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quarta-feira, 30 de maio de 2012

E ASSIM, MUDEI DE IDÉIA



Para os que estão seguindo, devo informar que mudei o jeitão do blog.

Comecei com a idéia de traduzir artigos na área psi, que pudessem trazer algum benefício no dia a dia, se alguém se desse ao trabalho de seguir as receitas.

E me peguei cometendo atos de traição intelectual.

Tudo bem, nunca roubei uma idéia dizendo que era minha nem nada disso, posto que é uma coisa que sempre detestei do mais profundo de minha alma, e lembro perfeitamente do ódio que senti quando Proust não se levantou da cova para reclamar a “saudade das carolinas”, desavergonhadamente impressas no livro que estava lendo.

Não, não foi isso.

O que aconteceu é que as traduções começaram a se parecer muito mais comigo do que com o ator/autora de direito.

No início fui me desculpando do tipo, tinha que colocar exemplos que fizessem sentido em português, para o Brasil, então, o exemplo era algo totalmente diferente do original.

Essa explicação lógica, não me satisfaz mais, ou porque mudei, ou porque as coisas mudaram, ou pelo conjunto da obra.

Então vou voltar às minhas bases, de professora que sou.

Gosto imensamente de dar aulas, principalmente pelo fato de que, usualmente é o local onde mais aprendo.

Sempre tem um aluno ou outro que vem com uma pergunta de um jeito que faz pensar coisas nas quais nunca se pensou antes.

Também sou italiana, adoro discutir.

Clarifiquemos: discutir é trocar idéias, não é tentar convencer ninguém de que minha idéia é melhor que a sua ou a sua é melhor que a minha.

Discutir é deixar a imaginação acender um fogaréu debaixo do caldeirão do conhecimento, e apreciar os aromas que de lá se desprendem.

Então, a nova proposta é esta discussão.

Assim, começo com um resumo da proposta do último Simpósio de Neuroeducação, que é, basicamente incrementar os estudos de artes no primeiro grau, pelas seguintes razões:

1- Artes  aumentam a autoconfiança das crianças que são mais lentas no aprendizado de leitura e matemática.

Essa constatação foi consequente a um estudo aqui, para descobrir porque era tão alta a taxa de desistência, no ginásio, de crianças pertencentes às classes economicamente mais baixas na população, quando comparado com outros países desenvolvidos. 

Crianças aqui funcionam por comparação com outros.  Então quando acham que não podem ser tão boas quanto… simplesmente largam tudo.

Por  outro lado, na maioria dos países Asiáticos, os professores são treinados para ter em mente os seguintes dados:
  
a) Uma das melhores formas de predizer a incidência de criminalidade juvenil num determinado lugar é através da magnitude da diferença entre o aprendizado de leitura e matemática entre crianças de classes mais e menos privilegiadas sócio-economicamente.
   Quanto maior a diferença, maior a incidência de criminalidade.

b) O tamanho dessa diferença é também um excelente indicador de incidência de criminalidade entre adultos, depressão e dependência a álcool e/ou outras drogas.

Os EUA têm a maior diferença entre as classes, dentre os países desenvolvidos, e o Japão a menor.

Uma das estratégias para acabar com essa auto avaliação negativa  em crianças é proporcionando-lhe oportunidades para ser bem sucedido/a em alguma coisa dentro da  sala de aula, coisas como, por exemplo, dança, filmes, musica.

Uma criança de 8 anos de idade que esteja tendo dificuldade com aritmética e leitura, mas cujo desempenho com um instrumento musical seja superior ao daqueles no topo da hierarquia do aprendizado formal, vai ter enorme impulso em sua confiança quanto a “poder fazer algo”, que provavelmente vai se generalizar para outras áreas mais formais.

Um relatório  na revista Science demonstrou que o simples fato de fazer alunos de sétima e oitava série escreverem curtas redações sobre a importância de um valor pessoal melhorava a média das notas, principalmente entre os mais desfavorecidos economicamente.

No entanto, é importante que esses produtos artísticos não sejam classificados ou graduados, como é feito para as outras áreas, ou vamos  destruir os benefícios do programa em si.

A idéia a ser comunicada é de que cada trabalho musical, cada desenho, qualquer coisa artística que a criança faça, é aceitável e boa, pois reflete sua tentativa pessoal de criar algo belo.

2- O curriculum de arte/música pode ajudar crianças da classe média que foram infantilizadas por pais super protetores, excessivamente preocupados com suas notas e atividades extracurriculares.

Quando era criança, meus pais e os pais de amigos e amigas nem pensavam que poderíamos ser sequestrados, ou que iríamos para a casa de um amigo encher a cara ou usar drogas ou ir pra cama, indiscriminadamente ou não. 

Também não havia celular ou internet, e TV tinha hora e programa pra ser assistido.

Assim, depois de sair da escola, almoçar e fazer os deveres de casa, era função nossa escolher como íamos passar o resto da tarde, se socados no quarto, jogando bola de gude com os amigos, ou andando à toa, explorando a vizinhança.

Isso nos ensinou muito a respeito de poder tomar decisões sobre o que fazer com nosso tempo e como funcionar socialmente.

Daí que como só tenho um irmão, tanto ele aprendeu a brincar com minhas amigas, quanto eu com os amiguinhos dele.

Ou então desempenhar minhas atividades favoritas de subir ao topo das árvores, e de lá observar o mundo, ou sair andando pra explorar esse mesmo mundo, coisa na qual tenho enorme prazer até hoje.

 Agora, se tivesse nascido 30 anos mais tarde, provavelmente teria gasto boa parte do tempo ou assistindo TV, ou mandando e recebendo textos, ou qualquer outra dessas atividades.

Hoje em dia, pais de classe média se preocupam imensamente com os feitos dos filhos em muitos e diferentes campos.

 Algumas crianças interpretam essa preocupação intrusiva como um indicativo de que suas conquistas (filhos) são necessárias para que os pais possam ser felizes.

A combinação dessa preocupação parental excessiva a respeito da segurança e das realizações da criança, aliada à restrição de seu tempo livre e ao abuso da TV e Internet, que promovem a conformidade a padrões pré-determinados, de certa forma prejudica o desenvolvimento dessa mesma criança e o aprendizado dela a respeito de escolhas, que é, e tem que ser, parte do crescimento.

A oportunidade de se esforçar por fazer um desenho ou aprender um instrumento musical pode ajudar a criança a desenvolver esse sentido de “escolha” pessoal e de gerenciamento da própria vida, que parece estar se dissolvendo.

3- Formas que a mente usa para adquirir, armazenar e comunicar o conhecimento, e restauração desse equilibrio.

As 3 formas são: 

Conhecimento Processual: O contido nas habilidades motoras, de fazer algo, como plantar, colher, construir, caçar e cozinhar, e que  foi o mais importante pelos  primeiros 100.000 anos de nossa existência no planeta, desbancado pela Revolução Industrial. Hoje, qualquer paradinha num hipermercado da vida me qualifica para sobrevivência.

Conhecimento Esquemático: É o constituído por representações perceptivas, isto é, o que aparece quando nossa mente cria uma imagem de uma cena, objeto, melodia.

Conhecimento Semântico ou Conceitual: É o contido nas palavras, é a linguagem.

Então vejamos, os artesãos, com seu Conhecimento Processual, foram os que fizeram a Renascença.

Arte e música requerem conhecimento processual

O Conhecimento Esquemático fez com que Frederich Kekulé, químico alemão, determinasse a estrutura molecular do benzeno através de um sonho, no qual imaginou os 6 átomos de carbono conectados num anel.

Foi também o que fez com que Einstein baseasse sua teoria da Relatividade numa idéia que lhe ocorreu enquanto imaginava estar cavalgando uma onda de luz.
 E foi o que permitiu a James Watson e Francis Crick derrotar Rosalind Franklin na detecção correta da estrutura do DNA, porque os dois construíram um modelo mecânico da molécula e puderam enxergar as relações espaciais entre os 4 nucleotídeos.

Os esquemas são ferramentas críticas para o artista ou músico, embora todos nós usemos essa forma de representação de alguma maneira.

A Terceira ferramenta, a linguagem, tem dominado a vida nas sociedades desenvolvidas.

 A ciência contemporânea é conceitual, baseada em complexas redes semânticas misturadas com matemática, para explicar conceitos tais como buracos negros, moléculas, genes, mutações e doenças.

Economistas, empresários e cientistas sociais lidam principalmente com o conhecimento descrito em palavras, não com ações ou esquemas.

Consultar Santo Google ou a Wikipédia, vai nos dar conhecimento semântico, não processual ou esquemático.

(Google está perdoado com a introdução de Google Earth) 

Por outro lado, assistir filmes de diretores estrangeiros vai nos fazer entender a cultura daquele país de forma que livro nenhum é capaz de fazer.

Alugue um filme do Fellini, de preferência E LA NAVE VÁ, e você vai entender a cultura italiana muito melhor do que lendo a Divina Comédia toda inteirinha.

A grande dependência das redes semânticas é extremamente infeliz, pois  as palavras, principalmente as inglesas, e infelizmente o mundo todo está se anglicizando, não especificam o fenômeno, nem as diferentes partes de um conceito, e assim, diferentes eventos acabam por ganhar o mesmo nome.

A palavra “pássaro” é um bom exemplo.

Patos, gaviões, perus, sabiás e pinguins são membros muito diferentes de um mesmo conceito semântico.

Um epidemiologista que fez entrevistas telefônicas com
5000 pessoas, a fim de aprender sobre depressão, têm 

 uma compreensão muito 
menor da coisa do que o
psiquiatra  que passou 30 
anos vendo e ouvindo 
pacientes
deprimidos descrevendo seus
 sintomas em um sussurro,
largados nas poltronas, faces
 pálidas, roupas em
 desalinho.

Nosso respeito pelo 
conhecimento esquemático e
processual manifesta-se no
fato de que nos dispomos a
pagar mais para ver um
especialista quando estamos
doentes, porque acreditamos que este detém exatamente
esse tipo de conhecimento que o novato ainda não
desenvolveu.

Arte e música requerem, por parte da criança, o uso tanto
do conhecimento esquemático quanto do processual,
ampliando portanto a compreensão que a criança
tem de si e do mundo.

É simples, não dá pra aprender a jogar tênis lendo um livro.

Isso me lembra Eliza Doolitle, no musical My Fair Lady,
quando canta enfurecida:


(Palavras, palavras, palavras, estou tão cansada de
 palavras… Se você me ama, mostre-me, agora.)

4- Oferecer valores consistentes.

A maioria dos jovens de gerações anteriores  acreditavam em alguns valores que deveriam ser honrados sob quaisquer circunstâncias.

Quando era pré-adolescente, tinha a mais absoluta certeza de que trabalho duro e perseverança eram tudo o que necessitava para vencer na vida, tirando o fato que a frase “vencer na vida” não tinha ainda sido cunhada, e as pessoas simplesmente viviam, bem ou mal.

A famosa frase do Gerson no comercial do cigarro, aquela do tirar vantagem em tudo, demoraria ainda alguns anos.

Muitos dos jovens de hoje tem pouca ou nenhuma ligação com idéias de ética, e este vazio é lamentável, pois nossa psique exige que alguns atos ou pessoas sejam bons ou maus num sentido absoluto.

 Jovens inseguros estarão sempre à busca de heróis ou heroínas  que possam representar alguns dos ideais pelos quais eles estão dispostos a se esforçar.

 Quando o ideal é representado pela busca incessante de prazer já, as consequências são as que temos vivido. 

Violência, drogas, aumento de religiões e/ ou seitas cada vez mais restritivas, formação de gangues e quadrilhas (e não falo aqui da festa de São João).

5- Trabalho Cooperativo

Fazer com que as crianças trabalhem de forma cooperativa desenvolve o sentido de lealdade, que vem sendo corroído de forma constante nos últimos 40 anos, deixando cada um de nós com a sensação que, a fim e a cabo, é cada um por si.

 E se não me crêem, lembrem-se de todos os nomes lindos que o povo de RH achou, tal como “reestruturação interna”, reengenharia “e mais um monte que não lembro agora, os quais para os empregados só  significaram uma coisa: alguém vai perder o emprego.

 Lembrem-se de todos os escândalos de bancos versus clientes, lembrem-se de coisas recentíssimas, como o escândalo de Wall Street em 2010 e o resto do mundo ainda sofrendo as consequências, Bernard Madoff e outros tantos em tantos lugares.

É obvio que essa perda de balanço entre a preocupação com o “eu” e com o outro não pode ser saudável.

Mas, quando as crianças completam um mural ou tocam numa banda, é o grupo, e não o indivíduo, que ganha elogios.

Os problemas do mundo contemporâneo exigem alguma subversão do interesse próprio em prol dos interesses da comunidade, e talvez a participação na banda seja uma preparação extremamente útil para as posturas a serem tomadas neste século.

6-Arte e música oferecem oportunidades às crianças de experienciar e expressar emoções e conflitos dos quais ainda não estão plenamente conscientes e, portanto, não podem ser expressados coerentemente em palavras.

Uma criança que tem medo de um bully, ou raiva de um pai alcoólatra, ou inveja uma irmã mais velha toda atraente, e não consegue expressar esses sentimentos em palavras, pode fazê-lo pela arte.

Um psicólogo no Texas fez um experimento interessantíssimo com um grupo de estudantes de psicologia: dividiu a classe em dois grupos, um, o grupo controle, não fez nada,  e ao outro grupo foi pedido que durante 30 dias, escrevessem, sobre qualquer tema que quisessem ou tivessem vontade, e depois jogassem o escrito no lixo.

 O grupo que escreveu sobre suas preocupações, raivas e problemas em geral teve muito menos resfriados e dores durante todo o período.

A conclusão é que, quanto mais nos voltamos para o computador, matemática e lógica, mais nos afastamos dos valores do que significa ser humano, da importância do nos conhecermos e ao mundo onde vivemos.

 Esse conhecimento empírico que só pode ser evidenciado pela apreciação de nossos mais inatos instintos pois, como bem disse Dante … “fatti non foste a viver come bruti,
ma per seguir virtute e canoscenza”… 
(Divina Comédia- Inferno- canto XXVI- Ulisses –“Vocês não foram feitos para viver como brutos, mas para conquistar virtude e conhecimento” - perdão tradução minha, livre como o vento).



Está aberta a discussão


quarta-feira, 23 de maio de 2012

ABRACE O SOBRENATURAL: DE COMO SUPERSTIÇÕES, PLACEBOS E RITUAIS NOS AJUDAM A ATINGIR NOSSAS METAS


Embrace the Supernatural:How Superstitions, Placebos and Rituals Help you to achieve your goals



 
Michael Jordam usava os shorts de seu time de colégio, debaixo do uniforme dos Bulls, porque acreditava que lhe traziam boa sorte e, se considerarmos suas 6 vitórias nos campeonatos da NBA como prova, então sua superstição funcionou.

Parece bobo, alias, é bobo mesmo, mas não é exatamente mágica.

Por mais absurdo que possa parecer, psicológos tem uma explicação do porque, um amuleto, pode melhorar seu desempenho.

Superstições variam desde pequenas escolhas comportamentais, tipo colocar primeiro o sapato no pé direito, até decisões mais extremas, tipo evitar o número 13 de qualquer forma ou jeito.

O mais curioso é que essas coisas realmente funcionam, podem alterar nosso comportamento, melhorar nosso desempenho e nos ajudar a atingir nossas metas.

O que se segue, é uma entrevista com Dr. Stuart Vyse, professor de Psicologia no Connecticut College e autor do livro “Acreditar na Magia: A psicologia da Superstição”e Matthew Hutson, escritor escritor de artigos cientificos e autor do livro “As 7 leis do pensamento mágico: Como crenças irracionais nos mantém  alegres, sadios e sensatos”.

PORQUE SUPERSTIÇÕES E PLACEBOS MODIFICAM SEU COMPORTAMENTO

Como superstição é um termo muito generico, vamos a uma definição mais detalhada, que vem a ser a seguinte:

Superstição é uma crença e/ou comportamento incompatível com a ciência convencional e que atribui propriedades e funções mentais a fenômenos não mentais.

Essencialmente, é uma crença de que o universo está sempre nos observando e que o mesmo muda, a depender de nossas ações ou de algo que estamos segurando ou vestindo.

Parece ridículo né?

Então tá, vamos lá ver porque acreditamos.

PORQUE ACREDITAMOS EM SUPERSTIÇÕES

Básicamente, superstições são profecias auto-realizáveis.

Plantamos uma idéia na nossa cabeça que nos permite acreditar em magia, daí passamos a acreditar que o fazer determinada coisa ou usar uma bugiganga qualquer, vai nos ajudar a desempenhar melhor.

Parece insano, mas é fenômeno extremamente comum.

Todos nós temos diferentes teorias do porque acreditamos em superstições, mesmo quando lá no fundo, sabemos que é pura invenção.

Há 2 motivos principais: 

O primeiro é que assim somos ensinados quando crianças, pois fazem parte do folclore de qualquer cultura, fazendo parte do processo básico de socialização.

Além disso, vivemos num mundo onde coisas muito importantes estão acontecendo o tempo todo, coisas essas que, não só não podemos controlar, mas cujo resultado é incerto.

A superstição tende a emergir nesses contextos.

Se faz o possível para garantir que as coisas darão certo, e assim, empregamos a superstição como uma ferramenta a mais para garantir esse tal “dar certo”.

Também são mantidas em parte por aquilo que os psicólogos chamam de "ilusão de contrôle”, que é quando, em determinadas circunstâncias, não tendo qualquer poder sobre o possivel resultado de algo, temos a sensação de que, de alguma forma temos poder sobre a coisa, o que nos faz sentir bem, muito melhor do que apenas sentar e esperar pelos resultados.

Uma outra teoria, também baseada na ilusão de contrôle, é a respeito de dar sentido à vida que vivemos sendo o tema comum, o reconhecimento de padrões.

Todos nós somos ótimos em reconhecer padrões até mesmo quando não existem.

É como aprendemos.
É como vamos levando a vida.

Coincidências acontecem todo o tempo, e lá vamos nós imediatamente tentar encontrar um padrão para o ocorrido. 

Muitas vezes, contamos com essas coisas místicas que procuram explicar o que vemos.

Talvez nós, ou o Universo tenhamos feito essa coisa acontecer para podermos melhorar nossa vida.

Quanto à origem dessas crenças, o que parece é que evoluimos para acreditar em superstições baseados nesses reconhecimentos de padrões.

O biólogo evolucionário  Kevin Foster, em seu excelente artigo publicado na revista New Scientist, sugere que aprendemos superstições baseados em nossa necessidade de sobrevivência, pois qualquer animal precisa  fazer um balanço a respeito de estar certo ou errado a respeito de algo.

Pense só nas chances de que é um leão de verdade e não o vento quem está fazendo aquele barulinho farfalhante, e, batata, dá para prever  crenças supersticiosas.

Basicamente, temos superstições porque queremos acreditar que podemos mudar nosso destino, que um pouco de magia em nossa rotina pode mudar um evento  e porque todos nós necessitamos de uma injeção de auto-confiança.

Assim, óbviamente, não é nada ruim ter algumas superstições quando isso realmente melhora nosso desempenho.

COMO PLACEBOS PODEM IMPULSIONAR O DESEMPENHO DE MENTE E CORPO


Vale a pena falar um pouco sobre placebos, posto que pode-se pensar em superstições como formas de placebo, principalmente quando um objeto é imbuido com certas propieddes de cura ou de boa sorte.

Quando usamos algum placebo, nosso cérebro libera dopamina, neurotransmissor que, entre outras coisas, ativa o centro de recompensa do cérebro, o que muda nosso estado de espírito e humor.

(É por isso que o velho Hipócrates, pai da medicina, já dizia que o que cura não é o remédio, mas a relação médico-paciente, a qual, infelizmente tem sido perdida na assim chamada evolução das artes e ciências médicas. Claro que não estamos falando de cirurgiões, que só adquiriram status médico lá pelo início do séc. XIX, que antes disso eram barbeiros, que, além de barba e cabelo, cortavam fora verrugas, arrancavam dentes, estouravam abcessos, essas coisas,o que não era considerado medicina)

Reagir a um placebo é chamado de “efeito placebo”, coisa da qual todo mundo já ouviu falar.

(Agora, o que provávelmente poucos ouviram falar é que, uma droga/medicação é considerada eficaz quando tem apenas 25% maior eficácia que o placebo usado como comparação)

Tal qual com as superstições, o efeito placebo pode gerar um resultado subjetivo, e se acreditarmos no resultado, vamos nos conectar imediatamente ao que estavamos fazendo antes do resultado, isto é, usando um amuleto para boa sorte ou tomando uma pílula falsa, isto é sem nenhum componente ativo.

Sob certos aspectos, a diferença entre um placebo e uma superstição é bem pequena.

Por exemplo, tomemos o caso da insistência de muitissimas pessoas em acreditar que Vitamina C e Equinácea previnem  resfriados, apesar de não existir nenhuma evidência científica disso.

O que acontece é o seguinte, como explica o Dr.Howard Brody:

“Sabemos que dentre as inúmeras variáveis, uma das coisas que aparece prontamente ao menor sinal de ataque ao nosso organismo é a IgA, uma imunoglobulina presente na boca e no muco nasal e que é a primeira linha de defesa contra germes, tipo virus da gripe. Assim, podemos postular (mas não provar) que “placebos”estimulam produção de IgA sem qualquer efeito “quimico”direto, ou seja, efeito placebo.”

Neste exemplo, fica claro como placebos podem funcionar na prevenção.

Um outro autor, Steve Kotier, conta sua própia estorinha:

“Quando tinha 15 anos, minha patela sofreu uma quebra num acidente, esquiando. Nada há que se fazer a respeito, a não ser esperar e usar uma joelheira.Usei a minha até uns trinta e muitos anos. Todas as vezes que ia esquiar, minha joelheira ia comigo, não importando que minha patela estivesse mais do que soldada. Fato é, se não a usasse, o danado de meu joelho latejava”.

O importante é que, quando se acredita que fazer algo – tomar pílulas sem qualquer função, medicina alternativa, florais de bach, usar joelheira ou bater na madeira-  pode melhorar as chances de um resultado positivo, melhor fazer, pois isso pode desencadear respostas no cérebro e no corpo que ajudam a alcançar determinado objetivo.

QUANDO RITUAIS SE TORNAM SUPERSTIÇÕES


Pois bem, agora que entendemos o porque acreditamos em superstições e, de maneira similar, como os placebos funcionam, o que acontece com aqueles dentre nós que não cresceram com nenhuma superstição  mas mesmo assim acham que tem uma?

Eu, por exemplo (eu é o autor do artigo, não eu tradutora), sempre que tenho que falar em publico, tenho que andar até o fim do quarteirão, parar por 2 minutos, e voltar para a porta de entrada do prédio. Isso me parece um ritual mas, quando é que esses rituais se tornam superstições?

O Dr. Vyse explica:

“É psicológicamente muito importante que se estabeleçam rotinas – treinadores dizem aos jogadores que se estes não tem uma rotina pré-jogo, melhor inventar alguma – simplesmente porque é uma forma de combater a ansiedade o concentrar a mente em algum tipo de ‘mantra”. 

Isso é absolutamente racional.

Torna-se superstição quando passa a ser pensamento mágico, tipo assim, tem que dar 3 pulinhos quando se perde alguma coisa e fazer aquela rezazinha pro menino do pastoreio  (o exemplo é meu que o do autor é Americano demais para fazer sentido na tradução).

É quando a coisa sai do campo do ritual e passa para o campo do encantamento, da coisa "mágica”.

A diferença entre um ritual e uma superstição está nos resultados previstos.

Se se acredita que, o seguir determinada rotina, como a do autor , vai alterar os resultados de seja lá o que for, então é superstição.

Se o faz só para se acalmar antes de um evento importante, então é ritual.

O interessante é que, tanto rituais quanto superstições tem enormes benefícios psicológicos.

Superstições podem nos dar uma sensação de contôle sempre que estamos ansiosos e/ou não temos muito contrôle sobre a situação, e essa sensação de contrôle, mesmo que ilusória, pode realmente melhorar nosso desempenho.

PARE DE SER TÃO RACIONAL E ABRACE SUAS SUPERSTIÇÕES


Será possivel que, o ter uma superstição, seja ela qual for, realmente nos ajuda a melhorar nosso desempenho?

A resposta é um sonoro SIM.

Num estudo publicado no Jornal de Cieências Psicológicas, a pesquisadora de um experimento com jogadores de golfe, forneceu as bolas a todos eles.

Para a metade dos sujeitos, foi dito que as bolas eram bolas de “boa sorte”.

Os que ganharam as bolas sortudas, fizeram 35% a mais de tacadas bem sucedidas.

O sentir-se “sortudo”, deu-lhes melhor noção de sua auto eficácia (crença na própia competência), o que aumentou o desempenho no jogo.

 A mesma pesquisadora fez muitos outros testes,nos quais demonstrou que os sujeitos que se sentiam “sortudos” se saiam melhor em funções físicas e cognitivas e em jogos de memória.

Assim, usando o shorts como o Jordan ou qualquer amuleto, não só impulsiona a auto confiança mas também  nos faz visualizar resultados positivos.

 Além disso, prepara nosso cérebro para ser mais receptivo às oportunidades que se apresentarem, e faz com que projetemos positividade, coisa à qual todo mundo responde.

O imbuir objetos e rotinas com a potência mágica de uma superstição, é essencialmente uma forma de nos prepararmos para agir de determinada maneira que, se não é mágica, com esta muito se parece.

OS PERIGOS DA SUPERSTIÇÃO E O QUE DÁ PARA FAZER PARA MANTÊ-LA POSITIVA

Acreditar demais tem seus perigos, e
acreditar em
superstições azaradas, tipo numero 
13, gatos pretos,
andar debaixo de escadas não tem
 qualquer efeito positivo.

Na realidade, acreditar em má sorte 
aumenta nossa ansiedade.

Por outro lado, até as boas
 superstições podem ter efeitos
negativos se nos tornarmos muito
dependentes delas, ou
exagerarmos seus efeitos.

Pessoas podem investor muito dinheiro em loterias, 
tentando influenciar os numeros com rituais e
magias, ou corretores da bolsa a fazer negócios insensatos
por se sentirem demasiadamente confiantes.

Então, como em tudo o mais na vida, MODERAÇÃO é a
palavra chave, pois não importa quantas mandingas se
faça, vamos tomar pau num teste se não tivermos estudado.

Assim, use suas superstições para fazer sua vida mais leve
e lhe dar aquele tantinho mais de estímulo que todos nós
precisamos, lembrando-se que dependência é uma coisa
muito complicada, quer com superstições, relacionamentos 
ou drogas.


(E é por todo o acima que, esta que vos fala, amante de neurônios, fã de Voltaire e da razão, neuroscietista como dizem aqui, não sai de casa sem carregar numa bolsinha Prada, vermelhinha, ganha de primo, o Santo Antonio de bolso, herança de tia avó, 3 colares de orixás que, não só não lembro quais são, como do nome da mãe de santo que mos deu,aquela reliquiazinha de santo Antonio, de novo, dado por uma amiga querida, bolsinha essa guardada dentro de outra bolsa da mesma marca, essa preta e distinta, onde vão o batom, compacto, baby aspirina para caso ter um ataque cardiaco, aleve para dores em geral, agulhas, linhas e alfinetes, para problemas de vestimenta e band-aids de varios tamanhos, prá qualquer coisa. Yo non creo en bruxas, pero que las hay, las hay.)