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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

PSICOLOGIA DO ÓDIO. O QUE MOTIVA ESSES SUPREMACISTAS BRANCOS?

Sei que todos estão seguindo as noticias dos horrores que vem acontecendo aqui, mas faz uma diferença enorme estar vivendo no meio deles. Dá nó nas tripas ver, a vivo e a cores, desfile de bandeiras nazistas, com braços erguidos a la Sig Heil, com orgulho, tal qual Alemanha nazista nos anos 30. E dá um medo tão profundo, só o pensar que essa ideologia continua viva, e crescendo. Quando visitei o Museu do Holocausto, fora ter vomitado a alma na saida, fiquei certa e segura que ninguém, nunca, jamais, em tempo algum, reviveria tal visão. Claro, imbecis de plantão sempre existem, como aquele ex president do Irã, cujo nome esqueci, que disse que o Holocausto nunca existiu. Mas sempre foram vozes nem a sério levadas, uma forma de falar besteira para distrair o populacho dos problemas que viviam, coisa aliás sempre usada por algum ditadorzinho de meia pataca, mundo afora. Culpa alguém ou algo lá longe, estimula o espirito nacionalista, e presto! Esquecidos estão os problemas, pelo menos por curto período de tempo. Um exemplo que lembro bem, posto que vivido, foi do trio de generais da Argentina, em 1982, se a memória não me falha, que acharam por bem, para distrair los hermanos da horrenda situação econômica, começaram a declarar que as Malvinas, que se chamavam e continuam se chamando Falklands, eram argentinas. Não contaram com a maluca da Tatcher, que despejou a armada inglesa em cima deles. E não vou aqui descrever o que vi do que sobrou dos pobres soldados argentinos que voltaram das Falklands, em grande parte nem por culpa dos ingleses, mas por equipamento, roupas, tudo inadequado ao clima lá.
Faço essa introdução, só para estimular a memória e melhor entender o artigo que traduzo abaixo.

A visão de supremacistas brancos cantando,xingando e carregando tochas em Charlottesville, na Virgínia, chocou o país durante o fim de semana, reabrindo as feridas de um sofrimento nacional que só se aprofundou, quando uma contra-manifestante morreu e outros 19 foram feridos em um ataque de carro, no sábado. Um supremacista branco, James Alex Fields Jr., foi acusado desse ataque.
A supremacia branca (crença de que os brancos são racialmente superiores) e o neonazismo não são nada novos,mas pesquisas recentes sugerem que as ideologias estão ficando mais estridentes. Um relatório (2016) do Programa sobre Extremismo, da Universidade George Washington, por exemplo, descobriu que as organizações nacionalistas brancas viram o número de seguidores em Twitter crescer em mais de 600% desde 2012. Esses grupos tinham 3.542 seguidores, coletivamente nesta data. Esse número aumentou para 25.406 de lá a 2016.
O que leva a essas odiosas ideologias? Nova pesquisa sugere que as tendências em relação à agressão e traços de personalidade da assim chamada "tríade escura" (maquiavelismo, psicopatia e narcisismo), são mais proeminentes entre os supremacistas que se identificam com o movimento político conhecido como alt-direito do que no público em geral.
(Maquiavelismo :tendência para manipular outras pessoas para benefício próprio).
Mas, em última instância e segundo outras tantas pesquisas, o extremismo racial é a respeito do pertencer. O aspecto comunitário da supremacia branca é tão forte que até uma pessoa que tem uma ascêndencia nem tão branca assim, pode adotar tal ideologia, revela um novo estudo.
"O racismo e as crenças raciais geralmente não são baseados na lógica, pelo menos não no sentido de uma lógica científica objetiva", disse John Cheng, professor de estudos asiáticos e asiático-americanos na Universidade Binghamton, em Nova York. "Como crenças, elas são os produtos da psicologia individual e coletiva. Em outras palavras, as pessoas têm uma maneira de acreditar no que querem acreditar".

O PROCESSO DE RADICALIZAÇÃO
A recente proeminência dos supremacistas brancos como força política parece inextrincavelmente ligada ao surgimento de Donald Trump: nas redes de supremacistas brancos no Twitter, os usuários se concentraram na replica de conteúdo de dois tópicos principais: "genocídio branco" e Donald Trump (relatório da Universidade George Washington). Na sequência dos eventos de Charlottesville, líderes do movimento, como David Duke, elogiaram as declarações de Trump que criticaram a violência nos "dois lados".
"Obrigado Presidente Trump por sua honestidade e coragem para dizer a verdade sobre #Charlottesville e condenar os terroristas esquerdistas em BLM / Antifa", escreveu Duke, o ex-grande mago da Ku Klux Klan, referindo-se a Black Lives Matter e aos anti-manifestantes.
Há queixas políticas que impulsionam o movimento da moderna supremacia branca, disse Sammy Rangel, assistente social e co-fundador do "Vida após o ódio", grupo que busca ajudar as pessoas sair de grupos extremistas. Ao falar com "formadores", ou pessoas que deixaram grupos supremacistas brancos, Rangel e seus colegas ouviram dois motivos pricipais que as pessoas tinham para se juntarem a esses grupos. Disse ele:
“O primeiro motivo é a raiva sobre as políticas de ação afirmativa, que esses grupos consideram opressivas e injustas para com os brancos. O segundo é o ressentimento sobre conceitos como "privilégio branco", o que faz as pessoas se sentirem como se tivessem que sentir vergonha e culpa das ações de seus antepassados. Os argumentos sobre a ação afirmativa e o privilégio branco são debates políticos padrão mas, para aqueles que atravessam a linha para visitar Stormfront (um fórum neonazista na net) ou para os que tweetam memes nazistas, tais queixas são o primeiro passo para a busca de bodes expiatórios. Os políticos atiçam as chamas, demonizando imigrantes ou "tornando a América grandiosa de novo". Isso é o que está vendendo essas idéias como válidas.Você o ouve de alguém muito influente, então deve ser verdade.E há também uma vulnerabilidade pessoal.Esses supremacistas nascentes são como átomos aos quais falta um próton. Está lhes faltando algo, social ou emocionalmente, e é ai que essas organizações preenchem o vazio. Essas pessoas são vulneráveis a receber a mensagem desses projetos ideológicos, essas narrativas. É um ajuste fácil naquela estrutura de necessidade que eles têm. Ao preencher essa necessidade, eles começam a se sentir capacitados. Sua sensação de aventura é ativada. Eles estão se tornando parte de algo maior e mais significativo do que eles mesmos. Esse processo inicia-se com uma fase de preparação, seguida de crescente pressão para agir. Você precisa ser um ativista, mas eles equipararam o ativismo com violência, então, se você não está sendo violento, você realmente não é um ativista.

O PODER DA DIVISÃO RACIAL
A raça é um conceito profundo e poderoso na história americana, e como tal, é um ponto de cristalização fácil para o ódio e a violência. E a desumanização de outras raças parece ser uma atitude importante na diferenciação dos supremacistas brancos.
Patrick Forscher (professor de psicologia da Universidade de Arkansas) e Nour Kteily (professor de gestão e organização,da Northwestern University, em Illinois), pesquisaram membros autoproclamados da alt-right e compararam suas atitudes, crenças, comportamentos e traços de personalidade com pessoas que não se identificaram como tais. O alt-right é um movimento muito vagamente definido, de pessoas que geralmente apoiam o nacionalismo branco, as políticas protecionistas e o populismo de direita. Como não há uma definição de alt-right,eles perguntaram às pessoas se elas pessoalmente se consideravam parte desse grupo. Também pediram que as os entrevistados definissem "alt-right", e desconsideraram os que deram respostas absurdas ou definições copiadas do Google.
Assim, descobriram que em geral, os membros da alt-right são mais propensos a relatarem agressão (tanto cometida pessoalmente quanto via internet) exibem mais traços de personalidade negativos, especialmente psicopatia, característica definida pelo transtorno antisocial e falta de empatia.Também eram mais maquiavelicos, ou estavam dispostos a manipular outros para seu próprio ganho, e mais narcisistas do que os demais. Além disso, eram mais dados a desumanizar grupos minoritários, bem como grupos politicos, como trabalhadores governamentais ou jornalistas.
Obviamente, como a pesquisa foi preliminar não pode representar completamente todo o movimento alt-right. Os entrevistados foram 447 adeptos da alt e 382 não, todos recrutados online. No entanto, os pesquisadores encontraram um intrigante cisma entre os adeptos, que foram assim divididos em 2 grupos: 226 aprovaram um conjunto de atitudes e crenças que os pesquisadores chamaram de "populistas". Estes estavam mais preocupados com a corrupção do governo do que o resto dos alt-righters. O outro grupo de 217, foi mais para o lado "supremacista" e mais extremista em muitos aspectos.
Forscher comenta: "Eles tem mais motivação para expressar preconceito, desumanizam outros grupos em maior medida, tem mais traços da tríade escura e relatam se comportar agressivamente em relação aos outros em maior medida.
Não está claro em que medida essas pessoas representam aqueles que marcharam em Charlottesville, ou se houve enorme transição de populistas para completamente alt-righters, a depender de maior envolvimento no movimento.
Forscher disse que espera que a pesquisa contínua venha a ajudar a descobrir novas formas de modificar a mentalidade de pessoas que se acoplam a tais grupos, pois essas relataram fazer coisas que são ruins, assediam outros, fazem doxxing (é o revelar informações pessoais sobre pessoas on-line), e têm um monte de características que estão associadas com um comportamento agressivo. Acho que precisamos pensar muito seriamente sobre como prevenir coisas como o que vimos em Charlottesville ".

O DESAFIO DE MUDAR ATITUDES
Afastar as pessoas da mentalidade da supremacia branca não é tarefa fácil. Estudo apresentado na reunião anual da American Sociological Association em Montreal (Agosto 2017), mostra o quão difícil pode ser: Mesmo quando os racistas descobrem que não são inteiramente brancos, eles mantêm seu racismo.
A pesquisa centrou-se no site da supremacia branca (Stormfront), que exige que seus usuários sejam inteiramente europeus e sem ascendência judaica. (notar que, um estudo publicado em 2013 revelou que os judeus asquenazes são geneticamente europeus). O site começou em 1996 e inclui fóruns de usuários, tornando-se uma “janela” no espiar a mente de supremacistas brancos declarados.
Aaron Panofsky (sociólogo da Universidade da Califórnia, Instituto de Sociedades e Genética em Los Angeles), estava estudando a participação on-line em assuntos relacionados a ciências, quando recebeu a dica de que os supremacistas brancos da Stormfront publicavam e discutiam resultados de testes de ascendência genética, alguns dos quais mostraram que os usuários não eram tão "brancos" como esperavam. Panofsky e sua equipe escanearam o site para analisar mais de 3.000 postagens individuais que responderam a 153 indivíduos diferentes que tinham postado a respeito de seus testes genéticos.
Cerca 1/3 dessas postagens eram usuários comemorando que seus testes mostraram que eram, de fato, de ascendência européia. Essas postagens, no geral, receberam algumas respostas de felicitações. Outro terço foram pessoas publicando seus resultados sem comentários, o que poderia obter respostas de congratulações ou poderia cair na terceira categoria, dependendo de quais eram os resultados. A terceira categoria consistiu em pessoas que publicaram resultados "decepcionantes", mostrando que tinham ascendência não européia em seus antecedentes genéticos.
Surpreendentemente, para um grupo de pessoas que valorizam a pureza racial, os usuários do Stormfront quase nunca expeliram os “impuros”, muito antes pelo contrário, achando maneiras de rejeitar os testes e não a pessoa que os fez.
"Meu conselho é confiar em sua própria pesquisa de genealogia, sua árvore genealógica e o que seus avós lhe disseram, antes de confiar em um teste de DNA", um usuário tranquilizou um dos desapontados.
Às vezes, os usuários rejeitaram completamente os testes de ascendência genética, chamando-os de “conspiração judia” para que os brancos duvidassem de sua herança genética. Outros usuários promoveram o "teste do espelho". Você vê uma pessoa branca quando se olha no espelho? Ótimo, você é branco.
Em outros casos, os usuários apoiaram o conceito de teste genético como um todo, mas usaram argumentos científicos sofisticados para rejeitar resultados específicos. Por exemplo, eles podem argumentar que um teste mostrou uma pessoa como tendo ascendência nativo americana, não porque eles realmente tiveram essa ascendência, mas porque os nativo americanos utilizados como ponto de referência para o teste tinham pego algum DNA europeu pelo caminho, o que é um real desafio científico para os testes de ascendência genética, mas exagerado para os propósitos da supremacia branca.
Panofsky elabora: “Essas críticas são muito sofisticadas, tem base técnica, só que a interpretação é distorcida. É semelhante à forma como os negadores da evolução criaram um sistema pseudocientífico totalmente paralelo, para reforçar o conceito de design inteligente.O ponto é que os supremacistas brancos não são ignorantes ou idiotas; Eles são capazes de compreender argumentos bastante complexos para suportar sua visão pré existente de mundo. Eles também são capazes de colocar a comunidade e a proximidade de Stormfront à frente de informações genéticas que preferem ignorar. O que a Stormfront está dando a muitas pessoas, é um lugar para conhecer pessoas e fazer amigos. Há muitos conselhos de namoro e de “como lidar com a minha família”. Alguém pode não cumprir os critérios ideológicos, mas com certeza estão cumprindo os critérios da comunidade.
Não houve um único caso em que um usuário viu o erro de seus caminhos, via teste genético”.
Rangel, do “Vida após ódio”, concorda com essa visão, dizendo: “De fato, afastar as pessoas da supremacia branca não começa com argumentar, desafiar ou apresentá-los com fatos inconvenientes sobre sua própria linhagem. O primeiro passo para a reabilitação é um desejo genuíno de entender o que levou essa pessoa à necessidade de acreditar na ideologia.”
Sobre seu trabalho com os que querem sair desses grupos, diz:
"Eu não estou lá para desafiá-los. Estou lá para escutar. Estou lá para compartilhar espaços.Eventualmente, vou desafiar as crenças, mas apenas numa atmosfera de autenticidade e compaixão. A outra coisa importantissima, é recriar um ambiente de suporte social e com significado.
Tenho que ajudá-los a atender suas necessidades, as mesmas necessidades que os levaram ao extremismo.Temos que repor algo no vazio que fica quando algo é retirado".


E aqui termina o artigo e começam minhas observações. Quer me parecer que, no tratamento de extremistas, são usadas as mesmas técnicas psicoterapicas de qualquer tratamento de qualquer distúrbio mental, com ênfase no tratamento de drogadependentes, e aqui aparecem tópicos de extrema importância:
1- Extremismo, de qualquer espécie, é um disturbio mental, e como tal, pode e deve ser tratado.
2- Ao contrário de outros distúrbios mentais, como esquizofrenia ou depressão, extremistas e drogadependentes se unem em grupos que se autoalimentam, tem lógica ou para lógica própria, e qualquer tentativa de interferência é vista como ameaça à sobrevivência de citado grupo.
3- Ódio é intoxicante, tal qual qualquer outra droga que altere a mente.
4- Um dos pontos mais difíceis de qualquer tratamento psicoterapico é quando os sintomas estão diminuindo e ainda não há nada importante o suficiente para entrar no lugar. É o momento da recaida certo e seguro.
5- Para que possa existir a possibilidade de tratamento, é basal que se acredite que o problema é nosso. Enquanto encontramos desculpas, justificativas, explicações, nada é possivel. Ou como bem disse Freud, “Só mudamos quando a dor do mudar se torna menor que a dor do viver”.
E considerando a história do caráter americano de sempre terem tido um inimigo externo contra o qual lutar, não estou nada otimista neste momento em que eles estão tendo que encarar a si mesmos.

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How to Talk About Race to Kids: Experts' Advice for Parents CLIQUE AQUI

terça-feira, 8 de agosto de 2017

CÉREBRO FEMININO MUITO MAIS ATIVO QUE O MASCULINO


O que todas nós já tinhamos certeza, foi agora cientificamente demonstrado.

Um estudo com imagens cerebrais permitiu quantificar as diferenças entre os sexos e poderá servir para compreender os riscos de doenças como o Alzheimer.

O cérebro feminino é muito mais ativo que o masculino,demonstrado pela análise dos resultados de 46.034 séries de tomografias por emissão de fóton único (SPECT: técnica de imagem que usa compostos radioativos que emitem raios gama, os quais fornecem dados biopatológicos em 3D, permitindo assim medir o fluxo sanguíneo no cérebro, identificando as regiões com atividade neurologica elevada).
Destarte,os pesquisadores da Clínica Amen, em Newport California, conseguiram identificar citadas diferenças.

Foram mapeadas 128 zonas cerebrais de 119 voluntários sem qualquer psicopatologia e 26.683 pacientes com vários distúrbios neuropsiquiatricos (traumas cerebrais, disturbios do humor, esquizofrenia e outros distúrbios psicóticos), e assim foi descoberto que o cérebro feminino é particularmente ativo no Córtex pré frontal e no Sistema límbico, o que poderia explicar o motivo pelo qual as mulheres tendem a mostrar maior empatia, intuição e autocontrôle ( o cortex pré frontal tem ação fundamental no controle dos impulsos). Em compensação, tem maior tendência a ansiedade, depressão, insônia e distúrbios alimentares, pois o sistema límbico está associado ao comportamento das emoções.

Nos homens, a atividade cerebral é mais elevada nas áreas ligadas à visão e coordenação.

Segundo os autores, o compreender essas diferenças é de fundamental importância, porque os distúrbios cerebrais influem de formas diferentes nos sexos. Assim, se os homens tem maior propensão de ter distúrbios comportamentais como o Déficit de Atenção ou no contrôle dos impulsos, as mulheres tem mais risco de desenvolver Depressão e Alzheimer.

Gender-Based Cerebral Perfusion Differences in 46,034 Functional Neuroimaging Scans
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Women Have More Active Brains Than Men
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sábado, 29 de julho de 2017

SMARTPHONES SEQUESTRAM CAPACIDADES COGNITIVAS

Estar próximo a um smartphone reduz a capacidade cognitiva, mesmo quando o mesmo está desligado, mostra uma nova pesquisa da McCombs School of Business, da Universidade do Texas, em Austin (chefe da pesquisa: Adrian Ward, PhD).

Foram feitos 2 estudos com cerca de 800 estudantes de graduação, os quais se envolveram em uma tarefa cognitiva com seus smartphones colocados perto e à vista, perto e fora da vista, ou em uma sala separada.

Os pesquisadores descobriram que a mera presença de um smartphone afetou adversamente a capacidade cognitiva disponível, mesmo quando os participantes tiveram sucesso em manter a atenção, não estavam usando seu telefone e não relataram pensar no telefone. Estes efeitos cognitivos foram mais fortes em quem relatou maior dependência de smartphones.

Os participantes foram distraídos não porque estavam recebendo notificações em seus smartphones, mas a mera presença do mesmo foi suficiente para reduzir sua capacidade cognitiva.

"A proliferação de smartphones deu início a uma era de conectividade sem precedentes. À medida que os indivíduos se voltam cada vez mais para as telas de smartphones, para gerenciar e aprimorar suas vidas diárias, devemos perguntar como a dependência desses dispositivos afeta a capacidade de pensar e funcionar no mundo fora da tela.”

As pesquisas anteriores se concentraram em como as interações dos consumidores com seus smartphones podem facilitar e interromper o desempenho fora da tela. O presente estudo difere, porque se concentra em "uma situação anteriormente inexplorada (mas comum)" - quando os smartphones não estão em uso, mas meramente presentes.

Os pesquisadores descobriram que as diferenças individuais na dependência de smartphones moderaram as diminuições cognitivas. Os participantes que dependiam mais dos seus smartphones apresentaram um desempenho pior do que aqueles menos dependentes, mas apenas quando mantiveram os telefones em seus bolsos ou bolsas ou em suas mesas.

"Ironicamente, quanto mais os consumidores dependerem de seus smartphones, mais eles parecem sofrer com sua presença, ou, quanto mais eles poderiam se beneficiar com sua ausência. Há uma tendência linear que sugere que, à medida que o smartphone se torna mais visível, a capacidade cognitiva disponível dos participantes diminui. Sua mente consciente não está pensando em seu smartphone, mas esse processo - o processo de se exigir a não pensar sobre algo - usa alguns de seus recursos cognitivos, os quais são limitados. É uma drenagem das funções cerebrais", observam os pesquisadores.

Comentando o estudo para Medscape Medical News, Larry Rosen, PhD, professor emérito de psicologia da Universidade Estadual da Califórnia em Dominguez Hills, chamou o estudo de "muito bem feito e bem executado, mas também um pouco assustador.

"Nosso grupo monitorou alunos estudando, com seu celular ao lado. E a norma, mesmo que seu trabalho seja realmente importante e eles sabem que os estamos observando, é que eles estudam no máximo 10 a 15 minutos, que é sua capacidade máxima de prestar atenção e não se sentir obrigado a verificar seus telefones. As pessoas verificam seus telefones, mesmo que o telefone não vibre ou não recebam notificações, o que é um produto da nossa imersão neste mundo de smartphones. Sabemos que esse comportamento aumenta a ansiedade e também diminui o poder do cérebro, criando dificuldades em processar informações, o que faz sentido quando a informação que você deveria estar entendendo, está sendo distraída pelo dispositivo. Como se pode lembrar ou processar qualquer coisa profundamente se a processamos por apenas alguns minutos? Este estudo também tem importantes implicações clínicas, pois há que estar ciente que qualquer mensagem que se esteja passando a nossos clients, provavelmente não está sendo ouvida claramente porque não permitimos que eles usem seus telefones durante a sessão, então o cérebro está parcialmente distraído. Podemos pedir que eles reflitam sobre isso, mas o que eles realmente vão refletir é que não verificaram seu Snapchat por um tempo. Além disso, os clínicos têm que restringir seu próprio comportamento e não textar no meio de uma sessão. Se necessário, clinico e paciente podem fazer uma pequena pausa para verificar o telefone". afirmou o Dr. Rosen, autor de The Distracted Mind (MIT Press, 2016).

Os pesquisadores sugerem várias táticas para mitigar a distração, observando que, à luz de suas descobertas, colocar o telefone virado para baixo ou para cima ou desligado é puro exercício em futilidade, e que há só uma simples solução: SEPARAÇÃO, particularmente "períodos de separação definidos e protegidos".

Os pesquisadores concluem que seu estudo contribui para a crescente discussão entre consumidores e comerciantes sobre as influências da tecnologia nos consumidores - e os consumidores na tecnologia - em um mundo cada vez mais conectado.

O artigo original foi publicado on line, em 03/04/2016, na revista Journal of the Association for Consumer Research

ARTIGO NO MEDSCAPE CLIQUE AQUI

quinta-feira, 27 de julho de 2017

PARECE QUE FOI DESCOBERTO O QUE CAUSA A ESQUIZOFRENIA

Antes de qualquer coisa, vale lembrar que a esquizofrenia é um transtorno cerebral crônico que afeta aproximadamente 1% da população mundial. Quando está ativa, os sintomas podem incluir delírios, alucinações, problemas de pensamento e concentração e falta de motivação, e embora haja tratamentos, não há cura, e é por isso que o artigo abaixo se torna tão importante.

Nova pesquisa identificou a causa dos problemas de fiação no cérebro, nas pessoas com esquizofrenia. Quando os pesquisadores transplantaram células cerebrais humanas de indivíduos diagnosticados com esquizofrenia de início infantil em camundongos, as redes de células nervosas do animal não amadureceram adequadamente e os ratos apresentaram os mesmos comportamentos anti-sociais e ansiosos observados em pessoas com a doença.

"Os resultados deste estudo mostram que a disfunção das células gliais pode ser a base da esquizofrenia infantil", afirmou o neurologista Steve Goldman, MD, Ph.D., da U Rochester Medical Center (URMC), co-diretor do Centro de Neuromedicina Translacional e principal autor (no jornal Cell). "A incapacidade dessas células em desempenhar seu trabalho, que é ajudar as células nervosas a construir e manter redes de comunicação saudáveis e eficazes, parece ser um dos principais contribuintes para a doença".

As células da glia são células de apoio do cérebro e desempenham um papel crítico no desenvolvimento e manutenção da complexa rede interconectada de neurônios do mesmo. Há 2 tipos principais: astrócitos e oligodendrócitos. Os astrócitos são as principais células de apoio do cérebro, enquanto os oligodendrócitos são responsáveis pela produção de mielina, o tecido adiposo que, tal qual o isolamento em fios elétricos, envolve os axônios que conectam diferentes células nervosas. A fonte dessas duas células é outro tipo de célula chamado célula progenitora glial (GPC).

Os astrocitos executam diversas funções. Durante o desenvolvimento, colonizam áreas do cérebro e estabelecem domínios a partir dos quais ajudam a direcionar e organizar a rede de conexões entre células nervosas. Os astrocitos individuais também enviam centenas de fibras longas que interagem com as sinapses (junção onde o axônio de um neurônio encontra o dendrito de outro). Os astrocitos ajudam a facilitar a comunicação entre os neurônios nas sinapses, regulando o fluxo de glutamato e potássio, permitindo que os neurônios "disparem" quando se comunicam uns com os outros.

No novo estudo, os pesquisadores usaram células da pele de indivíduos com esquizofrenia de início infantil e as reprogramaram, criando células-tronco pluripotentes induzidas (iPSC) que, como as células estaminais embrionárias, são capazes de dar origem a qualquer tipo de célula do corpo . Empregando um processo desenvolvido pela primeira vez pelo laboratório Goldman, a equipe manipulou os iPSCs para criar GPCs humanos, os quais foram transplantados em cérebro de camundongos recém natos. Essas células começaram a “competir”com a glia nativa dos animais, resultando em ratos com cérebros compostos por neurônios animais e GPCs humanos, oligodendrócitos e astrócitos.

Os pesquisadores observaram que as células gliais humanas derivadas de pacientes esquizofrênicos eram altamente disfuncionais. O desenvolvimento de oligodendrócitos foi adiado e não criaram suficientes células produtoras de mielina, o que significa que a transmissão do sinal entre os neurônios foi prejudicada.

O desenvolvimento de astrócitos foi , similarmente tardio, de modo que não não funcionaram como uma unidade de produção, tornando-se assim ineficazes na orientação da formação de conexões entre os neurônios. Também não amadureceram adequadamente, resultando em células deformadas que não suportavam as funções de sinalização dos neurônios em torno deles.

"Os astrócitos não amadureceram completamente e suas fibras não preencheram seus domínios normais, o que significa que, enquanto eles são reconhecidos por algumas sinapses, não o são por outras", disse Martha Windrem, Ph. D., do Centro de Neuro medicina Translacional da URMC. "Como resultado, as redes neurais nos animais tornaram-se dessincronizadas e descoordenadas".

Os pesquisadores também submeteram os ratos a uma série de testes comportamentais, observando que, os ratos com células gliais humanas dos indivíduos com esquizofrenia, eram mais temerosos, ansiosos, anti-sociais e tinham uma variedade de déficits cognitivos em comparação com ratos transplantados com células gliais humanas de pessoas saudáveis.

Os autores do estudo apontam que a nova pesquisa fornece aos cientistas uma base para explorar novos tratamentos para a doença. Como a esquizofrenia é única, acontecendo só em seres humanos e nenhum outro animal, isso limitou muito a possibilidade de estudar a doença. O novo modelo animal desenvolvido pelos pesquisadores pode ser usado para acelerar o processo de testes de drogas e outras terapias.

O estudo também identifica uma série de falhas de expressão de genes gliais que parecem criar desequilíbrios químicos que perturbam a comunicação entre neurônios. Essas anormalidades podem representar metas para novas terapias.

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sábado, 22 de julho de 2017

NOVE MUDANÇAS NO ESTILO DE VIDA PODEM REDUZIR AS CHANCES DE VIR A TER DEMÊNCIA


Um em cada três casos de demência poderia ser evitado se mais pessoas cuidassem de sua saúde cerebral ao longo da vida, de acordo com um estudo internacional na Lancet.
Se continuarmos no pé em que estamos, em 2050 teremos cerca de 131 milhões de pessoas com demência, globalmente.
Estima-se que existem 47 milhões de pessoas com a condição no momento.

Nove fatores que contribuem para o risco de demência:

Perda auditiva na meia-idade - responsável por 9% do risco
Não completar o ensino secundário - 8%
Fumar - 5%
Não procurar tratamento precoce para depressão - 4%
Inatividade física - 3%
Isolamento social - 2%
Pressão arterial alta - 2%
Obesidade - 1%
Diabetes tipo 2 - 1%

Esses fatores de risco - que são descritos como potencialmente modificáveis - somam 35%. Os outros 65% parecem ser potencialmente não modificáveis.
Embora a demência seja diagnosticada na velhice, as alterações cerebrais geralmente começam a se desenvolver muitos anos antes,segundo o autor principal do estudo, Prof Gill Livingston, do University College de Londres.
Começar as mudanças agora. melhorará a vida para as pessoas com demência e suas famílias e, ao fazê-lo, transformar-se-há o futuro da sociedade.
O relatório, que combina o trabalho de 24 especialistas internacionais, diz que fatores de estilo de vida podem desempenhar um papel importante no aumento ou redução do risco de demência individual.
Ele examina os benefícios de construir uma "reserva cognitiva", o que significa fortalecer as redes do cérebro para que este possa continuar a funcionar na velhice, apesar dos danos.

A não conclusão do ensino secundário foi um fator de risco importante, e os autores sugerem que os indivíduos que continuam a aprender ao longo da vida, provavelmente criarão reservas cerebrais adicionais.

Outro grande fator de risco é a perda de audição na meia idade, pois isso impede que se tenha um ambiente cognitivamente rico, levando ao isolamento social e à depressão, que estão entre outros fatores de risco potencialmente modificáveis para a demência.

Outra mensagem-chave do relatório é que o que é bom para o coração é bom para o cérebro.

Não fumar, fazer exercício, manter um peso saudável, tratar a pressão arterial elevada e diabetes podem reduzir o risco de demência, bem como doenças cardiovasculares e câncer.

O Dr. Doug Brown, diretor de pesquisa da Alzheimer's Society, disse: "Embora não seja inevitável, a demência está atualmente definida como o maior assassino do século 21. Todos nós precisamos estar cientes dos riscos e começar a fazer mudanças positivas em nosso estilo de vida".

O Dr. David Reynolds, diretor científico da Alzheimer's Research UK, disse: "Ao lado da pesquisa de prevenção, devemos continuar investindo em pesquisa para encontrar um tratamento que mude a vida para pessoas com essa condição devastadora".

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