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terça-feira, 19 de março de 2013

RESUMO DA INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA POSITIVA E SUAS POSSIBILIDADES



O blog dessa semana é um pedaço bem pequeno da apostila do curso "Introdução à Psicologia Positiva e suas possibilidades". Estou fazendo isto por duas razões principais:
1 - Esclarecimento, pois ainda há muita gente pensando que é uma coisa de autoajuda dos anos 80/90, tipo faça isso e serás feliz, lindo e loiro, coisa com a qual já fiquei irritada, agora só me dá um pouquinho de trabalho o explicar.
2 - Estou em ritmo de tomar todas as providências para Bella ficar arrumada; marido viajando com toda a logística acertada; e casa; e contas em ordem pelo tempo fora; além do ter acabado de lembrar que no Brasil ainda é comecinho de outono e quente, e obviamente não tenho guarda roupa adequado, o que é necessário providenciar. Resumindo o palavrório à sua simples verdade, estou toda atrapalhada, e fazendo assim, mato dois coelhos com uma cajadada só.
Psicologia positiva é psicologia, psicologia é ciência, e ciência requer a verificação de teorias através de evidências. Não vamos confundir Psicologia Positiva com autoajuda, afirmações sem base científica, religião ou uma versão reciclada do poder do pensamento positivo.
Psicologia Positiva é o estudo científico do que faz a vida valer a pena. É um chamado para a ciência e prática da psicologia, de se preocupar com as forças e não somente com as fraquezas, desenvolver interesses em como construir as melhores coisas da vida e não só no conserto do que está estragado, isto é, pensar em desenvolvimento e não apenas em cura. 
Truísmos que sustentam a psicologia positiva:
  1. O que é bom na vida é tão genuíno quanto o que é ruim, não é derivado nem secundário, nem é o contrário ou um epifenômeno, ou suspeito ou ilusório.
  2. O que é bom na vida não é simplesmente ausência do que é problemático. Nós todos sabemos a diferença entre não estar deprimido e o pular da cama de manhã cheio de entusiasmo pelo dia à frente.
  3. A boa vida requer sua própria explicação, e não simplesmente uma teoria do distúrbio de ponta cabeça.

Assim,
Psicologia Positiva é o estudo científico das forças e virtudes que permitem aos indivíduos e comunidades a possibilidade de prosperar.

Seus interesses básicos são:
  • Características individuais positivas: Compreender as características individuais positivas consiste no estudo dos pontos fortes e virtudes, tais como a capacidade de amar e de trabalho, coragem, compaixão, resiliência, criatividade, curiosidade, integridade, autoconhecimento, moderação, autocontrole e sabedoria.
  • Emoções Positivas: Compreender as emoções positivas implica no estudo do contentamento com o passado, felicidade no presente e esperança para o futuro.
  • Instituições Positivas: Compreender instituições positivas implica no estudo das forças que promovem comunidades melhores, mais justas e responsáveis, mais cíveis com melhores técnicas de parentalização, nutrição, ética de trabalho, liderança, trabalho em equipe, propósito e tolerância.
Sua meta é: Desenvolver um campo científico que promova:
  1. Famílias e escolas que permitem que as crianças cresçam e prosperem.
  2. Locais de trabalho que promovam satisfação e alta produtividade.
  3. Comunidades que incentivem o engajamento cívico.
  4. Terapeutas que identifiquem e cuidem dos pontos fortes de seus pacientes.
  5. O ensino da Psicologia Positiva.
  6. Divulgação das intervenções da Psicologia Positiva nas organizações e comunidades.
Ou, como sumarizado, em 1998, por seus criadores,Martin Seligman e Mihaly Csikszentmihalyi ( e não há maneiras de conseguir pronunciar esse nome):
"Acreditamos que surgirá uma psicologia do funcionamento humano positivo, que atingirá uma compreensão científica e desenvolverá intervenções eficazes para construir pessoas, famílias e comunidades, prósperas e felizes. Queremos encontrar e cultivar o gênio e o talento de modo a tornar a vida normal mais gratificante, em vez de apenas tratar doenças mentais".
É importante considerar que a Psicologia Positiva complementa, sem intenção de substituir ou ignorar, as áreas tradicionais da Psicologia/Psiquiatria. Por enfatizar o método científico para estudar e determinar o desenvolvimento humano positivo, encaixa-se perfeitamente na investigação de como e porque há falhas no desenvolvimento. Não custa nada lembrar aqui que a grande maioria dos distúrbios mentais, com algumas raras e honrosas exceções, tipo Transtorno do Stress Pós Traumático - TEPT, provem de alguma falha em algum ponto do desenvolvimento, sendo mais severo quanto mais cedo essa falha ocorrer (Vide Etapas do Desenvolvimento segundo Erickson- Glossário).
Também chama atenção para a possibilidade de que a concentração apenas nos distúrbios pode resultar numa compreensão parcial e limitada da condição humana.
A Psicologia Positiva tomou alento em 1998, quando Martin Seligman, considerado o pai do movimento,  o escolheu como tema para o seu mandato como presidente da Associação Americana de Psicologia.

Na realidade, o têrmo "Psicologia Positiva", tem sua origem no livro de Maslow "Motivation e Personality" (Motivação e Personalidade - 1959) e vários psicólogos humanistas, tais como Carl Rogers e Erich Fromm (e o própio Abraham Maslow), desenvolveram teorias e práticas referentes a felicidade e prosperidade humanas.
II - Pontos básicos
1 - A maioria das pessoas é feliz e não sabe.
2 - Pessoas felizes têm melhores resultados na escola, trabalho, relacionamentos e provavelmente até vida mais longa. 
3 - A maioria das pessoas é mais resistente do que imagina.
4 - Felicidade, forças do caráter e boas relações sociais são amortecedores contra os efeitos danosos de decepções e retrocessos.
5 - Crises revelam o caráter.
6 - As pessoas em nossa vida são extremamente importantes, se queremos entender o que faz a vida digna de ser vivida. 
7 - Espiritualidade, Religião e Crenças são muito importantes.
8 - Trabalho é muito importante quando envolve o trabalhador e provê significado e propósito.
9 - Dinheiro não contribui para a felicidade, a não ser quando é gasto com e para outros.
10 - Eudaimonia é melhor que Hedonismo.
11 - Cuidar é melhor do que criticar.
12 - Dias bons são quando nos sentimos autônomos, competentes e conectados.
13 - Felicidade pode ser ensinada.

Não sabemos que somos felizes porque temos a fantasia de que felicidade é algo a ser conquistado, algo ligado à presença ou ausência de bens materiais ou pessoas, ao lugar que ocupamos socialmente, como os outros nos vêm.
Todo o campo da psicologia cognitiva nos ensina que somos o que fazemos repetidamente e o fazemos repetidamente porque acreditamos que é assim que tem que ser, quer por aprendizado desde a infância, quer pelas conclusões que tiramos dos fatos, quer por um pouquinho de azar/sorte genético, provavelmente pela soma de todas as anteriores.
As neurociências nos mostram que nosso humor, embora tenha influências genéticas, estas são muito menos importantes do que estilo de vida e ambiente onde crescemos e vivemos. Até mesmo doenças psiquiatricas extremamente sérias, como esquizofrenia e distúrbio bipolar, podem jamais vir a se manifestar dependendo das circunstâncias de vida dos indivíduos. Além disso, nos mostram que a maioria das coisas nas quais acreditamos, incluindo nossa memória, não são absolutamente dignas do tamanho da confiança que nelas depositamos. Costumeiramente pensamos em nossas memórias como fatos, como se aquilo realmente tivesse acontecido, e quem tem irmãos mais velhos ou mais novos, sabe perfeitamente como é a sensação de lembrar algo claramente, e o irmão contar uma história totalmente diferente daquela que você tão claramente se recorda.
Meu irmão e eu estávamos viajando numa estrada, e um acidente aconteceu bem à nossa frente. Quando a polícia chegou, irmão descreveu os carros, marca, (só não descreveu a cor porque é daltônico), direção em que estavam viajando, qual carro fez o que. Eu não fazia idéia sequer da cor dos mesmos, mas sabia perfeitamente quantas pessoas havia no carro à minha esquerda e no à minha direita, que lesões haviam sofrido e a urgência de cada caso. Meu irmão, embora tivesse tirado as pessoas dos carros junto comigo, absolutamente não se lembrava de gente, nem descreveu coisa alguma nessa área. Eu sou médica, ele é engenheiro e administrador, e desde criança tende a desmaiar se alguém chegar perto e gritar "sangue". De meu lado, sou a ovelha negra de familia italiana, que acho que o melhor carro é o que me leva seguramente de um lugar a outro, com a menor quantidade de problemas possiveis, e as únicas marcas que reconheço com certeza são Ferrari e Jaguar, porque gosto das linhas, o resto divide-se em grande, médio, pequeno, e sim, as caminhonetes.
É por esta razão que policiais e advogados odeiam de coração "testemunhas oculares", porque dizem que, se um crime acontece e 5 pessoas o vêm, cerca de 10 crimes serão reportados.
Na realidade, prestamos atenção no que já sabemos, e só lembramos daquilo no que prestamos atenção. Pior, as conclusões e, por conseguinte os aprendizados que temos ou não, dependem de nossas memórias e nossas crenças em cimas das já citadas memórias.
Vamos a um exemplo de psicologia cognitiva, que é o ramo da psicologia que estuda os processos mentais, incluindo como as pessoas pensam, percebem, lembram e aprendem, desta forma estando íntimamente relacionada com outras disciplinas, incluindo as neurociências, filosofia e lingüística.
A terapia cognitiva assume que a maior parte de nossas emoções e comportamentos é o resultado do que pensamos ou acreditamos a respeito de nós mesmos, dos outros e do mundo em geral. Essas cognições moldam a forma como interpretamos e avaliamos o que nos acontece, influenciam como nos sentimos a respeito do acontecido e nos dão uma "cartilha" de como deveríamos reagir aos acontecimentos. Infelizmente, algumas ou a maioria de nossas interpretações, avaliações e crenças estão distorcidas, erradas ou são puros preconceitos, o que resulta em sofrimento desnecessário. Assim, os pensamentos precedem nossos estados de humor e as "falsas crenças" desencadeiam emoções negativas.
Imagine a seguinte situação: Você foi a uma festa e foi apresentada ao João (se for menino, a Maria, tanto faz). Durante a breve conversa, ele/ela nunca olha para você, mas olha para cima de seu ombro, além de você, para qualquer lugar da sala, menos para você.
Como se sente?
O que pensa a respeito?
A - "Gente que falta de educação! Que grosso me ignorando desse jeito! Quem ele/ela pensa que é?”
Consequência: Ambos se sentem incomodados, conversa termina, ambos se evitam para todo o sempre.
B - "Ele/a acha que sou uma chata. Alias chateio todo mundo!"
Consequência: Vergonha, depressão, tristeza e provavelmente vai evitar outras festas.
C- "Acho que ele/ela é tímido, provavelmente está todo sem graça por falar comigo"
Consequência: Sente-se empática com a situação e muda a conversa para coisas tipo, de onde você conhece a Mariazinha (a dona da festa).
 A meta deste tipo de terapia é ajudar o paciente a reconhecer e modificar seus padrões de pensamentos negativos e substituí-los por pensamentos positivos que reflitam a realidade. 

SURPRESA!

Não estou em absoluto dizendo que todas as emoções negativas e dolorosas são ruins e que devemos "pensar positivo" o tempo todo.

Emoções como o medo, a raiva e a tristeza podem ser muito apropriadas e úteis.

O medo pode dizer que há perigo, fazendo com que nos protejamos.
A raiva pode informar-nos de que os nossos direitos estão sendo violados, e precisamos tomar medidas a respeito.
Tristeza pode ser o resultado da perda de algo ou alguém importante para nós, indicando que é preciso tempo para lamentar (é o significado do luto).

O que importa não é se a emoção é positiva ou negativa, mas se é adaptativa ou mal adaptativa.

Emoções negativas e dolorosas podem ser perfeitamente adaptativas quando baseadas em pensamento acurado e acontecimento de acordo, guiando-nos para uma resposta apropriada.

Emoções mal adaptativas são sequenciais a pensamento distorcido e causam sofrimento desnecessário e respostas inapropriadas. 

Uma das maneiras de definir saúde mental é pelo quanto alguém pode reconhecer a diferença entre emoções adaptativas e mal adaptativas. 

E assim, aqui vai o comecinho do curso em Salvador, esperando que o gostinho seja de "quero mais", gostinho de vida e possibilidades.

Vejo vocês lá.
Ciao e até breve
Patrizia

sexta-feira, 15 de março de 2013

OS BENEFÍCIOS DO OTIMISMO SÃO REAIS

Traduzi uma mèlange de artigos, cujos originais se encontram no final. Minhas opiniões e ideias vão entre parênteses, a não ser a última linha, que encerra a obra. Deu trabalho, mas também muita diversão e boas memórias, além de uma vontade de gritar, ao invés de "Habemus papa", que sempre me recorda aquela propaganda antiga "Habemus chester", "Habemus possibilidades", e essa é uma das grandes maravilhas da vida.

Uma das cenas mais memoráveis do filme "Silver Linings Playbook" – O Lado Bom da Vida, no Brasil (a tradução de filmes, principalmente os títulos continua um mistério para mim) - gira em torno do livro "Adeus às Armas", do Ernest Hemingway, livro este que não tem um final feliz, de jeito nenhum.

Patrizio Solitano Jr. (Bradley Cooper) volta para casa depois de oito meses no hospital psiquiátrico, onde esteve em tratamento para transtorno bipolar, devido a quase ter matado de pancada o amante de sua esposa. Vive com seus pais, pois perdeu esposa, trabalho e casa. Mesmo assim, tenta juntar os pedaços de sua vida: exercita-se, mantém um estilo de vida otimista, e tenta melhorar sua mente, lendo os romances que sua ex-esposa Nikki, uma professora de Inglês, atribui a seus alunos. Meu xará assume um lema pessoal: excelsior, palavra em latim que significa mais ou menos "sempre para cima". Diz a seu terapeuta: “Detesto minha doença e quero controlá-la. Acredito no seguinte: Tenho que fazer tudo o que for possível para permanecer positivo e poder ter a chance de uma vida melhor". É por isso que o romance de Hemingway é tão chocante para ele. Quando chega às paginas finais e descobre o fim triste e mórbido, fecha o danado e o joga numa janela na casa de seus pais, continuando em correria para o quarto dos mesmos dizendo: "Todo esse tempo que se fica torcendo para esse cara, esse Hemingway, para que sobreviva à guerra, depois de ser ferido, e ele sobrevive e foge para a Suíça com a Catherine, e você pensa que termina aí? Não! Ela morre, pai! Gente, o mundo já é tão duro. Será que alguém poderia dizer, ‘Hey, vamos ser positivos’? ‘Vamos dar um fim feliz à história’?"

Outro filme nomeado para o Oscar, “A Vida de Pi”, emprega dispositivo semelhante. Pi encontra-se num bote salva-vidas com um feroz tigre de Bengala, depois do naufrágio que mata toda a sua família. Perdido no oceano pacífico por 227 dias, faminto, desesperado e forçado a um jogo de sobrevivência com o tigre, Pi vai em frente, mesmo tendo, tal qual Patrizio, perdido absolutamente tudo, dizendo: "Devem pensar que perdi toda a esperança nesse ponto. E perdi mesmo. Como resultado, animei-me e me senti muito melhor".
A resiliência de Pi é incrível quando se percebe o que acontece a bordo do bote salva-vidas e como ele lida com a tragédia. A história é muito mais que um garoto e um tigre. Embora o que tenha acontecido seja terrível, Pi decide contar a história de outro jeito. Suas comparações com o que realmente aconteceu são bonitas e não sombrias, transcendentes e não niilistas.
E pergunta no final: "Qual a história que você prefere?".

E essa pergunta é importantíssima quando se procura descobrir o que e quem sobrevive, e se desenvolve após um trauma e quem vai ser destruído, pergunta essa com a qual cinema, livros, peças de teatro, psicólogos e psiquiatras têm se debatido por anos.
Pense na última vez que sofreu uma perda, um revés, ou dificuldades grandes. Reagiu extravasando, ruminando e remoendo a decepção, ou olhou para um sinal de significado através de toda a escuridão?
A rapidez com que se recuperou - quão resiliente é você?

Richard Brody, o crítico do "The New Yorker's", criticou “O Lado Bom da Vida” por seu sentimentalismo e visão da doença mental baseada em fé e redenção emocional. A. O. Scott, do New York Times, fez o mesmo com “A vida de Pi”, dizendo: "O romancista e Pi estão ansiosos para reprimir as implicações mais escuras da história, como se a presença de crueldade e morte sem sentido sejam demasiado para poderem ser lidadas... Insistir na benevolência do universo da maneira que Pi faz, é mais o resultado de ilusão ou engano do que de devoção sincera."

Mas as criticas passam longe dos significados, primeiro porque não entendem porque esses dois filmes estranhos e idiossincráticos, ambos baseados em livros, ressoaram em tantos milhões de pessoas. Seus temas de resiliência falam direto a todos nós, e por uma boa razão. O aspecto chave de cada filme é baseado num crescente corpo de pesquisa científica, que Brody e Scott ignoraram, isto é, que emoções positivas podem desfazer os efeitos desastrosos de uma experiência negativamente estressante.

Longe de ser delirante ou baseada na fé, ter uma perspectiva positiva em circunstâncias difíceis é, não só um importante preditor de resiliência, mas seu mais importante indicador.

Pessoas resilientes tendem a ser mais positivas e otimistas, pois conseguem regular suas emoções de forma eficaz e, por conseguinte, manter o otimismo através das piores circunstâncias. (Isso me lembra minha tia avó, um de meus modelos de vida, a qual, após ter caído do telhado com 80 anos, onde tinha subido para arrumar a antena da TV, que não a deixava assistir sua novelinha preferida, e ter tomado 17 pontos no cocoruto, passou a usar o acontecido para esfregar na cara de quem tivesse a audácia de dizer-lhe que ela precisava tomar tento devido à idade, que o fato só provava o tamanho da saúde que ela tinha a sorte de possuir, idade ou não. Isso depois de sobreviver a 3 cânceres).

E foi exatamente o que o Dr. Dennis Charney, diretor da Faculdade de Medicina do Mount Sinai encontrou quando examinou cerca de 750 veteranos da guerra do Vietnam, que tinham sido mantidos como prisioneiros por períodos entre 6 a 8 anos. Embora tivessem sido torturados e colocados em confinamento solitário, esses 750 homens eram impressionantemente resilientes. Ao contrário de muitos outros veteranos, não tiveram Depressão ou Transtorno do Stress Pós Traumático depois que foram liberados, embora tivessem passado por estresse extremo. Qual era seu segredo? Depois de entrevistas e testes extensivos, o Dr. Charney concluiu que a coisa mais importante era o otimismo, seguido por altruísmo, bom humor e o ter um sentido na vida, isto é, ter algo pelo qual viver.

Por muitos anos, os psicólogos acharam que as pessoas tinham que expressar sua raiva e ansiedade, o famoso "botar para fora", para poder ser feliz. E agora, descobre-se que isso está simplesmente errado. (E essa é mais uma das coisas que adoro nas neurociências: se nada, aprendi sobre a temporariedade de nossas certezas). Por exemplo, quando pesquisadores pediram a pessoas leve ou moderadamente deprimidas para que pensassem sobre sua depressão por oito minutos, descobriram que isso os tornava muito mais deprimidos e assim ficavam por período bem mais longo do que aqueles que simplesmente se distraiam pensando ou fazendo outras coisas.

O sofrimento sem sentido - aquele que não tem uma fresta de esperança - causa mais depressão. (Forma um círculo sem fim, como uma cobra comendo o próprio rabo).

Outro estudo do mesmo autor, descobriu que o enfrentar a adversidade por ventilação, tipo bater num saco de pancadas ou ser vingativo contra alguém que nos enraivece, na verdade nos faz sentir muito pior, e não melhor, como se pensava antes. Pior, descobriram ainda que o não fazer nada na hora da raiva é mais eficaz do que expressá-la de forma destrutiva.

Agora, a melhor coisa é canalizar a depressão, raiva, seja lá qual for o sentimento negativo, para uma meta positiva, como Pat e Pi fizeram (na opinião da alegreta aqui, deve ter sido também pela letra P de seus nomes).

James Pennebaker, psicólogo e pesquisador da Universidade do Texas, em Austin, descobriu que pessoas que encontram sentido na adversidade são mais saudáveis a longo prazo do que aquelas que não o fazem, através de uma pesquisa na qual pediu às pessoas para escrever, durante 15 minutos por dia, 4 dias seguidos, a respeito de sua pior e mais traumática experiência de vida.
Ao analisar os escritos, percebeu que as pessoas que mais se beneficiaram foram aquelas que tentaram achar algum significado no trauma. Elas investigaram causas e consequências da adversidade e, como resultado, tornaram-se mais sábias e menos amargas a respeito da coisa. Um ano depois, suas fichas médicas demonstraram que os "criadores de sentido" foram muito menos vezes ao hospital ou ao médico do que o grupo de controle, aqueles que escreveram sobre acontecimentos não traumáticos. Por outro lado, os que usaram o exercício para "botar para fora" sua raiva e amargura, não tiveram qualquer resultado benéfico em termos de saúde. Mais interessante ainda foi a descoberta de que para as pessoas (outro grupo) às quais foi pedido que exprimissem seus sentimentos através de música ou dança, também não mostraram nenhum benefício em termos de saúde.

Havia, obviamente, algo único e especial a respeito das histórias que as pessoas contam a si mesmas, essas histórias que ajudam seus contadores a encontrar uma saída ou salvação nas adversidades. (Tenho uma relação muito próxima com histórias, posto que cresci numa família de "historiadores orais" como os chamo, desde meu avô materno, que se sentava comigo na varanda me mostrando as constelações no céu, aproveitando para contar o pedaço de mitologia grega ligado à citada constelação, o que provavelmente criou minha imortal paixão pela mitologia, tendo levado um tempão até eu descobrir que não havia qualquer possibilidade de ter visto todas aquelas constelações no céu do Brasil, até as histórias de guerra de meu pai, que roubava sal dos alemães para levar de presente à mãe de sua namorada, e durante todo o período que vovó esteve viva, foi a mais bonita relação sogra-genro que vi na vida).

Barbara Fredrickson, psicóloga e pesquisadora da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, estudou a relação entre o ser positivo e resiliência. Para começo de conversa, o ter um humor positivo faz com que as pessoas sejam mais resistentes fisicamente. Num dos estudos, as pessoas foram ligadas a um aparelho para medir sua atividade cardíaca, e assim que a atividade cardíaca de base havia sido registrada, lhes foi dada uma tarefa estressante: a de fazer um pequeno discurso sobre o porquê eles eram bons amigos. Foram informados que o discurso seria gravado e avaliado.

A frequência cardíaca aumentou rapidinho, as artérias se contraíram e a pressão subiu.

Daí foi mostrado aos participantes um vídeo que, ou evocava emoções negativas (tipo tristeza), ou positivas (tipo alegria), ou neutras. Também foram informados de que, se "por acaso" lhe fosse mostrado um vídeo, não teriam que fazer o discurso. Esperava-se que, na medida em que o vídeo começasse, a ansiedade teria que diminuir.

E lá vem a coisa interessante: a frequência cardíaca dos que assistiram os vídeos positivos voltou ao normal muito mais rapidamente do que a daqueles aos quais foram mostrados vídeos negativos ou neutros.

Assim, os pesquisadores concluíram que emoções positivas desfazem os efeitos de uma experiência negativa e estressante.
Um dos maiores achados dos estudos de Fredrickson foi que os resilientes tiveram uma atitude diferente frente à possibilidade de fazer o discurso, isto é, encararam a tarefa como um desafio e uma oportunidade de crescimento, ao invés de uma ameaça. Em outras palavras, eles encontraram a "silver lining" (janela de oportunidade).

Com todo o acima em mente, os pesquisadores começaram a pensar se seria possível infundir alguma positividade em pessoas não resilientes, para torná-las mais resilientes. Eles prepararam ambos os tipos de pessoas para abordar a tarefa positiva ou negativamente, dizendo a alguns que era um desafio e a outros que era uma ameaça, e aqui vão os interessantíssimos resultados: os resilientes que foram informados que a tarefa era um desafio, se saíram muito bem, como previsto, mas os resilientes aos quais foi dito que era uma ameaça, também se saíram muito bem. Conclusão: pessoas resilientes, não importa se o problema for uma ameaça ou um desafio, têm exatamente a mesma taxa de recuperação cardiovascular.

Já para os não resilientes, aos quais foi dito que a tarefa era um desafio e uma oportunidade, tiveram suas taxas de recuperação muito semelhantes aos resilientes.Para os não resilientes aos quais foi dito que era uma ameaça, a taxa de recuperação foi extremamente lenta.

Pessoas resilientes se recuperam depressa, porque são emocionalmente complexas.

Em todos os estudos de Fredrickson, as pessoas resilientes experimentaram os mesmos níveis de frustração e ansiedade dos outros participantes, e seus picos fisiológicos e emocionais foram tão altos quanto os dos outros, e isso é muito importante porque mostra que pessoas resilientes não são Pollyanas que se iludem com coisas positivas. Eles apenas "soltam" a negatividade, se preocupam menos, e mudam o foco de sua atenção para coisas mais positivas mais rapidamente, respondendo à adversidade com vasta gama de emoções.

Isso foi demonstrado num outro dos estudos de Fredrickson, no qual foi pedido aos participantes para escreverem um pequeno ensaio a respeito do problema mais importante que estivessem experimentando em suas vidas. Os resilientes mostraram a mesma quantidade de ansiedade do que os outros, mas, ao contrário dos demais, também demonstraram mais alegria, interesse e entusiasmo em relação ao problema. Para eles, altos graus de emoções negativas coexistem com a mesma intensidade das positivas.

Pense em como Pi responde à situação aparentemente sem solução, a bordo do barco: "Eu lhe digo, se você estivesse em situação tão precária como eu, você também poderia elevar seus pensamentos. Quanto pior for sua situação, mais alto sua mente vai querer voar".

E quando sua mente começa a subir e voar, mais e mais coisas positivas será capaz de perceber. Isso desencadeia uma espiral ascendente de emoções positivas que abre as pessoas para novas formas de pensar e ver o mundo - para novos caminhos. E essa é mais uma razão pela qual pessoas positivas são resilientes: porque enxergam oportunidades onde os outros não enxergam nada.

A negatividade, por razões puramente adaptativas, nos coloca em modalidade de defesa, estreita nosso campo visual e corta fora qualquer nova possibilidade, posto que esta é vista como risco, o que lembra uma das melhores cenas de “O Lado Bom da Vida”, na qual uma situação ruim quase destrói o Pat. Ele está num jantar com a Tiffany (Jennifer Lawrence), quando escuta a canção "Ma Cherie Amour" tocando dentro de sua cabeça, que é a música que estava tocando quando ele encontrou sua agora ex-esposa pelada no chuveiro com seu amante, e tem um flashback traumático.
Tiffany o ajuda a superar o episódio dizendo: "Você pretende passar o resto de sua vida apavorado por uma música? É só uma música, não faça dela um monstro, e falando nisso, não tem nada tocando, nada. Respire, conte dez de trás para frente...pronto, é isso”.

Ele se recupera e sua interação estabelece a base para o resto do filme.

Estes dois filmes são a respeito de como podemos domar nossos demônios interiores com esperança e uma visão positiva da vida, e domar nossos próprios demônios é tarefa para os fortes, o que me lembra a música de Dom Quixote cantada pela boa Bethânia: Sonhar mais um sonho

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender
Sofrer
A tortura implacável
Romper
A incabível prisão
Voar
Num limite improvável
Tocar
O inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

Agora, se quiserem ler uma crítica muitissimo bem feita aos filmes, siga os seguintes links:

 http://www.cinepipocacult.com.br/2013/02/o-lado-bom-da-vida.html

http://www.cinepipocacult.com.br/2012/12/as-aventuras-de-pi.html

Parabéns Amanda. Neste momento tenho a mais absoluta certeza que sua mãe, seja lá onde estiver, está de peito estufado apontando o dedinho dela na sua direção e andando em roda feito pavão orgulhoso. Juro que consigo vê-la perfeitamente.

Dennis Charney: Neuroplasticity and Your Resilient Brain
Neuroplasticity
Otimism-Benefits

segunda-feira, 4 de março de 2013

E A ESPERANÇA FOI PARA O LABORATÓRIO!

Desde os gregos, que largaram a esperança escondida dentro da caixa de Pandora, depois que o tontão do Epimeteu abriu a dita cuja, soltando no mundo todas as desgraças, a pobre tem sido usada por cada político prometente, invocada na famosa frase "...é a última que morre", agarrada por qualquer um que já tenha estado adoentado, usada e abusada em todas as religiões e seitas, parte da maioria das letras de músicas "dor de cotovelo", perseguida por todos, conquistada por alguns.

Finalmente, essa elusiva sensação foi parar no laboratório para, obviamente, ser dissecada, e se saber o que é, como funciona, em quem funciona e porque funciona assim em alguns, assado em outros. Aconteceu assim:

Seligman deu uma palestra em Oxford sobre a "Teoria do Desamparo Apreendido", que é quando os estímulos desagradáveis são aleatórios e, não importa o que se faça, eles continuam. O organismo então tende a "desistir de tentar" e simplesmente se adapta para sentir o menor desconforto possível. Pois bem, assistindo a palestra, estava John Teasdale, que disse ao palestrante que tudo bem, tudo certo, mas como explicar aquela minoria de organismos, os quais, não importa o que, não desistem e continuam tentando? Bingo! Volta ele para a Penn U com a sensação de que tudo o que estudara e pesquisara estava errado, mas ao invés de desistir, recrutou Lyn Abramson e Judy Garber, para rever as bases da teoria, começando pelas teorias do Weiner, que por sua vez havia criticado a teoria que fez o Skinner famoso, dizendo que a teoria do Skinner era ótima para ratos de laboratório, mas não funcionava em gente, pela simples razão que nós, humanos, não só reagimos a estímulos, mas também nos contamos historinhas do porquê algo está ocorrendo. Assim, dependendo da historinha que nos contamos, continuamos tentando ou desistimos. Sua teoria explicava que, nós humanos não só reagimos ao "esquema de reforço", mas também aos nossos estados mentais internos.

Daí, Seligman, seguindo a teoria de Weiner, iniciou com Teasdale um trabalho a respeito de como "desamparo" e "depressão" deveriam ser tratados, a partir de mudanças na forma como as pessoas se explicam os acontecimentos da vida, e com a Lyn, iniciou o mesmo trabalho, só que na direção oposta, isto é, como os "estilos explanatórios" causavam desamparo e depressão. Finalmente, juntaram tudo num estudo só, no qual colocaram mais uma variável na teoria de Weiner, que dizia que nas explicações que nos damos, há apenas duas variáveis: Permanência e Personalização. A nova foi chamada Penetração.

Fazendo um enorme resumo, o Seligman recebeu o prêmio da Associação de Psicologia Americana, em 1976, pela Teoria do Desamparo Apreendido, e a Lyn Abramson, em 1982, pela reformulação da mesma teoria. E vamos ao que interessa. Quem são aqueles que nunca desistem, tipo minha cachorrinha quando quer um biscoito?

São aqueles que têm um "sistema explanatório" no qual se dizem que, uma coisa ruim não é para sempre, vai passar eventualmente, e, no fundo, tem muito mais coisa na vida do que um evento ruim. É um habito de pensamento aprendido durante infância e adolescência, e que deriva diretamente de como nos vemos no mundo, isto é, se achamos que merecemos o que conquistamos ou se somos inúteis e sem esperança.

Usualmente, os que se sentem merecedores são aqueles que, desde cedo, aprenderam a importância de uma coisa bem feita, que tiveram recompensas mensuráveis com suas conquistas, e o oposto são aqueles que nunca souberam o que esperar de seus atos, ou receberam tudo sem ter que fazer nenhum esforço, ou nunca receberam nenhuma recompensa, não importando o tamanho do esforço.

Nesse ponto, a teoria do desamparo apreendido combina demais com a teoria da "mãe suficientemente boa" do Winnicott, e, não se preocupem, que no fim há um glossariozinho com mini explicação de todas as teorias aqui citadas.

Mas este é o momento da noticia boa, isto é, mesmo que você seja um desesperançado total, isto só significa que aprendeu a ser assim, e se foi capaz de aprender uma coisa, é perfeitamente capaz de aprender outra e melhor, e aqui podemos começar:

Há 3 dimensões cruciais para nosso "sistema explanatório":

1 - PERMANÊNCIA = tempo

Os que desistem facilmente acreditam que as causas de eventos ruins estão presentes para sempre. Tudo o que é ruim persistirá para toda a eternidade. Os que resistem ao desamparo são os que acreditam que tudo é temporário, e isso me lembra minha madrinha que costumava repetir: "Não há bem que sempre dure ou mal que nunca se acabe".

Exemplo:

Estilo Permanente (Pessimista)

"Dietas nunca funcionam"

"Os homens são todos iguais!"

Estilo Temporário (Otimista)

"É difícil fazer dieta no Texas" (E orgulhosamente informo que já perdi quase todos os quilos que lá ganhei)

"O escolha ruim que fiz!"


Quem pensa em termos de SEMPRE ou NUNCA tem estilo PERMANENTE e PESSIMISTA.

Quem pensa em termos de ÀS VÊZES, ESCOLHAS, ULTIMAMENTE, ou seja, palavras que definem temporariedade e não eternidade, o estilo é TEMPORÁRIO E OTIMISTA.

Já, para a explicação de eventos bons, é justamente o oposto.

Estilo Temporário (Pessimista): "Deu certo porque me matei de trabalhar"

Estilo Permanente (Otimista): "Sou sortuda. Sempre trabalhei no que gosto"


2 - PENETRAÇÃO: Específico X Universal = espaço

Pessoas que têm explicações UNIVERSAIS desistem de tudo quando um problema atinge uma área de suas vidas. Os que são ESPECÍFICOS podem se tornar desamparados numa área de suas vidas, mas continuam funcionando bem nas outras.

Universal (Pessimista)

"Todos os professores são chatos"

"Todos os homens são uns porcos chauvinistas"

Específico (Otimista)

"A minha professora é uma chata"

Meu quase ex-marido é um chauvinista"

Mas o exemplo mais claro é um que costumamos ver todos os dias. Pensemos em João e Maria, que trabalham na mesma coisa e na mesma empresa. Ambos são despedidos. João deixa de fazer a barba, fica de pijama até meio dia, recusa-se a conversar com esposa e filhos, sente-se o maior perdedor falido de todo universo. Maria fica chateada, mas tem que continuar a levar as crianças para a escola, cuidar da casa, fazer supermercado, se queixar da injustiça com todas as amigas, cabeleireiro e quem mais quiser escutar, continua indo à academia porque não ia perder a chance de contar o acontecido ao povo de lá. Em suma, continua funcionando, e não é à toa que todos os estudos demonstram que nós mulheres (em média) vivemos 4 a 5 anos mais do que os homens; embora tenhamos muito mais diagnóstico de depressão do que homens (3 vezes mais), também é fato que procuramos ajuda; e há 3 vezes mais suicídios entre homens do que em mulheres.

Para os eventos bons, é o oposto:

Específico (Pessimista)

"Só sou bom com números"

"Com a sorte que tenho, essa bolota é câncer"

Universal (Otimista)

"Sou bom no que faço"

"Com certeza essa bolota é gordura, mas vou ao médico"

Pessoas que se dão explicações permanentes e universais a respeito de seus problemas, tendem a desmoronar sob pressão, e, desmoronados ficam por longo tempo e em todas as áreas.

3 - PERSONALIZAÇÃO: Interno X Externo

Quando coisas ruins acontecem, podemos culpar a nós mesmos (internalização) ou a outros / circunstâncias externas (externalização). Essa é uma medida muito, mas muito complicada, porque, em teoria, quando nos culpamos pelas coisas, nos sentimos horríveis e nossa autoestima baixa. Pelo contrário, quando culpamos outros ou circunstâncias, ela sobe. Então, de novo e teoricamente, pessoas que internalizam coisas ruins, são pessimistas, e as que externalizam são otimistas.
De todas as variáveis aqui citadas, esta é a mais facilmente superestimada, exagerada e simplesmente falsificada, e se não me acreditam, deem uma olhada, qualquer dia e qualquer hora, no Facebook. Ainda bem que é também a menos importante, porque simplesmente mede como uma pessoa se sente a respeito dela mesma, enquanto as outras duas, Permanência e Penetração, determinam o que se faz a respeito das coisas, como se faz e por quanto tempo.

Então, apesar da grande importância de desaprendermos a deixar de ser pessimistas e desamparados, e aprendermos a ser otimistas, é importante saber que ser otimista absolutamente não implica em ser irresponsável e culpar o mundo pelas bobagens que todos, sem exceção, fazemos na vida. Já tem besteira demais acontecendo neste mundo por causa da má interpretação de uma coisa chamada autoestima, com erosão de responsabilidade pessoal. Muitos atos de pura e simples maldade são classificados como "insanidade", falta de educação como assertividade, e falta de responsabilidade para com a família ou o local onde se vive como liberdade. Não serei eu a bater nessa tecla.

Quero que as pessoas possam melhorar, e rápido, de coisas como depressão e pessimismo? Claro que sim! Então, como boa e velha médica que sou, quero sim que reconquistemos a esperança guardada na caixa de Pandora. O primeiro passo é ser realista, reconhecer que ela está lá e estar disposto a fazer os esforços necessários para consegui-la, não adiantando para isso achar que sim, mereço (alta autoestima), não fui eu quem a colocou lá (externalização, fato), quero que caia no meu colo, portanto fico sem fazer nada, criticando a malvada da Pandora e o cretino do Epimeteu (danei-me, não vou conseguir mesmo).

Como conseguir, vai ser uma outra história que fica para outra vez.

GLOSSARIO:

B.F.Skinner: (Burrhus Frederic - com um nome desses ou ia ser gênio ou ia ser doido, e às vezes não sei bem a diferença), psicólogo, autor, inventor e filósofo social. Foi professor de Psicologia em Harvard, desde 1958 até sua aposentadoria, em 1974. Inventou a câmara de condicionamento operante, também conhecida como a caixa de Skinner. Inovou em cima de sua própria filosofia da ciência, que chamou behaviorismo radical, e fundou a própria escola de pesquisa experimental em psicologia (a análise experimental do comportamento). Publicou 21 livros e 180 artigos.

Bernard Weiner: Psicólogo social que desenvolveu a "Teoria da Atribuição", a qual explica os vínculos emocionais e motivacionais, causas e consequências do sucesso e fracasso escolares. Publicou 15 livros no campo da psicologia da motivação e emoção. (Aconselho a ler o livro dele "An Attributional Theory of Motivation and Emotion ", no qual explica como, através da educação, podemos modificar a psicodinâmica das salas de aula).

Donald Woods Winnicott: Pediatra e psicanalista inglês foi especialmente influente na teoria das relações objetais. Muito conhecido por suas ideias sobre "Verdadeiro e Falso Eu" e o Objeto de Transição, mas minha preferência e total admiração vai pela descrição do que ele chamou de "mãe suficientemente boa", que é aquela que está à disposição do bebê, mas também sabe quando deve dar espaço e independência para que o mesmo se desenvolva. Vá ser bom assim no raio que o pique! e isso porque aqui não é o lugar ainda para falar de seu trabalho, ainda não superado, com crianças e pré adolescentes com tendências anti sociais e órfãos durante a segunda guerra mundial.

Lyn Yvonne Abramson: Professora de psicologia na Universidade de Wisconsin-Madison. Suas principais áreas de pesquisa são a respeito de vulnerabilidade para a depressão e abordagens psicobiologicas e cognitivas à depressão, distúrbios bipolares e distúrbios alimentares.
Recentemente, junto com seus colaboradores, propôs uma perspectiva integrada a respeito de preconceito e depressão, que combina as teorias cognitivas da depressão com as teorias cognitivas do preconceito. Nela, defendem que muitos casos de depressão podem ser causados por preconceitos a respeito de si mesmo ou outrem. (Um dos exemplos que dão é o de um preconceito causando depressão a nível social, como no caso dos nazistas causando depressão nos judeus, e o outro é a nível intrapessoal, isto é o preconceito de uma pessoa a respeito de si mesma, causando depressão).

Judy Garber: professora do Departamento de psicologia e desenvolvimento Humano do Peabody College na Universidade de Vanderbilt. Sua área de interesse é a interrelação de fatores interpessoais, biológicos, ambientais e sóciocognitivos, que contribuem para o início e a manutenção dos distúrbios do humor. Presentemente, coordena o programa de estudo para determinar a eficácia de terapias cognitivo comportamentais na prevenção de depressão em crianças e adolescentes.

John Teasdale: Foi chefe de pesquisas na Universidade de Oxford e chefe de pesquisas em Cognição e Ciências Cerebrais em Cambridge. Seu foco sempre foi o de entender a cognição por trás da depressão, tendo sido pioneiro nas terapias cognitivas na Inglaterra. Foi um dos fundadores da Mindfulness-based Cognitive Therapy (Terapia Cognitiva Baseada na Atenção Plena), e, apesar de estar aposentado, continua ensinando meditação e técnicas de atenção plena.

Martin Seligman: Psicólogo e educador. É professor de Psicologia na Universidade da Pensilvânia, Diretor do Centro de Psicologia Positiva, na mesma universidade, e inventor da teoria do Desamparo Apreendido.
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Comportamento operante: Em psicologia, há 2 tipos de condicionamento ou aprendizado - condicionamento operante e condicionamento clássico. O Comportamento Operante ou operativo, que funciona em tandem com condicionamento do mesmo nome, se refere ao tipo de comportamento que atua no ambiente ou é controlável pelo indivíduo, e acontece porque produz algum tipo de consequência. Por exemplo, no famoso exemplo do cachorro de Pavlov, que salivava quando ouvia a campainha pois sabia que a carne vinha em seguida, é típico condicionamento clássico, o cão não conseguia controlar sua salivação. Mas, se o cachorro salivasse por saber que o salivar lhe traria o bife, aí teria sido comportamento operante.

Esquema de Reforço: São as regras precisas, usadas para apresentar (ou remover) reforços (ou punições), após um comportamento operante especifico. Estas regras são definidas em termos de tempo e / ou o número de respostas necessárias para apresentar (ou remover) um reforço (ou uma punição). Diferentes cronogramas de reforço produzem efeitos distintos sobre o comportamento operante.

PREE (partial reinforcement extinction effect - efeito parcial de extinção de reforço): A constatação de que comportamentos que são reforçados de forma intermitente são mais persistentes (levam mais tempo para serem extintos) do que comportamentos que são reforçados a cada vez que eles ocorrem.