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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

ANNO AMET OU COMO DIZEMOS NÓS, ANO INTERESSANTISSIMO

Esta é a parte do ano que me divirto, seguindo as resenhas. Tem a dos famosos que nos deixaram, as mais belas fotos, os piores momentos, as maiores imbecilidades políticas (essa é um pleonasmo repetido anualmente com ligeiras variações, em diferentes linguas e locais geográficos), os twitters mais engraçados e os mais cretinos, enfim há para todos os gostos e tendências. Este ano, que foi interessantissimo, e penso na maldição chinesa de “que os deuses te façam viver em tempos interessantes”, no qual tive a impressão que o paraiso precisava ser repopulado com gente boa, e quantos se foram, entre famosos e pouco conhecidos, minhas referências quase que se acabaram.

Assisti, em choque, os 7 a zero, pulei de alegria com Italia ganhando da Inglaterra, morri de vergonha de pertencer à mesma raça que os decapitadores da ISIS, vibrei com a coragem do Papa Francisco, aplaudi em pé as mudanças feitas pelo Obama, quis estapear, pessoalmente, o Bolsonaro, dizendo: “Como acredito que o Sr. Mereça Ser Estapeado, aqui vai, em meu nome, seu merecimento”, e catapimba, aquela estapeada de mão cheia.

Quase chorei de emoção com o reconhecimento, pela ciência, que Freud estava certo e que mais do que 75% de nossas ações diárias são ditadas por nosso inconsciente, do qual nada sabemos.

Entrei em surto de fé, a rezar para que todos os avanços na pesquisa do mal de Alzheimer, se tornem realidade. Quis mudar para o Canadá quando vi a maneira como lidar com um ato insensato de terrorismo (pleonasmo intencional). Terminei e publiquei meu primeiro livro completamente fora de minha área, com o insano título de: “Como lidar com um diabético teimoso: Perigos, Subterfúgios e Mazelas de uma Cuidadora.”
Quebrei um dedo e desconjuntei minhas costas.
Sim, ano interessante.
Então, minha resenha aqui vai:

O MELHOR EM MEDICINA

UNIDADES MÓVEIS PARA AVC.
Cada segundo conta quando um paciente sofreu um acidente vascular cerebral. Quanto mais rápido diagnostico e tratamento, melhores as chances de recuperação. Para utilizar o tempo crítico durante o transporte de um paciente para o hospital, uma unidade de AVC móvel é composta por um paramédico, uma enfermeira de cuidados intensivos, e uma tomografia axial computadorizada (TAC), que avaliam a função neurológica e administram o ativador do plasminogênio tecidual (t -PA), o qual auxilia na quebra de coágulos. Enquanto isso, a telemedicina permite que neurologistas no hospital possam ser consultados, via vídeo em banda larga.

VACINA CONTRA A DENGUE
Globalmente, 50-100000000 pessoas em mais de 100 países são atingidos a cada ano com este vírus transmitido por um mosquito (também conhecida como "febre quebra-ossos"). A vacina foi desenvolvida e testada, e chegará no mercado até o final de 2015.

INIBIDORES DA PCSK9 PARA REDUÇÃO DO COLESTEROL
Por mais de duas décadas, tem se usado estatinas para reduzir o colesterol e seu risco de doença cardíaca associada, Infelizmente, alguns pacientes são intolerantes e delas não podem se beneficiar. Em 2015, o FDA deverá aprovar o primeiro inibidor PCSK9, um redutor de colesterol injetável, para esses pacientes.

DROGAS CONJUGADAS COM ANTI CORPOS
A quimioterapia tradicional sempre foi uma faca de dois gumes: mata as células cancerosas, mas, simultaneamente, danifica ou destrói as células saudáveis. Uma nova abordagem promissora para o câncer avançado oferece seletivamente agentes citotóxicos para células tumorais, sem os danos colaterais ao tecido normal.
INIBIDORES IMUNITÁRIOS DE PONTOS DE VERIFICAÇÃO
Em combinação com quimioterapia e / ou radiação, estes medicamentos recentemente desenvolvidos podem estimular o sistema imunitário e aumentar significativamente o tempo de remissão do melanoma metastático. A investigação continua para determinar a eficácia dos fármacos no tratamento de outros cânceres.

MARCA PASSOS CARDÍACOS MELHORADOS
O Marca-passo cardíaco melhorou: marcapassos artificiais foram inseridos cirurgicamente em milhões de pacientes cardíacos ao longo dos últimos 50 anos, para regular seus batimentos cardíacos. O desenho permaneceu essencialmente o mesmo, com um gerador de impulsos de transmissão de corrente elétrica para o coração através de pequenos fios inseridos numa veia. Mas fios defeituosos ou danificados, provocaram infecções em 2% dos casos. Para eliminar esse risco, novos pacemakers foram concebidos para ser inseridos diretamente no coração. São muito menores (aproximadamente o tamanho de uma cápsula de medicamento) e podem ser implantados através de cirurgias minimamente invasivas.

DOSE ÚNICA DE RADIOTERAPIA INTRA OPERATÓRIA
A detecção e tratamento precoce do câncer de mama, salvam vidas. Para estágio inicial de câncer de mama, o tratamento normalmente consiste de uma mastectomia e semanas de radioterapia subsequente. Com IORT, a radiação é entregue em uma única dose durante a remoção cirúrgica do nódulo.

NOVA DROGA PARA INSUFICIÊNCIA CARDIACA
Aprovado novo inibidor do receptor de angiotensina (Neprilysin), que demonstrou um aumento significativo na taxa de sobrevivência de pacientes com insuficiência cardíaca, quando comparados àqueles tratados com medicação padrão atual, (Enalapril).

Nas neurociências, foram tantas e tantas coisas novas, que juro que não consigo escolher, mas uma coisa é certa e segura: o Mal de Alzheimer está sendo estudado e atacado das mais diversas formas, e embora ainda não haja algo definitivo, tenho a maior fé que nos próximos 5 anos o fantasma horrendo do velho alemão será quase que só parte da história da medicina. Estou com meus dedos todos cruzados. Também foi o ano que o DSM, a assim chamada “Bíblia dos Psiquiatras”, nome que detesto com uma fé digna de Savonarola, foi justa e muito bem recolocado em seu lugar de livreto de estatísticas, donde jamais deveria ter saído.

Foi o ano no qual, as neurociências descobriram o “inconsciente”, e quero crer que as cinzas de Freud estão rodopiando de puro prazer. Foi o ano que foi apresentada evidência aos borbotões, para tratamento de Depressão, demonstrando que só o uso de medicação não é uma boa ideia, e que terapias cognitivas tem efeito de longo prazo.
Enfim, foi um ano absolutamente fantástico na área, e espero que isso continue.

Por outro lado, em alguns momentos tive a impressão de estar vivendo num mundo totalmente esquizofrênico: de um lado, as maravilhas que já descrevi, e de outro a sensação de ter retornado à Idade das trevas, onde pessoas estão decapitando outras, tem gente aqui defendendo as torturas da CIA, e alguns religiosos instigando seus seguidores a matar todos os gays e negros, de formas a fazer uma América mais “limpa”.

Mas, como é fim de ano, escolho acreditar nos milagres que homens e mulheres continuam fazendo todos os dias. De cuidar de seus filhos a mandarem foguetes para asteroides em viagens de 10 anos, de tratar um machucado a tratar da epidemia de Ebola, de batalharem num emprego que nem amam tanto, mas tem que alimentar os filhos, a fazer oposição pacífica a desmandos políticos. A todos esses fazedores de milagres e de beleza do dia a dia: FELIZ ANO NOVO!

domingo, 21 de dezembro de 2014

BOAS FESTAS

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

QUE QUE É ISSO COMPANHEIROS? OU DE COMO, MAIS A CIÊNCIA AVANÇA, MAIS ACREDITAMOS EM MITOS.

Pessoas que tem convicções são muito difíceis de mudar, Diga-lhe que discorda e a pessoa vira-lhe as costas. Mostre-lhe evidências e estatísticas e questionará suas fontes. Apele para a lógica e ele não entenderá seu ponto de vista.” Leon Festiger

Há muito tempo, irritava-me com o que era obrigada a escutar, principalmente em festas ou reuniões onde sempre havia pelo menos uma criatura que, em descobrindo que eu era médica, imediatamente iniciava discurso sem fim sobre os horrores cometidos pelos médicos em geral e psiquiatras em particular, geralmente secundada por outra ou outras criaturas a contar casos de “curas milagrosas”, sempre feitas por alguém completamente fora da área médica, alguém horrendamente perseguido pela indústria farmacêutica, que como todos sabem, comprou todos os médicos desse mundão velho e sem porteira.

No início, jovem que era (desculpa antiga para imbecilidades diárias), retrucava, discutia, brigava ou ironizava. Lembro-me, sem nenhum orgulho, de uma vez que, uma senhora me disse, sorrindo aquele sorrisinho de “tudo sabe”, que não ia falar comigo porque senão eu a estaria analisando, para que não se preocupasse, pois minhas análises eram caras e eu não as desperdiçava à toa. E até hoje me arrependo, quando vejo a cara dela na minha imaginação.
Depois, comecei a informar que, na realidade e como primeira opção, sou neurologista, o que terminava a maioria dos assuntos, porque pelo que percebi, ninguém sabe direito o que diabos um neurologista faz na vida. Finalmente, passei a colocar sorriso abestalhado na cara, pedir desculpas e sair andando.

E agora, “no outono de minha vida”, só para dar um toque poético ao discurso, me sinto na obrigação de voltar ao ponto de partida. De forma diferente, posto que brigas e discussões não funcionam, muito antes pelo contrário, fazem com que as pessoas se agarrem, mais fortemente ainda aos pontos de vista que carregam, devido a mania de nosso cérebro de usar o “raciocínio motivado”.

Noto que, cada vez mais, gente que respeito e gosto, tem postado as coisas mais estranhas a respeito de saúde e tratamentos. Sou pela liberdade de expressão e crenças, do mais profundo de Minh ‘alma, nem sempre tão gentil quanto deveria, mas há coisas que, com a velocidade e as possibilidades da internet, podem fazer um estrago enorme, e aqui vão alguns exemplos comentados do que recolhi, sem nenhuma ordem específica:

VACINAS CAUSAM AUTISMO, ou não vacine suas crianças.

Nos USA, o movimento anti vacinação, é composto desde ex-médicos, que deveriam ter mais cuidado com o que dizem, ou saber do que falam, a semi celebridades sem nenhum treino médico, a teóricos da conspiração que desconfiam de qualquer coisa que venha de qualquer corpo médico e ou governamental. Todos eles acreditam que autismo é causado pelas vacinas, obviamente negando a imensa quantidade de evidência do contrário. Clamam eles que o Timerosal é o causador do problema, e a pior das vacinas, segundo eles, é a tríplice, não ligando para o fato de que, tal composto, não tem sido usado como preservativo desde 1999, a não ser em algumas vacinas contra Influenza, e que o número de diagnósticos de autismo aumentou assaz, de lá para cá. Em 2007, houve considerável aumento de assim ditas celebridades, promovendo a retórica da anti vacinação, aparecendo em shows de TV e escrevendo livros, aconselhando os pais a não vacinarem suas crianças. Isso levou a um aumento das doenças que poderiam ter sido prevenidas, e ao número de mortes que não precisavam ter acontecido. Veja os números no link abaixo. http://www.cfr.org/interactives/GH_Vaccine_Map/#/intro

O HOSPITAL JOHN HOPKINS MANDA ATUALIZAÇÃO SOBRE O CÂNCER

E mail rodando pela Internet desde 2004, dizendo que citado hospital estava mandando uma atualização do que era câncer e como combatê-lo. Basicamente dizia que açúcar, alimenta as células cancerosas, leite provoca muco, carne é difícil de digerir, e a que não é digerida, fica no estomago e apodrece, e finalmente que as células cancerígenas não conseguem sobreviver em ambiente oxigenado. Ai vinha um monte de suplementos/vitaminas a serem usados.
Fato: Todas as células, absolutamente todas as células de nosso corpo se alimentam de açúcar. Leite não dá muco, só há pessoas que são alérgicas à lactose. No estomago, há uma substância chamada “ácido clorídrico “que dissolve absolutamente tudo. Não há nenhuma maneira da carne “apodrecer “lá dentro. Para ganhar credibilidade, os autores anônimos usaram os créditos de Instituição conhecida e respeitada que é o John Hopkins Hospital.
A citada entidade teve que lançar na web site deles, no John Hopkins ‘Sidney Kimmel Comprehensive Cancer Centers, vários avisos, dizendo: “A coisa se tornou um problema tão enorme, que o Instituto Nacional do Cancer, a Sociedade Americana do Câncer e a maioria dos centros que tratam câncer, como o nosso, tivemos que vir a público anunciar que, e-mails oferecendo curas fáceis ou prevenção do câncer é a última tendência na internet.

CA-123

E-mail correndo na net desde 1998: O teste sanguíneo CA 125 é excelente para detectar câncer ovariano e todas as mulheres deveriam insistir para fazer um.
Fato: Nem médicos nem a Sociedade Americana de Câncer recomendam tal teste posto que dá muitos resultados falso-positivos, isto é, diz que há algo quando não tem nada lá.

VACINA CONTRA HPV CAUSA MORTE DE 37 MULHERES: (aqui varia, recebi e mails com 34, 48 e 52)

Variantes incluem: 32 meninas morreram; 11.916 efeitos adversos já foram reportados; Dor e inchaço, fraqueza muscular que pode levar à morte; Coágulos sanguíneos em pulmões e coração; A Merck, gigante farmacêutico, está matando meninas inocentes; Se você acha que sabe tudo sobre Gardasil, assista ao vídeo antes que a indústria farmacêutica o tire do ar..
Fato: Gardasil é a vacina contra o HPV (papilovirus humano), ligado a cerca de 70% dos casos de câncer cervical. Pelo fato do Gardasil prevenir as infecções pelo HPV, e não cura os que já foram infectados, é que é prescrito o ser usado antes da adolescência ou logo depois, a fim de prevenir a ocorrência de câncer mais tarde. Segundo o CDC (Centro de Controle de Doenças, aqui nos USA): Antes da vacina ser aprovada, foi estudada em 5 testes clínicos envolvendo 21.000 jovens com idade entre 9 a 26 anos. Depois que a vacina foi liberada, sua segurança foi seguida e monitorada e foi encontrado que, qualquer efeito adverso da mesma não foi maior do que em qualquer grupo controle. Vamos lembrar que, toda e qualquer medicação, pode ter efeitos adversos pelas mais diferentes causas, e com vacinas mais ainda porque alguém pode ser alérgico e absolutamente desconhecer o fato. Tem gente alérgica à aspirina!

CÂNCER É UM FUNGO. TODOS OS CÂNCERES SÃO BRANCOS. CÂNCER CURADO POR BICARBONATO DE SÓDIO: Colega italiano, Dr. Tullio Simoncini.

Começa como todos os outros na área: cientista perseguido pela máfia de branco e pela indústria farmacêutica porque descobriu jeito fácil e barato de curar o câncer com bicarbonato de sódio. Curou 90% dos casos. Claro que não pode publicar um artigo sequer em revista especializada, devido às máfias já citadas acima. E essa é a maldade suprema. A pessoa tem um diagnóstico de câncer. Fica apavorada até a medula dos ossos. Se mete num avião e vai pra Roma. Paga o tratamento, não dá certo. O dó! Está nos 10% dos casos nos quais o tratamento não funciona. Não, nem todos os cânceres são brancos e nem todos são causados por fungos, mas mesmo os causados por fungos, tem as mais diversas cores. Abaixo vai o link para os 10 mais persistentes mitos a respeito de câncer, que já traduzi na página do Curare Dolorem no Face Book http://scienceblog.cancerresearchuk.org/2014/03/24/dont-believe-the-hype-10-persistent-cancer-myths-debunked/

Esses, e suas variantes, são os mais deletérios, por causar sérios riscos de saúde e até mesmo morte. Depois, vem os costumeiros, tipo:

Aspargos são um milagre para curar câncer.
Limões matam células cancerosas.
Óleo de coco é tratamento eficaz para Mal de Alzheimer.
Graviola cura câncer.
Mulher teve câncer de mama por carregar o celular no sutiã.
O vírus da AIDS foi criado pela CIA
Temos que tomar exatamente 8 copos de água por dia para evitar desidratação crônica
Beber 4 copos de água logo ao acordar impede doenças
Tratamento de queimaduras com clara de ovo
O filho do Dr. Spock (especialista em crianças), suicidou-se.
Usamos apenas 10% de nossos cérebros.
NASA anuncia que em dezembro chegarão 6 dias de total escuridão
37 milhões de abelhas morreram depois que foi plantado milho geneticamente modificado numa fazenda no Canadá.
Óleo de Canola é fake.
Minha preferida, embora haja tempo que não receba: Homem acorda em banheira cheia de gelo, em hotel, sem os rins. Com essa, me divirto ao imaginar, não só a logística necessária para fazer uma cirurgia renal num quarto de hotel, como também o carregar, para o mesmo quarto, a quantidade de gelo necessária para encher uma banheira, e finalmente o sobrenatural acontecimento de alguém sobreviver a congelamento e extirpação dos dois rins, numa só tacada. Isto posto, quero enfatizar o fato que tráfico de órgãos existe, é uma subcultura rica e horrenda, diz respeito a todos nós, está extremamente infiltrada em toda nossa sociedade. Para maiores informações, vide os links abaixo.

http://www.hcs.harvard.edu/hghr/online/innovations-in-stem-cell-research-the-solution-to-organ-trafficking/

https://www.google.com/search?q=organ+trafficking&sa=X&rlz=1C1RNVE_enUS554US557&espv=2&biw=1600&bih=775&tbm=isch&imgil=efxKV0tQCRxw5M%253A%253BITV8-JgmUcWVLM%253Bhttp%25253A%25252F%25252Fwww.hcs.harvard.edu%25252Fhghr%25252Fonline%25252Finnovations-in-stem-cell-research-the-solution-to-organ-trafficking%25252F&source=iu&pf=m&fir=efxKV0tQCRxw5M%253A%252CITV8-JgmUcWVLM%252C_&usg=__fcxhj4SQUr8Z1lt23ezOAUNPm7o%3D&ved=0CEoQyjc&ei=MGeQVJGyCojlgwSowICgBQ#tbm=isch&q=organ+trafficking+statistics&revid=1704521438&imgdii=_

Agora, o que realmente me irrita sobremaneira, é a atitude de pura bobeira da mídia, qualquer tipo dela, que, agindo com postura e autoridade de cientistas do Instituto Karolinska, estão mais preocupados em fazer uma manchete do que nas consequências da mesma, e tenho certeza que a maioria dos colegas médicos compartilha do sentimento, quando chega no consultório ou hospital aquele paciente que exige este ou aquele medicamento ou procedimento, porque “vi na Veja “ou “deu no Fantástico” ou qualquer derivativo. Em compensação, nunca vi em cadeia nacional, nenhuma das manchetes abaixo:

Uma criança no Texas morreu de legionelose poucas semanas depois de ter nascido em parto em piscina aquecida em casa.
A doença do legionário é uma forma grave de pneumonia causada pela bactéria Legionella, que vive em água morna e pode ser comumente encontrada em banheiras de hidromassagem e sistemas de canalização.
https://www.yahoo.com/parenting/infant-dies-of-legionairres-disease-after-water-104936635732.html

Uma mulher de 61 anos, no Colorado, morreu após o uso de suplementos de cloreto de césio como uma alternativa de tratamento para o câncer de mama, seguindo conselho de um nutricionista.
http://www.livescience.com/42266-death-alternative-cancer-treatment-cesium-chloride.html

Debbie Benson, enfermeira, 55 anos, morre após tratamento com Naturopatia e recusa de qualquer tratamento convencional para seu câncer de mama.
http://www.quackwatch.org/01QuackeryRelatedTopics/Victims/debbie.html

Marcia Bergeron morreu envenenada por pílulas que comprou em farmácia na Internet.
http://www.canada.com/vancouversun/news/story.html?id=ddadbf8a-bdac-45c4-a566-36acd8ffd72b&k=30442

Jerry Burggraf, 59 anos, more após Tratamento com uma máquina chamada EPFX, para prevenção de um possível retorno de leucemia, que havia sito tratada por métodos convencionais. A esposa morreu, dois anos depois, com o mesmo tratamento.
http://seattletimes.com/html/localnews/2004020583_miracle18m2.html

Betty Harlan, 76 anos, vários problemas de saúde, desenvolveu úlcera tão feia numa perna que seus médicos acharam que poderia ser amputada. Achou de ter segunda opinião, mas sua filha a levou a uma clínica de bem estar, onde passou por inúmeros banhos de detoxificação a 60 dólares cada, câmara de oxigênio hiperbárico, a 35 dólares por sessão, enemas múltiplos para limpeza do cólon, a 600 dólares por tratamento, mais ervas, óleos e etc. Também parou de tomar toda a medicação prescrita por seus médicos. E aí, morreu.
http://quackfiles.blogspot.com/2005/11/daughter-wants-answers-about-death-of.html

Um terapeuta (healer= curandeiro) morreu depois de pequena lesão que se tornou gangrenosa, porque seu "eu interior" lhe disse para não ir ao médico. Teria tido 30% de chance de sobrevivência se tivesse ido a um hospital 2 horas antes de sua morte.
http://metro.co.uk/2008/11/17/healer-dies-after-letting-cut-foot-rot-150526/

Charles Levy morre com choque tóxico, após injeções de “RNA e DNA de sangue de cordeiro”, aplicadas por homeopata.
http://quackfiles.blogspot.com/2005/10/homeopath-patients-death-debated.html

Criança de 12 anos, diabética, morre 3 dias após tratamento com naturopata, a qual substituiu a insulina que a criança tinha que usar com banhos com sais, massagens com azeite e dieta com suco de pera e açúcar.
http://islet.org/forum/messages/38211.htm

Paciente tem ambas as pernas amputadas após tratamento com “curandeiro das estrelas”, o qual teria feito com que a Duquesa de Cornwall parasse de fumar.
http://www.mailonsunday.co.uk/news/article-1053240/Celebrity-healer-stars-sued-patient-needed-double-leg-amputation-treatment.html

E isso sem contar os conselhos de amigos, vizinhos, a tia da manicure, sobre remédios que fizeram bem ou mal. Então, para ajudar a desfazer o enrosco e clarificar termos que todo mundo usa, mas principalmente jornalistas e midiáticos usam errado, aqui vai um glossário de termos e seus significados. E um pedido: antes de espalhar algo, verifique a veracidade. Como tem gente que ainda não acredita que o homem pisou na lua, há os que acreditam em tudo que vêm na Internet.

1.Hipótese: É uma explicação para algo que PODE SER TESTADO, e não um “achismo”.

2.Teoria: Uma teoria científica é uma explicação de algum aspecto do mundo natural que foi substanciado através de testes ou experimentos repetidos, e não uma ideia que me passou pela cabeça. A gravidade é uma teoria, e todos nós podemos verificar, independentemente, que, se cuspirmos para cima, vamos ficar com a cara suja, enquanto a ideia de que chupar limão vai evitar doenças, não tem jeito de ser verificada sistematicamente.

3.Natural: Essa palavra virou um enrosco. Virou sinônimo de tudo o que é saudável ou bom, embora nem tudo que seja artificial seja ruim para a saúde e nem tudo que é natural seja bom. Uranio é natural, e se injetado em quantidade suficiente em seu corpo, vai causar sua morte. Mesma coisa com veneno de cobra, ou a tomada, pela manhã, de um copo de petróleo bruto, naturalíssimo. A maior parte dos antibióticos atuais, são sintéticos.

4.Orgânico: Primo irmão do Natural. Significa qualquer composto a base de carbono, o que inclui você, eu, a rainha da Inglaterra, lápis, diamantes e as estrelas. Tem sido usado para descrever maçãs cultivadas sem pesticidas ou lençóis de algodão extremamente caros.

5.Prova: Não existe essa palavra em ciência. Existe em direito: o promotor tem que “provar “que o acusado cometeu o crime. Assim, se João é acusado da morte de José, e é encontrado em cima de José, sangue ou outros fluidos cujo DNA pertence a João, lá está a “prova “de que João matou José. Melhor ainda se forem encontrados pedacinhos da pele de João debaixo das unhas de José. Ciência nunca provou coisa alguma, simplesmente produz mais e mais teorias compreensivas a respeito das coisas, e essas teorias estão, o tempo todo, sujeitas a reavaliação, mudanças e melhora.Dica básica: se estiver lendo ou vendo qualquer coisa que diga: CIENTIFICAMENTE PROVADO, pula que é bobagem.

6.Testemunho: Por definição, é uma declaração formal, escrita ou falada. Tem sido usado demais para “provar “a base científica de algo, principalmente se querem lhe vender algum produto. Se vê em todo o canto, tipo, João, Maria e José, cantando odes à “super fruta” ou “super alimento “que os fez perder 10 quilos em um mês, sem exercício ou dieta, ou à última “dieta desentoxicante do Dr. Fulano”, que os curou de todos os males conhecidos pela humanidade.

7.A Teoria Quântica: Deixei para o final, porque é um dos meus irritantes favoritos. Vamos deixar claro, não sou física teórica nem nada perto do assunto, mas fui fã incondicional do Carl Sagam e o sou, de pompom e carteirinha, do Neil deGrasse Tyson, de formas que assisti todos os “Cosmos”, mais de uma vez, então aqui vai a tradução do que os dois astrofísicos acima citados, disseram.
‘Há um problema muito sério quando ideias e conceitos são tomados da esfera científica e usados com propósitos espirituais ou nessa coisa de “new age”, e essa exploração da mecânica quântica por certos “espiritualistas” e gurus da auto ajuda epitomiza essa abominação, como visto no filme “What the blip do we know?”. Sabe-se que a base da mecânica quântica são as medições. Um observador, medindo posições ou momentum ou energia, causa o colapso da “função de onda”, de forma não determinística. Mas, só porque o Universo não é determinístico, não quer dizer que somos capazes de controla-lo. É impressionante, na verdade, alarmante, o grau em que a incerteza quântica e a esquisitice quântica se ligaram inextricavelmente em certos círculos com a ideia de seres humanos que controlam o universo”.

Pronto. Só tenho a desejar Boas Festas.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O QUE FAZ AS PESSOAS SEREM MÁS?

“A triste verdade é que a maior parte do mal é praticado por pessoas que nunca se decidiram a respeito de serem boas ou más.”Hannah Arendt.

Desde tempos imemoriais, o mal nos fascina. Foi descrito em prosa e verso, em todas as culturas e religiões conhecidas. Os têrmos “psicopata”, “sociopata”, viraram mais comuns em conversas do que receita de canja para curar todas as gripes. Grudamos na TV para assistir caças a assassinos em série, assistirmos filmes como “O silêncio dos inocentes”, Atração Fatal”, “Psicose”, isso só dos que lembrei assim de cara, elegemos Hitler como o rei de todos os males, mas nunca citamos Stalin, que matou o dobro de seu próprio povo, e esta sempre foi uma curiosidade mórbida de minha parte, e que nada tem a ver com o assunto agora. Pois voltemos ao mal. Foi a semana em que explodiram no mundo relatorios diversos sobre torturas, aqui nos USA, do que a CIA aprontou nos anos Bush/Chenney e aí no Brasil, nos anos da Ditadura Militar, e os “valentes”soldados da ISIS decapitando a vivo e a cores mulheres e jornalistas e parlamentares prepotentes decidindo merecimentos de estupro. E atacou-me a idéia de reler a Hannah Arendt, fato complicado por ter deixado todos os livros dela no Brasil, e resolvido pelo uso de Google Scholar, o maravilha! O livro básico dela “A condição humana”, pode ser baixado direto no Google play. E, em lá estando, eis que me aparece outro livro “O efeito Lúcifer”, do Philip Zimbardo. Para quem não se recorda, citado indivíduo é psicologo, professor emérito da Stanford University e autor do famosissimo estudo “Experimento de Prisão em Stanford”, em 1971. Tal estudo foi feito com 24 rapazes, todos estudantes, aos quais foram dados, assim por sorteio, os papeis de “presos”ou “guardas”numa prisão montada no departamento de psicologia da faculdade. Era para ter durado 2 semanas e foi terminado depois de 6 dias, devido às reações e comportamentos extremos dos participantes. Os “guardas”,começaram a mostrar comportamento sádico e cruel para com os “prisioneiros” e os “prisioneiros” a ficar deprimidos e desesperados.
Tal estudo continua a ser básico na compreensão de como, forças situacionais atuam no comportamento humano, e Zimbardo continua firme e forte ensinando, escrevendo, e foi figura importante no levantamento das torturas citadas no relatório do Congresso aqui.
No livro, levanta e desenvolve a hipótese do bem e do mal que existe em todos nós, e da decisão a respeito, usando a figura de Lúcifer. Como todos sabemos, era o anjo preferido de Deus e seu nome significa “luz”, ou “estrêla da manhã”, a depender da escritura. Desobedeceu a Deus, figura máxima de autoridade, e foi lançado ao inferno pelo arcanjo Miguel (que cá entre nós deve ter tido enorme fetiche em expulsar as pessoas do paraíso, desde que sempre era encarregado da tarefa), tornando-se Satã, ou o demônio, ou a encarnação de todo o mal. E é esse arco de transformação cósmica, de preferido de Deus, para Diabo é o que, para Zimbardo, define o contexto para a compreensão dos seres humanos que são transformados de pessoas comuns, boas, em perpetradores do mal. Sua definição psicológica : O MAL É O EXERCÍCIO DE PODER. O PODER DE FERIR PESSOAS FÍSICAMENTE, DESTRUIR PESSOAS OU IDÉIAS E COMETER CRIMES CONTRA A HUMANIDADE.

Resumo abaixo uma palestra recentissima dele, em TED talks, onde explora o conceito.

“Alguns anos atrás, fiquei chocado com a revelação de soldados americanos abusando de prisioneiros em Abu Graibe, no Iraque. Homens e mulheres submetendo prisioneiros a humilhações inacreditáveis. Fiquei chocado, mas não surpreso porque havia visto os mesmos paralelos visuais quando era superintendente prisional do estudo da prisão de Stanford. Imediatamente, os administradores governamentais vieram a público dizer o que dizem todas as administrações, quando há um escandalo: “Não nos culpem. Não é o sistema. São algumas maçãs podres.” Minha hipótese é que não eram as maçãs, mas sim o barril que estava podre.E me tornei testemunha especializada para um dos guardas, sargento Chip Frederick, de formas que tive acesso a todos os relatorios investigativos e a 1000 fotografias. Todas as fotos eram de natureza violenta e/ou sexual e todas vieram de celulares ou máquinas fotograficas de soldados americanos. E todas, absolutamente todas, ocorreram num só lugar, pavilhão 1 A, turno da noite. Por que? O pavilhão 1 A era o centro da Inteligência Militar.O centro de Interrogatórios. A CIA, os interrogadores da Titan Corporation, todos lá, e não estavam conseguindo nenhuma informação sobre a insurreição. Então, começaram a pressionar os soldados da noite, que nunca haviam tido nenhum treino militar, pois todos eram reservistas da Policia Militar, para que “amaciassem”os presos, para abalar a moral dos inimigos para prepará-los para interrogatorio.Pelo menos, estes foram os eufemismos usados.
Numa das fotos, que é um prisioneiro de capuz, de braços abertos e que deu volta ao mundo, o prisioneiro era doente mental. Cobria-se de fezes todos os dias, e os guardas faziam com que ele rolasse na terra para que não cheirasse mal. O que ele estava fazendo naquela prisão, ao invés de estar em um hospital psiquiatrico? O que aconteceu, para tornar pessoas normais, e teoricamente boas, em torturadores?
Em psicologia, abordamos tais transformações do caráter humano, usualmente sob o ponto de vista DISPOSICIONAL, no qual se olha para o que está dentro das pessoas, é a teoria das maçãs podres e base de todas as ciências sociais, religiões e guerras. E paramos aí, a olhar para as maças podres e esquecemos de pensar na causa do apodrecimento delas. Onde estão contidas? O grande ponto que descobri quando me tornei testemunha especialista, foi que o poder está no sistema. O sistema cria situações que corrompem o indivíduo, e o sistema é o arcabouço legal, político e cultural que produz os barris podres. Assim, se quisermos mudar uma pessoa, temos que mudar a situação, e se se quer mudar uma situação, há de se saber onde está o poder, como tão bem foi demonstrado pelo estudo de Stanley Milgram, que saiu perguntando se o Holocausto poderia acontecer aqui e agora, e todo mundo dizendo, não claro que não, que absurdo.E foi em frente, perguntando, “sim, mas se Hitler pedisse a você, você eletrocutaria uma pessoa?”Não, eu sou boa pessoa”, responderam todos.
Então Milgran foi em frente e montou um estudo com 1000 pessoas comuns, idade entre 20 e 50 anos e a essas pessoas foi dito que era um estudo sobre memória, que queriam entender como funcionava a memória pois esta era a chave para o sucesso.Os participantes do estudo ganharam 5 dolares pelo seu tempo. Por sorteio, as pessoas foram divididas entre “aprendizes” e “professores”. Os aprendizes eram amarrados num aparato parecendo uma cadeira elétrica, com um dial para choques que ia de 15 a 450 watts. Não hávia choque nenhum, mas isso, os “professores”, aos quais foi dado um jaleco branco, não sabiam. Aos “aprendizes”foi ensinado berrar, pedir para sair, dizer que tinham problemas cardíacos, na medida que o botão aumentasse a intensidade.
Antes de começar o estudo, perguntou a 40 psiquiatras “Que percentual desses cidadãos americanos irá até o fim?” Resposta: “Apenas 1%, porque isso é comportamento sádico e sabe-se que só 1% dos americanos são sádicos”.
Alguns dos “professores”, antes de começar o experimento, estavam preocupados, com perguntais tais como: “Quem será responsável se algo acontecer a eles?” e Milgram respondeu a todos que o único responsável era ele mesmo. (E aqui faço um parêntese para fazer notar que nenhum dos “professores”se recusou a participar da coisa, o que nos faz pensar que o mal começa com 5 dolares e 15 watts).
Resultados da pesquisa (que incluiu mais 15 estudos):
2/3 foram até o fim dos 450 watts, independentemente dos uivos dos “aprendizes”.
Quando um “professor”via outro ir até o fim, havia 90% de chances de fazer a mesma coisa.
Se 1 se rebelar, 90% se rebelam.
Não há diferença no comportamento entre homens e mulheres.
Ou seja, Milgram quantificou o mal como A PROPENSÃO DAS PESSOAS A OBEDECER CEGAMENTE À AUTORIDADE, girando o botão até o máximo.Girar o botão no sentido de tornar todo mundo obediente.
Ora, dirão vocês, quais são os paralelos no mundo real? Sabemos que toda a pesquisa é artificial.
Em 1978, 912 cidadãos americanos se suicidaram ou foram mortos pela família, nas selvas da Guiana, por obedecerem a seu pastor, Reverendo Jim Jones.Efeito Lúcifer moderno, um homem de Deus que se torna o Anjo da Morte.
É o que provou o estudo da prisão de Stanford.Nós sabiamos que não havia diferenças entre os garotos que seriam guardas e os que seriam prisioneiros, meninos perfeitamente saudáveis, que colapsaram em menos de 6 dias. Cinco dos garotos tiveram colapsos emocionais. A coisa tinha saido do contrôle e eu não sabia.
John Watson, antropólogo, fez um estudo intercultural interessantissimo, a respeito de guerreiros, batalhas e roupas. Na maioria das culturas, os guerreiros se vestem para a batalha, mas há algumas culturas nas quais os guerreiros vão do jeito que estão, sem nada especial. Pois descobriu ele que, dentre os que não mudavam sua aparência, apenas 1 em 8 mata, tortura ou mutila.Se mudam a aparência, 12 em 13, ou seja, 90%, mata, tortura, mutila.
Então, quais são os processos sociais que lubrificam a ladeira escorregadia do mal?
Displicentemente, dar o primeiro passo.
Desumanização do outro.
De-individualização do indivíduo.
Difusão da responsabilidade pessoal.
Obediência cega à autoridade.
Conformismo, sem crítica, às regras do grupo.
Tolerância passiva ao mal, pela inação ou diferença.
Então, precisamos de uma mudança de paradigma. Precisamos abandonar a idéia médica/psicológica de focar no indivíduo. A mudança é no sentido de um modêlo de saúde pública que reconheça os vetores situacionais e sistemicos da doença.
PREPOTÊNCIA É UMA DOENÇA
PRECONCEITO É UMA DOENÇA
VIOLÊNCIA É UMA DOENÇA
E desde a Inquisição, temos tratado da coisa a nível individual. E sabem de uma coisa? Não funciona. Alexander Solzhenitsyn diz que a linha entre o bem e o mal atravessa o coração de cada ser humano. Isso significa que a linha não está lá fora. Essa é uma decisão que você tem de tomar. É uma coisa pessoal.Heroísmo é o antídoto para o mal. É o promover a imaginação heróica, especialmente em nossos filhos, e em nosso sistema educacional.Queremos que as crianças pensem, eu sou o herói esperando, esperando que situação certa apareça, e eu vou agir heroicamente. Heroísmo é quando pessoas comuns fazem coisas heróicas. É o contraponto para A Banalidade do Mal, de Hannah Arendt. Nossos heróis sociais tradicionais estão errados, porque eles são as exceções. Eles organizam sua vida inteira em torno disto. É por isso que conhecemos seus nomes. E os heróis de nossos filhos são também exemplos para eles, porque eles têm talentos sobrenaturais. Queremos que nossos filhos percebam que a maioria dos heróis são pessoas do dia-a-dia, e o ato heróico é raro. Este é Joe Darby. É o cara que acabou com os abusos em Abu Grabi,,porque quando viu aquelas imagens, as entregou para um oficial da corregedoria. Era um soldado de baixa patente e parou isso. Era um herói? Não. Teve que se esconder, porque as pessoas queriam matá-lo, e matar sua mãe e sua esposa. A família se escondeu por 3 anos. Heroína é a mulher que interrompeu o Estudo da Prisão de Stanford. Eu era o superintendente da prisão. Eu não sabia que estava fora de controle, estava totalmente indiferente. Ela apareceu, viu aquele hospício e disse, "Sabe de uma coisa, é terrível o que está fazendo com esses garotos. Eles não são prisioneiros, eles não são guardas, eles são garotos, e você é responsável." E eu acabei com o estudo no dia seguinte. A boa notícia é que eu me casei com ela no ano seguinte. Eu apenas caí na real, obviamente.Mas o ponto é: a mesma situação que pode inflamar a imaginação hostil em alguns de nós, que nos faz perpetradores do mal, pode inspirar a imaginação heróica em outros. É a mesma situação. E você está de um lado ou de outro. A maioria das pessoas são culpadas do mal da inação, porque suaa mães lhes disseram: "Não se envolva, cuide da sua vida." E você tem de dizer, "Mãe, a humanidade é parte da minha vida.".Então a psicologia do heroísmo é como incentivamos crianças para o caminho do novo herói, é ensiná-los habilidades. Para ser um herói você tem de aprender a ser um divergente, porque está sempre indo contra a conformidade do grupo. Heróis são pessoas comuns cujas ações sociais são extraordinárias. São pessoas que agem. As chaves para o heroísmo são:
1-Agir quando outras pessoas são passivas.
2- Agir de modo sociocêntrico, não egocêntrico.
Mostro o exemplo de Wesley Autrey, herói do metrô de Nova York. Um afro-americano de 50 anos, trabalhador de construção. Ele estava esperando no metrô em Nova York; um homem branco cai nos trilhos. O vagão do metrô está chegando. Havia 75 pessoas lá. Sabem o que aconteceu? Elas paralisaram. Ele tinha um motivo para não se envolver. Ele é negro, o cara é branco, e ele tem dois filhos pequenos. Entretanto, ele deixa seus filhos com um estranho, salta nos trilhos, coloca o cara entre os trilhos, deita sobre ele, o metrô passa por cima dele. Wesley e o cara: meio metro de altura. O trem passa dois centímetros acima. Um centímetro teria arrancado sua cabeça. E ele diz "Eu fiz o que qualquer um poderia fazer," não é grande coisa pular nos trilhos.O imperativo moral é "Eu fiz o que qualquer um deveria ter feito."
Então um dia, você estará em uma nova situação. Siga um caminho e será o perpetrador do mal. Mal, significa que você será Arthur Anderson. Você vai trapacear, você vai permitir prepotência, prconceito e violência, culpado do mal de inação passiva.
Ou se torna um herói, esperando pela situação certa aparecer, para por a imaginação heróica em ação. Vamos nos opor ao poder dos maus sistemas em casa e no mundo, e vamos focar no positivo. Advogar o respeito da dignidade pessoal, a justiça e paz, coisa que, infelizmente, nossos governos não tem feito.”


Estou feliz de ter tido a oportunidade de rever tudo isso. Me faz pensar que, mesmo quando tudo parece que sofreu um retrocesso à Idade Média, há focos de luz, que ninguém extingue, por mais que tentem. É a força de Prometeu, a mais bela das histórias na mitologia grega, e meu primeiro herói.

LAS FLORES DEL MAL file:///C:/Users/Patrizia/Downloads/As%20%20Flores%20do%20Mal%20-%20Charles%20Baudelaire.pdf

PROMETEU ACORRENTADO http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/prometeu.pdf

THE MILGRAM OBBEDIENCE EXPERIMENT http://psychology.about.com/od/historyofpsychology/a/milgram.htm

ZIMBARDO - STANFORD PRISION EXPERIMENT http://www.simplypsychology.org/zimbardo.html

domingo, 7 de dezembro de 2014

O ANIMAL SOCIAL

Nesse “TED talk”, o colunista David Brook traz novas percepções sobre a natureza humana, a partir das ciências cognitivas, como se fosse um novo Renascimento a partir das descobertas das neurociências. Alguma dúvida do porquê fui obrigada a traduzir? Cheio de humor, mostra como podemos nos entender como indivíduos fazendo escolhas baseadas em nossa própria percepção consciente. Como de costume, meus palpites, que são mínimos, posto que estava tão emocionada que esqueci de fazer gracinha, estão entre parênteses,e o link para a palestra origina, no final.

Quando consegui meu atual emprego, recebi um bom conselho, que foi o de entrevistar 3 políticos todos os dias. E a partir desse contato com políticos, posso dizer a vocês que eles são malucos emocionais de um jeito ou de outro. Eles têm o que chamo de demência da logorréia, que é falarem tanto que se deixam loucos. Mas, na realidade, o que eles têm são habilidades sociais incríveis.Quando você os encontra, eles se focam em você, eles olham nos seus olhos, eles invadem seu espaço pessoal, eles massageiam a sua nuca. Jantei com um senador republicano muitos meses atrás, e ele manteve sua mão na minha coxa durante toda a refeição, inclusive apertando-a, de tempos em tempos. Certa vez – anos atrás – vi Ted Kennedy e Dan Quayle se encontrando no foro do Senado. Eles eram amigos, se abraçaram, riram, e seus rostos estavam quase colados. E se mexiam e se tocavam e mexiam seus braços para cima e para baixo. E eu pensando: "Arrumem um quarto. Eu não quero ver isso." Mas eles tinham essas habilidades sociais.

Outro caso: no último ciclo eleitoral, segui Mitt Romney em New Hampshire. Ele estava fazendo campanha com seus 5 filhos perfeitos: Bip, Chip, Zip, Lip e Dip (Isso não é piada, embora pareça. Os nomes são esses mesmos). Estava indo a um jantar, e no início do mesmo, apresentava-se a uma família e dizia: "De qual vila de New Hampshire vocês são?" E então ele descrevia a casa que ele tinha em sua vila. E depois passeou pela sala, e em seguida, enquanto saia do jantar, citou os nomes de quase todo mundo que encontrou. Isso é que é habilidade social!

Mas o paradoxo é quando escorregam para o “jeitão político” de tomada de decisão, a consciência social desaparece e eles começam a falar como contadores. Assim, ao longo de minha carreira, cobri uma série de falhas. Enviamos economistas para a União Soviética com planos de privatização quando ruiu, e o que realmente lhes faltava era confiança social. Invadimos o Iraque com militares alheios à realidade cultural e psicológica. Tivemos um regime de regulação financeira com base nas premissas de que os comerciantes eram criaturas racionais que não fariam nenhuma estupidez. Por 30 anos, estive cobrindo a reforma escolar e nós basicamente reorganizamos as caixas burocráticas – alvarás, recibos de escolas particulares – e tivemos resultados decepcionantes ano após ano. O fato é que as pessoas aprendem de pessoas que amam. E se você não estiver falando da relação individual entre um professor e um aluno, você não está falando sobre essa realidade, mas essa realidade é apagada do nosso processo de decisão política.
Isso tudo levanta a questão: POR QUE AS PESSOAS MAIS SINTONIZADAS SOCIALMENTE, SE TORNAM COMPLETAMENTE DESUMANIZADAS QUANDO PENSAM SOBRE POLÍTICA?
Concluí que este é um sintoma de um problema maior.
Durante séculos, herdamos uma visão da natureza humana baseada na noção de que somos seres divididos, que a razão está separada das emoções e que a sociedade progride na medida em que a razão pode suprimir as paixões. E isso levou a uma visão da natureza humana de que somos indivíduos racionais que respondem de maneiras objetivas a incentivos. E isso levou a formas de ver o mundo onde as pessoas tentam usar os pressupostos da física para medir como é o comportamento humano. E isso produziu uma grande amputação, uma visão superficial da natureza humana. (Em medicina, isto se traduziu no absurdo conceito de “doenças físicas” e “doenças mentais”, como se nosso cérebro não fosse parte de nosso corpo, e até hoje, o mito permanece, com as consequências desastrosas do estigma a respeito.)
Nós somos realmente bons em falar sobre coisas materiais, mas somos muito ruins em falar sobre emoções. Somos realmente bons em falar sobre habilidades e segurança e saúde, somos muito ruins em falar sobre caráter. Alasdair MacIntyre, o famoso filósofo, disse: "Temos os conceitos da antiga moral da virtude, honra, bondade, mas não temos mais um sistema pelo qual conectá-los." E isso levou a um caminho superficial na política, mas também em toda uma gama de atividades humanas.
Isto pode ser visto no modo como criamos nossas crianças. Você vai a uma escola fundamental às três da tarde e você vê as crianças saírem, e elas estão usando essas mochilas de 40 quilos. Se o vento sopra nelas são feito besouros grudados no chão. Você vê esses carros em que elas passeiam –geralmente são Saabs, Audis e Volvos, porque em certas vizinhanças é socialmente aceitável ter um carro de luxo, contanto que seja de um país hostil à política externa dos EUA – tudo bem. Elas são apanhadas por essas criaturas que eu chamo de super-mães, que são mulheres de carreiras muito bem sucedidas que têm folga para se certificar de que todos os filhos vão entrar em Harvard. E você geralmente pode descrever as super-mães, porque elas pesam menos do que seus próprios filhos. Então, no momento da concepção, elas fazem pequenos exercícios no bumbum. Os bebês descansam, elas mostram fichas didáticas em mandarim para que aprendam desde cedo. Ao conduzi-los para casa, e porque elas querem que eles sejam iluminados, os levam para a companhia de sorvetes Ben & Jerry's com a sua própria política externa. Em um de meus livros, brinco que Ben & Jerry's deveria fazer um creme dental pacifista – não mata os germes, apenas pede que saiam. Seria uma grande venda. E vão para a Whole Foods para conseguir sua fórmula de bebê. E Whole Foods é um desses supermercados progressistas onde todos os caixas parecem que são emprestados pela Anistia Internacional. Elas compram esses lanches à base de algas chamados de Veggie Booty com couve, que é para as crianças voltarem para casa e dizer: "Mamãe, mamãe, eu quero um lanche que ajude a prevenir câncer de cólon".
E assim as crianças são criadas de uma determinada maneira, pulando nos avanços das coisas que podemos medir – cursinho de vestibular, prática de oboé, futebol. Elas entram em faculdades competitivas, conseguem bons empregos, e às vezes se tornam um sucesso de uma maneira superficial, e fazem toneladas de dinheiro. E podem ser vistas em locais de férias como Jackson Hole ou Aspen. E se tornam elegantes e finas – elas realmente não têm coxas; só têm um rebento elegante em cima do outro, e conseguiram o milagre genético ao se casar com pessoas bonitas, assim suas avós se parecem com Gertrude Stein, suas filhas se parecem com Halle Berry – eu não sei como elas fizeram isso. Chegam lá e percebem que agora está na moda agora ter cães com um terço da altura de seu teto. Então têm estes cães peludos de 80 quilos – parecem velociraptors, todos com nomes de personagens de Jane Austen.
E quando ficam velhos, sem terem realmente desenvolvido uma filosofia de vida, decidem: "Fui bem sucedida em tudo, então não vou morrer." E por isso contratam personal trainers, engolem Cialis Irmão gêmeo do Viagra) como balas de menta. Você os vê nas montanhas lá em cima. Estão esquiando com essas expressões sombrias que fazem o Dick Cheney parecer com o Jerry Lewis. E quando passam por você, é como ser ultrapassado por um trem de ferro subindo a montanha.
Isto é parte do que a vida é, mas não é tudo o que é a vida. Ao longo dos últimos anos, acho que recebemos uma visão mais profunda da natureza humana e uma visão mais profunda de quem somos. E isso não é baseado em teologia ou filosofia, é no estudo da mente, em todas as esferas de pesquisa, das neurociências para os cientistas cognitivos, economistas comportamentais, psicólogos, sociólogos, estamos desenvolvendo uma revolução na consciência. E quando você sintetiza tudo isso, isso nos dá uma nova visão da natureza humana. E longe de ser uma visão friamente materialista da natureza, é um novo humanismo, é um novo encantamento. E acho que quando você sintetiza esta pesquisa, você começa com três ideias-chave.
A primeira ideia é que, enquanto a mente consciente escreve a autobiografia da nossa espécie, a mente inconsciente faz a maior parte do trabalho. E um jeito de formular isso é que a mente humana pode absorver milhões de pedaços de informação por minuto, dos quais pode estar consciente de cerca de 40%, o que leva a esquisitices. Uma das minhas favoritas é que pessoas chamadas de Dennis são desproporcionalmente propensas a se tornar dentistas, pessoas chamadas de Lawrence se tornam advogados, porque inconscientemente gravitamos em torno de coisas que parecem familiares, e é por isso que eu chamei minha filha de Presidente dos Estados Unidos Brooks. Outra constatação é que o inconsciente, longe de ser simplório e sexualizado, é na verdade muito inteligente. Uma das coisas mais cognitivamente exigentes que fazemos é comprar móveis. É realmente difícil imaginar um sofá, como ele vai ficar em sua casa. E a maneira que você deve fazer isso é estudar os móveis, dexá-los marinar na sua mente, distrair-se, e alguns dias mais tarde, seguir o seu instinto, porque você decifrou tudo inconscientemente. (E isso me reporta à tortura de, quando criança, ser arrastada pela minha mãe, em suas compras de sapatos pela rua Augusta. Era batata, ela se apaixonava pelo primeiro, lá naquela loja pertinho da Paulista, mas tinha que descer a rua toda e subir de volta até entrar na primeira loja que tínhamos visto. Muitas vezes perguntei porque não entrava, comprava e evitava o transtorno todo, coisa que era respondida sempre por “e se eu gostar mais de outro?”, sendo que a lógica de não ver outro porque já tinham comprado o que queria, absolutamente não era computada.)
A segunda ideia é que as emoções estão no centro de nosso pensamento. As pessoas com derrames e lesões na regões cerebrais de processamento de emoções não são super inteligentes, eles são às vezes completamente desamparadas. E o gigante nesse campo, Antônio Damásio, nos mostrou que as emoções não estão separadas da razão, mas são a base da mesma, pois nos dizem o que valorizar. Assim, LER E EDUCAR SUAS EMOÇÕES É UMA DAS ATIVIDADES CENTRAIS DA SABEDORIA.
Agora, eu sou um cara de meia-idade, e não estou exatamente confortável com as emoções. Uma das minhas histórias de cérebro favoritas descrevia esses caras de meia-idade. Eles eram colocados em máquina de escaneamento cerebral e tinham que assistir a um filme de terror, e depois tinham de descrever seus sentimentos em relação às suas esposas. Os escaneamentos cerebrais eram idênticos em ambas as atividades. Era apenas puro terror. Então para mim, falar de emoções é como para Gandhi falar sobre gula, mas isso é o processo de organização central da forma que nós pensamos. Isso nos diz o que ponderar. O CÉREBRO É O REGISTRO DOS SENTIMENTOS DE UMA VIDA.
E a terceira ideia é que nós não somos primariamente indivíduos auto-contidos. SOMOS ANIMAIS SOCIAIS, NÃO ANIMAIS RACIONAIS. Emergimos de relacionamentos, e somos profundamente interpenetrados, um com o outro. Assim, quando vemos outra pessoa, nós reconstituímos em nossas mentes o que vemos em suas mentes. Quando assistimos a uma perseguição de carros num filme, é quase como se estivéssemos sutilmente numa perseguição de carros. Quando assistimos a pornografia,é um pouco como fazer sexo, embora provavelmente não seja tão bom. E vemos isso quando amantes passeiam pela rua, quando uma multidão no Egito ou na Tunísia é envolvida num contágio emocional, a interpenetração é profunda. E essa revolução de quem somos nos dá uma forma diferente de ver a política, mais importante, de ver o capital humano.
Somos filhos do Iluminismo francês. Acreditamos que a razão é a mais elevada das faculdades.Mas eu acho que esta pesquisa mostra que o Iluminismo britânico, ou o Iluminismo escocês, com David Hume, Adam Smith, realmente tinha um melhor controle sobre quem somos – que a razão é muitas vezes fraca, nossos sentimentos são fortes, e os nossos sentimentos muitas vezes são confiáveis. E esse trabalho corrige as distorções na nossa cultura, essas distorções humanizadoras profundas. Isso nos dá um sentido mais profundo do que realmente importa para nós prosperarmos nessa vida. Quando pensamos sobre o capital humano pensamos sobre as coisas que podemos medir facilmente – coisas como notas, vestibular, graduações, o número de anos de escolaridade. O que realmente importa para fazer o bem, para levar uma vida significativa são coisas que são profundas, coisas que não temos palavras para descrever. Então deixem-me listar apenas algumas delas para tentar entender.
O primeiro dom, ou talento, é a visão mental – a habilidade de entrar na mente de outras pessoas e aprender o que elas têm a oferecer. Os bebês vêm com essa habilidade. Meltzoff, da Universidade de Washington, inclinou-se sobre um bebê que tinha 43 minutos de vida, e mostrou a língua para o bebê, o qual mostrou a sua, de volta. Os bebês nascem para interpenetrar a mente da mãe e para baixar no próprio computador cerebral, o que lá eles encontram: seus modelos de como compreender a realidade. Nos Estados Unidos, 55% dos bebês têm profundas conversas de duas vias com a mãe e aprendem os modelos de como se relacionar com outras pessoas. E aquelas pessoas que têm modelos de como se relacionar têm um enorme avanço na vida. Cientistas da Universidade de Minnesota fizeram um estudo em que puderam prever com 77% de precisão, na idade de 18 meses, quem ia se formar no ensino médio, com base em quem tinha um bom vínculo com a mãe. 20% das crianças não têm essas relações. Eles são o que chamamos de vinculados com evasão. Eles têm dificuldades para se relacionar com outras pessoas. Eles passam a vida como veleiros ao sabor do vento – querendo ficar perto das pessoas, mas sem realmente ter os modelos de como fazer isso. Por isso essa é uma habilidade de como sugar conhecimento, um do outro. (E agora nos reportamos ao conceito de Winniccott, de “Mãe suficientemente boa”).
Uma segunda habilidade é equilibrar a postura. A habilidade de ter a serenidade de ler as distorções e falhas em sua própria mente. Então por exemplo, somos máquinas com excesso de confiança. 95% de nossos professores relatam que estão acima da média dos professores. 96% dos estudantes universitários dizem ter habilidades sociais acima da média. A revista Time perguntou aos americanos: "Você está em 1% dos mais assalariados?" 19% dos americanos estão em 1% dos mais assalariados. Esta, por sinal, é uma característica ligada ao sexo.. Os homens se afogam duas vezes mais do que as mulheres, porque os homens acham que podem atravessar o lago a nado. Mas algumas pessoas têm a habilidade e consciência de seus próprios preconceitos, do seu próprio excesso de confiança. Elas têm a modéstia epistemológica. Elas têm a mente aberta em face da ambigüidade. Elas são capazes de ajustar a força das conclusões para a força de suas evidências. Elas são curiosas. E esses traços geralmente são independentes e não correlacionados com QI.
A terceira habilidade é o 'medes', o que chamaríamos de esperteza da vida – é uma palavra grega. É uma sensibilidade para o ambiente físico, a habilidade de perceber padrões em um ambiente – extrair uma essência. Um dos meus colegas do Times fez uma grande história sobre soldados no Iraque que podiam olhar uma rua e de alguma maneira detectar se havia explosivos ou minas ali. Eles não podiam dizer como faziam isso, mas podiam sentir frio, sentiam uma friagem, e estavam mais certos do que errados. A terceira é o que podemos chamar de simpatia, a habilidade de trabalhar dentro de grupos. E isso é tremendamente prático, pois grupos são mais espertos do que os indivíduos – e os grupos face-a-face são muito mais espertos que os grupos que se comunicam eletronicamente, pois 90% de nossa comunicação é não-verbal. E a eficácia de um grupo não é determinada pelo QI do grupo, é determinada pela maneira como eles se comunicam, quantas vezes se revezam na conversa.
Então você poderia falar de um traço como mistura. Qualquer criança pode dizer: "Eu sou um tigre" e fingir ser um tigre. Parece tão elementar. Mas na verdade é fenomenalmente complicado ter um conceito de "eu" e um conceito de "tigre" e misturá-los juntos. Mas esta é a fonte da inovação. O que Picasso fez, por exemplo, foi tomar o conceito da arte ocidental e o conceito das máscaras africanas e misturá-los – não só a geometria, mas os sistemas morais inerentes a eles. E essas são as habilidades, novamente, que não podemos contar e medir.
A última coisa é algo que pode-se chamar de limerência. E isso não é uma habilidade, é um impulso e uma motivação. A mente consciente tem fome de sucesso e prestígio. A mente inconsciente tem fome daqueles momentos de transcendência, quando a linha do crânio desaparece e nós estamos perdidos em um desafio ou uma tarefa – quando um artesão se sente perdido em seu ofício, quando um naturalista se sente em harmonia com a natureza, quando um crente se sente em harmonia com o amor de Deus. É disso que a mente inconsciente tem fome. E muitos de nós sentimos o amor quando amantes se sentem fundidos.
Uma das mais belas descrições que vi ao longo dessa pesquisa de como as mentes se interpenetram, foi escrito por um grande teórico e cientista chamado Douglas Hofstadter da Universidade de Indiana.Ele era casado com uma mulher chamada Carol, e eles tiveram um relacionamento maravilhoso. Quando seus filhos tinham cinco e dois anos, Carol teve um derrame e um tumor cerebral e morreu de repente. E Hofstadter escreveu um livro chamado "I Am a Strange Loop". No decorrer do livro, ele descreve um momento – poucos meses após Carol morrer – quando se depara com o retrato dela sobre a lareira. "Eu olhei para o rosto dela, e olhei tão profundamente que senti que estava por trás de seus olhos. E de repente me vi dizendo, enquanto lágrimas escorriam: 'Esse sou eu. Esse sou eu.' E essas simples palavras trouxeram de volta muitos pensamentos que tive antes, sobre a fusão das nossas almas em uma entidade de nível superior, sobre o fato de que no cerne de nossas almas deixamos nossas esperanças e sonhos idênticos para nossos filhos, sobre a noção de que essas esperanças não eram esperanças separadas ou distintas, mas eram apenas uma única esperança, uma coisa bem clara que definiu a nós dois, nos soldando em uma unidade – o tipo de unidade que eu tinha vagamente imaginado antes de ter casado e ter filhos. Percebi que, apesar de Carol ter morrido, seu elemento central não morreu totalmente, mas estava vivendo com muita determinação no meu cérebro."
Os gregos dizem que sofremos em nosso caminho para a sabedoria. Através de seu sofrimento, Hofstadter compreendeu o quão profundamente somos interpenetrados. Através dos fracassos políticos dos últimos 30 anos, estamos reconhecendo, acho, o quão superficial foi nossa visão da natureza humana. Agora, enquanto enfrentamos essa superficialidade e as falhas que derivam de nossa incapacidade em alcançar a profundidade de quem somos, vem essa revolução na consciência – essas pessoas em vários campos explorando a profundidade de nossa natureza e indo em frente com este humanismo encantado e novo. E quando Freud descobriu o sentido do inconsciente, teve um efeito enorme sobre o clima da época. Agora estamos descobrindo uma visão mais precisa do inconsciente – de quem somos por dentro. E isso terá um efeito humanizante maravilhoso e profundo em nossa cultura.


TED TALKS http://www.ted.com/talks/david_brooks_the_social_animal?utm_medium=on.ted.com-facebook-share&utm_campaign=&utm_content=awesm-publisher&awesm=on.ted.com_q09Mw&language=en&utm_source=facebook.com

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

FAZENDO SEMPRE AS MESMAS BESTEIRAS: POR QUE?

O homem errado, o amigo aproveitador, o trabalho oprimente, a namorada ciumentíssima...quando repetimos a besteira, é a hora de parar de brigar conosco e nos auto definir como azarados no amor/bons demais por isso os outros se aproveitam/ou qualquer outra explicação e/ ou racionalização facilitada, e dar uma boa olhada dentro de nós mesmos. Já pensou se, por acaso, todos esses erros,nós mesmos os procurassemos?
Se um problema se apresenta como uma constante em nossa vida, é totalmente inútil nos lamentarmos, xingar a má sorte ou o destino/karma/vidas passadas/pagamento de pecados. A melhor coisa é, na realidade, agir em sentido contrário, levantando a questão de que, possivelmente, somos nós mesmos, de forma inconsciente, que procuramos pelo problema.

Como assim, dirão vocês? Como assim?

Há muitas luas atrás, li um livro chamado “Mulheres que amam demais”(PDF no final do texto), no qual a autora descreve, e muito bem, histórias de sofredoras criaturas sempre metidas em histórias amoroso/afetivas com o pior tipo possivel de companheiro. Boa psiquiatra que sou, gostei muito do livro, mas sapateei de raiva com o título, pelos seguintes motivos:
1-Não acredito em amar de mais ou de menos. Acredito que amamos, ou não, simples assim.
2-Acredito que usamos o substantivo “amor”ou o verbo “amar”, das mais disparatadas formas, incluindo desculpar patologias.

Pouco tempo depois, lá fui eu para um congresso em Gramado, inesquecível pela soma de coisas incríveis que aconteceram, incluindo ter carregado uma mala de roupas de frio, e ter feito um calor de matar, piorado pela total ausência de ar condicionado no hotel, ter assistido pela TV o Boris Yesltsin se meter na frente de um tanque de guerra e traduzir o Michele Novellino, psiquiatra italiano e a estrela do Congresso.

Por alguma razão que não sei explicar, os organizadores acharam que, em sendo o homem italiano, e sendo o congresso no sul do Brasil, todo mundo entenderia, esquecendo que, uma coisa é o italiano macarronico de “ciao bella”, “pizza” e “pasta”, e outra, um pouco diferente, são palestras, compridas e não culinárias.
Assim que sobrou para mim a tarefa de tradução simultânea, minha segunda experiência na coisa. Inicialmente, fiquei em pânico. Uma coisa é falar uma língua, poder traduzir um texto, e outra, totalmente distinta, é traduzir a vivo e a cores, até mesmo porque, o palestrante se entusiasma e sai falando a mil por hora, tudo piorado pela minha incapacidade crônica de não dar palpites fora de hora.

Deixo à vossa imaginação os percalços do caminho.

Fato é que, Novellino usou exatamente o livro “Mulheres que amam demais”, como base dos estudos que estava desenvolvendo, ou seja, quando, depois de muito sofrimento e muita terapia, tais mulheres se livravam do problema, também perdiam junto toda a libido/desejo/gosto por sexo.
Juro que tive de usar toda minha capacidade de contrôle, para não socar um beijo na testa da criatura, na frente de todo mundo, no meio da palestra, porque esse é o ponto da história toda: nosso inconsciente/alma/espirito, seja lá como queiram chamar, nos orienta sempre na direção na qual nossa verdadeira identidade está escondida, e só quando encontramos ou encaramos essa verdade é que podemos utilizar todas as energias interiores que, até aquele momento nem conhecíamos, e finalmente nos realizarmos como seres humanos que somos.

Então, se nossa identidade se esconde exatamente nesse erro, é para ali que nossa “alma”, inexoravelmente, nos carrega, até que, finalmente possamos abrir nossos olhos, e enxergar a nós mesmos.

“Quando finalmente poderei ser feliz?”muitos se perguntam, pospondo ao infinito o estar ou se sentir bem.
“Sou muito generosa. Me entrego totalmente, faço tudo por eles, os amo à loucura e eles...sempre acabam na cama com outra.”
“Trabalho feito escravo, dou 100% à companhia, e olha só, a promoção foi para aquele cretino folgado...”
“Mulheres!!!!!!!!!!!! Quanto mais cuido, protejo, acompanho...mais elas me dão um pé no busanfant. Ingratas!.”

Pessoas que acreditam que não podem ser felizes “até que resolvam o problema”, vão encontrar sempre a mesma coisa, procurando saber “de quem é a culpa”e enganchando em conflitos intermináveis que envenenam a existência.

Hillman já dizia: “De certa forma, desejamos nossos problemas, e por eles somos apaixonados na mesma medida em que deles queremos nos livrar”.

Parece meio absurdo, mas, se notarmos bem, quando parece que as coisas estão melhorando, catapimba, parece que vamos buscar a coisa e lá vem a recaida.
E isso é patente, desde amores complicados a drogadependências.

“Chega, não aguento mais, terminei com Fulano/Beltrano/Sicrano.” Uma semana depois...”Sei que não vai mudar, sei que vou sofrer, mas sem João/Maria não sei viver.”
Encontro com familiares no PS: “Um ano limpo, doutora, um ano inteiro! Voltou à escola, estava estudando, tinha voltado a frequentar a Igreja, tudo indo tão bem! Por que? Por que?”.

Por um lado, queremos nos livrar do problema, porque nos faz sofrer, mas, ao mesmo tempo, não se consegue ficar sem, e tão logo a coisa se afasta, lá vamos nós correr atrás.
E por que isso? Porque nosso inconsciente/alma, sabe que aquele problema contém uma parte nossa que precisa ser conhecida e que, usualmente temos enorme dificuldade em aceitar. É um componente fundamental de nosso caráter, com o qual estamos em conflito e que está pedindo pelo amor de Deus, para ser escutado.

É como se fosse um motor interno, fazendo um barulhão lá dentro, e nos dirigindo continuamente em direções que nos pertencem, mesmo que nos façam sofrer.

O fato é que a pessoa/coisa que nos faz sofrer, tem nada a ver com nosso problema: a briga é entre nós e aquele lado de nossa personalidade/carater que negamos, mas que nos pertence e “usamos”a outra pessoa ou coisa só para encenar nosso conflito.

Freud chamou a coisa de “compulsão à repetição” e ao uso do outro como “causador do problema”, mecanismo de defesa, codinome “Projeção”, isto é, vejo na tela que é o outro, o filminho que é meu.

E o único jeito de mudar o jogo, é assumir a posse, de formas a revelar nossas capacidades e energias, e usá-las para nosso benefício e crescimento.
É abrir mão do “amar demais”e aprender a respeitar a si mesmo.
É abrir mão da desculpa “drogas como maneira de se rebelar ao status quo”, encarar o medão de viver e aprender a coragem de suportar, às vezes, o imenso tédio das rotinas diárias.
É parar de perder tempo com a “frustração”com os cretinos que são promovidos, os chefes imbecis, os politicos corruptos, o mundo todo errado, e dar uma olhadinha lá dentro, bem no fundinho, para ver o quanto eles todos são necessários para que nos sintamos muito virtuosos em comparação.

Já imaginou que mudança o mundo sofreria, se todos e cada um de nós olhassemos, sériamente, no espelho?

James Hillman: Psicologo Americano que fundou o movimento da Psicologia do Arquetipo.

Michele Novellino: Psiquiatra e Psicanalista italiano, autor de vários livros, sendo meu preferido “La síndrome del uomo mascherato”(A síndrome do homem mascarado).

Mulheres que Amam demais http://www.projetovemser.com.br/blog/wp-includes/downloads/Robin%20Norwood,%20Mulheres%20que%20amam%20demais%20%28completo%29%20-%20Digitalizado.pdf

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

TERAPIA VERSUS ANTIDEPRESSIVOS:UMA REVISÃO DA DEPRESSÃO

Depressão é uma doença de dificil tratamento, até mesmo porque, ainda estamos tentando descobrir como e por que ela aparece.

Diferentes métodos de tratamento, afetam o cérebro de maneiras drasticamente distintas, e é por isso porque terapia e medicamentos, por vezes, funcionam, e por vezes não.
É importante lembrar que depressão não é aquele caso temporário de estar triste, ou para baixo, mas sim uma situação na qual há mudanças físicas severas na forma de como o cérebro funciona.

Até o momento, sabe-se que há 2 áreas cerebrais diretamente ligadas ao problema: O córtex pré frontal, que fica bem atrás da testa e vai até quase o meio da cabeça, e a amigdala, estrutura minúscula em forma de pepita.

Os antidepressivos, considerados pelos leigos como a única coisa para tratar depressão, atuam apenas na amigdala, o que explica por que, apenas 22 a 40% das pessoas com depressão, deles se beneficiam.

Por outro lado, a Terapia Cognitivo Comportamental, tipo muito específico de terapia, parece que afeta o córtex pré frontal.

O cortex pré frontal é a parte do cérebro que, entre outras coisas, nos dá auto contrôle, coisa extremamente necessária quando há que se evitar os perigosíssimos ataques de pensamentos negativoa, na depressão, enquanto a amígdala é a coisa que ajuda a processar nossas emoções, fazendo com que possamos sentir alegria, raiva, tristeza, e todo o resto.
Em pessoas saudáveis, o córtex pré-frontal controla a amígdala , fazendo com que não quebremos a mão esmurrando paredes quando estamos com raiva ou que choremos sem parar quando estamos tristes.

Pessoas com depressão provavelmente têm um córtex pré-frontal sub-ativo, fazendo com que seu contôle sobre a amigdala se torne precário e pouco funcional, o que os torna mais propensos a emoções arrebatadoras.

Assim, partindo do pressuposto que a terapia cognitivo comportamental estimula o córtex pré frontal, faz o maior sentido o fato de funcionar bem em pessoas com depressão e que não respondem aos antidepressivos.

E isso é mais do que um pressuposto, pois 2 estudos randomizados e contolados (são o padrão mais elevado de estudo, usado para avaliar um método de tratamento), com 600 pessoas, mostraram os benefícios da citada terapia, como alternativa útil e econômica aos antidepressivos. Neles, foi demonstrado que pessoas fazendo terapia eram menos propensas a voltar a terem depressão depois de parar com a terapia, do que os que paravam de tomar a medicação, ou seja, o efeito terapeutico é mais duradouro que o efeito medicamentoso.

Infelizmente, ainda não sabemos direito o que é que desarranja no cérebro das pessoas com depressão, pois, embora muitos apresentem sintomas semelhantes, a saber, sentimentos de inutilidade, pontos de vista exageradamente negativos sobre si mesmo e o mundo, dificuldades de lidar com tarefas do dia a dia, os mecanismos subjacentes a esses sintomas variam de pessoa a pessoa, e como resultado, cada um responde de forma diferente a diferentes tratamentos.

Para alguns, os antidepressivos são um milagre, para outros o é a terapia, para outros ainda há a necessidade de combinação de terapia a medicamentos, e para os mais azarados, nada funciona (ainda bem que esse número é muito baixo, se comparado às mudanças produzidas pelos medicamentos e pela terapia).

Um estudo de 2007, descobriu que um pequeno grupo de adultos deprimidos, com uma amigdala hiperativa e um córtex pré frontal sub ativo, pode reverter o desequilibrio em apenas 14 semanas de terapia cognitivo comportamental.

Ainda não é solução perfeita, há um longo caminho a ser percorrido, pois as lacunas em nosso conhecimento sobre como o cérebro funciona, tornam quase impossível desenvolver tratamentos perfeitos. Outro grande desafio é que ainda não podemos prever quem irá responder a antidepressivos e quem irá responder à terapia, embora os estudos na área prometam belissimas novidades para muito breve.

Por enquanto, o tratamento continua a ser um processo de tentativa e erro que pode ser longo e doloroso.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

MITOS, FALSAS IDÉIAS E APRENDIZADO: COMO MITOS SOBRE O CÉREBRO ESTÃO PREJUDICANDO O ENSINO.

Já falei bastante aqui de “Raciocínio Motivado” ou “Polarização da Confirmação”, definições científicas do velho e bom Preconceito, que é a tendência a procurar, interpretar, ou priorizar as informações de formas que confirmem nossas crenças ou hipóteses. É um assunto que me fascina, por vários motivos: primeiro que vai totalmente contra a lógica, pois deveria ser óbvio que, quanto mais informação temos, mais nossa capacidade de discernimento deveria melhorar. Falso. Total e completamente falso. Só aumentamos nosso conhecimento nas áreas que de antemão nos interessam. Atesto por mim mesma, ao me perguntar quantos artigos li, nos últimos 10 anos, em ginecologia e obstetricia. Triste resposta, é que não me lembro de ter lido nenhum. Pior, nem sequer chequei o quadradinho apropriado quando escolhi minhas coisas no Medlinx, e olha que coloquei coisas esquisitíssimas, tipo genética evolutiva.

O segundo e mais importante ponto, além de meu desgosto com a citada matéria desde tempos de faculdade, é o das consequências deletéias e desastres, causados por essa polarização, e nem sequer estou falando de política, guerras e irracionalidades maiores ou menores que perfazem nosso dia a dia.
É feio abrir o jornal e ver um pai matando a filha de pancadas, literalmente, pela recusa da menina, de 12 anos, de casar com o escolhido da família, de 46; ou ver na TV o povo do ISIS decapitando mulheres e jogando os corpos nas ruas, porque, pecado dos pecados, eram professoras, advogadas, enfim, mulheres que de certa forma recusaram o papel tradicional de absoluta submissão. É mais feio ainda, pensar, como pensei inicialmente, “que horror esse povo que não saiu do século 11, bárbaros imbecis.”

É terrivel, porque esse pensamento é simplesmente uma forma educada do uso do raciocínio motivado, ou seja, me “separo”desses trogloditas, não preciso fazer nada a respeito, porque estão lá longe, não fazem parte de meu mundo organizado e racional (em tese), e como cerejinha em cima do bolo, ainda me sinto muito virtuosa por não fazer parte desse grupo, como se tivesse sido conquista pessoal o acidente geográfico que me fez nascer no norte da Itália, dentro de um momento histórico específico, numa cultura específica.

Pois declaro neste momento, o início de minha batalha pessoal contra o raciocínio motivado, pelo menos o meu. Calma que não vou sair caçando terroristas insanos, ou virar vigilante urbana, ou de qualquer outra espécie. Falta-me total vocação para a coisa, além de considerar que terroristas/vigilantes/fanáticos de qualquer espécie, cor ou credo, nada mais são que lados opostos da mesma moeda.

O que, mais do que posso, quero fazer, é um trabalho de desmistificação. Vai funcionar? Não faço idéia.Mas, se não começar, nunca que vou saber.

Há um tempinho atrás, li o artigo “How myths about brain are hampering teaching” (Como mitos sobre o cérebro estão prejudicando o ensino- link no final), detalhando o seguinte experimento:
Foi apresentado a professores na Inglaterra, Holanda, Turquia, Grécia e China, 7 dos assim chamados “mitos neurológicos”, e lhes foi perguntado se acreditavam nos mesmos.

Os chocantes resultados:

-Mais de ¼ dos professores, na Inglaterra e na Turquia, acreditavam que o cérebro encolhe se bebermos menos de 6 a8 copos de água por dia.
-Mais da metade de todos os professores acredita que os alunos só usam 10% de seu cérebro e que crianças ficam menos atentas depois de beber qualquer coisa açucarada ou comer um lanchinho.
-Mais de 70% de todos os professores, de todos os paises, acreditam que os alunos ou usam o cérebro direito ou o esquerdo, porcentagem essa que chegou a 91% na Inglaterra.
-Mais de 90% dos professores de todos os paises, “sentem”que ensinar no estilo preferido do aluno (auditivo, visual ou cinestésico), ajuda muito, apesar de não haver qualquer evidência que suporte isso.

O Dr. Paul Howard-Jones, da Bristol University e autor do artigo diz o seguinte: “Essas idéias são vendidas aos professores, como se tivessem base nas neurciências, embora a própia neurociência não suporte nenhuma dessas idéias, as quais, além de não terem qualquer valor educacional, usualmente estão associadas a pobre desempenho em salas de aula.”
O relatório culpa desejos, ansiedade e tendência a explicações simples como fatores típicos que distorcem o fato, tornando neurociência em neuromito. Tais fatores também parecem estar prejudicando os esforços recentes de neurocientistas para comunicar o verdadeiro significado de seu trabalho para os educadores.
Ainda segundo o Dr. Howard-Jones “Embora o aumento do diálogo entre a neurociência e educação seja encorajador, vemos novos neuromitos aparecendo, além dos antigos retornando em novas formas. Às vezes, a transmissão de mensagens "simplificada" sobre o cérebro, para os educadores, pode gerar mal-entendidos e confusões sobre conceitos como plasticidade cerebral, coisa muito comum nas discussões sobre política de educação "
.

O relatório destaca várias áreas onde novas descobertas da neurociência estão sendo mal interpretadas pelos educadores, incluindo ideias relacionadas com o cérebro e investimento educacional precoce, o desenvolvimento do cérebro do adolescente e distúrbios como a dislexia, TDAH e outros distúrbios do aprendizado.

A análise conclui que, no futuro, essa colaboração será muito necessária, pois a educação e treinamento devem ser enriquecidos, e não enganados pela neurociência.

Para isso, há um novo campo que está se desenvolvendo rapidamente, que é a “neurociência educacional”, campo que engloba ensino e neurociência. E é nesse que vou, feliz feito cavalo selvagem correndo em pradarias (OK, a imagem é um pouco demasiada para uma senhora em minha faixa etária, mas quem se importa? O sonho é meu, ninguém tasca, eu vi primeiro!)

Estou me divertindo, como não me divertia há muito, montando séries de neuropsiquiatria em quadrinhos. Vamos ver como funciona.

E só para dar água na boca, aqui vão os 7 neuromitos apresentados aos professores na citada pesquisa:

-No geral, usamos apenas 10% de nosso cérebro.
-Indivíduos aprendem melhor quando recebem informação em sua forma preferida de aprendizado (por exemplo, visual, auditiva ou cinestésica)
-Sessões curtas de exercícios de coordenação podem melhorar a integração da função cerebral dos hemisférios esquerdo e direito.
-Diferenças na dominância dos hemisférios (cérebro direito ou cérebro esquerdo) explicam diferenças individuais dos estudantes.
-Crianças ficam menos atentas depois de lanches e/ou ingestão de bebidas açucaradas.
-O cérebro encolhe se bebermos menos de 6 a 8 copos de água por dia.
-Problemas de aprendizado associados a diferenças no desenvolvimento das funções cerebrais, não podem ser remediados por treino/educação.

Agora, se os professores acreditam no acima, dá para imaginar o que está sendo passado aos alunos?

COMO MITOS SOBRE O CÉREBRO ESTÃO PREJUDICANDO O ENSINO http://www.neuroscientistnews.com/research-news/myth-conceptions-how-myths-about-brain-are-hampering-teaching

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

UMA LIÇÃO DE CIVILIDADE

Num mundo cada vez mais polarizado por ideias político/religiosas, onde horrores nos assaltam 24h/dia,7 dias por semana, foi um sopro de esperança (e orgulho) de pertencer à mesma raça que esses canadenses incríveis. Vamos a um resumo do acontecido:

Em 22 de Outubro de 2014, em Ottawa, Canadá, Michael Zehaf-Bibeau decidiu que seria excelente ideia mandar uma saraivada de balas no Memorial da Guerra, matando o soldado reservista, Nathan Cirillo, que lá estava postando guarda, desarmado. Após heroico feito, foi ao Parlamento, onde foi morto pelo Sargento Kevin Wickers, chefe de segurança da casa, que também estava desarmado e teve que ir catar seu revólver na escrivaninha de seu escritório.
(Vejam vídeo abaixo)
http://www.youtube.com/watch?v=v4wfzWJ2Hwo


Não vou nem comentar a diferença estonteante entre as reportagens americanas e canadenses, na primeira, um surto histérico de pânico a respeito da invasão islâmica em solo norte americano, na segunda, uma tentativa de clarear os fatos, na medida em que apareciam. O que se sabe sobre o assassino (e me perdoem os puristas que diferenciam assassinatos em “políticos”,” religiosos”, ou de qualquer outra colocação, pois acho que matar, a não ser em legítima defesa, ou defesa de alguém mais, ou em guerra, simples assassinato), é o seguinte:

Cidadão canadense que, apesar de todas as oportunidades educacionais proporcionadas por sua família, não se formou em nada, teve trabalhos esporádicos em campos de petróleo, converteu-se ao islamismo, foi expulso da mesquita da qual fazia parte por comportamento briguento,e longa história criminal ligada a abuso de drogas e violência. História que define a futilidade do mal, como tão bem descreve Itzik Basman, em seu livro Futility As Tragedy: An Interpretation Of Hamlet (A Futilidade como tragédia: Uma interpretação de Hamlet).

Dia seguinte, quando o parlamento reabriu, foi emocionante a homenagem ao Sargento, mas mais emocionante foram as palavras do Primeiro Ministro canadense, Stephen Harper:

“Bem, membros desta casa, como disse ontem, os canadenses não serão intimidados. Vamos estar atentos, mas não vamos correr cheios de medo. Vamos ser prudentes, mas não vamos entrar em pânico e quanto aos negócios do governo, bem, aqui estamos nós, em nossos lugares, em nossa câmara no coração da nossa democracia e no nosso trabalho."
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/northamerica/canada/11183022/Standing-ovation-for-man-who-shot-Ottawa-gunman-Michael-Zehaf-Bibeau.html

Uns dias depois, em Cold Lake, Alberta, uma mesquita foi vandalizada, ainda não se sabe por quem, mas obviamente por alguns que acham que a melhor forma de apagar um incêndio, é colocar mais lenha na fogueira. Quando os moradores descobriram que tinha sido feito, se reuniram e doaram seu tempo para restaurar o prédio. As mensagens de ódio, pintadas com spray vermelho, foram removidas, as janelas foram arrumadas e cartazes de "Você está em casa" e "amar o seu próximo" foram afixados.
http://www.addictinginfo.org/2014/10/25/canadian-mosque-gets-vandalized-this-communitys-response-will-make-your-day-image/

Então, parabéns canadenses. Num mundo onde se está cada vez mais tentado provar Freud correto, quando fala do mal estar da civilização, lá vem vocês e demonstram que é possível superar o conflito entre instintos e cultura, viver em paz e prosperar. Que possam ensinar ao mundo. Estamos por demais precisados.

O mal-estar na civilização é um texto do médico neurologista e fundador da psicanálise, o mal falado Sigmund Freud. É considerado seu mais importante trabalho no âmbito da sociologia e antropologia, escrito às vésperas do colapso da Bolsa de Valores, em 1929. É uma investigação sobre as raízes da infelicidade humana, sobre o conflito entre instintos e cultura, e a forma que esta assume na civilização moderna. Aconselho.
http://cei1011.files.wordpress.com/2010/04/freud_o_mal_estar_na_civilizacao.pdf

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

DEVER CUMPRIDO, TEIMOSIA, NEUROPSIQUIATRIA E ANSIEDADE EM QUADRINHOS.

O título é maior que o post em si. Acontece que hoje, tomada do prazer imenso que é finalmente ter entregado um livro para publicação, prazer esse extremamente aumentado pelo fato de ser a primeirissima experiência fora de minha área de conforto (e se é verdade que a vida só começa fora da citada zona, acabei de renascer), cá estava a ruminar sobre retomar, a sério, meu sonho antigo de neurologia para crianças. Pensava eu que material, já o tenho aos montes, as idéias de como desenvolver até que razoávelmente organizadas (sim, Grace e Teresa, não tenho qualquer dúvida que vocês terão muito a dizer sobre minha ideia de organização), então, era só colocar a mão na massa.
Mais animada fiquei ao ler o artigo “How myths about the brain are hampering teaching” (COMO MITOS SOBRE O CÉREBRO ESTÃO PREJUDICANDO O ENSINO), artigo que traduzirei e colocarei na página do Curare no Face Book, e então, aqui vai Ansiedade em Quadrinhos, como primeiro ítem. Queria muito ter feito uma animação, mas ainda não sei como. Chego lá, com a lerdeza inerente à minha faixa etária.
A idéia inicial é fazer quadrinhos sobre os distúrbios psiquiatricos mais comuns. Também preciso de feed back quanto à facilidade de entendimento, então, por favor, ajudem.
Aqui vai:

Pronto para consumo!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

REVERTIDA PERDA DE MEMÓRIA ASSOCIADA COM ALZHEIMER

Infelizmente, nesta altura da vida, a maioria de nós conhece alguém com o Mal de Alzheimer, e se conhece, também sabe a sensação de Dante às portas do Inferno, quando todas as esperanças foram perdidas. Mal as palavras são pronunciadas, e uma capa de chumbo desce sobre nós. Nada adianta, nada vai resolver, pronto, acabou. Também se sabe que a expectativa altera o resultado de um experimento, tendendo a conclusão a bater com a expectativa inicial, de forma que acabamos por nos comportarmos,(tanto pacientes como cuidadores), de forma desesperançada, piorando tudo. Há razões para o pessimismo, se levarmos em conta que o Alzheimer afeta cerca de 5,4 milhões de americanos e 30 milhões de pessoas no mundo, e ainda não há prevenção e/ou tratamentos eficazes, e as estimativas apontam que, em 2050,160 milhões de pessoas em todo o mundo terão a doença. Ao contrário de várias outras doenças crônicas, a doença de Alzheimer está em alta, tendo-se tornado a terceira principal causa de morte nos Estados Unidos, logo depois de doenças cardiovasculares e câncer.

É por essas e outras, incluindo meu próprio pavor de vir a ter a malfadada, que sai cantando uma musiquinha besta e antiga da Wanderléia, cuja única frase que me recordo é: “Já chegou, já chegou, novamente a esperança. Todo mal já passou, já voltou a bonança...” ou algo muito parecido, quando recebi o artigo que traduzo abaixo. Pode não ser a solução total, pode demorar um pouco mais, mas está aí. Estamos abrindo novas possibilidades. Isso, e a alegria de constatar que, devagarzinho, quase que sussurrando, nós médicos estamos voltando a encarar a profissão como aquela coisa linda, que aprendemos nos primeiros anos da faculdade: “A ciência e artes médicas são o conjunto de cuidados que temos não com a doença, mas com os seres que delas sofrem.” Evviva!

Estudo conjunto do UCLA Centro de Pesquisa para Mal de Alzheimer Mary S. Easton, UCLA e do Instituto Buck de Pesquisa do Envelhecimento, é o primeiro a sugerir que a perda de memória em pacientes pode ser invertida, e a melhora sustentada, usando um programa terapêutico de 36 pontos, que envolve mudanças abrangentes na dieta, estimulação cerebral, exercício, otimização do sono, medicamentos e vitaminas específicas, além de vários passos adicionais que afetam a química do cérebro.
Para se ter ideia da importância desse estudo, temos que lembrar que no caso do Mal de Alzheimer, não há nenhum medicamento que impeça ou mesmo retarde a progressão da doença, e as drogas desenvolvidas tiveram apenas efeitos modestos sobre os sintomas. Só na última década, centenas de ensaios clínicos foram conduzidos, a um custo total de mais de um bilhão de dólares, sem sucesso.

Outras doenças crônicas, como as cardiovasculares, câncer e HIV, foram melhoradas através do uso de combinações terapêuticas.
No entanto, no caso de outras perturbações da memória e do Mal de Alzheimer, terapias de combinação abrangentes não foram exploradas, mesmo que, nas últimas décadas, as pesquisas em genética e bioquímica tenham mostrado uma extensa rede de interações moleculares envolvidas na patogênese do Alzheimer, o que sugere que, uma abordagem terapêutica mais alargada, ao invés de uma única droga que tenha como objetivo um único alvo, possa ser possível e potencialmente mais eficaz para o tratamento do declínio cognitivo devido à doença de Alzheimer. (Dale Bredesen, Professor de Neurologia e diretor do Centro de Easton na UCLA, professor do Instituto Buck e autor do artigo publicado na revista Aging).
Essa falha constante na eficácia de drogas contra Alzheimer, estimulou o autor acima citado a pesquisar sobre a natureza fundamental da doença.
Seu laboratório encontrou evidências de que a doença de Alzheimer resulta de um desequilíbrio na sinalização dos neurônios: no cérebro normal, sinais específicos promovem conexões nervosas e assim “fabricam” memórias, enquanto outros sinais promovem a perda das mesmas, permitindo que a informação relevante seja esquecida. Mas, na doença de Alzheimer, o saldo destes sinais opostos é perturbado, conexões nervosas são reprimidas, e as memórias são perdidas.
O modelo de múltiplos alvos e um desequilíbrio na sinalização é contrário ao dogma popular que a doença de Alzheimer é uma doença de toxicidade, causada pelo acúmulo de placas pegajosas no cérebro. Esse grupo de pesquisadores acredita que o peptídeo beta-amiloide, que é a fonte das placas, tenha uma função normal no cérebro, como parte de um conjunto maior de moléculas e que promove sinais que fazem com que as ligações nervosas não só envelheçam, mas também “caduquem”. Assim, o aumento do peptídeo desloca o equilíbrio cerebral entre “fazer memórias “e “perder memórias”, para o lado da perda. (Levem em consideração que, uma das funções da memória é o esquecer).
Considerando tudo isso, Bredesen pensou que, ao invés de um único agente alvo, o mais logico seria uma abordagem sistemática, como as abordadas em outras doenças crônicas, isto é, um sistema de múltiplos componentes. E dá um exemplo: "As drogas existentes para o mal de Alzheimer, atingem um único alvo, mas a doença é muito mais complexa. Imagine ter um telhado com 36 buracos, e sua droga só consegue remendar um deles. Muito bom para aquele buraco, mas continuam 35 goteiras, e por isso o processo subjacente não é muito afetado."
A abordagem da Bredesen é personalizada para o paciente, com base em extensos testes para determinar o que está afetando a via de sinalização e a plasticidade do cérebro.
Como exemplo, o caso da paciente com um trabalho exigente, e que estava esquecendo o caminho de casa. Seu programa terapêutico consistiu de alguns, mas não todos os componentes envolvidos com programa terapêutico de Bredesen, que incluem:

1-Eliminação de todos os carboidratos simples, o que a fez perder 40 K.
2-Eliminação de glúten e alimentos processados, aumentando ingesta de vegetais, frutas e peixes (os pescados em seu ambiente natural, não os produzidos em tanques)
3-Fazer ioga como método de baixar o stress
4-Meditação por 20 minutos, duas vezes ao dia, como forma complementar de baixar o stress
5-Uso de melatonina, todas as noites (Melatonina, também conhecida como N-acetyl-5-methoxytryptamine, é um hormônio encontrado em animais, plantas e micróbios. Nos animais, seus níveis circulantes variam em ciclos diários – ciclos circadianos – que determinam nosso sono/estado de alerta, e tem importante papel na proteção do DNA nuclear e mitocondrial.)
6-Aumento das horas de sono de 4 a 5 por noite, para 7 a 8
7-Uso diário de metil cobalamina (é o equivalente fisiológico da Vitamina B12, usado em tratamento de anemia perniciosa, neuropatia diabética, neuropatia periférica e como tratamento preliminar da Esclerose Lateral Amiotrófica)
8-Uso diário de Vitamina D3
9-Uso diário de óleo de peixe (Omega3)
10-Uso diário de CoQ10
11-Otimização da higiene oral pelo uso de escova de dentes e fio dental elétricos
12-Seguindo discussão com seu médico de família, recomeçou reposição hormonal que havia interrompido.
13-Jejum de pelo menos 12 hs entre jantar e café da manhã, e por pelo menos 3 hs entre jantar e ir para a cama.
14-Exercício físico por pelo menos 30 minutos, 4 a 6 vezes por semana

Os resultados conseguidos em 9 dos 10 pacientes sugerem que sim, a perda de memória pode ser revertida, embora ainda haja necessidade de estudos com número bem maior de pacientes, tanto para realmente estudar as melhoras quanto para se saber por quanto tempo e se as melhoras podem ser mantidas e qual é o ponto de “não retorno, isto é, quão tarde é tarde demais e o programa não consegue fazer mais efeito.

O lado difícil do programa é que é complexo e o peso todo cai sobre o paciente e seu cuidador, e nenhum dos pacientes foi capaz de seguir totalmente o protocolo, sendo as queixas mais comuns, o problema da mudança radical em dieta e estilo de vida, assim como a enorme quantidade de pílulas a serem tomadas todos os dias.

Por outro lado, a boa notícia é que, os efeitos colaterais desse programa, ao contrário do uso de toda e qualquer droga, foram uma melhora geral na saúde e uma otimização do BMI.

Fonte: University of California, Los Angeles (UCLA), Health Sciences