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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

THANKSGIVING – O DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS

Quando cheguei aqui nos USA, me entusiasmei com duas coisas: o Halloween e o Thanksgiving. Adoro uma celebraçãozinha, principalmente pela primeira festa de Halloween, na Universidade da Florida, há milênios atrás, festa a fantasia, onde vi um rapaz, cujo nome nunca soube, nem nunca mais vi, fantasiado de “Mont Blanc”, isto é, ele, pelado, escultural, negro, com um ovo na cabeça. Provavelmente nunca mais vi, por três motivos básicos: as luzes estroboscópicas da festa, por não ter prestado muita atenção na cara e por, com certeza, parecer diferente quando vestido. Mudou muito o Halloween...

Já o tal do Thanksgiving, passei na casa de um dos professores da Universidade, com as coisas típicas: peru, ao qual não sou por demais chegada, purê de batatas, green beans casserole (guisado de vagens), stuffing (uma farofa embolada com pedaços de maçã), cranberry sauce (molho de cranberry que chequei no google e é uma coisa chamada de uva do monte) e torta de abóbora. Decididamente não minhas comidas prediletas. Mas a festa é interessante, tipo nosso Natal, família se junta com as confusões típicas de tais eventos, todo mundo come de se empanturrar, e depois assiste a jogo de futebol americano pela TV. E esse evento não mudou nada. Dia seguinte, sexta feira, é chamada de Black Friday, onde o povo sai de madrugada para invadir lojas, onde, teoricamente, os preços são rebaixadíssimos. Fui uma vez, nunca mais volto, nem sob tortura. Aliás, ri muito, ano passado, ao ler que o costume chegou ao Brasil, onde tudo estava “pela metade do dobro”.

Naturalmente, como sou fascinada por história, fui ler a respeito do evento. Pelo visto, o primeiro foi em 1621, entre os índios americanos (tribo de Wampanoag) e os peregrinos, para celebrar o fato de que os índios tinham ensinado aos peregrinos, que estavam a morrer de fome, a comer peru e plantar e comer milho. Depois disso, os já citados peregrinos, foram em frente, e dizimaram os índios, e pelo visto este costume dos brancos de acabarem com as populações nativas vem de longa data. O Thanksgiving continua, e a destruição idem.

Anos, muitíssimos anos depois, já no Texas, meu chefe supremo no MHMRTC, médico psiquiatra, que não só vinha da mesma Duke University, o que nos proporcionou amizade ao primeiro encontro, mas também louco por história, me informou de como os Puritanos e Peregrinos vieram parar nessa terra, e a historia é bem diferente do que contam nos livros, isto é, que os tais fugiram da Inglaterra por serem perseguidos por sua fé religiosa.

Num enorme resumo, foi assim:

Primeiro, é bom saber que eram grupos distintos, desde o início, e foram os que colonizaram o que agora são os estados de Maine, New Hampshire, Vermont, Massachusetts, Rhode Island, e Connecticut. Peregrinos e Puritanos são divergências da mesma base, que foi a Reforma Inglesa, no século 16, quando Henrique VIII, católico, em querendo se divorciar da primeira mulher para casar com a Ana Bolena, desafiou o Papa Clemente VII, em 1533, e, ao contrário do que se aprende na escola, ele não rejeitou a Igreja Católica, simplesmente se colocou como chefe da Igreja Católica na Inglaterra. É por isso que, na Igreja Anglicana, os ritos e tudo o mais são iguaizinhos à Igreja Católica, só que os padres podem casar. Quando morreu, ao trono subiu seu filho, Eduardo VI, protestante convicto, que perseguiu os Católicos com fé, gosto e vontade. Suas reformas foram revertidas quando subiu ao trono sua meia irmã, Maria I, católica fervorosa, que passou a assar protestantes com tanta fé quanto o irmão tinha decapitado católicos. Pelo visto um pouco mais, pois ficou conhecida como “Bloody Mary”, ou Maria Sanguinolenta, que hoje é um coquetel feito com vodka, suco de tomate, tabasco e pimenta, que meu chefe da Neurologia em Gainesville jurava que era o melhor remédio para ressaca já inventado. Assim, embora muitos protestantes alegremente tenham ido ao martírio, outros tantos se mandaram, pensando em voltar logo, pois a Maria era velha e doente, e tiveram razão, pois ao trono foi sua meia irmã Elizabeth, novinha, popular e protestante.
A meta dos tais fujões, e que voltaram em massa em 1558, quando da morte de Maria, era se livrar dos católicos que tinham sobrado, e dessa forma melhorar a religião e o reino, apagando pobreza, analfabetismo e vícios, purificando assim a Igreja e o Império. Por isso ganharam o apelido de “Puritanos”, e vocês verão que, mutatis mutandi, estamos no mesmo pé 500 anos depois. Acreditavam piamente que, a recusa dos ingleses de reformar sua igreja e sua sociedade estava trazendo a ira divina para cima do reino. Segundo eles, o Apocalipse estava chegando, e só havia duas possibilidades: ou o mundo mudava segundo seus desejos, ou eles tinham que sair da Inglaterra para evitar a tal cólera divina. E se decidiram perseguidos de novo.
E aí, surge outro grupo, que foi chamado de “Separatistas”, e que no século 19 ganhou o romântico apelido de “Peregrinos”, que rejeitaram totalmente a Igreja Anglicana. Como na época isso era considerado traição, se mandaram para a Holanda, de onde também foram expulsos, e, não tendo mais para onde ir, embarcaram no Mayflower e vieram para a América, ou na conclusão do já citado chefe supremo, “isso lhe mostra bem que tipo de criaturas somos nós americanos, um bando de extremistas cabeçudos”. Conclusão dele, não minha, mas, quanto mais vivo por aqui, mais tendo a concordar.

E fiz essa introdução toda para chegar ao ponto em questão. Este ano, a comemoração do Thanksgiving vem logo depois da celebração dos 50 anos da morte do John Kennedy, celebração essa em grande estilo, não só com a revisão “ad nauseam” na TV do famoso tiro, mas principalmente de dois documentários que assisti, muitíssimo bem feitos, principalmente um chamado “A bala que mudou a história”, o qual traz considerações fascinantes sobre a mudança cultural que ocorreu no país depois da morte do JFK. Este ano, esta época está sendo, para mim, extremamente cheia de significados.

Primeiro, me dou conta que MEIO SÉCULO, em maiúsculas mesmo, se passou, desde o dia que meu pai foi me pegar na saída do colégio, estranhamente não conversou com a freira que estava no portão, me levou até o carro abraçando meus ombros, e, espanto dos espantos, fumou dirigindo. Papai foi fumante desde sempre, segundo ele, mas dirigindo, nunca. Dizia ele que quando se dirige, se dirige, não dá para ficar fazendo besteira. À minha pergunta do que estava acontecendo, só sacudidas de cabeça e resposta padrão: “Sua mãe te explica”. Ao chegar em casa, segundo espanto: mãe, vó, tia avó e bisavó, em volta da TV, que, absurdo!, ligada estava no meio da tarde. E todas chorando. Finalmente, não sei qual delas, acho que todas juntas, me contaram que o John Kennedy havia sido assassinado.

Segundo, via Facebook, descubro que minha turma está se encontrando para celebrar os 37 anos de formatura da Faculdade de Medicina. Como assim? Me formei semana passada!
E aí vieram as fotos, e não tinha jeito, revisão, memórias, flashbacks e tudo a que se tem direito nessas ocasiões.

Como espanto pouco é bobagem, tal qual miséria, parece que este ano o ensandecimento tem sido maior do que o costume. Aqui nos USA, pelo menos duas vezes por semana, temos matanças sem sentido e sem razão. Semana passada, um rapaz de vinte e poucos anos, suicidou-se com um tiro na cabeça, após esfaquear o pai, isso depois de ter ido a um hospital psiquiátrico e ter sido mandado embora por falta de vagas. Ontem, aqui no TX, uma enfermeira foi esfaqueada e morta, dentro do hospital onde trabalhava, pois foi defender os pacientes de um rapaz armado, e, obviamente, enlouquecido. Mês passado, os republicanos simplesmente paralisaram o governo porque são contra essa lei, chamada de Obamacare, que dá a possibilidade a todos, de terem um seguro saúde. A deputada republicana
Michele Bachmann, sobre a qual não darei opinião, pois considero total falta de ética soltar diagnósticos psiquiátricos,sem ser solicitada e por qualquer mídia, informa ao mundo que o Obama quer seguro saúde para todos os Americanos, porque espera que todos fiquem dependentes de cocaina e crack, e não, não estou inventando, não tenho tanta imaginação assim, por isso, clique aqui e leia na integra, http://www.huffingtonpost.com/2013/09/30/michele-bachmann-obama_n_4017567.html

Everest Wilhelmen, líder de uma coisa chamada Christian American Patriots Militia (Milícia dos Cristãos e Patriotas Americanos), postou em sua página no Facebook: “Agora temos a autoridade para atirar no Obama, isto é, de matá-lo”. Nada tão cristão como um tiro na cara. A Wikipédia me informa que, mesmo antes de virar presidente, o Obama já recebia proteção do serviço secreto, e que, ao virar presidente, até o momento teve mais ameaças que os 5 presidentes antes dele, somados.

E, para completar, a notícia de que a direita americana está enfurecida com o Papa. Só para dar o gostinho, traduzo algumas declarações:

Senador Ted Cruz, republicano pelo Texas, e pai do congelamento do governo: “Como ele se atreve a dizer isso? Nosso amado Ronald Regan, que sempre foi mais religioso que qualquer papa, disse que, se dermos mais dinheiro aos ricos, eventualmente, todo mundo terá mais dinheiro. Só temos que esperar um pouco mais para que isso funcione”.

Senador Paul Ryan, católico devoto: “Obviamente ele (o Papa), está lendo a parte errada do livro. Riqueza é um conceito bíblico mais antigo que o próprio Jesus”.

Sarah Palin, a que não é nada, mas é ex- muitas coisas: “Não consigo entender o que este líder, supostamente uma pessoa religiosa, está querendo fazer”.

Quinta feira, estarei dando graças, comendo peru e pensando com meus botões que aquela bala não só mudou a história, mas fez com que voltasse 500 anos. Mas, que a fim e a cabo, embora vivendo a maldição chinesa de “tomara que você viva em tempos interessantes”, tenho muitas graças. Uma delas, neste momento, é me lembrar, com óculos cor de rosa, dos tempos de faculdade. É sim. Estou francamente saudosa, provavelmente, mais do que a faculdade em si, da minha juventude, quando as coisas eram claras, os maus eram os militares e a mantenedora da faculdade, e cantavamos “the answer my friend, is blowing in the wind...”e “Imagine”. Pois é...

E acabo de saber que, a única coisa que o vento soprou, foi a cobertura do Itaquerão, matando 3. Tempos interessantes.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

OS 14 HÁBITOS DE PESSOAS ALTAMENTE MISERÁVEIS, OU, COMO TER SUCESSO EM AUTO SABOTAGEM

Decidi traduzir (livremente, muito livremente) este artigo pelos seguintes motivos:
1-Me fez rir às lágrimas
2-Me peguei fazendo algumas das coisinhas abaixo relacionadas, raramente, é verdade, mas faço. Vai daí que, como disse o JFK “o preço da paz é a eterna vigilância”.
3-Estou encantada com a capacidade da autora de ensinar via bom humor, que a meu ver é a melhor forma de ensino, e invejo o talento da citada. Fiquem frios que no final há os devidos créditos, como também o link para o original em inglês.
4-Era muito comprido para colocar na página Curare do Facebook.

Então vamos lá.

OS 14 HABITOS
Cloe Madanes

A maioria de nós jura de pés juntos que quer ser feliz, ter vidas significativas, divertidas, satisfatórias, compartilhar amor e amizade com outras pessoas, e até mesmo com outras espécies, tipo cães, gatos, periquitos, papagaios e que tais. Apesar disso, algumas pessoas atuam como se quisessem ser miseráveis, conseguindo de forma notável convidar desgraças em suas vidas, mesmo que o benefício disso seja pouco aparente, pois ser miserável não ajuda a encontrar amantes e amigos, conseguir melhores empregos, ganhar mais dinheiro, ou ter férias mais interessantes. Então, por que raios fazem isso?

Depois de atentamente interrogar alguns dos melhores cérebros na profissão (terapia), cheguei à conclusão de que a miséria é uma forma de arte, e as pessoas parecem encontrar satisfação na mesma, coisa que se reflete no esforço criativo necessário para cultivá-la.
Em outras palavras, quando as condições de vida são estáveis, pacíficas e prósperas, isto é, não há guerras civis violentas em sua rua, nem fome, nem doenças epidêmicas tipo a peste negra grassando, nenhuma aflição de pobreza extrema, tal como morar debaixo de uma ponte, então o tornar-se miserável é uma forma muito especial de artesanato, que requer imaginação, visão e engenhosidade. Pode até dar à vida um significado muito diferenciado.

Então, se seu maior desejo é tornar-se miserável, quais são as melhores, mais comprovadas técnicas para fazê-lo?
Vamos excluir o óbvio, como usar drogas, cometer crimes, jogar a dinheiro e bater na sua esposa/esposo ou vizinho. Estratégias sutis, aquelas que não levantam suspeitas de que você está agindo deliberadamente, são as mais eficazes. Mas, atenção: há que continuar fingindo que quer ser feliz como todo mundo, ou ninguém vai levá-lo a sério. A verdadeira arte é se comportar de maneiras a trazer a já citada miséria, embora afirmando que é vítima inocente, fazendo-o, idealmente, com as mesmas pessoas das quais está forçosamente extraindo compaixão e piedade.

Aqui, vou cobrir a maioria das áreas da vida, como família, trabalho, amigos e parceiros românticos. Essas áreas se sobrepõem muito bem, dado que você não pode arruinar sua vida sem arruinar seu casamento e, com certeza, também seu relacionamento com filhos e amigos. É inevitável que, ao fazer-se miserável, fará o mesmo com os que estão ao seu redor, pelo menos até que o abandonem, o que lhe dará mais um motivo para se sentir como se sente e fortificar sua crença na maldade humana. Assim, é importante manter em mente os benefícios decorrentes de sua miséria.

1-Quando você está miserável, as pessoas sentem pena, e não só isso, também se sentem obscuramente culpadas, como se seu estado pudesse, de alguma maneira, ser culpa deles. Isso é ótimo! Há poder no fazer os outros se sentirem culpados. As pessoas que o amam e que dependem de você vão pisar em ovos para fazer todo o possível para que, seja lá o que fizerem ou disserem, não piorem sua miserabilidade.

2-Quando você está miserável, você não carrega esperanças ou espera que algo de bom aconteça, e assim, não pode ser desapontado ou desiludido.

3-Ser miserável pode dar a impressão de que se é uma pessoa sensata e mundana, especialmente se espalhar a coisa não apenas sobre sua vida, mas sobre a sociedade em geral. Você pode projetar uma aura de alguém sobrecarregado por uma forma de tragédia profunda, o conhecimento existencial que pessoas felizes, e por conseguinte superficiais, não podem apreciar ou mesmo entender.

APRIMORANDO SUAS HABILIDADES MISERENTAS

Vamos direto ao assunto e dar uma olhada em algumas estratégias eficazes para esse fim. Esta lista não é de forma alguma finda e acabada, mas engajar-se em quatro ou cinco dessas práticas vai ajudar a refinar seu talento.

1-Tenha medo, tenha muito medo de perdas econômicas. Durante períodos de dificuldades econômicas, muitos ficam assustados com a ideia de perder o emprego ou a poupança (e para quem viveu no Brasil em tempos não muito distantes, lembra bem o que pode fazer uma Zélia Cardoso de Melo), mas o fato é que a arte de estragar sua vida consiste em ceder a esses medos, mesmo quando há pouco risco de realmente sofrer essas perdas. Destarte, concentre-se nesse medo, faça dele a prioridade de sua vida. Lamente-se continuamente a respeito de que pode ir à bancarrota a qualquer momento, queixe-se do custo de tudo, principalmente se e quando outra pessoa estiver pagando por ou comprando algo. Procure sempre iniciar discuções a respeito dos hábitos irresponsáveis e perdulários dos outros, sugerindo que a recessão foi causada por esse tipo de comportamento.
O medo de perdas econômicas tem várias vantagens. Primeiro, o mantém para sempre num emprego que detesta. Segundo, equilibra bem com ganância, com uma obsessão com dinheiro, e um egoísmo que até Ebenezer Scrooge (1) invejaria. Terceiro, você vai não só afastar seus familiares e amigos, mas também, e principalmente, ficar mais ansioso e deprimido, possivelmente, com um pouco de fé, doente de pesar por causa de sua preocupação com dinheiro. Muito bem!
EXERCÍCIO: Sente-se em confortável poltrona, feche os olhos, e, durante 15 minutos, medite sobre tudo que pode vir a perder: seu emprego, sua casa, sua poupança, etc.... Em seguida, comece a cismar como seria viver num abrigo para os sem teto.

2-Pratique o tédio contínuo. Cultive, com carinho, a sensação de que tudo é previsível, que a vida não tem nada de interessante, não há possibilidade de aventuras, que uma pessoa tão fascinante como você foi depositada numa vida totalmente chata e sem sentido, e não teve culpa nenhuma. Queixe-se muito a respeito de quão entediado está. Faça disso o principal assunto de qualquer conversa com qualquer um, de forma que todos percebam que, lá no fundo, você acha que todos são profundamente chatos e entediantes. Considere provocar uma crise para aliviar seu tédio. Tenha um caso (isso funciona melhor se você for casado, e melhor ainda, se a outra pessoa também o for); vá a surtos de compras desnecessárias e caras, tipo roupas de grife, carros esporte, eletrodomésticos de altíssimo luxo, equipamentos esportivos só usados pelos campeões na modalidade escolhida (leve consigo vários cartões de crédito, para o caso de um ou outro atingir o limite); inicie brigas sem sentido com marido/esposa/namorada/namorado/filhos/amigos/vizinhos; tenha outro filho; largue o emprego; limpe a poupança e mude para outro estado ou país, de preferência um do qual não conheça absolutamente nada a respeito. Um benefício colateral do estar entediado, é tornar-se entediante. Parentes e amigos vão evitá-lo, não vai ser convidado a coisa alguma, ninguém vai telefonar e muito menos querer visitar. Aí, pimba, você vai se sentir solitário e mais entediado e mais miserável.
EXERCÍCIO: Obrigue-se a assistir horas de reality shows estúpidos, todos os dias, leia apenas e tão somente tabloides que o deixem anestesiado. Evite a todo custo, literatura, arte, e o manter-se em dia com assuntos atuais.

3-Dê a si mesmo uma identidade negativa, fazendo com que um problema emocional absorva todos os outros aspectos de sua identificação. Se se sente deprimido, torne-se Uma Pessoa Deprimida; se sofrer de ansiedade social, ou qualquer fobia, torne-se Uma Pessoa Ansiosa ou Uma Pessoa Fóbica. Faça de sua condição o foco de sua vida. Fale a respeito disso com todos, assegure-se de ler em qualquer mídia, todos os sintomas da coisa, de forma a poder falar com conhecimento de causa, e sem parar. Pratique os comportamentos mais associados com a condição, principalmente se estes interferirem seriamente com suas atividades habituais ou seus relacionamentos. No caso ter escolhido depressão, foque no quão deprimido está, torne-se choroso, recuse-se a ir a lugares ou experimentar coisas novas porque isso o deixa muito ansioso. Esforce-se para ter ataques de pânicos principalmente em locais onde causarão maior tumulto. É importante demonstrar que, de forma alguma, você curte esses estados e/ou comportamentos, mas que não há absolutamente nada que possa fazer para preveni-los. Pratique o como se colocar num estado psicológico que melhor represente sua identidade negativa. Por exemplo, se for a de Pessoa Deprimida, encolha os ombros, olhe para o chão, respire de forma bem superficial. É importantíssimo condicionar o corpo para que se alcance o auge do estado negativo escolhido, o mais rapidamente possível.
EXERCÍCIO: Escreva 10 situações que o deixam ansioso, deprimido, enlouquecido, furioso ou confuso. Uma vez por semana, escolha uma dessas situações provocadoras de ansiedade, e use-a para se agitar o máximo possível até desencadear um ataque de pânico, por, pelo menos, 15 minutos.

4-Provoque brigas. Esta é uma excelente forma de destruir relacionamentos. De vez em quando, de forma imprevisível, provoque uma briga ou tenha um ataque de choro a respeito de algo trivial, sem esquecer de fazer acusações infundadas. Que a coisa dure por pelo menos 15 minutos, e que, idealmente, ocorra em público. Durante o chilique, naturalmente ache que o seu parceiro deva ser gentil e simpático, mas, se ele ou ela mencionar a coisa mais tarde, insista que nunca fez tal coisa, e que ele ou ela deve ter entendido mal o que você estava tentando dizer. Mostre o quão ferido e magoado está por seu parceiro, de alguma forma, achar seu comportamento menos que perfeito. Outra maneira de fazer isso é dizer, inesperadamente: “Precisamos conversar”, e em seguida, bombardear seu parceiro com declarações de como você está desapontado com a relação. Certifique-se de iniciar o bombardeiro um minuto antes de seu parceiro sair para o trabalho ou alguma outra atividade importante, neste caso, continue por pelo menos 1h. Uma variação pode ser a de telefonar ou mandar mensagens ao parceiro/a no trabalho, expressando vividamente seus problemas e/ou desapontamentos. Faça o mesmo se o parceiro/a está com amigos.
EXERCIO: Anote 20 mensagens de texto, irritantes e inoportunas, a serem mandadas a seu parceiro. Mantenha uma lista de rancores e adicione coisas diariamente.

5-Atribua más intenções. Sempre que possível, atribua a seu parceiro/colegas/amigos as piores intenções possíveis. Pegue qualquer comentário inocente e transforme-o num insulto ou tentativa de humilhação. Por exemplo, se alguém lhe pergunta: “Você gostou do filme X?”, pense imediatamente que tal pessoa está tentando humilhá-lo, provando que você não entendeu citado filme, ou que está tentando dizer que você tem péssimo gosto em cinema. Basicamente, a ideia é sempre esperar o pior das pessoas. Se alguém está atrasado para o jantar, lembre, enquanto espera, de todas as outras vezes que essa pessoa esteve atrasada, o que obviamente prova que tal pessoa o despreza. Certifique-se de que, quando a pessoa chegar, você ou estará fervilhando de ódio ou tão desanimado que a noitada estará estragada. Se o inocente perguntar o que está acontecendo, não diga uma única palavra: deixe o desavisado sofrer.
EXERCÍCIO: Faça uma lista com o nome de 5 parentes ou amigos. Em frente ao nome de cada um, liste algo recente que fizeram ou disseram e que prova que eles só querem aumentar seu mal estar, não bastasse o que você já sente.

6-Seja lá o que fizer, faça-o somente para ganho pessoal. Às vezes você se sentirá tentado a ajudar alguém, contribuir para alguma caridade, ou participar em alguma atividade comunitária. Não faça isso, a não ser que possa ganhar algo, como por exemplo, a oportunidade de parecer bom, ou de conhecer alguém do qual possa emprestar dinheiro em algum momento. Nunca, mas nunca mesmo, caia na armadilha de fazer algo só porque quer ajudar algo ou alguém. Lembre-se que sua meta única é cuidar do Número 1, mesmo que você se odeie.
EXERCÍCIO: Pense em todas as pessoas que você ajudou no passado, situações nas quais a reciproca não foi verdadeira. Pense em como todos a seu redor estão tentando tirar algo de você. Agora, anote 3 coisas que pode fazer e que vai parecer que é altruísta, enquanto lhe tragam ganhos pessoais, sociais ou profissionais.

7-Evite gratidão a todo e qualquer custo. Recentes pesquisas tem demonstrado que pessoas que expressam gratidão são mais felizes que aquelas que não o fazem, então, não o faça. Contar suas bênçãos é coisa para idiotas. Que bênçãos? Vida é sofrimento, e daí, se morre. O que é que há para se sentir grato? Amigos e parentes bem intencionados vão tentar sabotar seus esforços para ser ingrato. Por exemplo, enquanto você está no meio de sua queixa a respeito de um projeto que procrastinou no trabalho, comendo um jantar bem pouco saudável, sua esposa lhe diz que deveria estar grato por ter trabalho e comida na mesa. Essas tentativas de encorajar gratidão e alegria são comuns e facilmente destroçáveis. Simplesmente demonstre que as coisas pelas quais teoricamente você deveria ser grato não são, sob nenhum aspecto, perfeitas, o que lhe dá a possibilidade de encontrar tantos defeitos nelas quanto queira.
EXERCÍCIO: Faça uma lista de todas as coisas pelas quais poderia ser grato. Na frente de cada uma, escreva porque não é. Imagine o pior. Quando pensar no futuro, imagine o pior cenário possível. É importante estar preparado e antecipar o sofrimento a respeito de qualquer possível desastre ou tragédia. Pense nas possibilidades: ataques terroristas, tragédias naturais, doenças fatais, acidentes horrendos, fome, peste, miséria, seu filho não ser escolhido como capitão do time de futebol do jardim de infância!

8-Sempre esteja alerta e em alto estado de ansiedade. Otimismo a respeito do futuro só leva a desapontamentos, por conseguinte há de fazer todo o possível para destruir seu casamento, fazer com que seus filhos o detestem, sua empresa falir, e que nada, nada, mas nada mesmo do que é seu funcione.
EXERCÍCIO: Faça uma pesquisa a respeito de que desastres, naturais ou não, podem acontecer onde vive, coisas assim tipo, tufões, alagamentos, explosão de usinas nucleares, surto de peste negra, etc... Concentre-se em cada um por pelo menos uma hora por dia.

9-Culpe seus pais por seus defeitos e fracassos. Este é um dos passos mais importantes do processo todo. Afinal, foram eles que o fizeram como você é hoje, sem qualquer responsabilidade de sua parte. Caso tenha algumas qualidades ou sucessos, não dê o crédito disso a seus pais. Deve ter sido algum engano. Estenda a culpa a outras pessoas de seu passado, por exemplo, a professora do pré-primário que se olvidou de lhe sorrir quando você sorriu para ela, e não permita que o fato de ter estado atrás dela mude qualquer coisa, ou o professor do colégio que se recusou a lhe dar a nota máxima numa prova, seu primeiro namorado, a besta de cidadezinha onde cresceu... enfim, as possibilidades são ilimitadas. Jogar censura no ventilador é essencial na arte de ser miserável.
EXERCÍCIO: Telefone para sua mãe ou pai e diga-lhes que acabou de lembrar-se de algo horrível que lhe fizeram na infância. Assegure-se que entendam o quão mal o fizeram se sentir e que continua sofrendo por causa disso.

10-Não curta nenhum dos prazeres da vida. Ter prazer com coisas como comida, bom vinho, música e beleza em geral, é para os fracos. Se, por acaso e inadvertidamente você se pega apreciando algum sabor, música ou arte, lembre-se de que estes prazerem são transitórios e que, de forma alguma podem compensar o miserável estado no qual o mundo se encontra. O mesmo se aplica à natureza. Caso, acidentalmente se pegue curtindo um por de sol, uma andada na praia ou num parque, pare imediatamente! Lembre que o mundo está cheio de pobreza, doenças e devastação. A beleza da natureza é uma tentativa de engano.
EXERCÍCIO: Uma vez por semana, faça algo que, supostamente é divertido, mas faça pensando que não faz nenhum sentido. Em outras palavras, concentre-se em remover qualquer sentido de prazer que a coisa possa ter.

11-Rumine. Passe um montão de tempo pensando em você mesmo. Preocupe-se constantemente a respeito das causas de seu comportamento, analise seus defeitos, e rumine seus problemas. Isso ajuda muito a ter uma visão pessimista da vida. Não se permita ser distraído por qualquer experiência ou influência positiva. A meta é fazer com que até mesmo pequenas dificuldades e contratempos se tornem imensas e prodigiosas. Pode também ruminar sobre os problemas dos outros, mas sempre fazendo-os seus. Por exemplo: seu filho está doente? Rumine a respeito da sua dificuldade em pedir licença do emprego para cuidar dele. Sua esposa se sente magoada pelo seu comportamento? Mostre a ela o quão mal se sente pela forma como ela o faz sentir. O ruminar sobre problemas, seus, dos outros, do mundo e do universo, faz com que pareça que você seja um pensador profundo, sensível, que carrega o peso do mundo em suas costas.
EXERCÍCIO: Sente-se em confortável poltrona, logo pela manhã. Busque sentimentos negativos, tipo raiva, depressão, ansiedade, tédio, sei lá, qualquer um. Concentre-se no escolhido do dia por 15 minutos e passe o resto do dia com o escolhido bem presente, não importa o que esteja fazendo.

12-Glorifique ou Vilipendie o passado. Glorificar é ficar se dizendo que coisa maravilhosa, feliz, sortuda, cheia de significados, e que valia a pena a vida quando se era jovem ou criança ou recém casado, e lamentar como tudo piorou, decaiu, ficou mais feio desde então. Quando você era jovem, por exemplo, era glamorosa e costumava sambar com um moreno charmosérrimo, à beira da praia ao por do sol. Agora, você está metida num casamento médio com um contador, morando numa cidade média, com gente média e vida média. Você deveria ter casado com o Antônio, o moreno alto do samba na praia. Você deveria ter investido seu dinheiro na Microsoft ou Google. Resumindo, focalize no que você poderia e deveria ter feito, ao invés de no que fez. Isso certamente o/a fará se sentir miserabilíssimo. Vilipendiar o passado também é mole. Você nasceu no lugar errado, na hora errada, nunca teve o que precisava, as pessoas o discriminaram, você nunca tirou férias na Ilha de Caras, nem tampouco no Mediterranée. Como é que poderia ser feliz com passado tão terrível? É importante pensar que as más lembranças, os erros graves e os eventos traumáticos foram muito mais influentes em sua formação e em seu futuro do que as boas lembranças, os sucessos e os acontecimentos felizes. Concentre-se em maus momentos. Fique obcecado por eles. Valorize-os. Isso garantirá que, não importa o que está acontecendo no presente, você não será feliz.
EXERCÍCIO: Faça uma lista de suas mais importantes memórias ruins, e a mantenha em algum lugar onde possa revisá-la frequentemente. Uma vez por semana, conte a alguém quão horrível foi sua infância ou o quão mais feliz você era há 10, 20 ou 30 anos atrás.

13-Procure, e encontre, um companheiro/a que precise ser melhorado, modificado, reformado. Assegure-se de se apaixonar por alguém que tenha um problema enorme (colecionador de gatos, com no mínimo 10, jogador, alcoólatra, mulherengo, sociopata, enfim...) e parta para a reforma, independentemente do fato da pessoa querer ou não ser reformada. Acredite piamente que pode fazê-lo, e ignore toda a evidência do contrário.
EXERCÍCIO: Entre na internet, nesses sites de namoro e veja quantas más escolhas consegue fazer numa única tarde. Esforce-se para conhecer estas pessoas, melhor ainda se o tal site cobrar um monte de dinheiro, porque isso significa que você, além de ficar emocionalmente carente, também vai ficar pobre.

14-Seja critico. Assegure-se de ter interminável lista de coisas que detesta e espalhe aos quatro ventos, quer sua opinião seja solicitada, ou não. Por exemplo, nunca titubeie ou se reprima de dizer: “Foi isso que você escolheu para vestir hoje?”ou “Por que sua voz é tão aguda?”Se alguém está comendo um ovo, informe a tal criatura que você detesta ovos. Resumindo, sua negatividade pode ser aplicada e é aplicável a qualquer coisa. Ajuda muito se as coisas que você critica são amadas pela maioria das pessoas. Detestar tráfego e mosquitos não é suficientemente criativo, pois quase todo mundo também detesta. Mas, detestar o novo filme do qual todos seus amigos estão falando maravilhas? Isso é criativo, e lhe dá amplas oportunidades de contra atacar qualquer coisa que os outros achem boa/gostosa/interessante...
EXERCÍCIO: Faça uma lista com 20 coisas que você não gosta, e veja quantas vezes pode inserir a supracitada em qualquer conversa ao longo do dia. Para melhores resultados, deteste tudo aquilo que você jamais se deu a chance de vir a gostar.

Pronto. Fiz uma lista de 14 maneiras de se tornar infeliz e miserável. Você não precisa ser especialista em cada uma, mas mesmo se tiver sucesso com apenas quatro ou cinco, certifique-se de se repreender regularmente por não ser perfeito em todas elas. No caso de, algum dia se achar no consultório de um terapeuta, onde você foi parar porque algum mal intencionado que continua se agarrando ao amor que sente por você, e através de incríveis truques o levou até lá, certifique-se que sua miséria pareça ser de causa orgânica. Se o terapeuta o esclarece de qualquer forma, ou lhe ensinar técnicas para acalmar sua mente ansiosa, certifique-se de cooptar a conversa e falar sobre seus sonhos cheios de miséria da noite anterior. Se o terapeuta é hábil em análise de sonhos, rapidamente comece a reclamar do custo da própria terapia. Se o terapeuta usa suas queixas como plataforma de lançamento para discutir as questões de transferência, acuse-o/a de ter problemas de contra-transferência. A fim e a cabo, o terapeuta é seu inimigo quando você está tentando cultivar a miséria em sua vida. Assim, caia fora o mais breve possível. E se lhe acontecer de encontrar um que senta quieto enquanto você desfia os 14 itens desta lista toda a semana, me chama. Também quero marcar uma consulta.

1-Ebenezer Scrooge é o principal carácter do livro “Um conto de Natal”, de Charles Dickens .É um sujeito avarento, ganancioso e que despreza tudo o que dá felicidade às pessoas.

A autora do artigo, Cloe Madanes, é professora de terapia breve e terapia familiar. Tem 7 livros publicados, e que são clássicos na área: .Strategic Family Therapy; Behind the One-Way Mirror; Sex, Love, and Violence; The Secret Meaning of Money; The Violence of Men; The Therapist as Humanist, Social Activist, and Systemic Thinker; and Relationship Breakthrough.
Pode ser contatada em: madanesinstitute@gmail.com.
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terça-feira, 12 de novembro de 2013

A MÁSCARA DA SANIDADE

"Os psicopatas estão sempre ao nosso redor. Em tempos de calmaria, os estudamos, mas em tempos de turbulência, eles nos governam". Ernst Kretschmer (Psiquiatra alemão que pesquisou a constituição anatomica e criou a tipologia humana)

Tudo começou em conversa via Skype, a respeito de uma série televisiva chamada “Scandal”, o que me levou a considerar que os shows de TV que mais sucesso fizeram em memória recente eram e são aqueles nos quais os psicopatas reinam soberanos, citando “Dexter”, Breaking Bad”e meu preferido, “Damages”, se não tanto pelas histórias, mas pela Glenn Close, que interpreta como ninguém psicopatas femininas - lembrem-se de “Instinto Fatal” - e pela chamada do programa que aqui reproduzo: ... “morally challenged lawyer...”, que, ao pé da letra, se traduz por “advogada moralmente desafiada”, ou advogada sem moral na linguagem não politicamente correta, assim como psicopata era o “idiota moral” no século XIX.

Infelizmente, para a maioria das pessoas, a palavra psicopatia/psicopata é igual a “serial killer” e/ou “psicótico”, o último não sendo a mesma coisa, muito antes pelo contrário, nada mais diferente.
Psicóticos são aqueles que apresentam distúrbios do pensamento (delírios) e/ou distúrbios dos sentidos (alucinações).
Psicopatas são os que absolutamente NÃO apresentam qualquer destes distúrbios. O que eles têm é o mais profundo desrespeito pelo resto, incluindo humanos e qualquer propriedade/ ideia/talento/ meta/desejo/emoções/competência etc... que não os próprios.

A mais perfeita obra a esse respeito é o livro “The Mask of Sanity”- A Máscara da Sanidade, de Hervey Cleckley, cujo PDF pode ser gratuitamente baixado aqui:CLIQUE AQUI

Infelizmente, procurei o correspondente em português, mas não achei. De qualquer forma, sei que há uma tradução do livro para a língua de Camões, pois me lembro de ter lido há muito tempo.

Pois bem, pensava eu, por que essa fascinação toda do mundo para com os psicopatas?
Tempos atrás, num outro post, creio que neste meu mesmo blog Curare, durante a pesquisa que fiz, descobri que o Charles Mason, aquele mesmo que matou a Sharon Tate, é a criatura que mais recebeu e continua recebendo cartas na prisão, de fãs incondicionais, incluindo pedidos de casamento. E assim, aqui estava escrevendo este post (sim, sou tão antiga que ando com caderninho e caneta bic, escrevendo as ideias conforme aparecem, pois as mesmas têm também a terrível mania de sumirem da minha cabeça ainda mais depressa do que surgem), assistindo a CNN para me colocar a par dos acontecimentos deste mundão de meu Deus, quando escuto a incrível notícia de que a FDA, a agência americana que regula comida e medicamentos, finalmente vai proibir o uso de gorduras trans nos citados alimentos. Descobriram (me perdoem se rio sorrisinho cínico, bem do estilo que Curzio Malaparte descreveu como deveria ter sido o sorriso de um toscano, caso houvesse algum lá na praça onde Mussolini declarou a entrada da Itália na segunda guerra, sorriso esse que, se houvesse acontecido, segundo o citado autor, teria evitado tão horrendo acontecimento), que os tais trans são responsáveis pela morte de cerca 7000 pessoas por ano, e 20.000 ataques cardíacos sem morte no mesmo período, o que causa uma perda de cerca 444 bilhões de dólares (dados do CDC) entre custos de tratamentos, hospitalizações, medicamentos e custos indiretos, que são perda de produtividade e perda de salários.

O sorriso se deve ao fato de que, desde a década de 70, a indústria alimentícia não tem poupado esforços para injetar os tais trans em tudo, coisa que também descobri escrevendo meu livreto “COMO LIDAR COM UM DIABÉTICO TEIMOSO: Perigos, Subterfúgios e Mazelas de Uma Cuidadora”, no qual relato meus espantos, descobertas, truques e outras cositas mais, aprendidas no ter que cuidar de um diabético rebelde e cabeçudo, a saber, meu marido.

E foi aí que a claridade bateu de frente!Dinheiro e poder. Sem tirar nem por. Só isso. Lembre-se que psicopata, em geral, caracteriza-se por emoções superficiais (principalmente falta de medo), alta tolerância ao stress, falta de empatia, frieza, falta de remorso, egocentrismo, superficialidade, manipulação nos relacionamentos, irresponsabilidade, impulsividade, comportamentos antissociais, tipo estilo de vida parasitário, e criminalidade.

Senão, vejamos a lista das profissões que mais atraem psicopatas e que menos atraem, compilada pelo psicólogo Kevin Dutton em seu livro “The Wisdom of Psychopaths: What Saints, Spies, and Serial Killers Can Teach Us About Success”, ou numa tradução livre de minha parte, “A sabedoria dos psicopatas: O que os Santos, Espiões e Assassinos em Série podem nos ensinar sobre sucesso”.

MAIOR PROBABILIDADE DE SER PSICOPATA – em ordem decrescente

Presidente ou Diretor Executivo de Empresa
Advogado
Celebridade de Rádio ou TV
Vendedor
Cirurgião
Jornalista
Policial
Clérigo
Cozinheiro Chefe (Chef)
Servidor Público

MENOR PROBABILIDADE DE SER PSICOPATA – Sem qualquer ordem

Assistente/Ajudante de Enfermagem
Enfermeiro
Terapeuta
Artesão
Esteticista/Estilista
Os que trabalham para caridade
Professor
Artista
Médico
Contador

Se notar, essas profissões que menos atraem psicopatas são também as que requerem empatia, capacidade de enxergar através dos olhos de outros e sentir o que estão sentindo. Também não dão muito poder e/ou dinheiro.

Assim, obviamente, numa sociedade na qual conhecemos o preço de tudo e o valor de nada, e o tal “sucesso” é visto como meta básica de vida, não é espantoso (a não ser pra mim, que adoro me espantar com quase tudo) que as características psicopáticas estejam em alta, e lembro perfeitamente do primeiro filme que deixou isso claríssimo, “Wall Street”, de 1987, do Oliver Stone (quem mais né?), com o Michael Douglas. Esse pedaço de conversa do filme descreve
perfeitamente: “O 1% mais rico do país é dono de metade da riqueza do nosso país, cinco trilhões de dólares. 1/3 disso, provém de trabalho duro, 2/3 de heranças e de juros sobre juros acumulados de viúvas e filhos idiotas, e daquilo que eu faço, de ações e especulação imobiliária. É pura merda. Você tem noventa por cento do público americano lá fora, com pouco ou nenhum patrimônio líquido. Eu não crio nada. Eu possuo. Nós fazemos as regras, colega. As notícias, guerra, paz, fome, as revoltas e revoluções , o preço do grampo de papel. Nós tiramos o coelho da cartola enquanto todo mundo fica espantado imaginando como foi que fizemos isso. Você não é tão inocente a ponto de pensar que vivemos numa democracia, né amigo? É o mercado livre. E você é parte disso. Você tem aquele instinto assassino. Fique por perto, amigo. Ainda tenho um punhado de coisas para lhe ensinar”.

E essa, minha gente, é a real mascara da sanidade. A assustadora, a que está em todo lugar. Pior ainda, vai contra tudo que a evolução nos ensinou, que fez com que a raça humana sobrevivesse: colaboração.
E então temos a epidemia de obesidade de um lado e gente morrendo de fome de outro; temos menos de 1% da população mundial possuindo tudo o que 99% carecem; florestas são destruídas porque madeira vende bem; temos pelo menos um serial killer por mês aqui nos USA, e temos morte em série em favelas e nas ruas todos os dias no Brasil.

Mas enquanto conseguirmos maquiar a realidade e vender as ilusões, tá tudo bem, né? Afinal de contas, se não houvesse a meta inalcançável de juventude eterna e felicidade sem esforço, já imaginou quantas empresas não teriam o que fazer? Cirurgia plástica seria para o que ela foi inventada, isto é, minimizar problemas sérios de desfiguração, tipo lábio leporino; comida seria para vivermos e celebrarmos datas, não para nos estufarmos e perdermos o sentido do gosto, e assim por diante.

Não liguem. Estou naquela fase de saudades de meus avôs, um anárquico e um não, mas ambos com aquelas ideias vitorianas de contenção e vida a ser vivida, do tamanho que deveria ser. Passa logo, e continuo acreditando que sucesso é aquilo que é sempre atribuído ao Emerson, mas não é dele, e pelo visto, ninguém sabe de quem é, o que, na realidade, não tem a menor importância:

“Rir bastante e amar muito; conseguir o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; ganhar a aprovação dos cidadãos honestos e suportar a traição de falsos amigos; apreciar o belo; encontrar o melhor nos outros; dar de si; deixar o mundo um pouquinho melhor por ter tido um filho saudável, ter plantado um jardim ou redimido uma condição social; ter brincado e rido com entusiasmo e cantado com exultação; saber que pelo menos uma vida respirou mais facilmente porque se viveu.”

A gente chega lá, tenho fé. Enquanto isso, vou assistir a menos e menos filmes e séries psicopatas. Meu antídoto, no momento, é “Modern Family”.