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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

AINDA DESCONCERTADO

Prezados leitores.

A sessão “COMENTÁRIOS”do blog continua problemática,e, apesar de e-mails sem fim entre a que vos fala e Google, até agora, não deu jeito. Continuo podendo ler os comentários no e mail ligado ao blog, mas não posso responder porque é “no replay”.

Assim, decidi fazer 2 coisas:

1-Copiar e responder aos comentários aqui no blog. Fiquem frios, os que vieram com nome, só reproduzirei as iniciais. Agradeço a todos que elogiaram e prometo continuar fazendo o melhor que posso, mas não vou reproduzir os elogios, esses a gente só agradece.Muito.

2-Se alguém quiser me contactar diretamente, o e mail ligado ao blog é curaredoloremcursos@gmail.com ou na página do Facebook https://www.facebook.com/curare.dolorem

Abraços
Patrizia

9/12/13
Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CUIDADO COM AS NOTÍCIAS":
esse tipo de artigo com titulo chamativo é um crime, as pessoas não leem no Brasil, e não se preocupam com isso, vão espalhar do jeito que quiserem esse tipo de historia, fico triste em imaginar a maldade qu ha no coração de alguém possa fazer algo do tipo, as pessoas são leigas, despreparadas, e acreditam em tudo que veem na mídia.

R: Não é só no Brasil não. Infelizmente desinformação é um fenômeno mundial.

09/12/13
Anônimo noreply-comment@blogger.com
Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CUIDADO COM AS NOTÍCIAS":
http://www.duesberg.com/index.html
E como entender esses documentos?


R: É a página pessoal do Duesberg. Cada um coloca o que bem lhe der na telha.Às vezes felizmente, às vezes, infelizmente.

9/12/13
Anônimo noreply-comment@blogger.com

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CUIDADO COM AS NOTÍCIAS":
Acho que você que não checou nada. Primeiro quero dizer que o post do FB realmente está cheio de furos. Porém a sua tentativa de mostra-los saiu-se pior.
Até a Wikipédia sabe mais q vc.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Peter_Duesberg


R: Não há qualquer dúvida de que a Wilkipédia conhece mais do que eu. Taí algo que nunca disputei. Agora, dizer que se ficar HIV positivo, não vai procurar tratamento e no caso alguém quiser tratar é só chamar o Duesberg, acho de uma irresponsabilidade única.

12/10/13 – H. D. noreply-comment@blogger.com
H. D. deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CUIDADO COM AS NOTÍCIAS":
Interessante que eu "googlei" seu nome e tb não encontrei nenhuma matéria ou noticia ou informação sobre a sra. que pudesse embasar e dar confiabilidade no que vc postou! Não q eu esteja com isso defendendo a tese já que não é minha area, mas tb não descarto por completo o que propos o sr Ailton! e pelo que vejo voc^´e é uma ferrenha defensora da INDUSTRIA FARMACEUTICA sim e deve com certeza estar levando um por fora pra vir aqui defender com tanto ardor essa que com certeza é sim a INDUSTRIA DA DOENÇA.
sem mais.
H. D.


R: Prezado HD. Primeiro eu não disse que não encontrei matéria ou notícia ou informação sobre o Sr. Ailton. O que disse foi que encontrei tanta coisa que não havia nenhuma maneira de saber qual era a informação correta. Um único Ailton tive certeza que não era pois o cidadão faleceu em 1950, se não me engano. Quanto à sua conclusão,de que “voc^´e é uma ferrenha defensora da INDUSTRIA FARMACEUTICA sim e deve com certeza estar levando um por fora pra vir aqui defender com tanto ardor essa que com certeza é sim a INDUSTRIA DA DOENÇA”, penso o seguinte: a) Como sou fã de carteirinha do Voltaire, vou repetir suas palavras: “Não concordo com uma palavra sequer do que dizeis, mas defenderei até a morte o seu direito de dize-las. b) Você decidiu o que sou,mas só para quem sabe, rever sua opinião,caso não for muito trabalho, leia meu post “A venda dos distúrbios dos Déficits de Atenção”, que vai lhe dar uma idéia de como penso.c) Não defendi a indústria farmaceutica, ou qualquer outra, mas que, sem dúvida, muita gente continua viva porque pode usar antibióticos, anti hipertensivos, anti virus HIV, antipsicoticos, etc.. etc... etc... é algo que ninguém, em sã consiencia pode negar. Por outro lado, que também é uma indústria que visa o lucro, como qualquer outra emprêsa, óbvio. Gostaria que eles estivessem muito mais preocupados com nosso bem estar do que com fazer dinheiro? Absolutamente.Infelizmente, acho que o último cientista/humanista conhecido foi o falecido Dr. Salk que se recusou a patentear a vacina contra poliomielite. Está lá em cima em minha categoria de heróis.

14/12/2013
Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CUIDADO COM AS NOTÍCIAS":
http://www.duesberg.com/

R: Obrigada, mas já postei a página pessoal do Duesberg.

Jan 24/2014
Anônimo Jan 24
Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CUIDADO COM AS NOTÍCI...
Anônimo noreply-comment@blogger.co

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CUIDADO COM AS NOTÍCIAS":

http://www.youtube.com/watch?v=SvgxLE0jO3I


R: Grata.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

QUEIXA CONTINUA. QUAL A VANTAGEM?

Pois estava a por em dia minhas leituras (nada como dois dias de neve, gelo e tempo cinza para estimular a visão daqueles artigos que a gente bookmarca e esquece), quando eis que Psychology Today me apresenta uma pequena jóia, que depois que vi a data, Junho de 2012, ruborizei com certa vergonha, mais de ano e meio largado. Bem, antes tarde do que nunca (cá entre nós, quão maravilhosa desculpa para desatentos!), aqui vai tradução/comentário/sumário. Link para artigo original ao pé da página. Alguns exemplos, por serem por demais americanos, virão com versão mais latina, entre parênteses, por serem produção minha.

Uma das maiores fontes de stress e insatisfação em nossas vidas é nosso desejo contínuo de controlar tudo o que nos acontece, isto é, ter o que desejamos e nos ver livres do que não queremos. Chamo esse tipo de desejo de “estado de querer/não querer”. Vai daí que pensei que seria interessante ver o quanto de controle realmente temos sobre nossas circunstâncias, e com isso em mente, em frente, avante, comecemos a nos queixar da vida!

“Queixa”é uma boa palavra para descrever aquelas circunstâncias em nossas vidas, as quais gostaríamos que fossem diferentes, seja lá coisinhas à toa como não achar as chaves do carro na bagunça da bolsa ou por coisas mais importantes, tipo a forma com que os outros nos tratam. Mesmo quando a queixa é justificada,” sim o cachorro do vizinho late demais", continua sendo queixa, no sentido que não estamos conseguindo o que queríamos,”um cão silencioso. A meta de nos tornarmos conscientes de nossas queixas, é que isso nos ajuda a reconhecer como elas adicionam stress e insatisfação em nossas vidas, e começar a pensar e perceber como nos sentiríamos se as largássemos.

Então, vamos ao exercício: Faça uma lista de suas queixas neste momento. Aqui vai um exemplo:
1-Eu não quero envelhecer
2-Meu parceiro/parceira se queixa demais (Favor notar a ironia nesta queixa específica)
3-Taqueuspariu estou parada há 20 minutos nesta **** estrada!
4-Odeio essas dores!
5-O governo é uma máquina ineficiente e, além de tudo,joga dinheiro fora.
6-Queria que meus filhos me telefonassem mais vezes.
7-E fico na espera, sempre, todas as vezes que chamo esse desgraçado, infeliz, cartão de crédito, banco, farmácia...a escolher.
8-Impressionante a falta de educação dessa geração mais nova!

Não se julgue negativamente pelo tamanho de sua lista, ou seja não se queixe que sua lista de queixas é muito longa. Se fizer isso, vai cair de cara em pensamentos autocríticos, que vão impedir os benefícios deste exercício. É só uma lista de suas queixas, ora essa, é sua e você tem direito a ela.

Agora separa a lista em 3 colunas:
1-Circunstâncias sobre as quais não tem nenhum controle.
2-Circunstâncias sobre as quais pode ter algum controle.
3-Circunstâncias sobre as quais tem total controle.

E caso não tenha nenhuma queixa na coluna 3, bem vindo ao clube. A maioria de nós não tem mesmo.

O problema aqui não é se suas queixas são justificadas ou não, porque em qualquer dos casos, são uma fonte de insatisfação e sofrimento, porque suas queixas refletem seu (nosso, vosso, deles) desejo de que sua vida e o mundo sejam diferentes do que são.

Veja como dividi minha lista de exemplos:

SEM CONTROLE

Se fosse realmente minha lista (provavelmente não é a lista da autora, mas que, com fé gosto e vontade já cometi, muito mais do que uma vez as de número 3,4,5 e 7, isso confesso), diria que não tenho controle sobre os números 1,3,5,7 e 8, o que é muito mais que metade da liista. Estas 5 são condições em minha vida e no mundo, que não estão em meu poder mudar. O que posso fazer é mudar minha resposta a elas (e isso sim, definitivamente, vai reduzir meu sofrimento). O que não posso é mudar os fatos nus e crus dessas circunstâncias.

Minha inabilidade de controlar número 1, é auto evidente: vou envelhecer (e a única alternativa a isso é morrer jovem, o que não me parece uma idéia legal).

O número 3: Não posso controlar o fluxo do trânsito. Vai que aconteceu um acidente, coisa que acontece (e nos últimos dias aqui, com esse tal de gelo negro, acidentes aconteceram aos borbotões).Ficar enraivecida ou frustrada não vai melhorar o trânsito.

Número 5: Todos os governos gastam demasiado e/ou são ineficientes em algumas coisas, e é gastar vela boa com defunto ruim o se queixar a esse respeito. Por outro lado, se pensar sobre isso, posso achar várias maneiras pelas quais o governo funciona muito bem, principalmente se comparado a outros lugares do mundo. Por exemplo, não iria longe ao sair de minha garagem sem os serviços que o governo provê, tipo regulando a qualidade da gasolina, de formas que meu carro pega sem maiores enroscos, pavimentando as ruas, determinando limites de velocidade seguros, mantendo os semáforos em bom funcionamento e tendo policiais para assegurar que todo mundo observe as regras da estrada.
(OK, reconheço, a autora deste artigo provavelmente nunca esteve no Brasil, mas leve em consideração que é só um exemplo)

Quanto ao número 7, realmente não posso controlar o quanto tempo vão me largar esperando (e com aquela voz dizendo a intervalos de 2 minutos – sei porque um dia resolvi testar - “a sua ligação é muito importante para nós”), mas se posso ler algo enquanto espero, a experiência se torna muito, mas muito menos estressante.

E quanto ao número 8, não há quantidade suficiente de queixa que vá mudar as maneiras da geração mais nova. Aliás, qual foi a geração que não se queixou da geração seguinte? (e isso me lembra minha mãe, e eu já estava lá pelos meus 30 e qualquer coisa, quando ela, numa conversa, se saiu com o seguinte primor: “Minha filha, admiro sua geração. Vocês acabaram com a falta de educação. Agora vocês chamam a isso de assertividade.”).

Olhe para sua lista de “Sem Controle”. Dá para perceber que se agarrar às queixas sobre coisas que não têm nenhum contrôle aumenta seu sofrimento, piora o stress, ansiedade, insatisfação e infelicidade? Dá para questionar a validade de suas suposições? Se der, esse questionamento revela que a queixa pode não ser de todo justificada, tipo as maneiras dos jovens.

Há algum item em sua lista que, em vendo que não tem controle, pode largar, deixar ir? Se sim, como se sente largando o peso? Todas as vezes que uso a frase “deixar ir”, penso nas palavras do monge budista Ajahn Chah:

“Se deixar ir um pouquinho, vai ter um pouquinho de paz. Se deixar ir um montão, vai ter um montão de paz. Se largar completamente, vai ter paz e liberdades completas, pois suas batalhas com o mundo terão terminado.”

(Pelo fato que acho que de um jeito meio estranho estou me tornando quase budista, sempre me vem à mente meu primeiro contacto com zen-budismo, traumático que foi. Copa do mundo nos USA, não adianta, datas não são meu forte, desconfio que tenha sido no começo dos anos 90. Jogadores italianos em azul celeste, agora também não lembro se era Armani ou Zegna, mas tem esse colírio chamado Baggio, espanto dos espantos, o primeiro italiano, jogador de futebol, zen-budista assumido. Jogo final, Brasil e Itália, vamos aos penaltis, está pau a pau...e Baggio, o budista chuta para a lua! Juro, porque em direção ao gol, não foi. Muito traumática minha primeira experiência zen.E continuo rezando para que em finais não dê Italia/Brasil. Muito sofrimento, dos meus dois lados.)
VEJA AQUI

CONTROLE TOTAL

Não vejo nada, na lista de exemplos, sobre o qual tenho total controle.

CONTROLE PARCIAL

Sobraram 3 ítens na lista, e não tenho certeza se não caberiam melhor na lista SEM CONTROLE. Se fosse sua lista, primeiro reconheça que, no melhor dos casos, o controle é só parcial, o que deveria encorajá-lo/a a largá-los. Vamos analizar:

Número 2: Quais são as probabilidades de que, o me queixar a respeito de meu queixoso companheiro, vá faze-lo queixar-se menos?

Número 4: Minha dor vai diminuir se eu a odiar? Pelo contrário, vai aumentar, por causa da emoção e do stress que seguem raiva e ódio, pois fazem com que os músculos, ao redor do ponto doloroso se contraiam, aumentando a dor.

Numero 6: Vale a pena me sentir miserável porque os filhos, amigos, companheiros (o bispo de Tremembé) não me telefona o número de vêzes que considero adequado? Não há nenhuma maneira de controlar suas cabecinhas e dedinhos para que disquem (o antiguidade de minha parte, teclem, digitem, mais adequado aos tempos) os números que farão com que meu celular toque.

Por ter categorizado esses 3 sob “controle parcial”, vale a pena pensar a respeito de que tipo de ação ou atitude que poderia diminuir a queixa, o que, por sua vez, diminuiria o sofrimento. Primeiro, ajuda pensar que as coisas são como são: o companheiro queixoso, a presença de dor física, filhotes que não telefonam o quanto a gente acha que deveriam. Isso é pensar e não julgar, pois o não julgar nos dá uma oportunidade de resolver problemas de forma desapaixonada.

Será que poderia usar algumas estratégias, com meu companheiro, estratégias essas efetivas na redução de queixa, como validar seus sentimentos? Exemplo: ”Realmente é o cão quando o computador pifa”, ou “seu trabalho anda mesmo bem difícil”. Que tal terapia de casal?

Quanto à dor, meu médico pode me encaminnhar para uma clinica de dor. Ou praticar técnicas de atenção concentrada que realmente mitigam dores. Posso pegar no telefone e chamar quem me der na telha.

Uma vez que nos tornamos conscientes de nossa tendência a reclamar, começamos a ver que nossa paz não depende do controlar todas as circunstâncias que vivemos. Nossa paz e contentamento dependem de aprendermos como responder, de forma habilidosa, a elas.

Quando reconhecemos que não temos controle sobre a maioria das coisas das quais nos queixamos, fica mais fácil aceitar que muitos de nossos desejos não serão realizados, e muitas de nossas esperiências não serão exatamente de nosso agrado. Ao reconhecer e aceitar esse fato, podemos começar a viver tais experiências com mais calma. Quando o fizermos, vamos notar que nossa tendência à queixa, diminui e que tremendo alívio isto é.

(Sei perfeitamente que rezar para não dar Itália/Brasil em final de copa, não altera em nada as chances da coisa, mas continuo fazendo por me sentir bem, de 4 em 4 anos, me importar com minhas duas paixões).

Toni Bernhard, J.D., é ex-Professora de Direito da Universidade da California em Davis. Agora é escritora. WEB SITE
 ARTIGO ORIGINAL

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O MELHOR E MAIS BARATO DOS REMÉDIOS

Com alegria e risos, deixe surgir as velhas rugas” W. Shakespeare

Em todos os lugares que morei, sempre ouvi alguma variação do velho ditado “Rir é o melhor remédio”. O rir está na filosofia, principalmente em Demócrito, pré socrático que, além de ser chamado de “o pai da moderna ciência” e ter formulado uma teoria atômica do Universo, também ficou conhecido como “o filósofo sorridente”, por sua tendência a se esborrachar de rir ao observar as maluquices inerentes aos humanos. Está na Bíblia: “Então a nossa boca se encheu de riso e a língua com gritos de alegria, então se dizia entre as nações: ‘O Senhor fez grandes coisas por eles’” (Salmo 126:2); “Um coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos” (Provérbios 17:22); também com seu oposto: “O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria” (Eclesiastes 7:04), o que fez o Umberto Eco produzir um de meus livros preferidos, “O nome da Rosa”, no qual monges dominicanos fazem uma sarabanda de assassinatos exatamente sobre o fato de se Jesus Cristo tinha rido ou não. Para os que ainda não leram, podem baixar gratuitamente : AQUI FILME  AQUI LIVRO

Está na fábrica celular de alguns povos: “Che tutti gli italiani siano intelligenti, ma che i toscani siano di gran lunga più intelligenti di tutti gli altri italiani, è cosa che tutti sanno, ma che pochi vogliono ammettere” (Que todos os italianos são inteligentes, mas que os toscanos são muito mais inteligentes que todos os outros italianos, é algo que todos sabem, mas que poucos admitem), Curzio Malaparte, em seu livro “Maledetti Toscani” (Malditos Toscanos, tradução minha, ao pé da letra, posto que nunca vi tradução para o português de tal livro), o qual é uma ode ao humor ácido, anticlericalismo, senso de liberdade e ironia daquela terra.
Segundo a Wilkipédia, “Foi no Carnaval que o baiano encontrou-se com o mundo: Em 1950 Dodô e Osmar inventam o Trio Elétrico, e atrás dele só não vai quem já morreu...”, povo de sorriso aberto, alegria solta e comida impagável. A alegria dos habitantes de Fidji, com seu sorriso descrito em prosa e verso, faz seu país ser considerado um dos mais hospitaleiros do mundo.
Está na cara dos bebezinhos com os quais todos nos encantamos, e em nossa vivência. Quem nunca caiu numa gargalhada daquelas que fazem chorar de tanto que sacodem todo o sistema? E agora, está, além de tudo, classificada, e tem até uma “Terapia do Riso”
.
Só para se ter uma ideia, aqui vão alguns dos mais conhecidos apóstolos do riso:

O escritor Norman Cousins pregou o poder do riso por mais de 30 anos, seguindo-se à sua miraculosa recuperação de uma doença chamada espondilite anquilosante, que é uma forma rara de artrite degenerativa. Dizia ele que 10 minutos de gargalhadas soltas lhe davam 2 horas de sono sem dor, quando nada, nem mesmo morfina, podia ajudá-lo. A história dele chocou a comunidade científica e inspirou muitos projetos de pesquisa sobre o assunto. Seu clássico livro “Anatomy of an Illnes” (Anatomia de uma doença), virou até filme. CLIQUE AQUI

O psiquiatra William F. Fry, da Stanford University,que en 1969, demonstrou que todo o corpo e seus sistemas são estimulados por boa gargalhada. Num de seus mais famosos experimentos, ele mediu as próprias respostas fisiológicas depois de rir com fé e depois de se exercitar, e descobriu que, um minuto de gargalhadas lhe dava o mesmo benefício cardiovascular que 10 minutos numa máquina de remo. CLIQUE AQUI

O Dr. Lee Berk, do Centro Médico da Universidade de Loma Linda, no início dos anos 90, ficou famoso com um estudo focado no impacto físico de uma gargalhada em pacientes que tinham tido um ataque cardíaco. À metade desses pacientes foram mostrados vídeos engraçados por 30 minutos ao dia (os pacientes escolheram o próprio material, baseados em seu senso de humor pessoal). Todos receberam exatamente a mesma medicação. Depois de um ano, os pacientes do “grupo do humor”, tinham menos arritmias, pressão arterial mais baixa, níveis mais baixos do hormônio do stress e estavam tomando muito menos medicação. Melhor de tudo, só 20% desse grupo teve outro ataque cardíaco, enquanto no grupo sem humor, a taxa foi de 50%.CLIQUE AQUI

O Dr. Hunter (Patch) Adams inspirou milhões de pessoas por trazer riso no mundo hospitalar, colocando em prática a ideia que “o processo de tratamento/cura deveria ser um intercâmbio humano amoroso e não uma atividade comercial”. Foi o catalista da criação de milhares de grupos de “doutores do riso” mundo afora. Sua história deu um filme. CLIQUE AQUI

A Dra. Annette Goodheart, psicóloga, começou a usar a “risoterapia no final dos anos 60, e ficou tão impressionada com os resultados, que voltou para a faculdade para fazer o PhD em psicologia”. Promoveu o valor da risada simulada muito antes do Dr. Kataria ter a ideia.CLIQUE AQUI

Dr. Madan Kataria é o inventor da Yoga do riso ou Yoga Sorridente (Hasyayoga), que é yoga mais o gargalhar com propósito. Um estudo da Universidade de Oxford achou que “os limiares para a dor ficam significativamente aumentados em relação ao grupo controle. Esse efeito de tolerância à dor é causado pela gargalhada de per si, e não só pela mudança para um afeto positivo. Sugerimos que a gargalhada, através de um efeito mediado pelas endorfinas, pode ter papel crucial na formação de vínculos sociais.” CLIQUE AQUI

E temos o Robert Provine, PhD, professor de Psicologia e Neurociências na Universidade de Mariland, de 84 anos, em plena atividade, cujo livro “Laughter: A Scientific Investigation” (Risada: Uma Investigação Científica) é básico na área. Segundo ele, há 10 tipos de risadas, sendo que apenas 90% delas são relacionadas a qualquer humor. Abaixo reproduzo algumas delas, e não todas porque há 3 que são variações sobre o mesmo tema. CLIQUE AQUI

RISO DE ETIQUETA

No fim de um dia cansativo, eis que você encontra seu chefe no elevador, e ao invés de começar a falar sobre quão maravilhoso trabalhador em equipe você é e sua nova ideia para a companhia alcançar o primeiro lugar nos negócios, lá vai você e passa a rir de tudo o que a criatura diz. Não se entristeça: mesmo que você ache que está sendo um bobão, não é bem assim. Provine acha que o riso foi desenvolvido por nossos ancestrais antes da fala, de forma que acaba sendo apenas uma maneira de comunicação e de mostrar que está concordando com o que o outro diz, o que é ótimo se você está tentando subir pela ladeira corporativa.

RISO CONTAGIOSO

Segundo Provine (e não vou mais repetir, desde que a classificação inteira é dele, e de meu só os exemplos), o rir é uma estrutura social específica, algo que conecta humanos uns com outros de maneira profunda, e parece que isso é tão verdadeiro que temos 30% a mais de possibilidade de riso num encontro social do que quando estamos sozinhos, assistindo ou lendo algo humorístico. Até acredito que seja verdade, embora pessoalmente tenha uma tendência a rir sozinha, tanto quando estou lendo e relendo os quadrinhos do Asterix, ou quando, dirigindo longas distâncias, tenho que passar o tempo lembrando boas histórias ou revendo outras com a visão “e se tivesse acontecido assim e assado”. De qualquer maneira, diz ele que é mais provável que riamos com amigos assistindo a uma comédia, do que quando estamos vendo a mesma coisa sozinhos.
Imagine que está jantando com um grupo de amigos. Alguém conta uma piada que você não conseguiu ouvir, mas uma das pessoas do grupo começa a rir, e, em pouco tempo, o grupo inteiro está às gargalhadas, incluindo a surda que não ouviu a piada. Em resumo, o riso é tão contagioso quanto o bocejo, e é por isso que nas comédias televisivas há o simulador artificial de risadas.

RISADA NERVOSA

É aquela que brota, imbecilmente, exatamente naqueles momentos que mais precisamos projetar dignidade e controle, tipo durante apresentações ou funerais. Sou tímida de longa data. Minhas mais horrendas memórias são da faculdade, quando começamos a fazer apresentações frente aos professores, e, óbvio, o resto da classe. Na primeira tortura, o restante de meu grupo me escolheu para fazer a citada apresentação. Queria morrer de catapora, mas como também sou um quanto corajosa (e juro que posso ouvir minha mãe dizendo “temerária”), lá fui eu com tudo decorado sobre esgotos, e a frase de efeito era a respeito da rede de esgotos de Creta, que saiu “a rede de escrotos de Creta”, após ter olhado fixamente para os componentes de meu grupo, todos sentadinhos na fila do gargarejo. Só me restou ficar vermelha feito tomate no verão, e cair na gargalhada um milésimo de segundo antes do resto da classe, e bem antes do professor que tentou, heroicamente, não rir.

RISADA DE BARRIGA

É considerada a mais honesta das risadas. É aquela que vem lá das entranhas e toma conta, até a gente ficar sem ar. Tive dessas com quase todos os filmes do Monthy Pyton, e no aniversário de 70 anos de meu pai, quando fomos assistir a ópera Aída a céu aberto, em Campinas. Engalanados, lá fomos, e, naturalmente, antes mesmo dos primeiros acorde, começou a chover. Chover pesado. E lá vai todo mundo a sair, com o único problema que a estradinha, melhor dizendo, picada, do estacionamento até a caverna ao ar livre, tinha se tornado um lamaçal em subida. E aí uma senhora avantajada nos quilos e enfiada sob pressão num longo de veludo vermelho, estancou e não subia de jeito nenhum. E uma fila enorme se formado, encharcada, atrás. Papai, ariano que é, não teve dúvidas, meteu ambas as mãos no posterior da criatura e a empurrou barranco acima. E aí sim que a fila parou, desta vez por gargalhadas sonoras do povo. Foi o desastre metereológico mais engraçado da temporada.

RISADA SILENCIOSA

É aquela que se aprende em colégio de freiras, ou por trabalhar em colmeias (sim é o que me parecem aqueles cubículos todos em escritórios), quando, para afugentar o tédio, o trabalhador criativo aprende a olhar sites engraçados na net, sem ninguém notar. Como tem os mesmos benefícios da gargalhada de barriga, tem sido usada em hospitais infantis, onde é ensinado às crianças internadas, como forma de voltar rápido ao sono após acordar devido a pesadelo. É uma boa maneira de conseguir os efeitos calmantes das exalações rítmicas, sem acordar o resto do hospital. Também muito usada na terapia do riso e na yoga sorridente.

RISADA ALIVIADORA DE STRESS

Sim, às vezes a vida é muito dura, seja porque o prazo para algo está acabando e se está longe de completar a tarefa, seja um chefe que decidiu encarnar o espírito de Savonarola, ou se está socado num trânsito horroroso, ou, no verão texano de média de 43 graus e o ar condicionado pifou...enfim, velho conhecido stress. O já sobejamente conhecido tem por único objetivo criar tensão, e ela tem que vazar para algum lugar, o qual, usualmente é nos músculos. Uma boa gargalhada, assim, causada de repente, tem o mesmo efeito de aliviar o stress que uma massagem.

RISO DE POMBA

Não, não é aquele causado quando se está andando com um amigo careca, e algo cai do céu bem em cima do citado. É aquele que rimos sem abrir a boca, meio como risada silenciosa, mas quando a boca está fechada, a risada produz um barulho semelhante ao arrulho do pombo. Bastante usada em terapia do riso e yoga sorridente.

Seja lá qual for sua preferida, ria muito, ria com fé, porque os benefícios para sua saúde são:

1-REDUZ STRESS E ESTIMULA O SISTEMA IMUNOLÓGICO.
Tudo isso porque uma boa gargalhada diminui os níveis de cortisol e epinefrina (hormônios do stress), o que, por si só, melhora o funcionamento do sistema imunológico. Então, da próxima vez que se sentir muito para baixo após assistir ou ler as notícias sobre como o mundo está se acabando, desliga a TV e pega um livro, um gibi, ou muda de página e vai direto para os quadrinhos.

2-AJUDA A DESENVOLVER HABILIDADES DE ENFRENTAMENTO.
Quando tudo está fora de controle, como um diagnóstico ruim, a perda do emprego ou até mesmo o carro pifar na estrada, que são eventos para os quais não há preparação possível. Não podemos controlar o que acontece na vida, mas podemos controlar como nós reagimos aos eventos. Responder com boas risadas a uma situação ruim protege a mente, corpo e espírito. Vai que é por isso que sempre tem alguém contando uma piadinha lá fora, em qualquer velório.

3-MELHORA PA E FLUXO CIRCULATÓRIO
A Universidade de Maryland desenvolveu um estudo ligando risada à saúde cardiovascular. Os resultados do estudo mostraram que a risada expande o endotélio (camada de células que recobre a parte interna dos vasos sanguíneos), o que, por sua vez, melhora o fluxo sanguíneo, o que pode baixar ou regular a pressão arterial, e ainda combate a aterosclerose (que é o endurecimento das artérias). Agora calma que não estou sugerindo que as pessoas larguem a medicação, e, ao invés da caminhada diária, passe o dia no sofá assistindo comédias. É só adicionar boas gargalhadas. Aliás, se você anda de manhã pelo parque do Ibirapuera, a fauna humana que por lá desfila é material sem fim para o objeto deste post.

4-É UMA EXPLOSÃO DE EXERCÍCIO.
Da próxima vez que estiver na academia, não se acanhe de rir silenciosamente a respeito da criatura vestida em spandex de oncinha, 4 números menor que o tamanho apropriado. Você só estará fazendo o equivalente a 15 minutos de bicicleta estacionária.

5-AFETA POSITIVAMENTE A GLICOSE E O SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA .
No estudo de Hayashi, onde pessoas com Diabetes tipo 2 e pessoas sem diabetes comiam a mesma refeição e, depois da refeição, metade do grupo ia assistir a uma palestra chatíssima, enquanto a outra metade ia assistir um show humorístico, foi registrado que, até nos diabéticos que foram ao show humorístico, não houve aumento da glucose sanguínea, o que aconteceu com os grupo de diabéticos e não diabéticos da palestra chata. Nasir e cols. registraram o efeito a longo prazo de terapia do riso no sistema renina-angiotensina (é o que regula a pressão sanguínea) em pacientes com diabete tipo 2. O mais impressionante no estudo foi que os níveis plasmáticos de renina caíram dramaticamente, o que indica que o riso pode ajudar os que têm diabetes a prevenir as complicações relacionadas a esse sistema.

6-AJUDA A DIMINUIR DORES
Aumenta o limiar para as mesmas, por liberar endorfinas, que são os analgésicos naturais que nosso cérebro produz.

7-IMPULSIONA E REFORÇA AS HABILIDADES SOCIAIS
Há uma razão pela qual, quando você ri, o mundo ri com você, mas quando chora, chora sozinho (ou como diziam os antigos, aproveita e vai chorar na cama, que é mais quente). O fato é que ninguém gosta de ficar por perto de uma pessoa que nunca tem nada de positivo para dizer, e a única coisa que faz é lamentar-se. Encontrar humor na vida, e ser capaz de rir da própria e de si mesmo nela, só melhora nossas habilidades sociais. A maioria dos pesquisadores na área acredita que o riso permite aos humanos fazer conexões, se vincularem e se comunicarem. Quanto mais confortáveis nos sentimos com alguém, mais fácil se torna rir com a pessoa. Caso se viaje para um país de língua que nos é desconhecida, o sorriso é a forma universal de comunicação. Alguém puxando a mala da esteira do aeroporto e a citada abrindo-se e espalhando o conteúdo em cima de todo mundo por perto, é engraçado em qualquer língua, e é a maneira mais simples de fazer as pessoas virarem imediatamente fantásticos ajudantes, por fazê-los se sentirem menos culpados por rir às suas custas. Acredite, já me aconteceu mais do que uma vez.

8-REDUZ AGRESSÃO
João e Maria acabaram de terminar o relacionamento, e naturalmente a primeira coisa que acontece é um jantar marcado há séculos. Na mesa, obviamente, a tensão é tão densa que dá para cortar com faca. O que se faz? Conta uma piada ou um “causo” engraçado. A risada é a faca hipotética que corta a tensão, permitindo relaxamento. As pessoas se acalmam, se tornam menos agressivas, o que pode clarear as perspectivas do que está acontecendo a seu redor. Só tenha a fineza de não contar piadinhas a respeito de amores mal sucedidos. Existe uma diferença importante entre humor e grosseria. No estudo de Recker, estudantes que assistiram a vídeo humorístico na classe, responderam com níveis de agressão mais baixos a situações de tensão.
Até Freud, que não era a mais risonha das criaturas, considerou o humor no mesmo patamar que a sublimação, como os dois únicos mecanismos de defesa positivos, e demonstrou isso quando os nazistas queimaram seus livros e ele mandou a seguinte perfeição numa frase: “Vejam só como evoluímos! Há uns anos atrás, queimariam a mim. Agora só queimam meus livros”.

E é essa a razão por que ditadores de direita, esquerda, religiosos ou laicos não temem os fortes, malhados, cheios de energia. Temem os fraquinhos que, com a língua ou a caneta os ridicularizam.

Lembrem-se de mim com sorrisos e gargalhadas, pois é assim que me lembrarei de todos vocês. Se só puderem lembrar-se de mim com lágrimas, então não se lembrem de mim.” Laura Ingalls Wilder

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

ACIMA E ALÉM DA CONDIÇÃO HUMANA

Todo mundo teve a experiência de ter um chefe insuportável, um diretor descarado, um político sem qualquer senso de decência. Agora, aqui nos USA, estamos passando pela experiência do grupo político Tea Party (Partido do Chá, em memória dos americanos de Boston, que jogaram ao mar todo o carregamento de chá de um navio inglês, como queixa dos altos impostos da coroa inglesa sobre os americanos, o que iniciou a guerra da Independência), e, no Brasil, uma família inteira mandando e desmandando na Capitania Hereditária do Maranhão. Exemplos não faltam. O que até o momento faltava era uma explicação do por que isso ocorre. Animem-se. Chegou.

Em Janeiro de 2012, o Proceedings of the National Academy of Sciences - PNAS (revista científica mais prestigiada do mundo) publicou o seguinte artigo: "Higher social class predicts increased unethical behavior” (Classe social mais elevada prevê o aumento do comportamento antiético, tradução minha), de Paul K. Piff e Dachner Keltner, do qual tiro o seguinte parágrafo: “Sete estudos, usando métodos experimentais e naturalísticos, revelaram que indivíduos das classes altas se comportam de forma mais antiética do que indivíduos de classes mais baixas, e essas tendências antiéticas são em parte contabilizadas por suas atitudes mais favoráveis em relação à ganância.” A rede de TV ABC entrevistou o Dr. Piff, que disse: “Na verdade, a coisa se resume ao fato de que dinheiro provoca uma sensação de ter mais direitos que os outros, isto é, sentem-se no direito de saquear, pilhar, coisas que os que não tem dinheiro, não sentem.”

Para fazer as coisas mais interessantes, em Maio de 2013, Michael W. Kraus e Dacher Keltner publicaram um artigo no Journal of Personality and Social Psychology (Revista de Personalidade e Psicologia Social), com o seguinte título "Social Class Rank, Essentialism, and Punitive Judgment"(Classe Social, Essencialismo e Julgamento Punitivo), e aqui vai o sumário:

“Testamos a hipótese de que indivíduos de classes sociais mais altas seriam mais propensos a endossar as teorias leigas essencialistas de categorias de classe social (tipo racismo), do que indivíduos de classes sociais mais baixas, e essas crenças diminuem o suporte para justiça restorativa (exemplo: aquela que procura reabilitar os delinquentes ao invés de apenas puni-los). Nos estudos, quanto mais elevada a classe social, mais associada estava com o aumento do essencialismo de categorias de classe, e menos suportiva de justiça restorativa. Além disso, a associação entre classe social e teorias essencialistas potencialmente diminuem oportunidades e mobilidade sociais. Estes resultados sugerem que indivíduos que se percebem pertencendo aos alto escalões das camadas sociais estão inclinados a endossar crenças essencialistas, em parte para justificar ou legitimar sua posição social, e em parte para explicar a si mesmos que seu sucesso provém de sua superioridade, ao invés de consequência de sua crueldade ou qualquer outro traço ruim que encarnam. À medida que os pais querem que seus filhos tenham sucesso (no sentido comum do termo), para subir ou ficar no topo de uma posição social, vão ensinar às crianças a não se preocuparem com o bem estar dos outros, mas apenas de si mesmo e fazer qualquer coisa ou esmagar qualquer um, a fim de ganhar o que querem. A criança aprenderá que tem o direito de fazer isso por causa de sua superioridade inata, sua linhagem, e não por algo que faz ou fez. Por outro lado, na medida em que os pais incentivam a criança a se preocupar com o bem estar dos outros, ou não se sentir com ‘direitos de nascença’, reduzirão a probabilidade de seu filho atingir ou manter alta posição social.”

Por mais absurdo que isso nos pareça, temos exemplos que não acabam na história antiga e contemporânea, além do que é a base daquilo que, em psicologia, é chamado de Narcisismo, isto é, quando a criatura tem a sensação de que tudo lhe é devido, tem visão muito inflada da própria importância, pouquíssima habilidade de tolerar frustrações, acham que, para eles, a vida deveria ser ideal, perfeita, não precisam fazer nenhum esforço para conseguir o que querem, e os objetos de seus desejos virão a eles exatamente quando e como assim o desejarem, e quando isso não acontece, a resposta é um “furor narcísico”, que tem várias formas, desde a fofoca e falar mal de algo ou alguém, até violência, destruindo coisas ou pessoas.

Uns dias atrás, uma amiga postou o seguinte artigo no facebook: “A cada quatro dias, uma mulher é assassinada pelo companheiro no Estado” (CLIQUE AQUI), mostrando que 50% dos assassinatos são cometidos pelo marido ou companheiro e 25% por ex-companheiros, 83% dos crimes ocorrem dentro de casa, e em 50% dos casos, o motivo principal do homicídio é a separação, o que mostra claramente a ideia de posse sobre a vida de outro ser humano, que, mutatis mutandi, muito se parece com o seguinte :

“O senhor de escravos branco, cristão e inteligente do Sul (Sul dos USA) é o melhor amigo do negro. Ele não considera seus escravos como mera propriedade fiduciária, mas sim como seres humanos aos quais deve deveres. Enquanto no Norte o negro é visto como fariseu, ao qual não é permitido sequer passear pelas estradas, os cavalheiros e damas do Sul são vistos, diariamente, lado a lado, em coches e carruagens, com seus fiéis servidores... o escravo cuida de seus amos doentes e realmente chora em suas tumbas. Esses são os laços de real amizade entre brancos e negros. Esse é o relacionamento que existe de forma geral com os escravos, e de forma universal com seus servidores e seus senhores brancos.”( The Spectator, Dezembro, 6, 1859) -(CLIQUE AQUI ) e com o seguinte:

“A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, é uma mulher de família. Herdeira do político mais longevo do país, Roseana, com 60 anos e em seu quarto mandato, mantém negócios com empresas de parentes e tem amigos e familiares ocupando postos-chaves em várias esferas de poder, o que lhe garante relativa blindagem...Levantamento aponta que, de 2009, quando ela retornou ao governo, em abril daquele ano, ao final de 2013, empresas de familiares, amigos e correligionários receberam R$ 274,1 milhões dos cofres do Estado. A segunda empreiteira que mais recebeu dinheiro do governo do Maranhão no ano passado foi a Ducol Engenharia. Ela pertence a Herny Duailibe, primo do marido de Roseana, Jorge Murad. A empresa foi denunciada pelo Ministério Público por ter recebido, em 2003, R$ 1,3 milhão para realizar diversas obras de pavimentação em municípios maranhenses, mas não teria realizado os serviços. Apesar da ação, isso não impediu Roseana de contratar a mesma construtora para realizar outras obras. (CLIQUE AQUI) e com o seguinte:

“Republicanos do Senado bloqueiam Projeto de Lei para Plano de Saúde aos que foram socorrer as vítimas da queda das torres em 11 de Setembro: Senadores republicanos obstruíram legislação para monitorar e tratar socorristas e trabalhadores de emergência que sofreram doenças relacionadas ao 11/9. A lei iria financiar um programa de saúde para o tratamento dos trabalhadores dos serviços de emergência, construção e limpeza, e dos moradores que inalaram partículas tóxicas após o colapso das torres do World Trade Center. O custo de 740 milhões de dólares da legislação ao longo de 10 anos, seria pago por uma disposição que impede as empresas multinacionais estrangeiras de usarem paraísos fiscais para evitar impostos sobre o rendimento nos EUA. Senador Harry Reid, democrata, disse: “Os Republicanos negaram cuidados de saúde adequados aos heróis que desenvolveram doenças por terem corrido para edifícios em chamas em 11/9. No entanto, farão de tudo para dar incentivos fiscais a milionários e executivos, embora isso vá explodir nosso déficit e não criará qualquer emprego. Isso diz tudo o que você precisa saber sobre as suas prioridades”. (CLIQUE AQUI)

E já que disse que exemplos abundam, aqui vão os dois últimos, dignos de prêmio, caso houvesse um para a categoria “Acima e além, sem medo ou pudor”: “Republicano do Wisconsin faz projeto de lei para reduzir os pagamentos de apoio aos filhos de doadores ricos: Doador republicano Michael Eisenga e seu advogado, William Smiley, forneceram instruções detalhadas para o deputado republicano Joel Kleefisch sobre como fazer legislação a respeito de severamente limitar os pagamentos de pensão dos ricos. Kleefisch começou a trabalhar na citada legislação ano passado, semanas depois que um tribunal de apelações rejeitou as tentativas de Eisenga para reduzir seus pagamentos a seus filhos. Os documentos, disponíveis no site da legislatura do Wisconsin, deixam pouca dúvida de que o projeto de lei foi escrito com as especificações do Eisenga”.( CLIQUE AQUI)

E o máximo de todos os máximos: “Garoto de 16 anos mata 4, dirigindo bêbado, no Texas, mas como um psicólogo o definiu como vítima de ‘afluenza’, ou seja, por ser o produto de pais ricos e privilegiados que nunca lhe colocaram limites, ganhou 10 anos de liberdade vigiada, tempo nenhum na cadeia, e foi para uma clinica na Califórnia, cujo preço de internação é a bagatela de 450 mil dólares a cada 6 meses”. (CLIQUE AQUI)

Pronto. Nem precisei usar exemplos dos Césares ou dos Borgia, que prontinhos estavam.

Finalmente, entendemos. Mas entender, não quer dizer aceitar. Trinco os dentes todas as vezes que escuto algum desavisado soltar o verbo a respeito de como Freud e sua psicanálise trouxeram desculpas e falta de responsabilidade às pessoas, por culpar tudo o que fazem na criação que tiveram. E trinco os pobres dos dentes porque cansei de explicar que psicanálise não é um processo de “perdão”pessoal. A isso se chama o que o padre faz depois da confissão, ou pelo menos fazia, já que faz muito tempo que não vou a uma e, possivelmente as coisas mudaram. Psicanálise, como pensada pelo seu criador, é um processo de compreensão e de assunção de responsabilidades pessoais. Exatamente o contrário de como estamos vivendo. Esses estudos são assustadores por nos mostrarem o tamanho da hipocrisia que vivemos. Será que se estivéssemos no lugar da Roseana, faríamos diferente? Criamos nossos filhos com valores ou com preços? É mais fácil tomar uma atitude ou dar esmolas para crianças nas ruas?

Não estou aqui defendendo a posição Roussouniana e maniqueísta de que “ricos são maus, pobres são bons”, já que não gosto nem de Rousseau nem de maniqueísmos, e há exemplos de sobra de riquíssimos usando seu dinheiro para melhorar condições mundo afora, dois que me vem à mente, de cara, são Bill Gates e Warren Buffet. O que estou dizendo é que esse estado de coisas em que nos encontramos, necessita, para continuar, de duas coisas: 1- Que muita gente concorde e, 2- Que a maioria discordante não faça nada a respeito.

E isso me lembra do discurso de Martin Niemöller, em Frankfurt, Janeiro de 1946:

“Quando os Nazistas perseguiram os comunistas
Fiquei calado
Eu não era comunista
Quando eles prenderam os sociais democratas
Fiquei calado
Eu não era social democrata
Quando foram atrás dos membros dos sindicatos
Fiquei calado
Eu não era sindicalista
Quando vieram para os Judeus
Fiquei calado
Eu não era judeu.
Quando vieram me pegar
Não havia ninguém mais para falar”.

Então, feliz ano novo, feliz pensamentos novos e felizes posturas novas.

E é agora que se bota a boca no trombone, ou para sempre nos calamos e deixamos como está para ver como é que fica. Não está nada bonito.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

ANTROPOFAGIA, PECADOS E GARGALHADAS

Informação inicial: Devido à preguiça, carnaval de almoços, jantares e festinhas outras que me acontecem entre final de dezembro e começo de janeiro de todos os anos, consegui me atrasar enormemente nos blogs ( a duras penas mantive a página do facebook ligeiramente funcional). Vai daí que resolvi repostar essa antiguidade feita há uns dois anos, creio eu, mas que continua uma de minhas mais divertidas memórias.

Interessante como as coisas se misturam na vida. Cá estou a ler “Masters of the Mind “do Millon, que numa tradução direta é “Os Mestres da Mente”, livro escrito num pedantismo acadêmico intolerável, mas por outro lado interessantissimo pois traz a história das idéias e atitudides a respeito de “loucura” desde priscas eras até o presente.
Pois estava na parte da dominação da Igreja Católica, cuja definição de insanidade era a “fraqueza moral”ou “excesso de pecado”, com a velha separação dos tais em veniais, mortais e capitais (separação esta que ainda peguei no primário), quando eis que me vem a mente a memória de meus tropeços na vivência religiosa.

O conceito de pecado era difícil de entender para uma criança de 7 anos no tal curso de preparação para primeira comunhão, até que meu avô me explicou que pecado, era qualquer coisa que eu fizesse contra mim mesma, alguma outra pessoa, ou a destruição sem sentido da natureza.
Ficou fácil. Velho vô tinha idéias bem adiante de seu tempo, o que, algumas vêzes ao repeti-las para platéias menos esclarecidas, arranjei encrenca, como quando, horrorizada pela idéia que, se mordesse a óstia, dela sairia o sangue de Cristo, e considerando que não ia me tornar uma antropófaga (índios de cor muito escura que comiam os missionários ingleses lá longe, na Africa, conforme tinha me ensinado minha mãe), anunciei que não ia fazer primeira comunhão, nem segunda nem nenhuma.

Chamado que foi o conselho de guerra familiar, avô foi o único que teve a idéia de me perguntar o por que da decisão, não que se preocupasse mínimamente com minha primeira comunhão, posto que era ateu e anarquista, graças a Deus, como bem escreveu a Zélia Gattai, mas porque razão para ele, era de importância fundamental.

Assim que expliquei o problema da óstia hemorrágica, e o resto da familia começou a se retirar do recinto (agora sei que eles iam rir nos quartos), nonno me informou que provavelmente eu não tinha entendido direito o que a freira tinha explicado. Comunhão, explicou, é o que famílias fazem todas as noites, ao jantar, quando o pai divide o pão. Ë o símbolo de união, repartir e comer o pão, juntos.
Como ia ter que ter muito pão para cada missa, os padres inventaram as óstias, que nada mais são que pedacinhos de pão, do qual a família católica come um pedaço em união.

Aha! Maravilha, tudo explicado, deveria ter me dado por satisfeita, mas não, pensei que as outras coleguinhas deveriam estar passando pelas mesmas e tormentosas dúvidas, e, como não sabia se elas tinham um avô-enciclopédia feito o meu, fui espalhar a boa nova.

Claro, a freira ouviu, e claro, fui parar na sala da madre superiora, de nome inesquecível. Como pode alguém adotar um nome como Maria Imelda?

E, naturalmente, toda a família foi chamada para, penso eu, levar um pito por deseducar uma pobre inocente criança.

Assim que, quando ao me preparar para a confissão e fazendo minha lista de 3 colunas Veniais- Mortais –Capitais, eis que sou assaltada por outra dúvida: Terei pecado de Luxúria?

As freiras diziam que se pecava por pensamentos, palavras e obras.

Meu avô discordava do pensamento, pois, dizia ele, pensamento é a única real liberdade que possuimos, e sempre encerrava o argumento cantando o “Vá Pensiero”com sua lindíssima voz de tenor.

Tendia a concordar com ele, mas, naquele momento, não queria correr o risco de outra chamada na sala da madre superiora nem , só por distraida, ir parar no purgatório, aquela clínica de desentoxicação para alminhas nem tão puras pra subir direto, nem tão imundas pra descida eterna. Pior, direto lá para baixo, pois luxúria faz parte dos 7 pecados CAPITAIS!

Continuava o fato de não fazer idéia de que diabos fosse a tal, assim que a coloquei na coluna Capitais, com ponto de interrogação.

E lá vou ao confessionário.

Vai tudo nos conformes até perguntar para o padre como saber se tinha pecado de Luxúria.

Súbitamente, o confessionário começou a chacoalhar, e de lá de dentro saíam estranhos sons, o que me assustou sobremaneira, pois não só corria o risco de ser uma luxurienta, como também de ter matado o padre de puro horror (ah! o narcisismo fantástico de nossa infância!).

Minhas pancadas e gritos de “padre, padre, o que está acontecendo?”, so pioraram o tremelicar e os sons, que finalmente reconheci como a mais sonora gargalhada, com o rotundo prelado a sair da caixa, largar-se num banco da igreja, tirar do bolso da batina um enorme lenço branco e enxugar os olhos e os óculos.

Fui sumáriamente dispensada com um : “Vai em paz...qua qua qua qua...minha filha...quuuuuuaaaaaaaaaa...estás mais do que perdoada”...sem sequer um pai nosso.

Aprendi naquele momento que, se você fizer o padre rir, mesmo que não entenda o por que, é um jeito certo e seguro de estar a caminho do céu, além de dele ganhar, no dia da primeira comunhão, meu primeiro dicionário.