMOS QUALQUER PROGRESSO NA CURA DO CÂNCER
10-TUBARÕES NÃO TEM CÂNCER

1-CÂNCER É TÃO VELHO QUANTO A HUMANIDADE
Claro que está mais proeminente na consciência do público agora, do que em tempos passados, mas não é uma doença "moderna" criada por nossa sociedade ocidental. Tem existido desde nossos primórdios.Foi descrito há milhares de anos por médicos egípcios e gregos, e os pesquisadores descobriram sinais indicadores de câncer em um esqueleto de 3.000 anos de idade. E, embora seja verdade que doenças relacionadas a estilo de vida, como o câncer, estejam em franco aumento, também é verdade que o maior fator de risco para câncer é a idade. Simplesmente, o que está acontecendo, é que estamos vivendo mais tempo devido a nosso sucesso em vencer doenças infecciosas e outras causas de morte históricas, como má nutrição ou desnutrição. É perfeitamente normal que nosso DNA sofra danos à medida que envelhecemos, e tais danos podem levar ao desenvolvimento de câncer. Agora, também somos capazes de diagnosticar cânceres mais precisamente, graças aos avanços em triagem, diagnósticos por imagem e patologia. Sim, estilo de vida, dieta e outras coisas, como a poluição do ar, têm um enorme impacto sobre o nosso risco de câncer - tabagismo, por exemplo, está por trás de 1/4 de todas as mortes por câncer no Reino Unido , mas isso não é o mesmo que dizer que é uma doença moderna, causada pelo homem. Há uma abundância de causas naturais de câncer - por exemplo, 1 em cada 6 tipos de câncer em todo o mundo é causado por vírus e/ou bactérias.

2-SUPER ALIMENTOS PREVINEM CÂNCER
Mirtilos, beterraba, brócolis, alho, chá verde ... a lista é longa. Apesar de milhares de sites que afirmam o contrário, não há tal coisa como um "superalimento". É um termo de marketing usado para vender produtos e não tem base científica. Isso não quer dizer que não se deva pensar sobre o que se come. Alguns alimentos são claramente mais saudável do que outros. O mirtilo ou caneca de chá verde certamente podem ser parte de uma dieta saudável e equilibrada. Comer frutas e legumes é uma ótima idéia, e comer uma variedade de vegetais diferentes também é bom, mas, sejam quais forem os legumes específicos que escolher, realmente não tem a menor importancia. Nossos corpos são complexos, assim como o câncer , por isso é simplificação grosseira dizer que qualquer alimento, por si só, poderia ter uma grande influência sobre nossa chance de desenvolve-lo. O acúmulo constante de evidência ao longo de várias décadas aponta para um fato interessantemente simples: a melhor maneira de reduzir o risco de câncer é através de uma série de comportamentos saudáveis a longo prazo, como não fumar, manter-se ativo, manter peso saudável e diminuir a ingesta de álcool.

3-DIETAS ÁCIDAS CAUSAM CÂNCER
O pH do organismo é extremamente bem controlado e a dieta não pode muda-lo. Alguns mitos a respeito de câncer são extremamente persistentes, apesar de serem o oposto da biologia. Um deles é essa história da dieta ácida, tornando o organismo muito ácido, aumentando assim o risco de câncer. A cura: aumente a ingesta de alimentos alcalinos e saudáveis, tipo vegetais verdes e frutas, incluindo, paradoxalmente, limões. Nosso sangue é ligeiramente alcalino, coisa regulada pelos rins, numa variação muito mas muito pequena, e que não pode ser alterado por qualquer quantidade significativa de tempo, pelo que se come. E, enquanto comer vegetais é certamente saudável, não é por causa de qualquer efeito de alcalinização ou acidificação. Existe uma coisa chamada ACIDOSE, condição fisiológica que ocorre quando rins e pulmões não conseguem manter balanceado o pH do organismo. Pode ser mortal e é caso de urgência médica, mas não é causada por dietas ácidas. Sabe-se que o ambiente ao redor de células cancerosas ( o microambiente), pode se tornar ácido. Isto é causado pela diferença na forma com que os tumores criam energia e usam o oxigênio, quando comparados a células saudáveis. Os pesquisadores estão trabalhando duro para entender como isso acontece, para poder desenvolver tratamentos mais eficazes. Apesar disso, não há evidências de que dietas possam manipular todo o pH do corpo ou que isso tenha algum impacto no câncer.

4-CÂNCER ESTÁ RELACIONADO COM INGESTA DE DOCES
Todas as células usam açúcar, não só as cancerosas. Outra idéia recorrente é que o açúcar aparentemente "alimenta as células cancerosas", sugerindo que deva ser completamente banido da dieta do paciente. Esta é uma simplificação inútil de uma área altamente complexa que estamos apenas começando a entender. 'Açúcar' é um termo polivalente. Refere-se a uma variedade de moléculas, incluindo açúcares simples encontrados em plantas, glicose e frutose. O material branco na tigela na sua mesa é chamado de sacarose e é feito de glicose e frutose grudadas. Todos os açúcares são carboidratos, comumente conhecidos como carbs - moléculas feitas de carbono, hidrogênio e oxigênio. Carboidratos – venham eles de um bolo ou de uma cenoura – são “quebrados” em nosso sistema digestivo para liberar glicose e frutose, que são absorvidas pela corrente sanguínea para fornecer energia para que possamos viver. Todas as nossas células, cancerosas ou não, usam a glicose para produzir energia. Como as células cancerosas geralmente crescem muito mais rápido que as saudáveis, têm elevada demanda por este combustível. Há também evidências de que usam a glicose e produzem energia de uma forma diferente das células saudáveis. Os pesquisadores estão estudando para entender as diferenças no uso de energia em cânceres em comparação com as células saudáveis, e tentar explorá-las para desenvolver melhores tratamentos ,incluindo o interessante, mas longe de comprovado DCA. Mas isso não significa que o açúcar de bolos, doces e outros alimentos açucarados alimenta especificamente as células cancerosas, ao contrário de qualquer outro tipo de carboidrato. Nosso corpo não escolhe quais células vão conseguir o combustível. Ele converte praticamente todos os carboidratos ingeridos em glicose, frutose e outros açúcares simples, e eles são usados pelos tecidos quando precisam de energia. Embora seja muito sensato limitar alimentos açucarados, como parte de uma dieta saudável e evitar ganhar peso, isso é muito diferente de dizer que alimentos açucarados especificamente alimentam células cancerosas. Os mito, tanto o da 'dieta ácida "quanto o do" açúcar alimenta câncer”,distorcem os aconselhamentos dietéticos sensatos. E quando se trata de oferecer dicas de dieta, a pesquisa mostra que o mesmo conselho de alimentação saudável chato e antigo, ainda é válido: Frutas, legumes, fibras, carne branca e peixe são bons. Demasiada gordura, sal, açúcar, carne vermelha ou processada e álcool, não são.

(DCA: Dicloro acetato sódico. Tem sido testado, em pequena escala em humanos para raras doenças metabólicas relacionadas à produção de energia, e recentemente mostrou promessas em estudos de laboratório, para tratamento de câncer. No momento, estudos com voluntários humanos estão começando, mas nenhum foi ainda completado, de formas que ainda nada se sabe a respeito. Fonte: American Cancer Society http://www.cancer.org/treatment/treatmentsandsideeffects/complementaryandalternativemedicine/pharmacologicalandbiologicaltreatment/dichloroacetate--dca- )

5- CÂNCER É UM FUNGO E O BICARBONATO DE SÓDIO SUA CURA
Pergunte a qualquer patologista: células cancerosas não são fúngicas.Essa teoria vem de uma observação pouco acurada, de que “cancer é sempre branco”. O problema obvio com essa idéia, fora o fato que cancer não é fungal em sua origem, é que nem sempre é branco. Alguns tumores até podem ser. Pergunte a qualquer patologista ou cirurgião, ou faça uma busca em Google imagens ( melhor não faze-lo após almoço). Os proponentes dessa teoria dizem que o cancer é causado por infecção pelo fungo candida albicans, e que os tumores são a tentativa do organismo de se proteger contra a infecção. Não há qualquer evidência da veracidade desta afirmação. Além disso, montanhas de pessoas perfeitamente saudáveis podem estar infectados por candida, que faz parte dos muitos micróbios que vivem em nós ou a nosso redor. Usualmente, nosso sistema imunológico mantém a candida em seu devido lugar, mas as infecções podem se tornar muito sérias em pessoas com o sistema imunológico comprometido, como os que são HIV positivos. Aí vem a “simples solução”, que é injetar os tumores com bicarbonato de sódio, que nem é o tratamento usado para tratar infecções por fungos, imagine só cancer. Muito antes pelo contrário, há enorme quantidade de evidência demonstrando que altas doses de bicarbonato de sódio podem ter consequências sérias, até mesmo fatais. Alguns estudos sugerem que o bicarbonato pode afetar canceres tranplantados em ratos ou em células criadas em laboratório, por neutralizar a acidez no microambiente ao redor de um tumor. Pesquisadores nos USA estão fazendo um pequeno estudo clinico para investigar se capsulas de bicarbonate de sódio podem ajudar a diminuir a dor cancerosa, e descobrir qual é a dose máxima que pode ser tolerada, mas ninguém está testando qualquer efeito no tumor em si. Até onde se sabe, não há qualquer publicação a respeito de testes clinicos com bicarbonate para tratamento de cancer. Também não está claro se é possível dar doses de bicarbonato que possam ter qualquer efeito significativo no cancer, em humanos, embora isso esteja sendo investigado.Pelo fato de nosso organismo resistir valentemente a tentativas de mudança em seu pH, usualmente expelindo o bicarbonato através dos rins, há tremendo risco de que, doses suficientemente grandes para afetar significativamente o pH em volta do tumor, possam causar uma condição seríssima, chamada de alcalose. Uma estimative sugere que, uma dose de 12 gramas de bicarbonato ao dia ( baseada num adulto de 65Kg), seria suficiente para contrabalancear o ácido produzido por um tumor de cerca 1 milímetro, doses de mais de 30mg/dia, vão causar severos problemas de saúde. É só fazer as contas.

6- HÁ UMA CURA MILAGROSA QUE...
Alegações on line não são evidência científica. De cannabis a enemas de café, a internet está entupida de vídeos e testemunhos pessoais a respeito de “curas milagrosas e “naturais”para câncer. Mas, afirmações extraordinárias requerem evidências extraordinárias, e vídeos do You Tube e post no Facebook não são evidência científica e nem são o mesmo que evidência de boa qualidade e revisada ad nauseam. Em muitos casos, é impossível dizer se os pacientes apresentados em tais fontes foram ou não "curados" pelo tratamento alternativo em questão, dado que nada se sabe a respeito de seu diagnóstico médico, estágio da doença, ou se tinham mesmo câncer. Também não se sabe que outros tratamentos de câncer tiveram. Alem de tudo, só ficamos sabendo dos “sucessos”. E os que tentaram e não sobreviveram? Defunto não fala, e usualmente, os que fazem essas alegações de “curas milagrosas”, pegam os melhores casos, sem apresentar o quadro todo. Isso realça a importância da publicação de dados de pesquisa científica rigorosa e ensaios clínicos, revisada por pares. Primeiro, porque estudos clínicos adequados permitem aos pesquisadores demonstrar que um tratamento de câncer em potencial, é seguro e eficaz e, segundo, porque a publicação destes dados permite que os médicos, mundo afora, possam julgar por si mesmos e usar o aprendido para benefício de seus pacientes. Este deveria ser o padrão para todos os possíveis tratamentos de câncer, e a bem dizer, qualquer outro tratamento.Isso não quer dizer que o mundo natural não seja uma fonte para tratamentos em potencial. Da aspirina (casca de salgueiro) à penicilina (bolor) e ao taxol (medicação anti cancerígena inicialmente extraída da casca de agulhas do teixo do Pacífico), há centenas de exemplos. Isso não quer dizer que se deva mastigar agulhas de teixo para combater tumores.O tratamento tornou-se eficaz porque o ingrediente ativo foi putificado e testado, de formas que sabemos que é seguro, eficaz e que dose deve ser prescrita.Claro que, qualquer pessoa com câncer e seus familiares, querem mais é serem curados por qualquer forma possivel, e vão mover céus e terras na busca. Nosso conselho, é tomar muito cuidado com qualquer coisa designada como “cura milagrosa”principalmente quando o milagre está sendo vendido. A Wilkipédia traz uma lista excelente de tratamentos inefetivos para o câncer (que também traduzi e vou colocar no próximo post, posto que fui ver na wilkipédia em português e não existe tal artigo).

7- E A INDÚSTRIA FARMACÊUTICA A ESTÁ SUPRIMINDO...
Teorias conspiratórias não batem. De mãos dadas com a idéia de que há uma infinidade de "curas milagrosas" vem a idéia de que governos, a indústria farmacêutica e até mesmo instituições de caridade estão conspirando para esconder a cura para o câncer, porque fazem muito dinheiro com tratamentos existentes. Seja qual for a 'cura' milagrosa que está sendo vendida, a lógica é geralmente a mesma: é facilmente disponível, barata e não pode ser patenteada, por isso a corja médicos/industria farmacêutica quer suprimi-la, a fim de encher seus próprios bolsos. Mas, como já escrevi antes, não há nenhuma conspiração - às vezes a coisa simplesmente não funciona. Não há dúvida alguma de que a indústria farmacêutica tem uma série de problemas com transparência e ensaios clínicos que precisa para resolver (o livro Bad Pharma por Ben Goldacre é uma cartilha útil a respeito do assunto). Fazemos uma força danada para ter a certeza de que as entidades reguladoras e as empresas farmacêuticas disponibilizem drogas eficazes a preço justo para o NHS (Sistema Nacional de Saúde da Inglaterra) ,embora seja importante lembrar que o desenvolvimento e experimentação de novas drogas custa muito dinheiro, que as empresas precisam recuperar.O problema com a medicina convencional, não prova, automáticamente, que curas alternativas funcionam. Usando uma metáfora:o fato de carros, às vezes quebrarem, não prova que tapetes voadores sejam uma opção viável como meio de transporte. É que, simplesmente, não faz nenhum sentido a coisa da industria farmacêutica querer suprimir a cura, pois, se esta fosse encontrada, já imaginou o tamanho das vendas???? E o argumento de que os tratamentos não podem ser patenteados,não se sustenta. Empresas farmacêuticas não são estúpidas, e eles são rápidos a saltar no bonde de caminhos promissores para terapias eficazes. Há sempre maneiras de reembalar moléculas e patentes, o que lhes daria um retorno enorme sobre o investimento necessário para desenvolvimento e testagem em ensaios clínicos (um custo que pode ser de muitos milhões) se o tratamento funcionar. Também é importante ressaltar que instituições de caridade, como a Cancer Research UK e cientistas financiados pelo governo, são livres para investigar tratamentos promissores sem fins lucrativos. E é difícil entender por que os médicos do SNS - que muitas vezes prescrevem genéricos, medicamentos sem patente - não usariam tratamentos baratos se tivessem sido demonstrado eficazes em ensaios clínicos. Por exemplo, estamos financiando testes em larga escala para aspirina - droga sintetizada pela primeira vez em 1897 e, agora, um dos mais utilizados genéricos, sem patente,no mundo. Estamos pesquisando se pode prevenir câncer de intestino em pessoas com alto risco, reduzir os efeitos colaterais da quimioterapia, e até mesmo prevenir o câncer de voltar e melhorar a sobrevivência. Finalmente, vale a pena lembrar que somos todos humanos - até mesmo políticos e executivos da “Big Pharma” - e câncer pode afetar qualquer pessoa. Pessoas em empresas farmacêuticas, governos, instituições de caridade e do "establishment médico", todos podem vir a ter e morrer de câncer. Aqui, no Cancer Research UK, vimos entes queridos e colegas passar por câncer. Muitos deles sobreviveram. Muitos não. Sugerir que estamos - individual e coletivamente - escondendo "a cura", não é apenas absurdo, é ofensivo para a comunidade global de cientistas dedicados, ao pessoal e simpatizantes de organizações de pesquisa de câncer, como Cancer Research UK e, mais importante, a pacientes com câncer e suas famílias.

8- TRATAMENTOS PARA O CÂNCER MATAM MAIS DO QUE CURAM
Pois é, só que, na realidade, mais do que dobraram a sobrevivência. Vamos ser claros: tratamentos para câncer, seja quimioterapia, radioterapia e/ou cirurgia, não são nenhum passeio no parque. Os efeitos colaterais podem ser muito difíceis, e, qualquer coisa que mate celulas cancerosas, vai, inevitávelmente, afetar as saudáveis. E pior, algumas vezes, nenhum tratamento funciona.. Sabemos que é muito difícil tratar estágios terminais, quando o câncer se espalhou pelo organismo, e embora o tratamento possa prover alívio para os sintomas e prolongar a vida, não há cura quando se chega a esse estágio. Cirurgia continua sendo o tratamento mais eficaz, claro se o diagnóstico for feito precocemente o suficiente para que a cirurgia seja feita, e a radioterapia ajuda em muito mais curas que os medicamentos anti cancerigenos. Mesmo assim, estes últimos continuam sendo muito importantes, em alguns casos, ajudando a curar, e em outros, prolongando a sobrevivência. Artigos na net clamando que a quimioterapia é "eficaz em apenas 3% dos casos", são altamente enganosos e desatualizados, assim como os que alegam que a quimioterapia pode "estimular o câncer". É importante ressaltar que, em um número crescente de casos, as drogas funcionam. Por exemplo, mais de 96% de todos os homens com câncer testicular,estão curados, em comparação com menos de 70% na década de 1970, graças em parte a uma droga que ajudamos a desenvolver, a cisplatina. E 3/4 das crianças com câncer são curadas agora, em comparação com cerca de1/4 na década de 1960 - a maioria delas, vivas hoje, diretamente graças à quimioterapia. Sabemos que ainda temos um longo caminho a percorrer até que tenhamos tratamentos mais eficazes, menos sofridos, para todos os tipos de câncer. E é importante que médicos,pacientes e famíliares sejm realistas e honestos sobre as melhores opções de tratamento, especialmente quando o câncer é muito avançado. Pode ser melhor optar por um tratamento que visa reduzir a dor e os sintomas em vez de tentar curar a doença (cuidados paliativos). Equilibrar qualidade e quantidade de vida sempre vai ser um problema no tratamento do câncer, e é onde cada paciente deve decidir por si mesmo.

9- NÃO FIZEMOS QUALQUER PROGRESSO NA CURA DO CÂNCER
Nos últimos 40 anos, o índice de sobrevivência na Grã Bretanha, dobrou, ou seja, a aformação acima é simplesmente uma mentira.Graças aos avanços da ciência, a sobrevivência de longo prazo (10 ou mais anos) dobrou e as taxas de morte cairam em 10% só na última década. Por definição, esses valores se referem a pessoas tratadas pelo menos 10 anos atrás. É provável que os pacientes que estão sendo diagnosticados e tratados hoje tenham ainda maior chance de sobrevivência. Para ver como o quadro mudou, assista o documentário- The Enemy Within: 50 years of fighting cancer (O inimigo interno: 50 anos lutando contra o câncer). Mostra desde os primeiros dias da quimioterapia nas décadas de 50 e 60, até as drogas mais "inteligentes" e a radioterapia que identifica as células cancerosas com a precisão de laser, mostrando bem como e quanto avançamos ao longo dos anos. Continua um longo caminho pela frente. Há alguns canceres para os quais os progressos tem sido muito mais lentos, a saber os de pulmão, cérebro, pancreático e esofagiano. E quando perdemos algum ente querido para o câncer, é claro que sentimos como se nenhum progresso tivesse havido. Aí está a razão porque trabalhamos tão duro para vencer o câncer o mais breve possivel, para termos a certeza de que ninguém mais vai perder sua vida para ele.

10-TUBARÕES NÃO TEM CÂNCER
Tem sim.

http://www.iflscience.com/health-and-medicine/don%E2%80%99t-believe-hype-%E2%80%93-10-persistent-cancer-myths-debunked

sexta-feira, 23 de maio de 2014

SEJA MAIS PRODUTIVO FAZENDO MENOS

“LAZER É A NOVA PRODUTIVIDADE”

Imaginem a alegria de uma pobre senhora de meia idade, combalida pela vida, incapaz de multitasking, vivendo nos USA onde multitascar é um orgulho nacional, ao ler a frase acima. Na fração de segundo que durou a dúvida entre sair cantando Aleluias ou ler o resto do artigo, optei pelo segundo, até mesmo porque, no local onde estava, não ia pegar muito bem sair cantando a plenos pulmões. Lido que foi, a decisão de traduzi-lo num post do blog, veio como consequência. Então, aqui vai.

Esse slogan absurdo surgiu a partir de um painel do qual participei semana passada, na conferência anual da New America Foundation, um grupo de reflexão de Washington DC,do qual tenho a sorte de fazer parte. A moderadora foi Brigid Schulte, uma repórter do Washington Post e autora de um novo livro - Esmagado: Trabalho, Amor e Lazer quando ninguém tem tempo (original: Overwhelmed: Work, Love and Play When No One Has the Time –tradução minha, que ainda não foi traduzido para a língua de Camões). O foco do livro é a respeito de tempo e como o usamos, e a autora coloca que, aqui nos USA, usamos a maior parte do tempo para trabalhar, ficando muito mais horas no escritório do que qualquer trabalhador em qualquer outro país desenvolvido, com exceção do Japão e Coréia do Sul.

Como resultado, temos um monte de trabalhadores improdutivos, doentes, infelizes, esgotados, e desengajados, e assim, ironicamente, somos menos produtivos, criativos e inovativos do que seríamos, se tivessemos mais tempo livre. Nosso contínuo estado de estarmos ocupados, nos impede de entrar naquele estado mental solto, associativo no qual são feitas conexões inesperadas e são alcançadas aquelas percepções tipo - aha! Eureka! É isso!

Schulte estava elaborando sobre pesquisas de psicólogos e neurocientistas, um dos quais, Mark Beeman, professor da Universidade de Northwestern, também estava no painel.
Beeman e seus colaboradores descobriram que, embora possa parecer que estamos ociosos enquanto sonhamos de olhos abertos ou nossa mente vagando, o cérebro está realmente trabalhando duro, usando maior variedade de recursos mentais do que aqueles que são utilizados durante o pensamento metódico. (Não conheço o prezado colega, mas já o amo de paixão).

Assim, Shulte escreveu: “Esse "modo predefinido", sem foco, é como uma série de plataformas aeroportuárias em diferentes e, normalmente, desconexas partes do cérebro. Quando ativado, reúne pensamentos dispersos, faz conexões aparentemente aleatórias e nos permite ver um velho problema numa luz inteiramente nova. Se não permitimos que nossas mentes tenham este tipo de tempo de inatividade, porque estamos sempre sob estresse e correndo para terminar nos prazos, sempre no telefone ou no e-mail, tais idéias não se concretizarão. Para nos concentrarmos em algo, temos que suprimir um monte de outras coisas. Às vezes, isso é bom. Mas às vezes a solução para um problema só pode acontecer via informações aparentemente sem relação, de dar tempo para idéias mais silenciosas, lá no fundo, venham à tona”.

Schulte e Beeman afirmam que precisamos abrir espaço em nossas vidas para dois tipos distintos de atividade mental: o dirigido, de atenção focada, geralmente esperado no trabalho e na escola, mas também um estado mais difuso e de lazer em que nos concentramos em nada em particular, sendo a oscilação entre estes dois estados, uma espécie de intervalo de formação, o que, para a mente, é a melhor forma de colher os benefícios de ambos os tipos de pensamento.
E conclui: “À medida que caminhamos cada vez mais para uma economia do conhecimento, na qual as idéias são nossos produtos, temos que pensar sobre de onde essas idéias vêm, e elas aparecem não só como consequência de trabalho convencional, mas também do lazer produtivo.

Annie Murphy Paul é a autora, não só deste artigo como também do livro Brilliant: The Science of How We Get Smarter (Brilhante: A ciência de como nos tornamos mais espertos)

Por vários motivos que aqui não cabem, tenho profunda aversão por pessoas que precisam se mostrar ocupadas. Uma vez, há muito tempo, uma amiga me disse “Se você algum dia precisar de ajuda, procure sempre alguém que tenha uma vida cheia. Essa pessoa vai achar tempo para ajudar. Já se, a pessoa tiver que demonstrar o quanto está ocupada, difícilmente vai querer usar seu tão alardeado precioso tempo, para ajudar.” Mais ou menos, era o que meu avô me dizia, só que numa idade em que não prestei muita atenção. Quando mudei aqui para os USA, a primeirissima coisa que me surpreendeu sobremaneira, foi um tal de Resumè, a ser feito para procurar emprego, acostumada que estava com bom e velho Curriculum Vitae, que aqui a gente só leva depois da primeira entrevista para o citado emprego, e assim mesmo só se for para ambiente acadêmico. Fora isso, ninguém nem sabe o que é. Encalacrei. Que diabos vem a ser isso? Bom, é uma espécie de propaganda de você mesma, onde se coloca o quão incrível e fantástica se é, o quão multitasking se sabe ser, como vai se resolver os problemas do local de trabalho assim de sopetão, como sabemos liderar times de trabalho e coisas do gênero. Exatamente tudo o que não sei como fazer. Para encurtar a história, meu marido, gênio dos resumés, fez o meu. Mandei, uma semana depois estava empregada. E meu chefe nunca mais parou de rir, quando lembrava de minha cara, rubra de vergonha, enquanto ele lia alto meu resumé para o painel de 8 pessoas me entrevistando. Mais tarde, fui aprender que há cursos específicos, de como escrever um, levando em consideração que o luminar de RH que vai ler, tem no máximo 10 segundos, repito, SEGUNDOS, para ficar impressionado. A questão que me surgiu foi: “E por acaso é culpa minha se a criatura tem deficit de atenção?” Mas o fato é que, principalmente aqui nos USA, as pessoas tem uma necessidade inacreditável de estarem “busy”(ocupadas), orgulham-se de trabalhar 60 horas por semana, jamais tiram os 15 dias de férias, por lei, sempre bem menos, e tem que repetir todo o tempo que são os “melhores trabalhadores do mundo”, os mais esforçados, os mais tudo. Resultado desse “demais”, se ve no tecido da sociedade se esgarçando. Os USA que amei, quando aqui estive fazendo fellowship na Universidade da Florida e em Duke, no finalzinho dos anos 70, em nada se parecem com o que vejo agora. Implantou-se uma mentalidade de “nós versus os outros”, que assusta. Se não se fizer parte de uma congregação religiosa, não se tem vida social. Aliás, tirando Nova York, San Francisco, Los Angeles e Houston, que como digo, não são cidades americanas, mas sim esquinas de mundo, como São Paulo, a vida social também limita-se aos eventos da Igreja ou Congregação da qual a pessoa participa. E aí, mais atividade ainda. Há as missas ou cultos dos domingos pela manhã, estudos bíblicos quartas à noite, discussão da Bíblia às quintas e filminhos religiosos aos sábados. Haja tempo! Tenho a impressão, compartilhada apenas com alguns amigos do peito como supracitado chefe, de que, se tiverem um minuto de folga, vão fazer besteira na vida. Outra amiga minha, brasileira mas moradora de NY há muitos anos, tem a mais absoluta certeza que o problema Americano é sexual. Sim, diz ela, embora todas as estatísticas demonstrem que o Americano é extremamente ativo sexualmente, o é como forma de desempenhar uma tarefa, ou seja, no intervalo do jogo, por exemplo, como mais uma atividade, na rotina das coisas a fazer no dia.Faz parte da lista “To do”, o que fazer e a que horas.
Deixa prá lá, pensa esta velha italiana. Gosto demais do “dolce far niente”, do jogar conversa fora com amigos queridos, mesmo que seja só via Skype, do me encantar em minhas andadas com cachorro ( recuso-me a chamar Bella de cadela, mesmo que rime), do me esvair em gargalhadas com o que aparece no Face, do ler um bom livro, mesmo que adentre madrugada, de apreciar um bom vinho e um bom prato, de ouvir música esparramada na grama. Decididamente, estou muito busy, vivendo.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

OS 5 ESTÁGIOS DO LUTO E OUTRAS MENTIRAS QUE NÃO AJUDAM NINGUÉM

Me considero uma sortuda. Tive professores fantásticos e um avô que me ensinaram a questionar. Sempre. Minha mãe passou a vida dizendo a quem quisesse ouvir, que a filha dela havia entrado na fase do “por que”, um pouco antes do que seria esperado, mas o único problema era que jamais havia saído, e quanto mais velha fico, mais tendo a concordar.

Foi assim que, há mais de 30 anos, quando Elisabeth Kubler-Ross publicou o livro “Sobre a morte e o morrer”,li,como o resto do universo psi,e fiquei intrigada. Muito.A supracitada senhora, depois de passar anos escutando e observando pessoas em fases terminais de doenças, delineou 5 claras etapas pelas quais as pessoas passam, no luto, sendo elas: Negação, Raiva, Negociação, Depressão e Aceitação, quando então, na última fase, o luto está completo, acabou a história. Meu intrigamento deveu-se à minha total incapacidade de aceitar classificações definidas em pedra, em tudo o que se relaciona ao sermos humanos.

Sem sombras de dúvida, é uma organização interessante, tanto quanto foi a idéia do DSM, de classificar diagnósticos de maneira compreensível. E, do mesmo jeito que o DSM, virou uma espécie de “Bíblia”,que todo mundo leu. E digo todo mundo, numa generalização que, embora errônea como todas as generalizações, não está muito longe da realidade, pois os tais estágios aparecem em qualquer lugar desde Psicologia pop, a estudos científicos, a aulas de Faculdade, em conversas, em sussuros de comadres, enfim, dá para ter uma idéia.

Isto quer dizer que, de psicologos e psiquiatras a padres e pai de santo, de PhD a professora de prézinho, há a ideia compartilhada da existência de um jeito certo e um jeito errado de se lamentar, de se enlutar, de passar por uma perda. Há que se passar pelos estágios, de forma linear e certinha, senão nunca que vamos superar a tragédia.

E aqui mora o perigo. Já tive pacientes com Diagnóstico de Esquizofrenia que, em tendo lido o DSM, achavam que não estavam sendo “esquizofrenicos corretos”, pois ou não tinham algumas das caracteristicas, ou tinham coisas que não estávam bem lá na classificação. Já tive pacientes que, em superposição ao luto que experimentavam, também passavam pelo desespero de estar fazendo a coisa de modo errado. Passei pelas minhas própias perdas, e sei, na pele, que a coisa não funciona, de jeito nenhum, nessa linearidade. Vai que, por ser italiana, a coisa comigo foi muito confusa, indo desde tudo junto, numa explosão de raiva, negação e depressão, sem qualquer negociação, a breves períodos de aceitação, a raiva tudo de novo, a depressão negra.

Até o presente momento, nunca passei pela fase de negociação, e embora tenha aceitado os acontecimentos, cá e lá a dor volta, claro que muito amenizada, claro que não de forma explosiva, e claro que não de depressão negra, mas volta. Principalmente naqueles momentos em que algo sai errado, e aí lembro daquela pessoa especial para a qual me voltava nos momentos difíceis, e dá vontade de sapatear de raiva pelo abandono que foi a morte dessa pessoa. Minha estratégia é conversar (quieta, dentro de minha cabeça, que posso ser meio rebelde mas não sou de todo tapada), com o defunto em questão, deixando-o saber o que penso da covardia de ter me abandonado. E isso vale desde avô a gente muito mais recente.

Mas, como disse no início, sou uma sortuda que aprendeu com os já citados fantásticos professores, que cada um de nós é um universo, de formas que todas as teorias aprendidas foram aplicadas com, em mente, essa singularidade.

Imaginem então minha alegria, quando li o artigo da Megan Devine, psicoterapeuta, do qual roubei o título para este post. No artigo, diz ela: “Apesar do que muitos "especialistas" dizem, não há fases do luto. Em seus últimos anos, Elisabeth Kubler-Ross se arrependeu de escrever as etapas da maneira que fez, que as pessoas confundiram tudo, achando que as experiências eram lineares e universais. Com base no que observou ao trabalhar com pacientes terminais, ela identificou cinco experiências COMUNS, e não cinco experiências NECESSÁRIAS. Seus estágios, quer aplicados aos moribundos ou aos que ficaram vivos, foram feitos para normalizar e validar o que alguém pode experimentar no redemoinho da loucura que é a perda, a morte e a tristeza. A morte e suas conseqüências são tão dolorosas e desorientadoras, que entendo o porquê as pessoas quererem algum tipo de roteiro, um conjunto claramente definido de passos ou etapas que irão garantir um final bem-sucedido para a dor do luto. A verdade é que a dor é tão individual como o amor: cada vida, cada caminho, é único. Não existe um padrão previsível, e nenhuma progressão linear. As fases do luto não foram feitas para dizer o que se sente, o que se deve sentir, e quando exatamente há que se sentir.Não foram feitas para ditar se está sentindo sua dor "corretamente" ou não. Foram feitas para normalizar um momento profundamente não-normal. Foram feitas para dar conforto. O trabalho de Ross foi concebido como uma oferta caridosa, e não uma jaula. Não importa o quanto a autora lamentou o uso indevido de suas etapas, o fato é que elas estão firmemente enraizados em nossas idéias culturais a respeito das maneiras certas e erradas para se lamentar. Os estágios são usados como uma censura corretiva, o processo de luto se transformou numa disputa: os estágios em si não são feitos para para passarmos seja lá qual for nosso tempo neles. Se alguém é identificado como estando em um estágio (especialmente um bagunçado como a raiva), a pessoa precisa "passar por isso" o mais rápido possível para que possa alcançar o objetivo final, que é aceitação. Por outro lado, independentemente da fase em que alguém se encontre, há que lá permanecer até resolver, caso contrário, seu trabalho de luto vai complicar. Para o seu bem, e para o bem daqueles que o cercam, você deve fazer o seu luto de forma rápida, correta e eficaz. O único problema é que não é assim que funciona" Megan Devine

O luto é uma experiência tão individual quanto qualquer outro sentimento e até mesmo quanto a qualquer diagnóstico médico. É a resposta natural quando seu coração está sendo esmagado e cortado em ripas, feito alcatra; quando a realidade, como se conhece, desaparece e o chão sai debaixo dos pés. Não liga a mínima para ordem ou estágios, que são mais ou menos como querer tapar o sol com uma peneira. Não há padrão universal, e nem mesmo individual, e cada um de nós vai ter que aprender, de uma forma ou de outra, a lidar com a raiva, a vergonha proveniente de sentir raiva do defunto, o medo de se sentir abandonado, a alegria de ter podido viver com a pessoa e a depressão consequente à falta dela. A coisa vai e vem como ondas no mar, não tem uma igual a outra, ora bravia, ora calminha. E de repente, um tsunami. E principalmente, não tem “pronto, fim, acabou”, como se fosse um livro do qual se tivesse lido a última linha do último capítulo. Nossos amores e nossas perdas são muito maiores do que qualquer estágio, e a única forma de contê-los é deixando-os livres.

E é por essas e outras que sou grata. A avô e professores pela permissão de questionar e duvidar, e aos amigos que me mostraram o que é “aguentar” o luto de outrem. Tenho exemplos fantásticos. O primeiro, de amiga psicóloga, que, baixando em casa do nada, num momento que estava fazendo molho de tomate (tinha acabado de ver minha mãe tentando engolir sua aliança de casamento, escondido a peça e agoniada com a rapidez da progressão do mal de Alzheimer dela), daí fui cozinhar, que é meu jeito de me acalmar. Ela entra, senta e me diz: “Pode chorar, berrar e uivar. Trouxe duas caixas de lenços de papel.”
Um amigo que me apareceu em casa, durante um temporal horrível em São Paulo, dizendo: “Vim chorar com você a morte de nosso querido.”
E finalmente, não porque meus exemplos acabaram, mas só porque não quero fazer este post mais longo que “Guerra e Paz”, um outro que, logo após o falecimento de minha mãe, quando estava apavorada com Alzheimer e genética, e pela manhã, ao fazer café, esqueci de colocar a cafeteira na máquina, espalhando café pela cozinha toda, em contando o fato, perguntei: “Você acha que estou desenvolvendo velho Al precocemente?” Ele, calmo feito um pepino, me responde: “A não ser que você seja o único caso não descrito nos anais médicos, de Alzheimer desde o nascimento, acho que você está sendo você mesma sob stress.”

E se fosse religiosa, diria que, mais do que sortuda, sou abençoada.


terça-feira, 6 de maio de 2014

PARA ANÔNIMO QUE CONTINUA INSISTINDO QUE AIDS NÃO EXISTE

Perdão por fazer uma postagem inteira, mas o google ainda não consertou a barra "comentários", de formas que continuo recebendo os comentários no e mail, mas não posso responder direto. Então aqui vai.

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CUIDADO COM AS NOTÍCIAS":

http://pt.wikipedia.org/wiki/Peter_Duesberg
nao e o que diz a wikipedia

Postado por Anônimo no blog Curare Dolorem Opus Divinum Est em 1 de maio de 2014 00:38

Prezado Anônimo

O artigo que você me mandou pela WIKIPEDIA, ou é muito antigo, ou muito desatualizado. Então, estou lhe mandando os artigos abaixo, para atualização. Espero que ajude.
Informo também que é a última resposta sobre o assunto, desde que é impossivel modificar raciocínio motivado, mesmo usando toda a informação e evidências possiveis.

Cordialmente

Patrizia

Este é um site da própia Universidade, onde os alunos dão nota e comentam sobre os professores comentarios de alunos

Este é ótimo no youtube https://www.youtube.com/watch?v=DShCZTbHEhk&list=PLD3F726DF3FC7A52C&noredirect=1

Este é da RationalWiki http://rationalwiki.org/wiki/Peter_Duesberg

Este é mais antiguinho, de 2006, mas mesmo assim, excelente http://scienceblogs.com/goodmath/2006/09/04/pathetic-statistics-from-hivai/

sexta-feira, 2 de maio de 2014

CINCO DICAS PARA EFICÁCIA

Li esse artigo no Times, e naturalmente fui dar uma pesquisada no material que eles ofereceram. Isso tudo só me lembrou a velha frase, “Conhece-te a ti mesmo”, inscrita no templo de Apolo, em Delfos (sim, aquele mesmo do oráculo), atribuida a Tales de Mileto, usada por Platão, Hobbes, Pope, Benjamim Franklin, Rousseau, Emerson, Freud e provávelmente muitos outros que desconheço. Pedra fundamental da psicanálise, e a mais difícil das tarefas. Mas, aqui vem os Americanos e fazem o que melhor sabem fazer: sistematizar conceitos que tem bibliotecas inteiras sobre eles escritas, e colocar no formato “How to”, ou “Como fazer”. Admiro, até mesmo porque tenho a tendência à digressão. Então, sem mais demoras, vamos ao artigo, cujo link para original, como de costume, estará no final, e meus palpites entre parênteses.

1-SAIBA QUANDO ESTÁ EM SUA MELHOR FORMA
E planeje seu dia de acordo. Para ser um ninja produtivo, foque menos em gerenciamento de tempo e mais em gerenciamento de sua energia.
Charlie Munger, Vice-Presidente da Berkshire Hathaway(a companhia do Warren Buffet,um dos homens mais ricos do universo conhecido,tem um Sistema como esse para continuar crescendo e aprendendo:identificou as horas do dia nas quais estava em sua melhor fase e, rotineiramente, roubava uma dessas para seu próprio aprendizado. Teve essa idéia quando era um jovem advogado, e decidiu que, sempre que o trabalho não estivesse tão intelectualmente estimulante quanto gostaria, ele “venderia a melhor hora do dia a si mesmo.” Assim, usava tempo faturável, no topo de seu dia, e o dedicava a si mesmo, pensando ou aprendendo. “E só depois de melhorar minha mente – só depois que usava minha melhor hora me melhorando – aí estava pronto para vender meu tempo a meus clientes".

Você é uma cotovia matutina?,Corujão(feito eu)?, Melhor depois de uma sonequinha? Decida o que funciona, em seu caso, e planeje em volta disso.

(Embora concorde com todo o acima, não podemos esquecer que o mundo é das cotovias matutinas, e nós, corujões, estamos em franca desvantagem no caso. Na minha área então, é um desastre. Mesmo assim, há maneiras de circunavegar os empecilhos, tipo usar aquela hora maravilhosa, no final da noite, quando o mundo se retirou, tudo está quieto, sua cabeça está a mil, para se impressionar com os acontecimentos do mundo, ler aquele livro que te chama de braços abertos, pensar, enfim, meus irmãos corujões conhecem o trampo. Daí, na hora das cotovias, fazer aquelas tarefas irritantes e administrativas sem as quais a vida vira um caos, tipo organizar pagamentos, atender reuniões de equipe – aquelas nas quais qualquer pessoa inteligente vira abestalhada, coisa que não é só minha opinião mas a de Robert Fulghum, melhor filósofo Americano vivo e meu herói. Daí, é só aprender a tirar um cochilo na hora do almoço, sentado em frente ao computador. Factivel.)

2- DURMA O SUFICIENTE
Não, não tem jeito de dar um jeito com sono necessário e imprescindível. Cortar tempo de sono produz uma cachoeira de efeitos negativos, e nenhum deles vai ajudá-lo a se tornar mais proativo, muito antes pelo contrário. Independentemente do quão bem você acha que está levando seu dia após a mais recente noite mal dormida, é assaz improvável que se sinta otimista, alegre e saltitante em relação ao mundo e aos seres que o habitam. (Chamo a isso a “Síndrome do bêbado feliz”, quando a pessoa intoxicada, seja lá com o que for, está se achando o máximo e todo mundo ao redor vendo o que é que está acontecendo.) Sua perspectiva estará mais negativa do que o costumeiro e o humor bem pior, o que é consequência normal de deprivação de sono e cansaço. Mais importante do que o humor, é que isso vem acompanhado por redução significativa na vontade de pensar e agir de forma pró-ativa, no controle de impulsos, no sentir positivo sobre si mesmo,no empatizar com os outros, e, geralmente, na capacidade de usar a inteligência. A coisa é tão séria, que algumas pessoas podem ter as emoções tão atrapalhadas por deprivação de sono, que poderiam ser classificadas como psicopatas, o que pode torná-lo um bom e real ninja, mas não um ninja produtivo. Tipo errado de ninja.
Todas essas coisas se combinam para mudar a forma de pontuação em escalas clínicas de transtorno de humor, muitas vezes derrubando pessoas perfeitamente normais para a zona clinicamente relevante, de modo que, se testados naquele dia em particular, poderiam ser classificados como deprimidos ou até mesmo como psicopatas.
(E se há alguém neste grande supermercado de Deus, que concorda com isso até a medula de seus ossos, sou eu. Passei boa parte de minha vida me sentindo um peixe fora d’água, onde todos a meu redor acordavam cedo e dispostos, achando que a manhã é a melhor hora do dia, e tentando me adaptar, aos trancos e barrancos, num nível horroroso de infelicidade, mau humor e acidentes. Sim, acidentes. Perdi a conta dos buracos nos quais cai porque estava sonada demais para enxergá-los, dormindo a sono solto e inclusive babando na carteira do bom Diocesano, quando fiz último ano de colégio junto com cursinho, já dormi em cima de sobremesa e perdi um namorado porque dormi em cima do álbum de fotos, dele bebê, que a mãe estava me mostrando, e outras muitas coisas mais que não vale a pena elencar no momento. Comecei meu processo de melhora quando decidi parar de tentar agradar o mundo.)

3- DISTRAÇÕES NOS TORNAM ESTÚPIDOS
Estudantes cujas classes ficavam perto de estradas de ferro barulhentas, ficaram com um atraso de um ano, acadêmicamente falando, em relação àqueles cujas classes não eram barulhentas. Quando mudaram de local, indo para prédios sem barulho, a diferença no desempenho acadêmico desapareceu.
Silêncio é ótimo para produtividade.
Havia uma escola em New Haven, localizada pertissimo de uma linha de trem extremamente barulhenta. Para medir o impacto do tal barulho no desempenho acadêmico, dois pesquisadores notaram que apenas um lado da escola dava de frente para os trilhos, de formas que um grupo de alunos estava muito mais exposto ao ruido do que o grupo cuja sala ficava na parte de trás do prédio.
Descobriram que havia espantosas diferenças entre os alunos da frente e de trás. Alunos do mesmo grau, mas que ficavam na frente, estavam com um atraso acadêmico de um ano em relação aos dos de trás. Mais ainda, depois que, alertados pelo estudo as autoridades da cidade instalaram pastilhas abafadoras de ruído, a diferença no desempenho acadêmico entre as crianças simplesmente sumiu.
Distrações podem significar que você não vai notar os gorilas passando no meio da sala.
(Essa referência dos gorilas é a respeito de um estudo famoso em Psicologia, no qual colocaram pessoas a assistir, por 3 minutos, um jogo muito disputado. O jogo variava conforme a preferência dos sujeitos. Depois de 3 minutos, lhes era perguntado o que haviam visto de interessante. 99% dos entrevistados contavam do jogo, quem tinha feito o que e como. Só 1% conseguiu ver um gorila cruzando no meio do campo ou quadra. Então essa história de que você pode estudar e/ou trabalhar sendo constantemente interrompido, com TV ligada, um olho no twitter e outro no trabalho a ser feito, é pura balela, assim como o mito do multitasking, que vai ser assunto de outro post.)

4-TRABALHE EM ALGUM LUGAR ONDE REALMENTE CONSIGA FAZER AS COISAS
Sabe aquele lugarzinho onde usualmente consegue ser produtivo? Vai lá.
Sabe aquele outro onde nunca consegue fazer nada? Evite.
Wendy Wood, professor da USC, explica como nosso ambiente ativa nossos hábitos, sem que nosso lado consciente sequer perceba.
“Hábitos emergem da aprendizagem gradual de associações entre uma ação e seus resultados, juntamente com os contextos a eles associados. Uma vez que o hábito é formado, vários elementos do contexto pode servir como um sinal para ativar o comportamento, independente da intenção e mesmo na ausência de um objetivo particular ... Muitas vezes, a mente consciente nem toma conhecimento.”
Contexto é muito mais importante do que se pensa. (E é por isso que sapateio de raiva ao escutar discursos políticos que provam pontos de vista totalmente indefensáveis, usando “pedaços”de ciência sem contextualização. O mesmo seja dito a respeito de idéias “new age”usando a física quântica, que quase ninguém entende, para provar o improvável. Mas isso é pura digressão minha.)

5- ACREDITE NO QUE FAZ
Soa como um clichê piegas, mas a investigação científica o apoia.
O que acontece quando você vê o seu trabalho como uma vocação, um chamado, e não apenas um emprego que paga as contas? Você é mais completo, engajado - e mais feliz.
Então quem sabe, esteja na hora de largar a metáfora do ninja produtivo e nos tornarmos um samurai dedicado?
A pesquisa das psicologas Amy Wrzesniewski e Jane Dutton mostra o quanto nossa atitude mental - o que escolhemos para nos concentrar - afeta nossa experiência de trabalho. Elas seguiram um grupo de faxineiros de um hospital e descobriram que aqueles que viam seu trabalho como um emprego - como algo que faziam exclusivamente pelo salário - o descreviam como chato e sem sentido. Outro grupo, encarava seu trabalho como um tipo de vocação, e assim descreveram as horas que passavam no trabalho como tempo significativo e envolvente (quero crer que se testado, o filho do Lula se encaixaria neste segundo grupo, a notar seu incrível desenvolvimento de faixineiro de zoologico a uma das pessoas mais ricas do país – e se morder minha lingua, morro envenenada). Esse segundo grupo, fazia as coisas bem diferentes do primeiro. Eles se engajaram em mais interações com os enfermeiros, pacientes e visitantes, tomando a si a responsabilidade de fazer com que todos aqueles com os quais entrassem em contato, se sentissem melhor. No geral, viam seu trabalho num contexto mais amplo: não estavam meramente limpando e removendo lixo, mas sim, contribuindo para a saúde dos pacientes e para um melhor funcionamento de todo o hospital.
Como se faz? Interagindo com as pessoas que experienciam os benefícios de seu trabalho.
Adam Grant, professor em Wharton, fez enorme pesquisa tentando motivar empregados num centro de atendimento de uma Universidade. Quando eram mostradas as cartas de alunos, gratos por terem recebido bolsas de estudo em parte por causa do esforço desses empregados, a motivação dos mesmos ia ao infinito. O que motivava mais ainda esses empregados? Falar, cara a cara com esses estudantes.
O resultado foi que houve um aumento de 144% no número de doações de ex- alunos, além da doação média, que era de US$ 412,00, passar para uma média de US$ 2000,00.
Nunca, jamais, em tempo algum, subestime o poder da atitude correta.
(E, dando os tramites por findos, como diria o Vinícius, a fim e a cabo o que importa nesse mundo, é nossa capacidade, ou falta dela, de nos sentirmos importantes por fazermos parte de algo que sentimos como maior do que nós mesmos, nossa capacidade para sentirmos gratidão pela nossa vida, pelo que podemos fazer para facilitar a vida de outra pessoa, ou como diz a quadrinha abaixo, que foi atribuida a Emerson, mas que dizem que não é dele e ninguém sabe de quem é:

“Rir sempre e muito; ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; conquistar
a apreciação de críticos sinceros e sobreviver à traição de falsos amigos; apreciar a beleza e
enxergar o melhor nos outros; deixar o mundo um lugar melhor, seja através de uma criança
saudável, um lindo jardim ou uma causa social; saber que uma vida respira com maior facilidade por sua causa.
Isso é ser bem sucedido”

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